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terça-feira, 15 de setembro de 2009

Boas novas (Cazuza) X Bom é quando faz mal (Matanza)

Mais uma terça-feira, senhoras e senhores. Venho até vocês para lhes trazer boas novas, desta vez sou eu quem escrevo sobre peste e morte. Não esperem que eu fale de doenças (sejam elas físicas ou da alma). Vou utilizar minha ótica meio distorcida para o tema e vejamos no que vai dar.

Assim como guerra e fome, peste e morte são irmãs, estão unidas em sua missão de nos levar embora dessa vida. Seria bem fácil e cômodo, escrever um texto reclamando que as pestes desse mundo são causadas, porque as pessoas só pensam em si próprias e todas essas frases feitas que temos para todos os assuntos, mas você já parou pensar que a peste que pode causar a sua morte é apenas um resultado do seu egoísmo?

É bom sair com os amigos e encher a cara, não? “Isso é apenas diversão, não pode fazer mal a ninguém”. Realmente isso não faz mal a ninguém, a não ser a você mesmo. Nós não podemos causar mal nenhum a ninguém, a não ser a nós mesmos, dizia Cazuza. E ele estava errado. Por causa de seu (des) compromisso com a vida, o poeta morreu vítima da maior peste do século passado, e sua morte causou grandes danos na vida de várias pessoas, desde familiares, até pessoas que nem sabiam da sua existência quando ele se foi.

Não estou falando que não precisamos cometer exageros, pelo contrário, os exageros devem ser cometidos, só que eles valem muito mais a pena, quando cometemos ao lado de quem se ama. Dividir um barril de whisky, vinte caixas de cerveja ou quilos de carne, com pessoas que só estão ao seu lado porque você pode lhes proporcionar isso, é mais importante do que compartilhar momentos com pessoas que só pedem a você a sua presença na vida delas? Não reclame que perdeu sua vida, se não foi capaz de valorizar estes momentos e nem respeitou seus limites como ser humano.

Isso tudo que eu estou escrevendo, pode ser apenas bobagem num papel aos seus olhos, mas na verdade é isso que eu falaria para o meu poeta se tivesse a chance de conversar com ele, dizer como ele foi egocêntrico em não pensar nos órfãos que ele deixou ao partir tão cedo. Não estou julgando Cazuza e nem ninguém por querer se divertir, até porque, na minha opinião, diversão é solução, sim!

Só eu sei como estou fazendo das tripas coração para escrever estas metáforas rimadas e dizer que a maior hipocrisia do mundo, é clamar pela vida quando você em nenhum momento cuidou dela do modo como deveria, para não ter que fazer do medo sua oração, porque não é Deus na hora “H”, que vai redimir você das conseqüências que qualquer coisa traz.

Esse é apenas um texto de alguém que descobriu que a vida significa muito mais, quando dividimos todos os momentos ao lado de quem vale a pena, não importa se sejam poetas, loucos ou cantores do porvir.

By Eduardo

Links das Letras:

http://letras.terra.com.br/matanza/95573/

http://letras.terra.com.br/cazuza/85001/

terça-feira, 8 de setembro de 2009

Temas para Semanas Utópicas

Parir idéias não é fácil. A dois então, é como dividir a dor e multiplicar a responsabilidade sobre o que vai nascer. Afinal, todos queremos herdeiros notáveis. A vida é mesmo um ciclo de acontecimentos em cadeia.

As idéias nascem, crescem, multiplicam-se e modificam-se, antes de se tornarem reais. Para cada idéia, mil músicas. Para cada música, um universo de histórias. Para cada universo, um turbilhão de emoções compartilhadas. Nossos ouvidos estão sintonizados: necessitam urgentemente capturar as intenções de cada verso.

Nossa afinidade nos levou à criação desse espaço. Nossa percepção musical, à entender que inspirações aleatórias não alimentam para sempre. E assim, surgiram idéias temáticas, onde os nossos tópicos utópicos serão abordados dentro de assuntos com alguma coisa em comum, previamente explicados. Porque criar é algo que nos fascina. Saber que há música para tudo e para todos, nos move a pensamentos sem fim. E para começar, falaremos do fim. Fim dos tempos, fim do mundo (?).

