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quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

Cazuza: Solidão? Que nada, Só se for a Dois

Sabe aquela história de velhos fantasmas que voltam para nos assombrar? Eu não acreditava nisso, mas ele bateu à minha porta, e tive que deixá-lo entrar. Não podemos deixar de encarar os fantasmas que nos perseguem e aproveitar a chance de mostrar que não nos assustam mais. E foi assim, com idéias do Eduardo, que agora discurso sobre ela. A temida pela maioria, a escolhida pelos egocêntricos: Solidão.

Ironicamente, a pessoa que vai me ajudar a falar sobre o tema, não era nada sozinha. Acho que Renato Russo poderia definir melhor do que ele o que é solidão, pois era nesse abismo profundo que se encontrava a maior parte do tempo, o que é notável em suas letras. Mas enfim. Vamos ao que interessa, Caju? Solidão?Que nada, só se for a dois...

“Solidão que nada”, trata de encontros casuais. Não me digam o contrário, é disso que se trata. Cada aeroporto é um nome num papel. Um novo rosto...Um estranho que me quer. Por mar, por terra ou via Embratel. Mas não há promessas, não, é só um novo lugar. Ao falar das curvas da estrada, de relações com partida e chegada coincidindo na estaca zero, e um véu que encobre seu verdadeiro eu, ele retrata que só fica sozinho quem quer, pois em cada lugar podemos encontrar o conforto (momentâneo) pra nossa solidão.

Será esse preenchimento do vazio o determinador do fim da nossa solidão? Talvez pra geração “Já sei namorar” e suas vidas vazias, sim. Geração essa que cultiva uma solidão ocupada. A pior de todas. Onde você se encontra entre um milhão de pessoas (geralmente uma micareta, aff) e se sente tão sozinho quanto um monge ermitão isolado em uma cabana no alto de uma montanha inabitada no Tibet. Nesse caso, gritar não adianta, ninguém irá ouvir. Eu uso o velho e bom ditado do “antes só do que mal acompanhado”. Pior coisa que existe é alguém lhe roubar a solidão, sem em troca lhe oferecer verdadeiramente companhia, já dizia Nieschtze.

O compromisso virou algo clichê, algo banal. Dispensável. Algo que nos prende a uma rotina nada entusiasmante. É aquilo que não nos permite contar vantagem dos nossos escores de uma noite arrasadora. É o que frustra nossos desejos de fazer sempre o que quisermos, com quem quisermos e onde quisermos. Como se as realizações pessoais dos nossos desejos pequenos e fúteis fosse mais importante que a incrível aventura de compartilhar seu mundo com alguém. E conhecer um universo que você nem sabia que existia e sempre fez parte de você.

E isso abrange a todas as relações que podemos ter. Não é necessariamente restrito aos relacionamentos amorosos, como pode pensar a maioria.

“Só se for a dois” mostra os absurdos que nos cercam e enxergamos com olhos de naturalidade. A ironia já começa quando se fala dos brancos da África do Sul e se completa ao mostrar os filhos de Ghandi morrendo de fome. Mas o que mais mexeu comigo foi os filhos de Cristo estarem cada vez mais ricos. Que religião é essa que as pessoas pregam e dizem praticar, que os torna mais egoístas, individualistas e mecânicas? Creio não ser a que Cristo pregava ao falar de altruísmo, caridade e amor. Valores esquecidos com o advento da famosa distanciadora – A internet. Eu sou legal, até te adiciono no orkut. Mas não preciso te ver, não quero saber dos seus problemas. Mas me deixe ver seus álbuns e suas comunidades pra rir um pouco. A ironia persiste quando ele diz que o mundo é azul. Mas ele era visionário, talvez. O orkut é o mundo azul da internet. Mas de azul, o mundo não tem nada. Ele está mais pra cinza tendendo ao enferrujado.

