CLICK HERE FOR BLOGGER TEMPLATES AND MYSPACE LAYOUTS »

terça-feira, 12 de janeiro de 2010

Todos estão mudos (Pitty) X Todos estão surdos (Roberto Carlos)

Meu post dessa semana, era a idéia que eu tinha pro meu post da semana do Natal, que não chegou a ser feito, como eu disse no meu último post. Quando surgiu a idéia de unir essas duas músicas, pensei em falar do silêncio de um mundo que urge em gritar por socorro, sem forças sequer pra sussurrar por piedade. Então, passou a semana, e as idéias ficaram adormecidas, até que foram acordadas no susto essa semana, com mil pensamentos. Para vomitar essas palavras surdas desprovidas de som, meio mortas, meio cinzas, me utilizo de Pitty e Roberto Carlos em “Todos estão mudos” X “Todos estão surdos”.

Prezando o cavalheirismo já extinto, começo com a Baiana, rainha do rock. Ela fala dos gritos suprimidos da nossa sociedade alienada que perdeu a coragem em botar a cara pra bater em algum espaço de tempo tão fullgás, que não nos demos conta desse conformismo que nos dominou e roubou nossa voz. E não só a voz. Até bem pouco tempo atrás, poderíamos mudar o mundo. Quem roubou nossa coragem?

Com certeza não foi o peso do silêncio, que mudo, consegue eviscerar nossos pensamentos e paralisar a parte pensante e questionadora que existe em nós. Aquela mesma parte que é capaz de fazer algo pra transformar tudo. Essa parte nos foi ceifada em vida, dilacerando nosso caráter, fazendo sangrar a nossa fé. Nos esmagando por inteiro. Nos fazendo esperar eternamente pela salvação que nunca virá nos acometer em nosso sofá conectado 24 horas aos plim-plims excitantes que nos levam à loucura entre um vilão indo preso em horário nobre, um show de intrigas e traseiros ao sol, e um gol antes da novela da vida real.

Já o rei da geração brilhantina glostora, fala de algo que todos almejamos desde sempre, mas que a humanidade jamais conheceu: paz. Poderosa palavra de três letras, com um significado jamais alcançado por nós, mas que está dentro dos sonhos de todos que tem um pouco de sensatez. Ele diz que todos temos paz dentro de nós, apenas desconhecemos isso. E que poderemos perceber ao fechar os olhos e vermos o que diz nosso coração. Isso me lembra algo que li num livro, dizendo que a paz não é aquilo que vem depois da tempestade. É você estar no meio da tempestade mais turbulenta, e isso não afetar você. E permitir que a paz te persiga por mais que tudo pareça caos e dor, porque na verdade, é assim que tudo é em 99% das vezes, e assim continuará sendo.

Mesmo que a violência acabe, mesmo que a desigualdade se desmanche. Sempre haverá algo que trará o caos, até porque em teoria, o caos é a constante movida pela inconstância que nos rodeia. Voltando à letra, ele diz que o amor é importante e blá, blá, blá. Que não importa os motivos da guerra, a paz é mais importante e mais blá, blá, blá. Estamos cansados de saber disso tudo, mas preferimos ficar perdidos no labirinto dos pensamentos poluídos pela falta de amor. Sabemos que a covardia é surda e só ouve o que convém. E ela não ouve os clamores e as frases de outrora, que trazem os gritos suprimidos dos nossos ideais perdidos em eleições populares.

Como resultado, temos tanta gente sem fé num novo lar (logo, sendo novo ou antigo - penso eu - é indiferente. O problema não está onde se mora, e sim quem mora, o que pensa, no que crê e se alimenta esperanças renovadas quando tudo parece estar se renovando em sua vida – os que deixaram o fracasso lhes subir à cabeça). Mas existe o bom combate, de não desistir sem tentar. É desse que precisamos. É por esse que urgimos. É esse que deve nos perseguir. Com um grito que acorde a humanidade inteira, fazendo os mais surdos escutarem e os mais mudos bradarem. Acho que na verdade, todos não estão surdos, tampouco mudos. Esse título, de certa forma, acaba sendo um desrespeito imperdoável a todos os deficientes que estão muito mais antenados ao som do mundo e as vozes de compaixão.