By Eduardo e Mônica

Os Quatro Cavalheiros do Apocalipse

Os quatro cavalheiros do apocalipse, personagens que foram descritos na terceira visão profética do apóstolo João, no livro do apocalipse. Estão em número que representa a simetria e universalidade, como os quatro cantos da Terra e aos quatro ventos. São representados por símbolos: Conquista (ou às vezes, o Anti-Cristo), Guerra, Fome e Morte, embora apenas este último seja identificado pelo nome. A Conquista, é simbolizada pela falsa inocência e paz disfarçada, por usar um cavalo branco e um arco, e também pode ser interpretada como a Peste. A guerra é descrita por um cavalo vermelho, pelo sangue derramado, e uma espada que explicita a luta. A fome, obscura, aparece em um cavalo negro que carrega a balança da desigualdade, da escassez de alimentos e das trocas injustas. Por último, a morte aparece em um cavalo Baio, de pele tão esverdeada quanto um cadáver em decomposição, tem a honra de ser o único cavalheiro a ser chamado pelo nome, como a única certeza que nos aguarda. Porta um tridente, e tem o poder de receber àqueles destruídos pela guerra, pela fome e pela peste.

By Eduardo e Mônica

Duelo de Titãs: O Pulso X Epitáfio

Começando a falar sobre posts temáticos, eu e o Eduardo nos dividimos, 2 temas pra cada um, sobre os quatro cavalheiros do apocalipse, tema dessa semana. O mais engraçado da divisão, é que foi ao “acaso”, e não percebemos que ficamos com temas que se completam...Ele, Guerra e Fome. Eu, Peste e Morte.

Pra expor minhas idéias relacionadas a tais temas, usarei músicas, que sem querer, são do mesmo (fantástico) grupo. Peste X Morte deram origem ao duelo de Titãs, de O pulso X Epitáfio.

Em O Pulso, são vomitadas infinitas enfermidades que acometem a raça humana, e mesmo remando contra a maré, o pulso ainda pulsa...A vida persiste e tenta sobreviver. O que mais me chamou a atenção, foi o fato de apesar de muitas doenças que deterioram o nosso corpo serem citadas, estas são mescladas com as piores pestes que nos invadem: as doenças da alma. Rancor, estupidez, ciúmes, hipocrisia. Culpa, e até hipocondria e cleptomania.

Estamos em um mundo doente, com uma sociedade doente, de todas as formas. Mas a pior epidemia que pode nos atacar é aquela que remédio algum pode curar. Porque o corpo, ainda é pouco, e não nos basta, porque sempre queremos mais. Mais. Mais do que nossas mãos alcançam. A peste toma conta de nós e nos alimenta, pra depois nos fazer definhar à sua própria sorte, até a morte nos levar com piedade.

E quando percebemos, chegamos ao fim...E Epitáfio retrata esse fim com toda lamentação de alguém que deixou sua vida passar sem fazer parte dela.

Alguém que chega ao fim de sua jornada, olha pra trás e vê tudo o que deixou passar, por hiperestimar coisas que não valiam nada e não dar valor às pequenas coisas, que são aquelas que farão grande diferença na forma como vivemos a nossa vida, e são o que nos farão termos as melhores lembranças.

Rancor de nós mesmos e culpa por não saber fazer a coisa certa. Medo de amar, de chorar, de viver. Resistência em aceitar as pessoas com todos os seus defeitos, e dores que trazem em seus corações. As qualidades até parecem ficar pequenas, as alegrias também. O nosso maior erro é achar que o mundo tem que se adequar à nossa forma de enxergá-lo, quando na verdade, nós que devemos ajustar nossas lentes pra termos um novo olhar.

Somente quando percebermos que estamos imersos em um mundo doente, onde todo o tipo de peste nos leva pro lado mais obscuro da moeda, poderemos largar nossos sentimentos dopados e perceber que seríamos muito mais felizes se não nos importássemos com problemas pequenos.

Se nossas almas não fossem doentes, dormentes, alienadas, não teríamos que lamentar uma vida perdida, e poderíamos olhar pra trás e ver que valeu a pena. Porque talvez não haja nada que me proteja enquanto eu andar distraída. Mas o pulso ainda pulsa. E não é pouco. Ele quer pulsar cada vez mais, livre da sombra das pestes a nos atormentar. E como diria o poeta “Só há uma coisa da qual me arrependi: foi não ter morrido de amor...”

