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terça-feira, 22 de setembro de 2009

Blues da Piedade (Cazuza) + A viagem de Heitor à procura da Felicidade

Esse é o início de uma nova “aventura” neste blog, vamos começar a falar de músicas que possam se relacionar com outros tipos de arte. Não qual movimento artístico, mas desde que isso nos inspire, iremos divagar e trazer para nossos amigos leitores nosso modo de ver música e arte.

As minhas comparações musicais acabam me fazendo enveredar por campos não muito convencionais. Entre a correria do trabalho e a faculdade, estava exercendo a leitura com o livro “A Viagem de Heitor à procura da Felicidade” (não vou analisar o livro e sim de como ele fez a ponte para a música deste post).

O livro conta a história de Heitor, um psicanalista que decide fazer uma viagem, para tentar entender a felicidade. E o porque de ter tantos pacientes que não tem motivos, mas mesmo assim, são infelizes. Em sua viagem, Heitor encontra vários exemplos de felicidade em simples fatos ou atitudes do cotidiano. Essa viagem mudou o modo do personagem ver o mundo e a felicidade.

Num trecho do livro, o tal Heitor tenta entender porque pessoas que tem todos os motivos para serem felizes, não o são. Pensei no que Frejat e a galera do Barão Vermelho disseram em “Pense e Dance”, que a “felicidade é um estado imaginário”, mas refletindo melhor, vi que o texto é mais complexo e resolvi tentar me fazer entender, utilizando as palavras do poeta.

As pessoas que Heitor cita, são as mesmas que não sabem amar e ficam esperando que alguém caia nos seus sonhos.

“Blues da Piedade” sempre disse muito para mim. Só que como bom fã de Cazuza, não foi por nenhum motivo altruísta, e sim pelo mais egoísta possível... Morro de medo de ser careta e covarde.

Peço ao senhor, piedade, grandeza e um pouco de coragem, para essas pessoas de alma bem pequena que de tanto remoerem seus pequenos problemas, não conseguem ser felizes.

O livro de certo modo me ajudou a entender duas coisas, a e principal, é que a felicidade não é um estado imaginário e sim de espírito, a segunda é que eu posso ser muitas coisas, inclusive careta, mas nem um pouco covarde, porque quando vejo a luz, ela ilumina minhas (grandes) certezas.

Dedico este texto às pessoas as pessoas fracas, que estão no mundo e perderam a viagem. E lhes dou um conselho: parem de querer aquilo que não tem.

By Eduardo

Link da Letra:

http://letras.terra.com.br/cazuza/44997/

Link sobre o livro:

http://www.orkut.com.br/Main#Community?cmm=21507946

terça-feira, 15 de setembro de 2009

Carta aos missionários (Uns e outros) X Tele fome (Jota Quest)

Invertendo a ordem com o Eduardo, e continuando a falar sobre os quatro cavalheiros, essa semana quem fala sobre guerra e fome sou eu. Guerra, na forma literal. E quanto à fome, que nos dói e nos faz ter pressa, falo dela. Mas não àquela que se sacia com alimento. Pelo menos, alimento pro corpo. Porque a gente não quer só comida, a gente quer matar a sede e curar a dor. Da alma. Com algum remédio ou antídoto para preencher nosso vazio interminável. Então, falo de fome de amor. É a fome que o mundo precisa saciar. Sendo assim, todos os outros problemas se dissolvem. Para seguir meu discurso, me utilizo de Uns e outros e sua Carta aos missionários, e Jota Quest com seu Tele fome.

Acredito na forte ligação dos temas, em uma era onde os egos que competem pelo poder tem fome de lutar, enquanto os miseráveis emplacam uma guerra por comida, por sobrevivência. Onde foi parar o amor num mundo onde existem gigantescas batalhas que tem como finalidade saciar desejos egoístas, uma fome – que deve ser mais intensa e urgente do que os que não tem alimento – de vencer exércitos a qualquer custo, mesmo que necessite devorar um a um os humanos como eles, pra chegar ao objetivo final?

Missionários e missões em um mundo pagão, resultam em missões suicidas. Se não há um Deus no comando, e crença em nada, como podemos esperar bons resultados dessa guerra?

Ódio e destruição nos quatro cantos da terra, como os quatro cavalheiros que noticiam o fim da espécie humana. Isso parece mesmo a marcha para o fim. Onde todos andam às cegas, em fileiras, indo pra lugar algum, destruindo-se uns aos outros no caminho.

