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quarta-feira, 11 de novembro de 2009

Se a Legião é Urbana, Há "Fábrica" na "Metrópole"

Antes de começar minhas divagações sobre o post desta semana, devo dizer que o fato das músicas escolhidas como tema de hoje serem do mesmo compositor foi uma coincidência incrível, pois até semana passada, nunca havia imaginado que “Metrópole” e “Fábrica”, da Legião Urbana, pudessem ser correlacionadas.

As duas músicas são do mesmo CD da Legião, o “Dois”, que como já diz o nome, foi o segundo disco da banda. Não posso deixar de falar do disco, já que as músicas de certo modo foram compostas no mesmo momento de inspiração de Renato Russo.

O CD “Dois” é com certeza o mais romântico da Legião. Não falo desse romantismo água com açúcar que permeia o atual cenário do rock nacional, e sim do modo como Renato escrevia sobre temas como: injustiça, deslocamento social e obviamente, amor.

Ao contrário da ira impregnada nas letras do primeiro disco da Legião, “Dois” era mais sutil, sem deixar de tocar nas feridas da sociedade brasileira. Na minha opinião, a sutileza dói mais que um esporro.

É ancorado nesta sutileza, que Renato escreveu “Fábrica”, a melhor crítica que o rock nacional produziu contra a exploração dos trabalhadores. Quem prestar atenção na letra vai ver que o compositor não critica só as grandes corporações, mas também nosso país que não é capaz de oferecer justiça, nem trabalho honesto para as pessoas, que são obrigadas a tirar suas esperanças de seus salários de fome.

Será que existe algum lugar onde o mais forte não consegue escravizar quem não tem chance?

Quem guarda os portões da fábrica? Com essa pergunta, Renato mostra a mesma curiosidade em que Cazuza tinha quando perguntou em “Brasil”, quem é que paga pra a gente ficar assim. Minha grande dúvida é: Será que o Brasil sabe quem guarda os portões da Fábrica?

Vamos atender ao pedido do poeta e fazer uma revolução ao contrário da de 1964, vamos pegar o dinheiro roubado da burguesia, que governa este país, e fez o céu ficar cinza com as chaminés de suas fábricas.

“Metrópole” e “Fábrica” são gêmeos, mas não idênticos. Porque a segunda música desse post, é uma grande sátira contra a burocracia que impera na grande “Fábrica” (Brasil). Aonde quem não tem senha, não tem lugar marcado. E mesmo em posse de uma, não pode ser atendido, porque já passa do horário. Mas em todo caso, eles já tem a sua ficha. Mas...que adianta? Seu problema não pode ser resolvido, porque é contra o regulamento, que é um texto cheio de parágrafos. E inútil como este que você está lendo.

Nosso dia vai chegar, teremos nossa vez, mas sem carteirinha não tem atendimento.

By Eduardo

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terça-feira, 3 de novembro de 2009

Poema (Cazuza) X Quase um Segundo (Paralamas do Sucesso)

O post dessa semana está me matando, preciso confessar. São duas músicas de enorme peso na minha vida, e meu medo de falhar ao expressar isso é terrível. Saibam de antemão, que ao final não estarei satisfeita, e farei mil críticas dizendo que poderia ser melhor. E poderia, mesmo. Mas enfim. Citarei grandes poetas. Idéias que me fascinam, traduzidas em letras em harmonia com melodias perfeitas que emocionam àqueles que sentem a música. Falo de sonhos, pesadelos, lembranças doces e necessidade de afeto.

Para tal façanha, peço ajuda. A Cazuza, lógico. E a Herbert Vianna, porque não? Nesse confronto de poetas do topo do rock brasileiro em sua melhor fase, discurso sobre “Poema” X “Quase um Segundo”. Acho que os próprios títulos se ligam. Poema remete uma lembrança poética e idealizada do passado. Será que você ainda pensa em mim? Por Quase um segundo, talvez. Como um rastro brilhante de estrela cadente. É a beleza do que aconteceu há minutos atrás.