Qual é a cor do amor? Vermelho, eu diria. Intenso e eterno. Mas isso é opinião minha - reles sonhadora com uma casa de veraneio no país das maravilhas. Se as possibilidades de felicidade são egoístas, o mundo não é azul, e tampouco o amor é vermelho. Talvez tenha sido um dia...Onde não se escondia a cor das flores pra se mostrar a dor. Mas o soldado beija sua namorada, não importa pra que batalha vá. No fim das contas, só quem luta, valoriza e vê o amor como uma benção, e não como uma banalidade ridícula e ultrapassada, que não se usa mais nos dias de hoje, porque mostra o nosso lado frágil, fácil alvo de ataques.

Afinal, amar ao próximo é tão démodé...mas eu estou cheia de me sentir vazia. E digam o que disserem, o mal do século é a solidão. Diferente da fome, da sede e da doença, que fazemos de tudo para combater, a solidão pode ser semeada, como forma de renúncia ou conformismo. Ou inadequação a aceitar um universo diferente do seu. Mas é esse encontro de vidas que nos move. Nossa vida na terra está presa a outras pessoas. O que não podemos, é nos deixar afogar num mar de rostos sem conseguir encontrar um olhar. Drummond diz que na vida, a dor é inevitável, mas o sofrimento é opcional. Eu peço licença poética a ele pra dizer que o exílio pode ser inevitável (e até produtivo). Mas a solidão, essa sim é opcional.

Agora parafraseando Ana Carolina, ficar sozinho é pra quem tem coragem. E eu vou ler meu livro “Cem anos de solidão”... De toda forma, não curto esse lance de ficar só. Só se for a dois. Mas me sinto só. Me sinto só. Me sinto tão seu...

By Mônica

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Dança da Solidão (Paulinho da Viola) X Solidão (Tom Jobim)

Desde que Mônica e eu começamos com nossos tópicos utópicos, que o tema do post dessa semana ficava na minha cabeça, mas eu meio que tentava empurrá-lo com a barriga, porque acreditei que a solidão não me assombrava mais, engano meu. Depois que se prova a vida a dois, o fantasma da solidão finge que sai das nossas vidas, mas na verdade ele fica apenas a espreita, esperando o momento certo para que possa voltar a ser nossa companheira inseparável.

Quando aprendemos a dividir a vida com outra pessoa, descobrimos que não existe nada melhor, e refletimos sobre aquela época em que nosso coração batia resignado e mudo no compasso da desilusão. Como é triste ser só. Não ter ninguém para dividir as alegrias e tristezas dessa vida é com certeza um dos piores males do mundo. Não é a toa que Renato Russo disse: “A solidão é o mal do século.”.

Essa semana não vou utilizar nenhum dos meus poetas para falar sobre a solidão, mas sim um dos maiores sambistas brasileiros de todos os tempos e o nosso maestro soberano. Falo de Paulinho da Viola e sua triste “Dança da Solidão” e Tom Jobim com a melancólica “Solidão”.

“Dança da Solidão” foi um dos primeiros sambas que eu aprendi a gostar. Quando ouvi a versão de Marisa Monte no CD Cor de Rosa e Carvão, fiquei encantado com a letra, pois a solidão sempre me fascinou (falo dela como tema e não estado de espírito). Paulinho da Viola e sua eterna sutileza conseguiram captar com perfeição a complexidade do tema. Ele percebeu como poucos que junto com a solidão, aparece outro sentimento, a desilusão. Sua dança triste nos embala em nossos piores momentos, principalmente quando perdemos um grande amor. Qual a pessoa que não sente a solidão invadir nossa vida como lava que cobre tudo?

Nessa sensação de fim de amor, encontro a ponte que queria para inserir “Solidão” do maestro Tom Jobim, nesse post que está me deixando tão melancólico quanto suas músicas. Tom guarda o vulto do seu amor na memória, em vão, pois ele sofre calado o fim deste amor que deixou como resultado a desilusão. Que com certeza amargurou sua boca e o fez sorrir com dentes de chumbo.

Os poetas procuram a solução para o fim deste mal, mas com o passar dos dias, a noite vem, e eles se cansam. E esperam o chegar da madrugada para que seus pensamentos possam vaguear enquanto contemplam a lua cheia. Neste momento eles rezam para que seu amor volte a amá-los como um dia o fez, e quando a saudade apertar, voltam a procurá-los.