A pureza das crianças não escapa desse revés. Em vez de estarem brincando, as crianças estão tomando a frente da guerra, dissipando sua inocência a cada vida que exterminam. Tem seus pequenos corações manchados pelo sangue faminto por poder e status que os representantes das grandes nações idolatram. A culpa vai para as crianças. As fardas bonitas e as condecorações, para os grandes senhores que não sujam suas mãos com o sangue que tanto sacia sua sede. E fica documentado no nosso passado de absurdos gloriosos, esse rastro sujo de sangue e glória.

Missionários de todas as partes, sem destino e sem saber porquê, obedecem cegamente à generais egocêntricos e inacessíveis. É isso que fica muito bem desenhado em Carta aos missionários. Acredito eu, que essa carta nunca tenha verdadeiramente chegado à eles e os alertado sobre suas realidades.

Em tele fome, falamos de fome de presença, pois as pessoas têm necessidades reais de afeto. Carência de andar de mãos dadas e saber como foi o dia, depois de um beijo na testa. A obrigação da sua voz é estar aqui, no ouvido do meu coração, dentro de mim, porque a tecnologia nos disponibiliza meios de estarmos juntos virtualmente e esquecemos a importância da presença física. Porque estarmos separados (por opção) se podemos estar juntos? Falar de amor ao telefone não basta, não dá pra ler a sinceridade em um aparelho eletrônico, só os olhos podem falar a língua do amor.

Estamos todos cada vez mais urgentes em ser feliz nesses tempos de guerra, com um apetite voraz por saciar nossos desejos. Pra você chegar mais rápido ao meu coração, porque ele está com pressa, no meio de toda essa esperança dispersa. Então não posso esperar. Como diz o slogan, quem tem fome, urge. E eu estou com fome de ser feliz. De amar. De vivenciar tudo o que é simples e banal aos olhos alheios. Porque emoções tendem a mostrar nossa face boba e ridícula, e é esse medo do ridículo que paralisa a todos nós. E nos faz parar no tempo. Numa janela escondida em algum lugar, onde a guerra é normal. Pessoas morrendo de fome, idem. A falta de amor é natural. Ninguém liga pra reforma moral. Pelo que você lutaria? Você tem fome de amor ou está satisfeito com a indiferença?

By Mônica

Links das Letras:

http://letras.terra.com.br/biquini-cavadao/67647/

http://letras.terra.com.br/jota-quest/20293/

Boas novas (Cazuza) X Bom é quando faz mal (Matanza)

Mais uma terça-feira, senhoras e senhores. Venho até vocês para lhes trazer boas novas, desta vez sou eu quem escrevo sobre peste e morte. Não esperem que eu fale de doenças (sejam elas físicas ou da alma). Vou utilizar minha ótica meio distorcida para o tema e vejamos no que vai dar.

Assim como guerra e fome, peste e morte são irmãs, estão unidas em sua missão de nos levar embora dessa vida. Seria bem fácil e cômodo, escrever um texto reclamando que as pestes desse mundo são causadas, porque as pessoas só pensam em si próprias e todas essas frases feitas que temos para todos os assuntos, mas você já parou pensar que a peste que pode causar a sua morte é apenas um resultado do seu egoísmo?

É bom sair com os amigos e encher a cara, não? “Isso é apenas diversão, não pode fazer mal a ninguém”. Realmente isso não faz mal a ninguém, a não ser a você mesmo. Nós não podemos causar mal nenhum a ninguém, a não ser a nós mesmos, dizia Cazuza. E ele estava errado. Por causa de seu (des) compromisso com a vida, o poeta morreu vítima da maior peste do século passado, e sua morte causou grandes danos na vida de várias pessoas, desde familiares, até pessoas que nem sabiam da sua existência quando ele se foi.

Não estou falando que não precisamos cometer exageros, pelo contrário, os exageros devem ser cometidos, só que eles valem muito mais a pena, quando cometemos ao lado de quem se ama. Dividir um barril de whisky, vinte caixas de cerveja ou quilos de carne, com pessoas que só estão ao seu lado porque você pode lhes proporcionar isso, é mais importante do que compartilhar momentos com pessoas que só pedem a você a sua presença na vida delas? Não reclame que perdeu sua vida, se não foi capaz de valorizar estes momentos e nem respeitou seus limites como ser humano.

Isso tudo que eu estou escrevendo, pode ser apenas bobagem num papel aos seus olhos, mas na verdade é isso que eu falaria para o meu poeta se tivesse a chance de conversar com ele, dizer como ele foi egocêntrico em não pensar nos órfãos que ele deixou ao partir tão cedo. Não estou julgando Cazuza e nem ninguém por querer se divertir, até porque, na minha opinião, diversão é solução, sim!