Não sei se todos sabem, inclusive meu parceiro musical, mas Cazuza interpretou brilhantemente a letra que agora uno à dele nessa divagação sentimental. Quase um segundo então, foi interpretada por Cazuza, o mesmo que agora é “comparado” à Herbert no que diz respeito à poesia e música. Poema, melhor dizendo.

Em “Poema”, Cazuza fala de um pesadelo que o acordou e o fez voltar à sua infância, e boas lembranças que ficaram guardadas lá atrás. E lamenta de forma doce e suave sobre como perdemos no caminho, com o tempo, o encanto e algo mais que nos faz sentir o passado com um aperto irremediável.

Já Herbert, que vive o suficiente para ter muitas dores no caminho que meu adorado Agenor não teve o desprazer de conhecer, fala de um único estante. Uma mínima fração, pela eternidade. Um segundo numa imensidão. Ou quase isso. E pra ele, a dor parece ser mais enfática que a doçura dos bons tempos. Ele quer se transformar em algo que o faz ter de volta, a paz que ele perdeu ao ter um sonho ruim, que representava a queda de tudo aquilo que era o mundo pra ele.

Ele só quer isso de volta, e é justo. Cazuza também quer, mas ele já se sente afortunado por ter acontecido. É aquela história de não se lamentar pelo fim, mas sorrir por ter existido. Enquanto Herbert teve um sonho ruim e acordou chorando, Cazuza teve um pesadelo, e levantou a tempo de não chorar, apesar de ter medo (sonhos são apenas sonhos...e nada mais?). Medo que outrora, era motivo de choro, pra que ele pudesse receber um afago consolador de que tudo ficaria bem. Esse mesmo afago, não existe agora. Isso o traz memórias de um tempo feliz, e é isso que impede as lágrimas de transbordarem incontidas.

Eu queria ver no escuro do mundo onde está tudo o que você quer. Pra me transformar no que te agrada. E do escuro eu via um infinito sem presente, passado ou futuro. Mas tinha uma coisa sua que ficou em mim, e não tem fim. Teus pêlos, teu gosto, teu rosto, tudo. Que não me deixa em paz. São as cores e as coisas pra te prender? Será que isso impede de perder alguma coisa no caminho? Morna e ingênua, que nos remete a um abraço forte. E eu te odeio por quase um segundo, porque você não está aqui. Mas depois, te amo mais, pelo carinho que deixou em mim. Será que você, onde quer que esteja, ainda pensa em mim? Eu acordei chorando. Será que posso te ligar? Existe telefone nas estrelas? Não estou reclamando abrigo, sei que é escuro e frio, mas também é bonito, porque é iluminado. E fica a beleza do que aconteceu há minutos (ou vidas) atrás.

By Mônica

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Quando o Sol Bater na Janela do teu Quarto (Legião Urbana) X A Orelha de Eurídice (Cazuza)

Já percebi que adoro fazer textos que tenham alguma história oculta, peculiaridades que poucos conheçam. E para não fugir a essa “regra”, hoje as duas músicas escolhidas foram “Quando o Sol Bater na Janela do Teu Quarto”, da Legião Urbana e “A Orelha de Eurídice”, do Cazuza. Se os deuses do rock não fizessem Cazuza pagar um preço alto por sua vida louca, vida. E se Renato Russo tivesse composto a música para “A Orelha...”, essa seria a primeira e única parceria dos maiores poetas do rock nacional. Às vezes acho que seria pedir demais uma música assinada pelos dois. Já foi tão mágico poder ter dois poetas dessa grandeza vivendo suas respectivas fases áureas na mesma época.

“Quando o Sol...”, é um dos grandes hinos da Legião (chamar de clássico seria redundante, porque todas as músicas da Legião são clássicas, nem que seja para pelo menos uma pessoa, mas são!). Ela é fruto de uma fase mais introspectiva e espiritual do mentor e letrista da banda. A música faz parte do CD “As Quatro Estações”, que tem uma poesia que eu costumo chamar de erudita. Renato utilizou tantas referências para compor as letras (de um livro sobre budismo, que ele encontrou numa gaveta de um hotel onde a Legião ficou hospedada, até citações de “Os Lusíadas”, uma epopéia portuguesa escrita por Luís de Camões), que o CD pode ser considerado uma obra cosmopolita e não apenas brasileira. Mas chega de falar do CD e vamos à música.