No final das contas acho que Paulinho da Viola foi o único que conseguiu descobrir que apesar de tudo, existe sim uma fonte de água pura capaz de dar fim a toda a amargura da solidão. Essa fonte se chama amor. Sei disso, porque há dez meses a solidão saiu da minha vida para nunca mais voltar.

By Eduardo

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http://solidao.tomjobim.letrasdemusicas.com.br/

quinta-feira, 26 de novembro de 2009

Ouvir estrelas (Kid Abelha) X Tempo, Espaço (Lulu Santos)


O post dessa semana tropeçou na correria da minha vida, e foi arrastado o máximo que pôde. Aí, cansei. E resolvi dar uma pausa para sonhar. Viajei bem fundo. Peguei um trem pras estrelas e quando me dei conta, estava entre elas.

Eu, que sempre admirei o céu, hoje tenho a honra de falar sobre ele da forma mais poética que existe em mim: através da música. Para tal peripécia, me utilizo de um grande nome: Olavo Bilac. E uma poesia de sua autoria “Ora(direis) ouvir estrelas”. Não, não falarei de poesia. Em partes. Kid abelha, usando a voz suave de Paulinha Toller, fizeram o favor de gravar a versão musicada dessa poesia. E é “Ouvir estrelas”, a letra que vou entrelaçar com uma pequena notável (como toda estrela digna) de Lulu Santos: “Tempo, espaço”.

Estrelas são pontos luminosos no céu, produtos de uma enorme explosão – explosão essa que determinou a morte da estrela – cujo brilho é chegado para nós, até que toda a luminosidade da sua morte cesse e ela fique esquecida no infinito escuro. Isso era o que eu sabia sobre as estrelas - até hoje. Eu, que sempre as amei, não sabia nada sobre elas.

Não quero dar uma aula de astrofísica para falar da composição estelar. Mas algumas coisas me soaram interessantes. A estrela só morre quando elementos extremamente pesados a saturam e há um desequilíbrio de energia. E elas não têm todas, o mesmo fim. Algumas viram buracos-negros. Outras, explodem e se transformam em supernovas. Estas são brilhantes ao extremo, e o brilho decai até se tornar invisível. Porém, nos primeiros dias, esse brilho se intensifica em um bilhão de vezes seu estado original, ficando tão brilhante quanto uma galáxia. Elas têm todos os elementos de uma tabela periódica, fato que as permite causar a extinção de todos os seres da Terra, mas também, gerar vida.

Acabado meu momento globo ciência, falo de música e poesia. Mas é que fiquei mesmo emocionada com o fato de algo que pode acabar com todas as espécies vivas do planeta, ter o poder de gerar vida. A ambivalência me fascina. Não gosto de opiniões fixas e imutáveis. Adoro a leveza e a descontração da inconstância, que liberta a vida do tédio. Que permite ousadia aos corajosos. Ou aos bipolares, que seja. Não importa. O importante é não ser apenas o lado A do disco. Se não houvesse o lado B, o lado A não precisaria ser chamado assim, só haveria um lado. Unilateralismo é muita falta de opção. De criatividade. Ou de opinião.

Tudo bem, prometo não me perder mais. É porque ouvir estrelas me faz perder o senso. Eu desperto pra tanta luz, e abro as janelas para olhar o céu, procurando-as no deserto infinito, pálida de espanto. Que o sol me desculpe – e eu o amo demasiadamente – mas anseio avidamente pela noite, onde tudo fica escuro e eu enxergo melhor. E vejo brilhar. As estrelas, quase todas mortas. Só amando para entendê-las. Entender que conseguem brilhar pelo seu fim, com a despedida mais triunfal que o universo nos proporciona.

