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sexta-feira, 5 de novembro de 2010

"Pedaço de Mim" (Chico Buarque)

Bom... Acho que estou em dívida com as pessoas que acompanham este blog e que esperavam que nas semanas que precederam e na semana após a eleição, Mônica e eu postaríamos textos politizados. Infelizmente a correria e falta de tempo não nos permitiu parar e postar nada (prova disso, é que o texto para o dia das Crianças já está pronto, e eu estou aqui escrevendo para o dia de Finados).

Passada uma primeira explicação, acho que é hora de tirar minha mente da inércia em que ela se encontra e escrever, e como não poderíamos deixar passar (de novo) em branco, o texto dessa semana é inspirado pelo dia de Finados. Dia que nós lembramos daquelas pessoas que fizeram parte da nossa vida, mas que já se foram (prematuramente ou não). E para falar deste tema, eu utilizo “Pedaço de Mim”, do mestre Chico Buarque, que destila sua melancolia para nos mostrar como a saudade dói.

Chico é um gênio ao narrar situações e sensações do nosso cotidiano (sem trocadilhos), e em “Pedaço de Mim”, ele nos mostra a dor de uma pessoa que perdeu alguém que lhe era muito querido (em nenhum momento ele explica o que a pessoa que se foi era realmente do eu-lírico da música, por isso eu também não vou estreitar nenhum tipo de laço afetivo).

Essa pessoa, é um pedaço de mim, é a metade que me foi arrancada e agora a saudade dói como um barco que evita atracar no cais, e deixa apenas a lembrança de dias que jamais voltarão, porque a essência daquela pessoa não volta e não importa quantos anos passem, a dor não cicatriza.

E essa saudade, ela é como um revés de um parto, como uma fisgada de um membro que já perdi. Ela é o rosto salvo na memória, mas que não renova as expressões. A saudade de alguém que amamos é tão brutal, que chega a ser nossa presença mais sentida.

A saudade é tão cruel quanto arrumar o quarto do filho que já morreu, e sentir ali o cheiro e os sentimentos depositados naqueles objetos que não vão fazer com que aquela pessoa que foi exilada de mim volte, e isso é pior do que o esquecimento.

A saudade é uma dor latejada, é o pior castigo para as pessoas que conseguem criar laços, vínculos. Arrancar de nós alguém que participou de nossas vidas, que esteve do nosso lado nos melhores e piores momentos é o pior tormento que pode existir, e só quem já sentiu essa dor, pode dizer de verdade o que a outra pessoa está sentindo.

Por isso que é preciso amar as pessoas como se não houvesse amanhã, porque numa manhã de sábado ou numa tarde de domingo, a notícia que nós não queremos ouvir pode ser dita pela boca de alguém que jamais entenderá o que é a dor da saudade.

E eu não quero levar a mortalha do amor. Adeus!

By Eduardo

Link da letra:

http://letras.terra.com.br/chico-buarque/86030/

2 comentários:

Nine disse...

Amor meu, pra falar de nostalgia, saudade e perda, é necessário muita sensibilidade, e você esbanja isso. Conseguiu fazer um texto tocante, que emociona e nos faz reviver uma saudade latejante que ainda pulsa em nós. Está de parabéns. Mostrou que seu talento é multifacetado, e você consegue vestir a idéia que precisar ser desenvolvida. Amei, meu amor. Meu pedaço eterno de mim.

ademar amancio disse...

Esta música o chico fez pra uma amiga que tinha perdido o filho nos porões da ditadura militar.