O altruísmo de “Quando o Sol Bater na Janela do Teu Quarto”, é com certeza o ponto mais forte dessa letra, a preocupação do autor em nos dizer que o a humanidade é desumana, mas que ainda temos chances, é de uma visceralidade emocionante. A pessoa que no mínino não se arrepia quando Renato diz: “O Sol nasce para todos, só não sabe quem não quer...”, é porque é uma dessas pessoas que não querem ver o sol nascer, e sentem dor por se excluírem do mundo, e o fazem, porque tem desejo de não sentir dor. Renato realmente era um visionário, e tolos são aqueles que acham que suas composições são de fácil compreensão, pois só escrevendo esse post que entendi o que ele quis dizer com: “Tudo é dor, e toda dor vem do desejo, de não sentirmos dor”. Até para sermos felizes nós precisamos sentir dor, às vezes, até o amor machuca, mas você desiste dele quando isso acontece...Ou segue em frente? Se desistir, vai sentir dor, por ter tido o desejo de não senti-la.

Ao contrário de Renato Russo, Cazuza escrevia sobre o egoísmo e sabia ver beleza nisso. É fácil achar bonito um texto que fala na terceira pessoa do plural, difícil é achar quem admire alguém que escreva na primeira pessoa do singular. Eu admiro!

“A Orelha de Eurídice” aborda o mesmo tema de “Quando o Sol Bater...”, com a diferença, que para encontrar altruísmo nas letras de Cazuza, você tem que ter ouvidos atentos, e garimpar cada letra desferida pelo poeta, que nos convoca para termos idéias juntos. E quando diz que: “Você na multidão, você diferente”, aponta para nossa cara e diz que devemos fazer algo diferente para mudar o rumo da história, que devemos acreditar que é possível mudar o mundo com nossos moinhos de vento. Por que nossa coragem some com o vento de meia-hora atrás? É a alma quem castiga o corpo, esta é a mensagem? Não é só a cicatriz que identifica o ser amado (lembre que o amor também machuca). Temos que achar uma maneira, não importa se está chovendo uma chuva sem vento. Lembra e vê que o caminho é um só.

No fundo... Eu já estou cansado de não gostar de mim!

By Eduardo


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terça-feira, 27 de outubro de 2009

Sentimental (Los Hermanos) X Insensível (Titãs)

Essa semana, o objetivo é encarar o tema que era pra ser o da semana passada, mas não era o momento de fazê-lo. A bipolaridade entre o sentimentalismo excessivo e a frieza dos corações de gelo, atingem aqui o ponto de ebulição: Los Hermanos e Titãs no contraste entre “Sentimental” X “Insensível”.

Como uma sentimental nata, com emoções sempre a transbordar por todos os poros da minha alma, começo falando de sentimentos. Depois, tento compreender a insanidade que é a ausência deles (é difícil conceber em minha mente um mundo onde se pode descartar corações e adorar personagens que encenam farsas em suas próprias vidas).

“Sentimental” fala de um relacionamento que foi perdendo a cor, até perder todo o sentido do resto e se dissolver num abismo sem fim. Aparentemente, a causa é unilateral. Um dos lados não mediu esforços pra mostrar o amor e gritar os sentimentos aos quatro ventos, mas isso já não bastava mais para sustentar a relação. Faltava algo, que se perdeu no caminho, com golpes certeiros de mágoa em suaves prestações. Porque acontece o desencanto quando não há motivo aparente? Demonstrar o afeto e as emoções à flor da pele, não são mais a solução. Nem diminuem a dor. Ao subverter um sentimento e transformá-lo em razão, ela interpreta mal as palavras dele e raciona seus sentimentos em uma equação lógica desfavorável, onde o produto é a subtração de suas vontades e a dor do coração partido, uma progressão até o infinito.

