Ironicamente este texto está sendo escrito a mão, em um caderno de caligrafia e numa tarde sem luz.
Assim como na semana passada, não tive grandes idéias para este post, então, resolvi aceitar a sugestão da Mônica, e utilizar “Música Urbana” e “Música Urbana
Continuarei utilizando duas músicas de um mesmo compositor, só que dessa vez as escolhidas foram “Cérebro Eletrônico” e “Pela Internet”, do grande Gilberto Gil. A História de Gil não precisa de apresentações. Ele com certeza é um dos compositores mais criativos do século XX, e foi um dos alicerces do Tropicalismo².
Foi nessa fase áurea do tropicalismo que Gil criou “Cérebro Eletrônico”, uma linda crônica sobre a diferença entre máquinas (os recém criados computadores) e humanos. Segundo Gil, o “Cérebro Eletrônico” manda e desmanda, é ele quem manda, mas ele não anda. Somos dependentes de computadores, mas somos nós com nossos botões de carne e osso, que ficamos tristes, choramos e podemos pensar se Deus existe. Não precisamos da ajuda de nenhum computador para decidirmos se vivemos ou morremos, porque com seus botões de ferro e olhos de vidro, ele não pode nos dar socorro em nosso caminho inevitável para a morte. E aliás, apesar de fazer tudo, quer dizer quase tudo,... Ele é mudo.
Gilberto Gil sempre foi muito influenciado pela tecnologia, seja em sua música, que sempre agrupou experimentações junto com raízes africanas, seja em suas letras, que sempre debatem sobre temas importantes da nossa sociedade. E se no passado ele de certo modo criticou os computadores. Logo após o grande boom da internet no final dos anos 90, ele compôs “Pela Internet”. Uma dissertação muito bem humorada sobre a nova tendência mundial. Ficar na frente do computador, como estou fazendo agora, para utilizar o “cérebro eletrônico” como meio de transporte para velejar por esse infomar, que aproveita a vazante da infomaré, para promover debates com um grupo de tietes em Connecticut.
Mesmo nesse mundo louco da internet, aonde até o chefe da polícia carioca avisa pelo celular que um hacker mafioso acaba de soltar um vírus para atacar os programas do Japão, ainda é possível encontrar amigos e até um grande amor, como é o meu caso. Fiz uma jangada para velejar pelos gigabytes da internet e encontrei um porto para meu coração.
E sem a ajuda do cérebro eletrônico, segui um dos meus impulsos mais primitivos e me apaixonei pela mulher da minha vida e a parceira que criou comigo esta home-page, onde vocês estão lendo este texto.
Eu falo e ouço, eu penso e posso. Mas é pela internet que contacto os lares do Nepal, os bares do Gabão e descubro que lá na Praça Onze tem um videopôquer para se jogar.
By Eduardo
Links das Letras:
http://letras.terra.com.br/gilberto-gil/46197/
http://letras.terra.com.br/gilberto-gil/68924/
¹ A Internet é um conglomerado de redes em escala mundial de milhões de computadores interligados pelo TCP/IP que permite o acesso a informações e todo tipo de transferência de dados. Ela carrega uma ampla variedade de recursos e serviços, incluindo os documentos interligados por meio de hiperligações da World Wide Web, e a infraestrutura para suportar correio eletrônico e serviços como comunicação instantânea e compartilhamento de arquivos.
De acordo com dados de março de 2007, a Internet é usada por 16,9% da população mundial[1] (em torno de 1,1 bilhão de pessoas).
² A Tropicália, Tropicalismo ou Movimento tropicalista foi um movimento cultural brasileiro que surgiu sob a influência das correntes artísticas de vanguarda e da cultura pop nacional e estrangeira (como o pop-rock e o concretismo); misturou manifestações tradicionais da cultura brasileira a inovações estéticas radicais. Tinha objetivos comportamentais, que encontraram eco em boa parte da sociedade, sob o regime militar, no final da década de 1960. O movimento manifestou-se principalmente na música (cujos maiores representantes foram Caetano Veloso, Torquato Neto, Gilberto Gil, Os Mutantes e Tom Zé); manifestações artísticas diversas, como as artes plásticas (destaque para a figura de Hélio Oiticica), o cinema (o movimento sofreu influências e influenciou o Cinema novo de Gláuber Rocha) e o teatro brasileiro (sobretudo nas peças anárquicas de José Celso Martinez Corrêa). Um dos maiores exemplos do movimento tropicalista foi uma das canções de Caetano Veloso, denominada exatamente de "Tropicália".
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