Se eu pudesse unir as duas letras, em um título, diria que todos estão alienados. De uma forma tão severa e miserável, que parece que uma areia movediça nos faz afundar cada vez mais. E nem com o perigo iminente, temos a nossa covardia partida e voz pra nos fazermos ouvir. Não espere, levante. Sempre vale a pena bradar. É hora, alguém tem que falar. Que sejamos nós, pessoas que se recusam a ter os neurônios em estado de coma induzido. Não forcemos o grito abafado dos que não tem voz. Vamos unir nossas vozes em uma só, porque só assim, não haverá quem não consiga bradar. Martha Medeiros, em um de seus textos, diz mais ou menos assim: O mundo é um imenso playground que cultua deuses errados. Mas se prestarmos atenção nos detalhes, teremos uma visão mais abrangente e alcançaremos a paz.

Que possamos ouvir os gritos abafados. Que possamos falar o que está preso em nós. Porque senão, a tendência acaba sendo que, além de alienados em nosso pequeno universo, nos tornemos cegos ao que está a nossa frente.

By Mônica

Links das Letras:

http://letras.terra.com.br/pitty/1519631/

http://letras.terra.com.br/roberto-carlos/194989/

Medieval II (Cazuza) X Televisão (Titãs)

O texto de hoje foi pensado por causa da estréia do Big Brother Brasil. O assunto de hoje é a vilã sexagenária que é responsável pela manipulação que leva à alienação do povo: a digníssima televisão brasileira.

Para os leitores, vou logo dar um aviso: os parágrafos deste post serão curtos, pois por um motivo estilístico vou adotar o mesmo dinamismo empregado pela revolucionária alienadora televisão.

As músicas desta semana serão “Televisão”, dos meus queridíssimos Titãs (que souberam utilizar a televisão como meio para divulgar suas músicas como poucos) e “Medieval II”, do meu estimado poeta Cazuza (que como é conhecido por todos, adorava holofotes). Pois é, nem os artistas conseguiram ficar imunes ao poder da TV, só que de suas formas, eles tentaram abrir os olhos do povo com suas letras, pena que a população além de surda, muda, também é cega.

Vou começar as dissecações pelos Titãs, que lançaram sua “Televisão” lá no longínquo 1985.

“A televisão me deixou burro, muito burro demais!”. É impossível começar um parágrafo sobre esta música e não utilizar essa frase, que pode até parecer simples, mas se for analisada com calma, é cheio de significados e extremamente reacionária, pena que o povo não estava (ainda não está) preparado para as sutilezas titânicas de Arnaldo Antunes e cia.

Os Titãs sempre souberam como poucos escrever sobre as mazelas da sociedade, e a televisão de certo modo, é uma delas.

Para explicar e não soar hipócrita, devo logo avisar... Sou espectador do BBB, irei assistir esta edição do primeiro ao último episódio e assisto televisão com bastante freqüência. Só que acho que essas informações não me transformam num alienado, porque meu coração não captura tudo que a antena capta.

A televisão também tem um lado positivo. Ela ajudou muito o país na época das “Diretas Já!” e dos “Caras Pintadas”, porque sem a cobertura maciça dos telejornais, com certeza essas manifestações não alcançariam nem a metade do apoio popular que conseguiram. Só que o que me deixa indignado é que sempre existe um motivo obscuro por trás de toda boa ação.

E no caso da televisão... A maior emissora brasileira (não citarei nomes, ok?) apoiava o regime militar e apoiou o presidente Collor a se eleger, e só mudou de lado, porque não estava mais obtendo – no primeiro caso – nem obteve – no segundo - o lucro necessário.