Afinal...não conheço mais nada que ao perder a vida, deixe um brilho tão grande, que não é chegado para nós o tempo em que se apagarão. E quando isso acontecer, ficaremos apenas com um rastro de luz se apagando além dos nossos olhos. A gente tá na lanterna, do tempo que virá...com mais brilho, espero. Que os novos tempos e novas eras que se aproximam, nos mostrem a beleza de morrer sem desaparecer, de brilhar pra se fazer eterno, de compreender que o importante não é o tempo que se tem, mas o (bom) uso que fazemos dele. E já dizia Cazuza: “Como as borboletas que só vivem 24 horas. Morrer não dói.” Deixa marcas. Eterniza. E se o seu brilho é tão grande quanto de uma estrela, talvez nunca se apague e se torne invisível. Eu sou sensível à escutá-las a cantar. Pois só quem ama pode ouvir estrelas...

By Mônica

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Cérebro eletrônico (Gilberto) X Pela Internet (Gil)



Ironicamente este texto está sendo escrito a mão, em um caderno de caligrafia e numa tarde sem luz.

Assim como na semana passada, não tive grandes idéias para este post, então, resolvi aceitar a sugestão da Mônica, e utilizar “Música Urbana” e “Música Urbana 2” (particularmente não sou um grande fã dessa segunda), músicas escritas por Renato Russo, mas a primeira faz parte do repertório do Capital Inicial, que ficou com a música após a partilha das músicas do Aborto Elétrico, banda punk de Brasília que deu origem a Legião Urbana e ao Capital. Quando já estava com caneta e lápis na mão, e começando meu ritual semanal para começar minhas divagações musicais, tive uma epifania e resolvi mudar as duas músicas escolhidas, comecei a achar que estava me repetindo demais nesse meu revolucionarismo literário, então resolvi falar sobre um tema mais ameno, mas não menos polêmico. A internet¹.

Continuarei utilizando duas músicas de um mesmo compositor, só que dessa vez as escolhidas foram “Cérebro Eletrônico” e “Pela Internet”, do grande Gilberto Gil. A História de Gil não precisa de apresentações. Ele com certeza é um dos compositores mais criativos do século XX, e foi um dos alicerces do Tropicalismo².

Foi nessa fase áurea do tropicalismo que Gil criou “Cérebro Eletrônico”, uma linda crônica sobre a diferença entre máquinas (os recém criados computadores) e humanos. Segundo Gil, o “Cérebro Eletrônico” manda e desmanda, é ele quem manda, mas ele não anda. Somos dependentes de computadores, mas somos nós com nossos botões de carne e osso, que ficamos tristes, choramos e podemos pensar se Deus existe. Não precisamos da ajuda de nenhum computador para decidirmos se vivemos ou morremos, porque com seus botões de ferro e olhos de vidro, ele não pode nos dar socorro em nosso caminho inevitável para a morte. E aliás, apesar de fazer tudo, quer dizer quase tudo,... Ele é mudo.

Gilberto Gil sempre foi muito influenciado pela tecnologia, seja em sua música, que sempre agrupou experimentações junto com raízes africanas, seja em suas letras, que sempre debatem sobre temas importantes da nossa sociedade. E se no passado ele de certo modo criticou os computadores. Logo após o grande boom da internet no final dos anos 90, ele compôs “Pela Internet”. Uma dissertação muito bem humorada sobre a nova tendência mundial. Ficar na frente do computador, como estou fazendo agora, para utilizar o “cérebro eletrônico” como meio de transporte para velejar por esse infomar, que aproveita a vazante da infomaré, para promover debates com um grupo de tietes em Connecticut.

Mesmo nesse mundo louco da internet, aonde até o chefe da polícia carioca avisa pelo celular que um hacker mafioso acaba de soltar um vírus para atacar os programas do Japão, ainda é possível encontrar amigos e até um grande amor, como é o meu caso. Fiz uma jangada para velejar pelos gigabytes da internet e encontrei um porto para meu coração.

E sem a ajuda do cérebro eletrônico, segui um dos meus impulsos mais primitivos e me apaixonei pela mulher da minha vida e a parceira que criou comigo esta home-page, onde vocês estão lendo este texto.