By Mônica

Links das Letras:

http://letras.terra.com.br/titas/48989/

http://letras.terra.com.br/titas/48968/

Canção do Senhor da Guerra (Legião Urbana) X Comida (Titãs)

Mais uma vez venho por meio deste blog destilar minha opinião sobre temas que me motivam e que me fazem pensar. Esse é o primeiro post, de uma série sobre os quatro cavaleiros do apocalipse. Logo de primeiro peguei como temas a Guerra e a Fome.

Pensei em falar delas como co-irmãs, afinal num lugar onde se faz guerra, não se tem comida, exceto para soldados, que são os fantoches dos senhores que lucram com a guerra, porque exportar armas é mais lucrativo que comida, e o que é a guerra, senão um meio de evitar a superpopulação?

Guerras são todas inúteis, um excelente modo do homem mostrar o quão é ignorante e o quanto não sabe viver em paz com seus semelhantes. Não vou fugir do tema principal, que é correlacionar a guerra com a comida (ou a falta dela), aqui nesse texto ela será representada não em forma de alimento, mas como cultura.

Todos se lembram dos malefícios que a Guerra trás para a economia dos países, mas ninguém realmente se lembra de como ela é prejudicial para o povo ao ferir seu orgulho, ao ver sua pátria-mãe ser invadida por pessoas que simplesmente não respeitam aquilo que eles têm de mais valor: sua cultura.

Quando os Titãs falam em seus versos que nós não queremos só comida, mas também prazer pra aliviar a dor, que queremos inteiro e não pela metade, seus versos podem ser muito bem encaixados em situações de guerra, comida não é apenas alimento para o corpo, isso apenas não basta para formar um ser humano. Por isso que o senhor da guerra não gosta de criança, qual o lucro esse velho terá no futuro se ele criar pensadores, para quem ele venderá seus brinquedos de guerra? Ele prefere investir seu dinheiro comprando sua juventude e te persuadindo a vencer, porque Deus está de um lado, e não é do perdedor...

A gente não quer só dinheiro, mas dinheiro e felicidade. Então... A guerra gera emprego e aumenta a produção, por isso as guerras não acabam, não dizem que feliz é o homem que tem emprego? E como brinde, seus filhos tem direito a belos uniformes. Por que se preocupar em sair para qualquer parte, se a guerra, seja ela santa, quente, morna ou fria, avança a tecnologia?

Você que está lendo esse post, reveja seus conceitos e pense, o que você prefere, comer ou ficar do lado de quem vai vencer?


By Eduardo

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terça-feira, 1 de setembro de 2009

Três vezes Fotografia: Jobim X Ana Carol X Leoni

Estava totalmente empolgada pra falar do tema que escolhi pra essa semana, e minha empolgação levou um banho de água fria ao perceber que me equivoquei: queria, precisava falar sobre fotografia e seu significado através da música, inspiração que tive ao ouvir algo curioso sobre fotografia.

E comecei a pensar em músicas que falavam do tema. Ouvi Foto Polaroid, da Taviani, Retrato em Branco-e-Preto do Chico Buarque e Fotografia, de Jobim. Porém, o que eu desconhecia, é que a letra que eu achava que era de Jobim, era na verdade de Leoni. E com isso, fui buscar as letras, e descobri mais uma fotografia: de Ana Carolina. Então, depois de tirar minha dúvida implacável com o Eduardo, decidi. Fotografia tripla essa semana: Tom Jobim, Leoni e Ana Carolina.

Quando penso em fotografia, só um pensamento vem à minha mente: lembrança. Saudades. Tempo bom que ficou em alguma gaveta do passado.

Em sua versão, Jobim fala de um romance ao entardecer em frente ao mar. Cenário perfeito pra um amor, pra uma fotografia. A tarde vai embora pra deixar a noite chegar, e mesmo tendo que ir embora, fica a sensação de que o beijo é o desfecho ideal pra esse encontro. Simples e gostoso de ouvir. E de desejar.

Ana dramatiza mais, como é de sua natureza. Ela só consegue olhar os olhos de quem ama através da fotografia, porque ambos estão tão distantes com suas meias verdades que não conseguem aceitar a opinião alheia. É difícil de encarar. Mas ela jura que vê alem do que parece, quando diz que é do tamanho do que vê e não do tamanho que enxerga a si mesma.