Os Titãs conseguem mandar essas mensagens muito explicitamente, porque nada consegue me convencer que o “Cride” da letra não é o povo.

Porque o “Cride”... Quer dizer...O povo, acredita nas besteiras que lê no jornal, e seu lado português sentimental não consegue enxergar que o objetivo da televisão não é criar cidadãos pensantes, e sim pessoas alienadas que aceitarão de muito bom grado o lixo comercial e industrial que é despejado sobre elas.

Espero que vocês tenham percebido que já estou utilizando “Medieval II”.

Estou fazendo como na televisão, utilizando esse ritmo frenético, porque se você não conseguir me acompanhar, será atropelado por esse trem da morte que não se importa com nada, exceto o dinheiro das propagandas publicitárias (mais uma vez estou fazendo parte deste jogo sujo... Estou cursando Publicidade e Propaganda).

Cazuza com seu estilo cáustico, também destila algumas excelentes pérolas sobre a mídia da novidade média.

Afinal... Por causa deste louco amor que o brasileiro sente pela televisão, que nós vivemos num eterno tour pelo inferno.

Eu que sempre me achei um cara tão atual, vejo que sou totalmente medieval. Porque às vezes só consigo acreditar em alguma informação, depois que ela passa pelo filtro dos editores e aparece no jornal das oito horas. E mesmo na era da internet, a televisão continua sendo o meu meio de informação mais utilizado.

Meu grande problema é acreditar em paixão e moinhos lindos, mas a televisão sempre brinca comigo e a cada decepção vai me desmentindo.

O efeito corrosivo da televisão é tão forte, que até este que vos fala, esqueceu de citar o único antídoto contra a televisão: O amor. *

Cazuza tenta nos mostrar em sua letra que enquanto oferecermos a mão (e o coração) para os outros, seremos capazes de derrotar toda hipocrisia que reina na telinha. *

Deixemos as portas do coração sempre abertas para os outros e provemos que a televisão está enganada, e que o amor não é apenas um artigo de luxo, um estereótipo para os personagens principais da novela das oito e que nenhum tipo de distância (seja ela real ou virtual) pode ser maior do que nosso sentimento.*

Enquanto tentamos aprender os ensinamentos do poeta, continuamos vivendo na moda da nova idade média, e dentro dessa jaula juntos dos animais.

* Parágrafos inspirados por uma discussão que tive com a Mônica após a leitura da primeira versão do texto.

By Eduardo

Links das Letras:

http://letras.terra.com.br/cazuza/1431618/

http://letras.terra.com.br/titas/49002/

quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

Tempo Perdido (Legião Urbana) X Tempos Modernos (Lulu Santos)

O post dessa semana foi como um repente, após uma gestação prolongada. E pari-lo, foi infinitamente difícil para mim. Após três semanas sem escrever aqui, pela correria das festas de final de ano, fiquei frustrada. Afinal, passei um bom tempo planejando os 2 últimos posts do ano – o da semana do natal e do reveillón – e eles não chegaram a nascer. Não dei adeus ao ano que findou como eu queria – e deveria, diga-se de passagem. Então, como já não tinha mesmo realizado os posts para fechar o ano com letras de ouro, falando de todo o sentimentalismo do espírito natalino e da renovação das esperanças com a chegada de um ano novo ainda bebê, estou eu aqui, na primeira semana do ano.

No primeiro post desse ano redondo, que traz com ele, um turbilhão de sonhos recém saídos do forno, vou pra minha idéia...De primeiro post do ano. E de onde surgiu essa idéia? Bem...confesso não ter sido muito criativa, visto que todo mundo que reflete sobre essa época, escrevendo, cantando ou guardando para si suas impressões ou expectativas, tem em mente um novo começo de era. Tempos novos chegando, sejam eles modernos, ou que se percam no final. Me usarei de Legião Urbana e Lulu Santos, para abrir o ano com Tempo Perdido X Tempos Modernos.