Eu falo e ouço, eu penso e posso. Mas é pela internet que contacto os lares do Nepal, os bares do Gabão e descubro que lá na Praça Onze tem um videopôquer para se jogar.

By Eduardo

Links das Letras:

http://letras.terra.com.br/gilberto-gil/46197/

http://letras.terra.com.br/gilberto-gil/68924/

¹ A Internet é um conglomerado de redes em escala mundial de milhões de computadores interligados pelo TCP/IP que permite o acesso a informações e todo tipo de transferência de dados. Ela carrega uma ampla variedade de recursos e serviços, incluindo os documentos interligados por meio de hiperligações da World Wide Web, e a infraestrutura para suportar correio eletrônico e serviços como comunicação instantânea e compartilhamento de arquivos.

De acordo com dados de março de 2007, a Internet é usada por 16,9% da população mundial[1] (em torno de 1,1 bilhão de pessoas).

² A Tropicália, Tropicalismo ou Movimento tropicalista foi um movimento cultural brasileiro que surgiu sob a influência das correntes artísticas de vanguarda e da cultura pop nacional e estrangeira (como o pop-rock e o concretismo); misturou manifestações tradicionais da cultura brasileira a inovações estéticas radicais. Tinha objetivos comportamentais, que encontraram eco em boa parte da sociedade, sob o regime militar, no final da década de 1960. O movimento manifestou-se principalmente na música (cujos maiores representantes foram Caetano Veloso, Torquato Neto, Gilberto Gil, Os Mutantes e Tom Zé); manifestações artísticas diversas, como as artes plásticas (destaque para a figura de Hélio Oiticica), o cinema (o movimento sofreu influências e influenciou o Cinema novo de Gláuber Rocha) e o teatro brasileiro (sobretudo nas peças anárquicas de José Celso Martinez Corrêa). Um dos maiores exemplos do movimento tropicalista foi uma das canções de Caetano Veloso, denominada exatamente de "Tropicália".

Fonte:

(http://pt.wikipedia.org/wiki/Internet)

(http://pt.wikipedia.org/wiki/Tropicalismo)





quarta-feira, 18 de novembro de 2009

O Papa é Pop (Engenheiros do Hawaii) X Fátima (Capital Inicial)

O post dessa semana foi uma idéia que tive de relance, nas manhãs aguadas de madrugar para a árdua tarefa chamada trabalho. Ouvindo música e vendo o sol nascer, relembrei uma conversa com o Eduardo e a idéia nasceu naturalmente, sem distócias, nem sofrimento: Engenheiros do Hawaii e Capital Inicial se completam em “O papa é pop” e “Fátima”.

Até aí, tudo bem. Surgiu a idéia, e esta permaneceu congelada até vir a pôr em prática hoje. Daí na minha inocência, pensei: vou ler um pouco sobre o assunto pra aprofundar minhas bases e dissertar melhor. Como fui tola. Bobinha. Agora, me encontro entre uma infinitude de questionamentos desprovidos de solução e não sei qual o melhor caminho pelo qual vou enveredar minhas certezas. Que já estão incertas, a essa altura do campeonato.

Gessinger fala de um Papa pop que levou um tiro à queima roupa. Isso soa familiar? Onde já ouvi isso antes? Renato russo, que compôs a letra que posteriormente o Capital gravou, era um visionário. Sempre acreditei nisso. Ele fala de Fátima. Mas não uma Fátima qualquer. Aquela dos três segredos. Do mistério que a humanidade acha que foi desvendado, mas ainda há muito o que entrelaçar para compreender o verdadeiro sentido das coisas. Enfim, eu falava que Renato falava de Fátima. E um dos segredos (que não estou mais certa se o segundo ou terceiro) dela, envolvia um líder religioso sofrendo um atentado, como o que o Papa João Paulo II (o mais pop de todos), sofreu em 1981 ao levar um tiro (à queima roupa – o pop não poupa ninguém).