O “Insensível” acha impossível fazê-la feliz, porque se vê de forma distinta. Ele tem um olhar diferenciado para o final nada desejado. Enquanto o sentimental fala de um final doloroso, sofrido, o insensível trata o fim como natural. Como algo que está fora do alcance das partes envolvidas. Não fui eu, não foi você quem escolheu viver nesse mundo tão frio. Tudo bem. Não temos culpa absoluta sobre a frieza do mundo, mas é totalmente nossa, a culpa relativa. E a vida é muito além da soma de suas partes.

A e B nunca terão a mesma força separados, que têm juntos. Daí os ditos populares de “A união faz a força”, “Unidos venceremos” e por aí vai. Ser insensível e se isentar da culpa, o livra de uma parte do sofrimento, que você carrega ao ser sentimental, e sofrer com algo que te impede de salvar a si próprio.

Às vezes, acho que ser insensível permite uma dose maior de sinceridade. Ele diz que não quis feri-la, e dizer a verdade é melhor que mentir. Já a menina de sentimental, fala com rodeios pra seduzir, ela sabe que se fosse direta, seria rejeitada. Por que o que é fácil, não enche nossos olhos. O gosto está na batalha difícil de ser vencida.

É, ela não é mais sentimental que ele. Ele ama sozinho, sofre sozinho. Dizem que o verdadeiro amor é aquele que é tão altruísta que deseja a felicidade do outro, mesmo que esta não esteja ao seu lado. Ele desejava que ela ficasse bem, mesmo ele sofrendo um pouco mais. Mas se o amor é verdadeiro, não existe sofrimento. E lá no fundo, ele é tão sentimental, que só quer ter ela, mesmo que ela já não sinta esse amor por ele, que o mantém vivo.

Às vezes, você esquece o que eu finjo esquecer, porque pra você, se encerrou. E pra mim não. Se não é assim, me deixa fingir e rir. Se não há um antídoto, vou incorporar o personagem pra tentar rir da minha própria dor.

Desisto de entender a falta de sensibilidade e o desamor. Não quero dissertar sobre a ausência de sentimentos! Não faz sentido pra mim, ser diferente, indiferente, seduzir pra se livrar depois. Aceitar o mundo vazio, não está nas idéias que eu concebo. Muito menos se conformar em não conseguir fazer outra pessoa feliz ( e ser feliz junto de alguém). Tão pouco, reduzir sentimentos reais a arestas mal aparadas. É essa a base de todos os erros do mundo, meus caros. Acreditem. Quando os corações se abrirem pro amor, as pessoas deixarem de enxergar as outras como descartáveis e substituíveis, os sentimentos forem expostos sem nenhum véu de mentira envolvendo-os e principalmente, quando as palavras forem corretamente interpretadas, o eixo voltará ao ponto de equilíbrio, e eu voltarei para o mundo quando ele estiver menos frio. Utopia? Idealizadora de um mundo perfeito? Apenas humana. Eu tenho um coração, e ele fala por mim. E ninguém é mais sentimental que eu.

By Mônica

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Down em Mim (Barão Vermelho) X Refrão de um Bolero (Engenheiros do Hawaii)

Sou completamente apaixonado por música de dor-de-cotovelo. Na minha opinião, as mais belas músicas são compostas quando o compositor está sofrendo. E quando o motivo do sofrimento é amor, aí que a letra fica mais bonita.

Tive um pouco de receio ao escolher as duas músicas desse post. Escolhi para o texto “Down em Mim”, que é a primeira composição do Cazuza, e o mais perto que um compositor brasileiro conseguiu chegar do espírito dos grandes clássicos do blues norte-americano, principalmente os interpretados por Billie Holiday, grande diva do gênero. A outra composição é “Refrão de um Bolero”, do Engenheiros do Hawaii.

Na letra de “Refrão...”, Humberto Gessinger conseguiu expor exatamente os sentimentos de alguém que vê seu relacionamento chegando ao fim. Quantas vezes não falamos sem pensar e roemos as unhas, frágeis testemunhas de um crime sem perdão?

Minha grande dúvida em relação à “Refrão de um Bolero”, é que não sei se o tal crime sem perdão, é o fato do personagem da música ter sido sincero como não se pode ser ou se foi porque ele não foi sincero como se deve ser.