Engraçado, que tinha combinado com Eduardo, que nossos últimos post de encerramento do ano se dividiriam da seguinte forma: ele faria um post retrospectivo do ano que se passou - e eu, um prospectivo - do ano que está chegando. Quase sem querer, foi isso que aconteceu, pois ele cumpriu o prazo e está com o texto escrito há uma semana esperando ansiosamente para ser lido. E eu, acabei de tirar meus neurônios da paralisia das boas festas.

Nada melhor pra abrir o ano...Eu adoro legião urbana, mas isso todos devem saber, a essa altura do campeonato. Pelo menos os nossos leitores assíduos ou ocasionais. O jeito revolucionário de Renato fica estampado nessa letra, onde ele diz que acorda todos os dias com a sensação de não ter mais o tempo que passou, como se as lembranças fossem inexistentes. Mas diz que ainda tem muito tempo, tem todo o tempo do mundo, por ser jovem. Em outro momento, ele diz que não tem tempo a perder. E ele fala isso ao falar do suor sagrado de todos aqueles que se matam de trabalhar enquanto vêem suas próprias vidas passando pela janela e dando tchau. Mas reforça que isso ainda é mais bonito que o sangue selvagem dos burladores da lei.

É uma visão em preto-e-branco de alguém que esquece o que acontece nos seus dias que se seguem arrastados, devido a ter a sensação de estar perdendo tempo – e vida – trabalhando (honestamente a vida inteira, e agora não tendo mais direito a nada), não vendo a cor dos dias que se seguem, e perdendo a esperança da sua juventude, que está ficando marcada em máquinas, não em sorrisos e lembranças guardadas com afeto. Como resultado, percebe-se medos não assumidos e a carência de presenças reais para coisas simples, como um abraço, uma luz acesa, uma promessa verdadeiramente cumprida. Tempo ganhado, manhãs brilhantes, a juventude de volta. E ter o seu próprio tempo. E o controle sobre o rumo da sua própria vida.

É nessa melancolia de esperanças partidas como o final de um ano exaustivo, que Renato carrega sua letra de melodia que começa com impecável e inesquecível solo de guitarra. Mais esperançoso, Lulu crê num futuro com dias melhores, não porque tudo está correndo limpo e claro como numa bossa nova que fala de alegria, mas porque, sua visão além do alcance, transcende os muros de hipocrisia que insistem em nos rodear, sufocar e tragar a nossa alma para o mundo de aparências que leva ao sucesso e à solidão.

Ele consegue enxergar uma vida mais repleta de prazeres e sensações, que outrora Renato desconhecia, por viver imerso em obrigações que o cegavam para o sentido e a beleza do resto. Ele fala de amor. Amor sincero, pra todos nós. Amor real, não só o platônico. Não só o virtual. Não só o inatingível de novelas de horário nobre e filmes estrelados por celebridades Hollywodianas que escondem suas vidas frustrantes em longas-metragens com trilhas de chorar de emoção. A emoção da platéia, gente simples, mas feliz. Não aquela mesma encenada para receber o Oscar.

É essa platéia que vai fazer um novo começo de era, pois é gente fina, elegante e sincera. Não estou dizendo que o povão está repleto de gente honesta, não sou a hipócrita do começo da letra. Até porque ser gente fina ou gente grosseira, independe de classe social, raça e religião. Mas bem verdade, é que todo mundo deveria ser gente fina. Como diz minha queridíssima colunista do Globo, Martha Medeiros, “Gente fina diz mais sim do que não, e faz isso naturalmente, não é para agradar. Gente fina não julga ninguém – tem opinião, apenas. Gente fina é que tinha que virar tendência. Porque, colocando na balança, é quem faz a diferença.”

E toda essa volta, pra dizer que eu vejo (e quero) um novo começo de era, porque cansei de ter tempo perdido. Quero ganhar mais. Não só na megasena da virada. Não só dinheiro no bolso, saúde pra dar e vender. Quero ganhar sorrisos, abraços, tempo para estar ao lado de quem eu amo. Não só um bom emprego que me mantenha estável e me garanta uma boa aposentadoria, mas fé para não desistir, acreditando que o mundo pode ser melhor e que eu não vou deixar de fazer a minha parte, mesmo que remando contra a maré.