Socorro! Não sei se falo das músicas ou dos segredos. Enfim, vamos por partes. Pelo que eu havia lido sobre o assunto, tudo indicava que o terceiro segredo envolvia o tal atentado, que tudo leva a crer que foi o sofrido por João Paulo II. Porém, contudo, todavia...há ressalvas, meus caros. Há quem diga que esse é o segundo segredo. E o terceiro, bem mais catastrófico e em larga escala, prevê uma seqüência de acontecimentos – naturais e provocados por nós, humanos – que teriam como conseqüência a exterminação quase que absoluta da população terrestre daqui há meros 3 anos. (não venho a citar datas, nem defender o tal juízo final que a imaculada Igreja católica alerta, mas não faz mal a ninguém viver loucamente por três aninhos. Na pior das hipóteses, teremos muitas experiências para contar aos nossos netos nas tardes de domingo)

Voltando ao foco principal, Gessinger fala que todo mundo ta revendo o que nunca foi visto, relendo o que nunca foi lido, comprando os mais vendidos, para não escapar das tendências da moda. Qualquer nota, qualquer notícia, uma nota preta, estando na cara ou na capa da revista. Não importa se sua vida são páginas em branco, qualquer coisa que se mova é um alvo, e ninguém está a salvo. Não adianta esperar intervenção divina...não é, Renato? O tempo agora está contra vocês. E no meio de tanto medo, é fácil se perder, como conseguir dinheiro pra comprar sem se vender? Espero que a fé não esteja à venda também. O papa é pop, mas pera lá. É pecado vender um pedaço do céu. E a Igreja (Imaculada, como já disse) não seria capaz de tais atrocidades (isso é uma ironia, para os desavisados. Sem desrespeitar a fé de ninguém, que fique claro. Não falo da fé, falo do sistema que a controla em impõe regras pra chegar ao céu ou ficar perdido no inferno). Mas toda catedral é populista, é pop, é macumba pra turista.

Vem as ameaças de ataque nuclear, e bombas que não foi Deus quem fez. Se armar esquemas ilusórios, fingindo que o mundo ninguém fez, terei pena de vocês. Tudo tem começo. Mas se começa, um dia acaba. Alguém um dia vai se vingar, mostrando a vocês que o reinado acabou e que não passam de escória. Tanto faz, já que existem crianças sem dinheiro e sem moral, e elas não ouviram a voz. Tiveram apenas a visão do que dizia Fátima. Porque ela derrubava uma lágrima.

Um disparo, um estouro. Ninguém está a salvo, e o papa popular levou um tiro à queima roupa. E o vinho virou água, a ferida não cicatrizou. O limpo se sujou, e no terceiro dia, ninguém ressuscitou. Milagres deixaram de existir diante de certas barbaridades. Antigamente era pop. A tua vida era pop. Até o indigente é pop. E o presidente é pop. Mas sobrou pro papa. Ele não desvia dinheiro público, não passa por um impeachment, mas ele ganha um tiro. O presidente não era nem tão popular assim.

Quando se arma esquemas ilusórios e se consegue dinheiro pra comprar se vendendo, você deixa de ser alvo. Não quero ser como vocês, eu não preciso mais. Quando a realidade passa a ser uma peça ao avesso,onde todo tipo de falcatrua recebe perdão e vira crime ser um líder sem tirania, não há intervenção divina que dê jeito. Esqueceram de avisar pra todo mundo que tentaram dar ao Papa o mesmo fim do líder do rock. Não me interessa mais as ameaças de ataque nuclear, as previsões do que está porvir. Acredito na catástrofe que nós mesmos causamos em nossas vidas. Porque tudo que tem começo, um dia acaba. E alguém um dia vai se vingar. Eu já sei o que tenho que saber, e agora, tanto faz. O fim dos nossos mundo, é a gente que faz.

By Mônica

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O Calibre (Paralamas do Sucesso) X Suas Armas (Pitty)

Para que se possa entender bem o texto de hoje, preciso explicar dois pontos cruciais. Passei a semana inteira com uma espécie de abstinência criativa, por isso as duas músicas foram idéia da Mônica (há muito tempo queria usar “O Calibre”, do Paralamas do Sucesso. Só que não encontrava nenhuma música para “casar” com ela), e a ponte que vou fazer com o desarmamento, também foi um palpite dela. Portanto, hoje eu vou dar uma de freelance e desenvolver um post a partir de idéias que não são minhas.

