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quinta-feira, 22 de abril de 2010

"Um Índio" (Caetano Veloso) X "Carta à República" (Milton Nascimento)

O post dessa semana será uma “homenagem” ao Descobrimento do Brasil e ao Dia do Índio, comemorados dia 22 e 19 de Abril respectivamente.

Tentando escolher as músicas para o texto, pensei em várias que já haviam sido usadas por mim e fiquei com um grande impasse em qual seria a música que representaria o maior feito de Pedro Álvares Cabral. Quando já havia perdido as esperanças, descobri uma música de Milton Nascimento e Fernando Brant, que representava exatamente o que eu queria dizer neste meu post. O nome da escolhida é: “Carta à República”, que será confrontado com “Um Índio”, de Caetano Veloso (terceiro post seguido com uma letra de Caetano).

Vou seguir a ordem cronológica das homenagens e falarei sobre os índios e sobre o “índio” de Caetano, que coloca sua poesia concreta e nada fácil de entender a serviço desses seres que fazem parte da fauna brasileira (sim, acreditem ou não, índio não é cidadão, é fauna). Prestando maior atenção a letra do eterno tropicalista, pude perceber porque tudo que Caetano faz se tornar clássico... A letra pode ser muito bem utilizada para falar da grande polêmica em torno da construção da Usina Hidrelétrica de Belo Monte. Obra do governo federal, que segundo ambientalistas e acadêmicos, irá causar diversos impactos socioeconômicos na região e afetará também a fauna e a flora local por causa da redução do fluxo de água do Rio Xingu.

Num ponto eqüidistante entre o atlântico e o pacífico, e no meio do fogo cruzado entre ambientalistas e o governo federal – e as empreiteiras que estão de olho nos bilhões de reais que serão investidos na obra -, estão índios que mais uma vez serão prejudicados pela cobiça do homem branco que não se importa com o fato de remover daquelas terras, tribos indígenas que provavelmente estão ali há bem mais tempo do que o meros 510 anos do Brasil. E viram seus domínios serem demarcados para poder atender a eterna sede de poder dos “bravos” desbravadores, que em nosso passado de absurdos gloriosos quis adequar os índios as normas de uma sociedade hipócrita e mentirosa, que diz que devemos preservar nosso passado, mas que não sente o menor remorso em exterminar a última nação indígena e destruir o espírito dos pássaros e as fontes de água limpa, para poder substituí-la pela mais avançada, das mais avançadas das tecnologias.

E assim, aquilo que poderia se revelar aos povos não por ser exótico, mas sim pelo fato de poder ter sempre estado oculto quando terá sido o óbvio, mais uma vez será tragado pelo espírito destrutivo e egoísta do homem civilizado, o que fará com que as novas gerações nunca conheçam seus verdadeiros antepassados, que mesmo impávidos como Muhammed Ali e apaixonante como Peri, terá o mesmo destino de Bruce Lee.

Mudando o assunto para o descobrimento de Cabral, usarei a “Carta à República” de Milton Nascimento para poder falar da nossa grande pátria desimportante que chega aos seus 510 anos sem ter evoluído muito da época em que Pedro Álvares chegou aqui e viu uma terra linda, que passou por poucas e boas graças aos incompetentes que sempre nos governaram como se fossemos uma república de bananas.

Como bons brasileiros, continuamos brigando, apanhando, sofrendo, aprendendo, cantando, berrando, chorando, sorrindo e sonhando com um futuro em que nossos filhos não tenham medo das ruas, dos bares e de suas casas, aonde possamos ter alegria ao invés de amargura, ao ver que o sonho de um Brasil mais justo andou para trás.

Nesse ano de eleição vamos começar a mudar as coisas, vamos tentar eleger pessoas que façam coisas diferentes do que foi feito até agora. Para que esse meu pensamento utópico de um futuro melhor se realize, o povo tem que acreditar que é o senhor, e tem que se juntar em uma só voz, numa só canção.

Eu quero trabalhar em paz, quero um país honesto e por isso não posso me acomodar. E tendo colocado a mão no futuro, vejo que no presente preciso ser duro, para que nossa esperança não seja carregada como um sorvete em pleno Sol.

By Eduardo

Links das Letras:

http://letras.terra.com.br/milton-nascimento/646470/

http://letras.terra.com.br/caetano-veloso/44788/

3 comentários:

Nine disse...

Brilhante, brilhante, brilhante, como tudo que está aprendendo a escrever. Perfeito, perfeito, perfeito, como você.

Fernando disse...

Milton Nascimento sequer criou um fonema do texto que vc reputa a ele. Fernando Brant, sim. Milton não faz letra. É um grande músico, mas, com as palavras, beira o analfabetismo.
Seria mais justo usar apenas o nome do letrista Brant.

Sds

Anônimo disse...

"É um grande músico, mas, com as palavras, beira o analfabetismo."

que bobagem! É desse "semi-analfabeto" as letras de Coração de Estudante, A Lágrima e o Rio, Carta a um Jovem Ator, só para citar algumas.