Só eu sei como estou fazendo das tripas coração para escrever estas metáforas rimadas e dizer que a maior hipocrisia do mundo, é clamar pela vida quando você em nenhum momento cuidou dela do modo como deveria, para não ter que fazer do medo sua oração, porque não é Deus na hora “H”, que vai redimir você das conseqüências que qualquer coisa traz.

Esse é apenas um texto de alguém que descobriu que a vida significa muito mais, quando dividimos todos os momentos ao lado de quem vale a pena, não importa se sejam poetas, loucos ou cantores do porvir.

By Eduardo

Links das Letras:

http://letras.terra.com.br/matanza/95573/

http://letras.terra.com.br/cazuza/85001/

terça-feira, 8 de setembro de 2009

Temas para Semanas Utópicas

Parir idéias não é fácil. A dois então, é como dividir a dor e multiplicar a responsabilidade sobre o que vai nascer. Afinal, todos queremos herdeiros notáveis. A vida é mesmo um ciclo de acontecimentos em cadeia.

As idéias nascem, crescem, multiplicam-se e modificam-se, antes de se tornarem reais. Para cada idéia, mil músicas. Para cada música, um universo de histórias. Para cada universo, um turbilhão de emoções compartilhadas. Nossos ouvidos estão sintonizados: necessitam urgentemente capturar as intenções de cada verso.

Nossa afinidade nos levou à criação desse espaço. Nossa percepção musical, à entender que inspirações aleatórias não alimentam para sempre. E assim, surgiram idéias temáticas, onde os nossos tópicos utópicos serão abordados dentro de assuntos com alguma coisa em comum, previamente explicados. Porque criar é algo que nos fascina. Saber que há música para tudo e para todos, nos move a pensamentos sem fim. E para começar, falaremos do fim. Fim dos tempos, fim do mundo (?).

By Eduardo e Mônica

Os Quatro Cavalheiros do Apocalipse

Os quatro cavalheiros do apocalipse, personagens que foram descritos na terceira visão profética do apóstolo João, no livro do apocalipse. Estão em número que representa a simetria e universalidade, como os quatro cantos da Terra e aos quatro ventos. São representados por símbolos: Conquista (ou às vezes, o Anti-Cristo), Guerra, Fome e Morte, embora apenas este último seja identificado pelo nome. A Conquista, é simbolizada pela falsa inocência e paz disfarçada, por usar um cavalo branco e um arco, e também pode ser interpretada como a Peste. A guerra é descrita por um cavalo vermelho, pelo sangue derramado, e uma espada que explicita a luta. A fome, obscura, aparece em um cavalo negro que carrega a balança da desigualdade, da escassez de alimentos e das trocas injustas. Por último, a morte aparece em um cavalo Baio, de pele tão esverdeada quanto um cadáver em decomposição, tem a honra de ser o único cavalheiro a ser chamado pelo nome, como a única certeza que nos aguarda. Porta um tridente, e tem o poder de receber àqueles destruídos pela guerra, pela fome e pela peste.

By Eduardo e Mônica

Duelo de Titãs: O Pulso X Epitáfio

Começando a falar sobre posts temáticos, eu e o Eduardo nos dividimos, 2 temas pra cada um, sobre os quatro cavalheiros do apocalipse, tema dessa semana. O mais engraçado da divisão, é que foi ao “acaso”, e não percebemos que ficamos com temas que se completam...Ele, Guerra e Fome. Eu, Peste e Morte.

Pra expor minhas idéias relacionadas a tais temas, usarei músicas, que sem querer, são do mesmo (fantástico) grupo. Peste X Morte deram origem ao duelo de Titãs, de O pulso X Epitáfio.

Em O Pulso, são vomitadas infinitas enfermidades que acometem a raça humana, e mesmo remando contra a maré, o pulso ainda pulsa...A vida persiste e tenta sobreviver. O que mais me chamou a atenção, foi o fato de apesar de muitas doenças que deterioram o nosso corpo serem citadas, estas são mescladas com as piores pestes que nos invadem: as doenças da alma. Rancor, estupidez, ciúmes, hipocrisia. Culpa, e até hipocondria e cleptomania.