Será que alguém ainda se lembra que há mais ou menos 4 anos atrás houve no Brasil um plebiscito para que o povo opinasse sobre o desarmamento no país? Eu creio que não. Porque nem eu lembro em que ano isso ocorreu (perceberam que escrevi “mais ou menos” há 4 anos?).

Assim como na época da votação, continuo a favor do desarmamento. E não me venham dizer que isso deixa a população mais insegura, até porque, nesse tempo vagabundo em que vivemos, não sabemos de onde vem o tiro e muito menos o calibre do perigo.

Realmente nos dias de hoje, vivemos números de guerra e rezamos por dias de paz, enquanto bandidos têm armamento capaz de derrubar helicóptero. Só que nenhum desses motivos é capaz de me convencer que um pai de família tenha o direito de ter uma arma em casa, ao alcance dos filhos, que por pura irresponsabilidade, poderão causar uma tragédia. Já que aquela arma só estava em casa, para que seu pai pudesse ter a falsa sensação de que seria capaz de sacar sua arma tão rápido quanto John Wayne em um filme de velho oeste.

Para encerrar com o assunto desarmamento, e poder falar de música que é nosso interesse, reafirmo minha posição a favor do desarmamento. Porque na minha opinião, não há melhor munição que palavra e movimento.

Deixei explícito no primeiro parágrafo que uma das músicas do texto era “O Calibre”, dos Paralamas, e a outra é “Suas Armas”, da baianinha Pitty (aliás, faz tempo que não divago sobre ela).

Pitty sempre tem opiniões interessantes e que merecem atenção. Em “Suas Armas”, ela não fala apenas de armas de fogo como se possa pensar, ela também disserta sobre liberdade e prisão.

Acho interessantíssimo o modo como ela diz que quem tem atitude não precisa de munição, pois assim como eu, ela também acha que palavra e movimento bastam. Porque isso nos faz flutuar em transe e nos faz abrir as portas de nossas prisões interiores e exteriores (tire a máscara que cobre o seu rosto).

“O Calibre” é com certeza uma das letras mais contestadoras dos Paralamas. Todos nós (não estou abrindo exceções) temos esquinas em que nunca paramos, certas horas que nunca saímos e ficamos entricherados, vivendo em segredo. A vida já não é mais vida, e sim um artigo de luxo. Não sei se as promessas foram esquecidas, ou se o que foi prometido ninguém prometeu.

Sei apenas que de cara limpa e peito aberto... Vivo sem saber até quando ainda estou vivo, porque em cima do muro é um lugar para os governantes, já que não há estado, nem há mais nação.

By Eduardo

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quarta-feira, 11 de novembro de 2009

Pitty acerta o "Teto de vidro" que existe entre o "8 ou 80"

A minha idéia do post dessa semana, surgiu da minha indignação e repugnância pelo que o Ser humano é capaz de fazer. Isso foi o pontapé inicial para a minha idéia, ao pensar em uma música de quem na minha opinião, atualmente, é a líder da nata do rock nacional, por honrá-lo ao aliar letras críticas à uma guitarra explosiva. Então, comecei a pensar qual seria a associação: eu precisava de uma outra música. E veio em mente outra música dela. O que é que a Baiana tem? A mais autêntica e singular das baianas, vulga Pitty, vai nos dizer através de Teto de Vidro (música do seu primeiro CD “Admirável chip novo”*) e 8 ou 80 (Do álbum mais recente, “Chiaroscuro”).

Farei diferente essa semana: antes de falar da minha interpretação das letras, falarei da revolta que me fez escolher tais músicas, pra depois fazer a ponte, que parece nada viável. Ao assistir telejornal (coisa que faço pouco pra evitar essa sensação abismal e inquietante que me acomete agora e me faz querer vomitar essas palavras), me deparei com uma matéria sobre uma estudante de determinada universidade, que foi apontada por seus colegas devido à sua vestimenta inapropriada, além de ser expulsa da universidade (que voltou atrás agora que a mídia caiu em cima, lógico) e exposta ao julgamento de pessoas que não tem nada a ver com a vida dela e que não são parâmetro para avaliar conduta alguma.