Mentiras sinceras interessam?!

Só pelo fato de ter sido a primeira música composta por Cazuza, “Down em Mim” já teria seu lugar no Olimpo do rock nacional. Mas fora esse fato, a letra é um petardo, que se tivesse sido interpretado por Maysa ou Dolores Duran, não ficaria deslocada no repertório dessas duas estrelas da música dor-de-cotovelo (ou fratura exposta de cotovelo, como preferia Cazuza).

“Down em Mim” prima por ser um blues autêntico, onde Cazuza expõe suas desilusões com o amor e suas idas e vindas. Até porque, ele sabe que quando o Sol vier socar sua cara, com certeza sua amada já foi embora, e o que resta é esquecer, pois nessas horas... Pega mal sofrer?

O que vem depois do fim, é sempre previsível. Dividimos ele com um vinho barato, um cigarro no cinzeiro e a cara de babaca pintada no espelho do banheiro, que é a igreja de todos os bêbados desiludidos com o amor.

O término de uma relação é o fim do mundo todo dia da semana, e não me importa que mil raios partam.

By Eduardo

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quarta-feira, 21 de outubro de 2009

Semana que vem (Pitty) X O Último dia (Paulinho Moska)

Depois de duas terríveis semanas sem post, pensei no fim. Do mundo, lógico. As ideias não podem cessar jamais. Na verdade, estou há duas semanas enrolando pra fazer um determinado post. E agora, quando realmente paro pra fazer isso, o que veio na cabeça não foram os sentimentos da forma como eu iria falar. Sim, eles vão emergir urgentes nas linhas que se seguem, mas por uma inquietação coletiva pela qual todos nós já passamos. Quem nunca se perguntou o que faria se soubesse quando vai ser seu último dia nesse mundo cruel, do qual precisamos, para trazer à tona nossas vontades de ser reais e nos sentirmos satisfeitos? Pra tal divagação, que envolve o mistério da única certeza humana, envolvo nomes de destaque no meio musical. Ela, com o Rock, ele, com a MPB. Coloco na arena, Pitty e Paulinho Moska, no duelo entre Semana que vem e o Último dia.

Mostrando ao mundo que cavalheirismo ainda tem seu valor, primeiro as damas. A baiana que é o pouco que se salva do rock nacional atual, questiona e sugere que não se deixe nada pra depois, que não percamos tempo, porque esse tempo pode não existir. Ela diz que o mundo ainda precisa de um tempo pra mudar (podemos esperar ou devemos nós – pequenos notáveis que queremos um mundo possível de se viver – fazer ele mudar já?), e que temos tempo até tudo explodir. Tempo para concertar os desarranjos que deixamos pelo caminho. As arestas não aparadas. Mas não teremos tempo pra sempre. Agora é hora de fazer tudo ter valido a pena. Hora de dizer tudo que precisamos dizer, hora de se arriscar, pra não se arrepender se realmente for o último dia de nossas vidas, se for a nossa última chance.

Não podemos marcar um dia pra começar a tomar atitudes, não podemos gastar horas pra decidir o que fazer com o resto de nossas vidas, pois corremos o risco de passar o resto da vida pensando no que fazer com ela. Já dizia Lennon, que a vida é aquilo que acontece enquanto planejamos o futuro. Apropriado, não? Nós não temos todo o tempo do mundo, e é isso que Moska reforça. Ele é mais urgente. Não temos uma semana pra pensar no que fazer, temos apenas um único dia, faça valer a pena. Faça o que der, mas faça algo. Será que eu passaria o meu último (e consciente) dia de vida na minha rotina normal e apática que vai resultar em uma frustração abafada pelo travesseiro e uma noite mal dormida da qual não acordarei? Ou vou tentar fazer algo que vivo adiando, o que consequentemente me faz ter uma vida vazia?