Como será o amanhã? Eu sou péssima de previsões, e aprendi a me libertar delas, vivendo esse segundo que me permite respirar e torcendo para que o novo seja melhor ainda. Sem esperar, mas recebendo de bom tom. O ano acabou de nascer, não tenho mais o tempo que passou, mas temos muito tempo. Temos todo o tempo do mundo? Acredito que sim, pois somos jovens, e apesar do sinal estar fechado pra nós, temos nosso próprio tempo. Mas hoje, o tempo voa, amor. Escorre pelas mãos. Mesmo sem se sentir. E não há tempo que volte, amor. Vamos viver tudo o que há pra viver. Vamos nos permitir. E só por hoje, eu vou me permitir ser feliz. É esse meu lema para esse novo começo de era, porque o tempo não vai mais escorrer pelos meus dedos. Sou eu quem vou dançar sob suas horas, a trilha sonora da minha vida. Vem comigo, Eduardo? Feliz vida a todos nós.

By Mônica

Links das Letras:

http://letras.terra.com.br/legiao-urbana/22489/

http://letras.terra.com.br/lulu-santos/47144/

Vai Passar (Chico Buarque) X O Bêbado e a Equilibrista (João Bosco e Aldir Blanc)


Com uma semana de atraso, volto a me ver sentado à frente do computador para digitar o texto do blog. Texto esse que será o último do ano. Espero não desapontar ninguém, mas esse post não será reflexivo como todo texto que tem como tema o Natal e muito menos festivo como aqueles que se referem ao ano que bate a nossa porta. Nunca fui muito apegado a convenções, por isso, o tema de hoje, além de inédito, também é polêmico.
Como uma pessoa inconformada e política por natureza, cheguei ao fim do ano, fazendo uma retrospectiva da vida pública do nosso país e de alguma forma (não vou tentar explicar como minha louca mente cria os temas e as pontes para as músicas), me imaginei vivendo na época da ditadura militar.
Por isso, resolvi utilizar duas músicas que foram compostas naquele momento negro da política nacional (algum dia o cenário político nacional não foi negro?). As músicas desta semana serão: “Vai Passar”, do mestre Chico Buarque e “O Bêbado e a Equilibrista”, da afiada parceria de João Bosco e Aldir Blanc.
Não vou passar um parágrafo inteiro contado a importância de Chico Buarque para o Brasil num momento em que ter esperança era o mesmo que andar na corda bamba utilizando uma sombrinha para se equilibrar. “Vai Passar”, assim como todas as canções de protesto da época, não diz o que quer escancaradamente. Chico usa mensagens quase que subliminares para tentar acordar o povo, que de tão distraído, não percebia que seus governantes subtraiam nossa pátria mãe em tenebrosas transações (qualquer semelhança com o governador dos Panettones ou com os atos secretos do presidente do senado, não é mera coincidência).
Foi assistindo aos noticiários e refletindo, que pude perceber que nosso povo, continua com a mesma mentalidade que tinha na época da ditadura, ou, existe outro motivo que explique, porque o presidente do senado é o nosso “querido” ex-presidente e imortal ocupante da cadeira 38 da Academia Brasileira de Letras José Sarney?
O mais triste, porém, é perceber, como letras compostas nos anos 70, continuam tão atuais, parece que o povo não aprendeu com os erros do passado. É chocante ver pessoas como Fernando Collor de Mello, Paulo Maluf e Jader Barbalho, ocupando cargos importantes no Planalto Central, sendo que o primeiro é o nosso único presidente que sofreu um impeachment, e os outros dois, assim como Sarney, faziam parte da corja que apoiava os militares.
Como sociedade, nós brasileiros, continuamos errando cegos pelo continente e levando pedras feito penitentes, para que as construções do PAC sejam concluídas e forjem seus superfaturamentos, com inaugurações pomposas, em meio a discursos inflamados de salaflários que dizem amar esse país, mas que não pensariam duas vezes em abandoná-lo por uma pasta cheia de dólares, que passaria camuflado em suas meias e cuecas.
O que fazer quando a corrupção chegar a níveis insuportáveis? Por que na época da ditadura ela não era tão explícita? E quando as maracutaias eram descobertas, como elas conseguiam passar em branco, como os casos de nepotismo do senador Sarney (que de tão bonzinho, empregou até o namorado da neta? Quem não gostaria de ter um avô desses, hein?!)?
A resposta é simples, tudo era levado a banho-maria, até que fossemos contaminados por uma ofegante epidemia que se chamava carnaval.
Alguma coisa mudou?
João Bosco e Aldir Blanc são os compositores de “O Bêbado e a Equilibrista”, que cantada por Elis Regina, ficou célebre por expor a tristeza e ao mesmo tempo a esperança equilibrista que ainda restava ao nosso povo, que como a dona do bordel pedia a cada estrela fria um brilho de aluguel. Para iluminar a cor de chumbo que predominava em nossa sociedade muda.
Hoje, diferente da época em que torcíamos pela volta do irmão do Henfil, além de mudos, estamos surdos. Porque eu não consigo acreditar que nada foi feito quando a imprensa divulgou, que a família Sarney queria proibir jornais de divulgar matérias que denunciavam seus atos criminosos.
Apesar dos motivos serem diferentes, Marias e Clarisses continuam a chorar, com esse nosso estado que não é nação. E infelizmente, mais uma vez, Chico Buarque estava certo... Pois assim como aquela página infeliz da nossa história, a atual, será apenas uma passagem desbotada na memória das nossas novas gerações.
Vamos esperar a tarde cair como um viaduto, para que possamos assistir o estandarte do sanatório geral passar.
Boas festas!