Fique claro que não estou defendendo trajes indevidos em lugares impróprios, mas defendo sim a liberdade de pensamento, de ser o que se deseja e não ser condenado por isso como um criminoso – ou de forma mais rude, visto que criminosos muitas vezes permeiam impunes por becos em nossa sociedade, que fechamos os olhos e fingimos não ver.

Enfim, quem não tem teto de vidro, que atire a primeira pedra. Quem nunca teve uma atitude condenável, um traje inapropriado, uma conduta pouco louvável. Quem nunca esbravejou uma frase que ficaria melhor se engolida ao invés de posta pra fora. Quem nunca jogou lixo no chão ou negou lugar a um idoso quando ninguém estava olhando. Quem furou fila ou se sentiu esperto ao se beneficiar do erro de algum vendedor, que o levou a adquirir um produto melhor pelo preço do mais barato.

No fim das contas, todo mundo tem segredo que não conta nem pra si mesmo. Porque é vergonhoso. O ponto de ebulição do nosso caráter pode fazer explodir o nosso cérebro. Manda nossa alma pro espaço.

Todo mundo tem receio do que vê diante do espelho. Medo se ser alguém que você já criticou. Medo de descobrirem que você fez algo que um dia já apontou como errado. Insisto: não é medo da atitude errada, e sim de ser descoberto. Na frente está o alvo que se arrisca pela linha, não é tão diferente do que eu já fui um dia.

Tantas pessoas querendo sentir sangue correndo na veia, afinal quem está vivo se movimenta. E quer muito, tem apego. Deixa de querer, restando o desprezo. É a nossa vulnerabilidade que nos faz escravos dos nossos desejos voláteis, que nos faz cair em contradição o tempo todo. E surgem os desejos que não se divide nem com o travesseiro. O remédio pra amargura (existe?) ou as drogas que vem com bula (a solução dos fracos).

O mundo gira num segundo, sem conhecer o que existe entre o 8 e 80. Cada um em seu casulo, em sua direção, vendo de camarote a novela da vida alheia. Sem cuidar do próprio umbigo, mas sugerindo soluções, discutindo relações, bem certos de que a verdade cabe na palma da mão. Quero ver quem é capaz de fechar os olhos e descansar em paz com esse tipo de conduta.

Nem sempre ando entre meus iguais, nem sempre faço coisas legais. Me dou bem com os inocentes, mas com os culpados me divirto mais. E como me divirto. O que não presta sempre interessa muito mais. Mas se a verdade está na palma da minha mão, eu posso atirar a primeira pedra no teto do vizinho. Posso julgar a atitude dele e diminuir o seu valor. E quando a verdade dele passar a ser a minha, é só mudar a perspectiva. Se eu faço, deixa de ser errado. Quem é dono das certezas não é capaz de errar (?).

E num piscar de olhos, lembro de tanto que falei, deixei, calei e até me importei, mas não tem nada, eu tava mesmo errada. Mas ficar discutindo a novela da vida alheia, sugerindo soluções , desconhecendo o meio termo entre o 8 e o 80 e esmagando a verdade na palma da mão, não permite a ninguém fechar os olhos e descansar em paz. Se aliar aos inocentes, mas ser fiel aos culpados não permite buscar dentro de mim os meus lares, nem lidar com o meio. Chega de hipocrisia! Muita coisa feia ainda vai aparecer por aí e nos indignar, até que façamos a mesma coisa. Se vai ficar, se vai passar, não sei. Mas isso não é uma questão de opinião. E isso é só uma questão de opinião.

By Mônica

Links das Letras:

http://letras.terra.com.br/pitty/67659/

http://letras.terra.com.br/pitty/1524309/

*Fonte by Bobiça