Estamos em um mundo doente, com uma sociedade doente, de todas as formas. Mas a pior epidemia que pode nos atacar é aquela que remédio algum pode curar. Porque o corpo, ainda é pouco, e não nos basta, porque sempre queremos mais. Mais. Mais do que nossas mãos alcançam. A peste toma conta de nós e nos alimenta, pra depois nos fazer definhar à sua própria sorte, até a morte nos levar com piedade.

E quando percebemos, chegamos ao fim...E Epitáfio retrata esse fim com toda lamentação de alguém que deixou sua vida passar sem fazer parte dela.

Alguém que chega ao fim de sua jornada, olha pra trás e vê tudo o que deixou passar, por hiperestimar coisas que não valiam nada e não dar valor às pequenas coisas, que são aquelas que farão grande diferença na forma como vivemos a nossa vida, e são o que nos farão termos as melhores lembranças.

Rancor de nós mesmos e culpa por não saber fazer a coisa certa. Medo de amar, de chorar, de viver. Resistência em aceitar as pessoas com todos os seus defeitos, e dores que trazem em seus corações. As qualidades até parecem ficar pequenas, as alegrias também. O nosso maior erro é achar que o mundo tem que se adequar à nossa forma de enxergá-lo, quando na verdade, nós que devemos ajustar nossas lentes pra termos um novo olhar.

Somente quando percebermos que estamos imersos em um mundo doente, onde todo o tipo de peste nos leva pro lado mais obscuro da moeda, poderemos largar nossos sentimentos dopados e perceber que seríamos muito mais felizes se não nos importássemos com problemas pequenos.

Se nossas almas não fossem doentes, dormentes, alienadas, não teríamos que lamentar uma vida perdida, e poderíamos olhar pra trás e ver que valeu a pena. Porque talvez não haja nada que me proteja enquanto eu andar distraída. Mas o pulso ainda pulsa. E não é pouco. Ele quer pulsar cada vez mais, livre da sombra das pestes a nos atormentar. E como diria o poeta “Só há uma coisa da qual me arrependi: foi não ter morrido de amor...”

By Mônica

Links das Letras:

http://letras.terra.com.br/titas/48989/

http://letras.terra.com.br/titas/48968/

Canção do Senhor da Guerra (Legião Urbana) X Comida (Titãs)

Mais uma vez venho por meio deste blog destilar minha opinião sobre temas que me motivam e que me fazem pensar. Esse é o primeiro post, de uma série sobre os quatro cavaleiros do apocalipse. Logo de primeiro peguei como temas a Guerra e a Fome.

Pensei em falar delas como co-irmãs, afinal num lugar onde se faz guerra, não se tem comida, exceto para soldados, que são os fantoches dos senhores que lucram com a guerra, porque exportar armas é mais lucrativo que comida, e o que é a guerra, senão um meio de evitar a superpopulação?

Guerras são todas inúteis, um excelente modo do homem mostrar o quão é ignorante e o quanto não sabe viver em paz com seus semelhantes. Não vou fugir do tema principal, que é correlacionar a guerra com a comida (ou a falta dela), aqui nesse texto ela será representada não em forma de alimento, mas como cultura.

Todos se lembram dos malefícios que a Guerra trás para a economia dos países, mas ninguém realmente se lembra de como ela é prejudicial para o povo ao ferir seu orgulho, ao ver sua pátria-mãe ser invadida por pessoas que simplesmente não respeitam aquilo que eles têm de mais valor: sua cultura.

Quando os Titãs falam em seus versos que nós não queremos só comida, mas também prazer pra aliviar a dor, que queremos inteiro e não pela metade, seus versos podem ser muito bem encaixados em situações de guerra, comida não é apenas alimento para o corpo, isso apenas não basta para formar um ser humano. Por isso que o senhor da guerra não gosta de criança, qual o lucro esse velho terá no futuro se ele criar pensadores, para quem ele venderá seus brinquedos de guerra? Ele prefere investir seu dinheiro comprando sua juventude e te persuadindo a vencer, porque Deus está de um lado, e não é do perdedor...

A gente não quer só dinheiro, mas dinheiro e felicidade. Então... A guerra gera emprego e aumenta a produção, por isso as guerras não acabam, não dizem que feliz é o homem que tem emprego? E como brinde, seus filhos tem direito a belos uniformes. Por que se preocupar em sair para qualquer parte, se a guerra, seja ela santa, quente, morna ou fria, avança a tecnologia?

Você que está lendo esse post, reveja seus conceitos e pense, o que você prefere, comer ou ficar do lado de quem vai vencer?


By Eduardo

Links das Letras:

http://letras.terra.com.br/legiao-urbana/65536/

http://letras.terra.com.br/titas/91453/