By Eduardo

Links das Letras:


terça-feira, 15 de dezembro de 2009

De você (Pitty) X Minha Alma (O Rappa)

O post dessa semana, surgiu de uma idéia antiga, que estava guardada no nosso baú musical. Eu abri o baú, e comecei a ver o que tinha na minha prateleira de idéias, que me agradasse pra essa semana. Daí tão previsível quanto areia no deserto, me veio o rock. Meus escolhidos dessa semana falam por mim sobre como vivemos presos em nossos mundos devido à forma como a sociedade trata as pessoas: para os criminosos ficarem soltos, os inocentes se enclausuram em suas tocas em busca de um pouco de paz. É o velho ditado, aquele que os ratos só fazem a festa quando os gatos estão presos. Não tive dúvidas quanto a minha escolha, e estou gestando um duelo de rock, entre a galera de O Rappa e ela, novamente ela, minha queridíssima Pitty. Uso e abuso de “Minha alma” pra falar “De você”.

Quando tive o estalo de unir essas duas músicas num post, tive essa intenção por ver que tinham algo de parecidas, porém só hoje ao ouvi-las e ler suas letras com calma, percebi a afinidade entre ambas, com idéias que se completam tanto quanto feijão com arroz, Eduardo e eu.

Começo por ela, porque suas letras de protótipo perfeito me fascinam e inquietam. E essa música, para os que não sabem, tem na autoria, nada mais, nada menos que: Pitty, Duda, Joe e Martin – Ela e sua incrível banda. Ela fala das grades do portão, que supostamente deveriam nos trazer segurança, mas que não nos protegem de nós mesmos. Quando o rancor não nos permite o perdão, quando o poder nos sobe a cabeça, nos tornamos prisioneiros daquilo que é material, e que um dia vai apodrecer e nos levar junto ralo abaixo.