Leoni retoma a idéia tranqüila do mar e do afeto, fotografias pedem mesmo um fundo ao pôr-do-sol. Sugerem lembranças, histórias, sorrisos. No começo, ele parece se preocupar mais com seu sossego do que com a própria felicidade. No curso de suas idéias, ele passa a se esforçar e cansar, ao tentar encontrar a felicidade. Encontra obstáculos, e parece encontrar uma pontinha de esperança quando “Deus deixa pistas” pra ele ser feliz. Até perceber, ao sentir saudades do seu passado, que foi feliz. Que era feliz. Que ele buscava algo que já era real.

Fotografia...cópia fiel, reprodução exata, retrato, segundo o dicionário. Imagem capturada de um instante que não volta e fica guardado na lembrança. Desenho de algo bonito que aconteceu, porque só queremos deixar registrado, memórias de um passado bom. De uma tarde ouvindo o quebrar das marolas, de um olhar, mesmo que oposto. De um beijo, um amigo, uma juventude a ser lembrada. De afeto.

Como diz a canção, “O que vai ficar na fotografia são os laços invisíveis que havia. As cores, figuras, motivos, o sol passando sobre os amigos. Histórias, bebidas, sorrisos. E afeto em frente ao mar”, em um pedaço de papel numa gaveta visitada em momentos de nostalgia, de tardes nubladas. Gosto bom de um tempo onde a memória de suaves momentos não era arquivada em um espaço virtual, que diminui a sensação de que aquilo aconteceu um dia, pois não é palpável, não tem peso. E precisamos dele. A minha alma tem o peso da luz. Tem o peso da música. Tem o peso da palavra nunca dita, prestes quem sabe a ser dita. Tem o peso de uma lembrança doce. Com açúcar e afeto.

By Mônica

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http://letras.terra.com.br/tom-jobim/49043/

http://letras.terra.com.br/ana-carolina/423860/

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Ode aos Ratos (Chico Buarque) X Bichos Escrotos (Titãs)

A idéia de fazer parte de uma sociedade sem personalidade sempre me assombrou e isso vai desde que comecei a ter uma visão política e social mais aguçada. A música é a minha grande professora, ela que me instigou, desafiou e não me deixou alienar. Já que a música foi minha grande professora, os filósofos dela são meus grandes heróis e um desses heróis é talvez o mais anti-herói de todos: Ney Matogrosso (a música é do Chico, mas foi a versão do Ney que me chamou atenção). Pessoas inquietas e nunca satisfeitas com certas situações como Ney sempre me agradaram mais que todos os artistas que simplesmente se deixaram levar por suas ondinhas de popularidade, pois demonstram no momento de maior popularidade que não é simplesmente isso que lhes deixa feliz.

Como estou falando do artista que mais tem personalidade na música nacional, também tenho que falar daquela banda que na sua fase aúrea, foi a mais polêmica e mais inteligente para criticar nossa sociedade hipócrita e triste, os Titãs. A banda em seu ápice criativo disse tudo o que todos nós queriamos dizer contra Igreja, Televisão e Polícia, mas é “Bichos Escrotos”, seu grande hino em favor dos seres malditos, que mais me chama atenção. É aproveitando essa escatologia titânica e a sutileza ácida de Chico buarque, que faço minha “Ode aos Ratos” das sociedade.

Sempre quando ouço “Bichos Escrotos”, do Titãs, não imagino os tais bichos como seres repugnates, mas como aquela parte da sociedade que vive escondida, porque ninguém lhes dá ouvido, eles fazem parte de uma tribo frenética em proliferação, que leva terror as pessoas que vivem no Shopping Center e no topo de seus arranha-céus. Quando digo levar terror, não significa do modo negativo. Esta “tribo” que me refiro é aquela parte da sociedade que diz a verdade sempre, doa a quem doer, são os “malditos” que tocam na ferida exposta.

Por não serem pré-programados como todos os outros que aceitam tudo sem contestar, são tratados como diferentes... Como pediram os Titãs, espero que esses bichos escrotos venham enfeitar meu lar, meu jantar, meu “nobre” paladar e que os “ratos” citados por Chico, estuporem as ilusões criadas por estes que querem nos manter calados.

“Ratos” e “bichos escrotos”, são sim meus semelhantes e meus irmãos, como todo filho de Deus, porque eu me recuso a acreditar que faço parte de algo tão triste e pálido como essa sociedade comandada por oncinhas pintadas, zebrinhas listradas e coelhinhos peludos, que eu sinceramente quero que vão se foder!

By Eduardo

Links das letras:

http://letras.terra.com.br/chico-buarque/129836/

http://letras.terra.com.br/titas/48960/