Como você deseja passar o seu último dia de vida? Fazendo tudo o que sempre fez ou ousando tudo que nunca teve coragem de fazer por medo do que as pessoas chatas e normais da nossa sociedade medíocre iriam pensar? Morremos de medo de parecermos loucos a cometer insanidades desenfreadamente. Mas se eu estivesse no último dia, abriria sim, a porta do hospício e trancava a da delegacia. E nisso, vejo um pouco de sensatez. Loucura é manter doentes inocentes presos e assassinos sujos soltos, isso sim parece o fim dos tempos. Vivemos sedentos por lucidez, mas embriagados podemos justificar o atraso do nosso acerto de contas.

Não importa, não há tempo, pro tempo que já se perdia. Não posso deixar nada pra depois, não posso deixar o tempo passar pelos meus dedos. A semana que vem pode nem chegar. O dia de amanhã pode nem nascer. Quem vai saber? Nunca saberemos, de verdade, quando será a última vez. Esse jogo, nada mais é do que uma brincadeira de mal gosto, onde sempre palpitamos descompromissadamente e, num péssimo dia, quando nem esperarmos, vamos acertar.

O que eu faria se o mundo fosse acabar? Se o MEU mundo fosse acabar? Achei que tínhamos que viver a vida nessa sensação todo o tempo. O presente já passou. É uma imensidão de perguntas sem respostas, e nem precisamos que elas existam. Só precisamos calar dentro de nós tudo que está pendente. Viver como as borboletas, é a melhor forma de se viver. Elas só duram 24 horas. Precisamos de mais do que isso pra dar o maior vôo de nossas vidas? Não estaremos presentes pra saber como será o dia seguinte do fim do mundo. Eu prefiro arriscar tudo hoje, do que perder tudo amanhã. Quem sabe o quanto vai durar?

By Mônica

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Lugar Nenhum (Titãs) X Inclassificáveis (Arnaldo Antunes)

Nesse momento de comoção nacional com a escolha do Rio para ser a sede das Olimpíadas de 2016, meu tema desta semana é meio inspirado neste patriotismo gerado com a escolha da cidade maravilhosa.

As músicas escolhidas foram “Inclassificáveis”, do Arnaldo Antunes e “Lugar Nenhum”, dos Titãs (quem acompanha o blog, já percebeu que eles já viraram fregueses assíduos). Ambas as músicas tem uma temática bastante interessante, pois falam sobre o povo e suas origens.

Arnaldo Antunes e seu estilo musical, embebido de poesia concretista, gerou uma música que mistura todas as raças. O compositor diz que somos pardos, mamelucos, sararás, crilouros e judárabes, e atinge o apogeu da lucidez, quando diz que somos o que somos, inclassificáveis. O grande lance da música é mostrar a pluralidade do nosso país, porque nesta miscigenação antropofágica em que vivemos, somos canibais de nós mesmo, mesticigenados, oxigenados debaixo do Sol, e precisamos de todos, porque como diz a música, não há sol a sós.

Já comentei em outro texto, minha opinião sobre os Titãs (em sua fase áurea), portanto, vou dispensar elogios rasgados ao grupo e falar sobre a música, em cheque no post: “Lugar Nenhum”. A letra dessa música carrega uma anarquia utópica incrível, não dá para imaginar outra banda que não fosse os Titãs para criar uma música que tenta quebrar barreiras patrióticas.

Sejamos sinceros, o povo brasileiro não é lá muito patriótico. Adoramos jogar no time que está ganhando, parafraseando Otto Lara Resende para âmbito nacional, digo: “O brasileiro só é patriota no câncer”. “Lugar Nenhum” é isso, não é carioca, nem portuguesa, paulista ou japonesa, essas nomenclaturas que estudiosos adoram utilizar são jogadas por terra na música, assim como “Inclassificáveis”, a letra simplesmente quer dizer que não importa o que somos ou de onde somos, apenas precisamos uns dos outros.

No final das contas, somos todos brasileiros, cariocas, paulistas, ameriquítalos, japoneses, orientupis, seguimos as mesmas leis e mamamos nos seios de nossa pátria mãe gentil, que não liga para raça, religião ou cor, mas simplesmente, nos ama como somos: Inclassificáveis!

By Eduardo

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