Peço licença ao Eduardo pra citar Frejat, em uma música que ele fez baseada em um texto de Victor Hugo, que diz “Desejo que você ganhe dinheiro, pois é preciso viver também. E que você diga à ele, pelo menos uma vez, quem é mesmo o dono de quem.” Enquanto não mostrarmos pras nossas posses que nós somos os donos delas, e deixarmos que elas governem nossa vida e nos permitam ver apenas entre as grades, estaremos na dúvida sobre quem é que está na prisão. E é isso que os meninos do Rappa esbravejam ao falar que suas almas estão armadas. E às vezes atiram em si próprias, quando não percebem que nenhum muro vai te guardar de você. Paz sem voz, não é paz, é medo. E o medo escorre entre os meus dedos.

Qual a paz que eu não quero conservar pra tentar ser feliz? Se essa paz vem do vidro fechado e da grade do portão, suposta segurança, mas que não dão proteção, ela é muda. O silêncio não traz felicidade, traz solidão. E não é esse tipo de paz que nós queremos dentro dos nossos corações.

Nessa sociedade em putrefação em que tentamos sobreviver, nessas épocas onde os sorrisos estão enferrujados, e os corações foram substituídos por chips piratas desbloqueados, que aceitam qualquer operadora em planos de minutos gratuitos, temos que ficar enclausurados em condomínios com grades pra trazer proteção, e percebemos que talvez nós é que estejamos nessa prisão que se chama “viver”, no mundo da geração Aids, drogas e falta de amor. Só que viver com medo de dar o próximo passo e levar uma bala perdida, nos faz refém do egoísmo e não há como tentar extrair o altruísmo dos corações de gelo, com colete a prova de balas e demonstrações de afeto. Vivemos imersos em nossa solidão povoada, sem ninguém que compreenda nosso pequeno e insignificante mundo, tendo como conseqüência horas e horas de bate papo com o espelho, sem obter resposta.

Se as pessoas não conseguem entender a si próprias, não se permitem perdoar e enxergar algo bom dentro de si mesmas, como podemos esperar que tenham uma preocupação com algo fora do seu Eu? É fácil dar defeito em protótipos imperfeitos, é fácil se arrepender ao perceber que a vida podia ser algo diferente. Seria diferente se não colocássemos muros com a tentativa de proteção de nós mesmos, se não precisássemos de novas drogas de aluguel.

De certa forma, o medo embutido na paz abafada ainda é um bom sinal, pois só tememos por nós mesmos ou por aqueles que amamos. Então, me abrace e me dê um beijo, faça um filho comigo! Mas não me deixe sentar na poltrona num dia de domingo. Nesse mundo de caos e solidão, embarque em loucuras comigo e me traga amor, mas me livre do tédio dos conformados. E quando você aprende a amar, você abre os braços e se sente livre. E é com a mão aberta que se tem cada vez mais. A usura que te move só vai te puxar pra trás. E certas vezes, é difícil resistir. É pela paz que eu não quero seguir admitindo...

By Mônica

Links das Letras:

http://letras.terra.com.br/pitty/250226/

http://letras.terra.com.br/o-rappa/28945/

Vida Louca Vida (Lobão) X Vida Real (Engenheiros do Hawaii)

Já falei sobre tantas coisas em meus posts... Utilizei temas que vão de traição à internet, contemplei a solidão, fim de amor, música e cinema, e até os quatro cavaleiros do apocalipse já foram citados. Só que me preparando para escrever o texto desta semana, cheguei à conclusão de que todos os outros temas não passaram de coadjuvantes que tinham a missão de me fazer amadurecer, para que eu pudesse falar do tema principal: a VIDA.

Para poder abordar um tema tão complexo, utilizarei “Vida Louca Vida”, do Lobão e “Vida Real”, do Engenheiros do Hawaii.

Devo dizer que o fato de “Vida Louca...” ser relacionado por muitos a Cazuza, não influenciou sua escolha, pois a primeira idéia era utilizá-la com outra composição do Lobão, “Vida Bandida”. Só que utilizar o mesmo compositor para este tema específico, poderia atrapalhar no resultado final do texto, pois as músicas têm visões muito parecidas.

Passadas as considerações iniciais, vou me aventurar pela louca vida de Lobão.

Nessa loucura que vivemos e chamamos de sociedade, levar uma vida louca vida é realmente um crime que não compensa? Essa pergunta sempre martelou muito em minha cabeça. Todos estamos cansados de toda essa caretice, toda essa babaquice, gerada por uma eterna falta do que falar, que nos faz sentir carentes, simplesmente porque não corremos perigos e nem perdemos os sentidos, já que vivemos na eterna espera pela hora certa, por acreditar que ela um dia vai chegar. Ah... vida real! Como eu troco de canal?

Vivemos em um mundo em que todos querem ser manchetes populares seja com um título de mulher fruta, seja com uma saia indecente na faculdade (não critico a saia e sim o fato da aluna se sentir feliz pela capa de jornal que o fato gerou), ou querer voltar à mídia utilizando o suicídio, mesmo que pela última vez. Afinal, como dizem os titãs: “não é tentar o suicídio querer andar na contramão”.

Lobão entendeu que não somos nós que levamos nossas vidas, e sim que ela que nos leva... Só que ela nos leva para o olho do furacão, aonde vemos governadores aceitando propina e dizendo que é para comprar panettones, assessor de presidente colocando dinheiro na cueca, e o que é pior... Presidente falando que essas imagens não significam nada, já que nunca antes na história deste país... A corrupção foi tão popular.

O que é mais triste, é que nestes casos, o crime compensa.

Humberto Gessinger, sempre foi mais sutil, o poeta dos pampas, prefere usar figuras de linguagem, que num primeiro momento normalmente passam despercebidas, mas quando prestamos atenção ao que foi dito, temos que concordar que na hora da canção em que eles dizem “baby”, não sabemos o que dizer. E não sabemos mesmo. É vergonhoso ver como a sociedade brasileira, se tornou covarde de uns tempos para cá (o assunto do texto continua sendo a vida, só que a análise da letra dos Engenheiros, só me faz pensar em nossa vida em sociedade).

Cai a noite e continuamos indecisos, mas um telefonema bastaria para passarmos a limpo a vida inteira, será que esse telefonema, não seria de um amigo nos chamando para fazer algo contra toda essa sujeira que vemos no planalto central do país? Realmente passaremos o resto de nossas vidas esperando um telefonema que nunca virá? Porque não sei se vocês perceberam, o dia já nasceu e a noite caiu mais uma vez e não fizemos a ligação. O inferno continua sobrevoando nossa timidez que não nos permite pintar o rosto mais uma vez e clamar por justiça. Seja na política ou nos estádios de futebol. Por que nos tornamos tão impotentes diante deste cenário pós-apocalíptico que se formou em nossa frente? Temos medo de encarar a vida real e é por isso que na hora da canção em que eles dizem “samba” (viva o carnaval, o ópio do povo), fazemos questão de esquecer de todas as mazelas que nossa podre sociedade vive e nos entregamos a triste alegria (a intenção é ser contraditório) de deixar no ar a porta aberta no final de cada dia.

Ah... Vida Real! Tchau!

By Eduardo

Links das Letras:

http://letras.terra.com.br/cazuza/87861/

http://letras.terra.com.br/engenheiros-do-hawaii/104388/

terça-feira, 8 de dezembro de 2009

Brasil Corrupção (Ana Carolina) X Zé Ninguém (Biquini Cavadão)

O post dessa semana foi uma idéia que nasceu como fruto da minha indignação pela escória que tem algo ostentador chamado poder, algo corrompido chamado caráter e algo sagrado, porém, que foi molestado: a confiança de toda uma nação. Nesse modismo que o governo brasileiro se encontra, de inovar nas formas de corrupção, recorri à Ana Carolina em uma de suas parcerias com Tom Zé e ao grupo da minha Bèlle Époque, Biquíni Cavadão. Sendo assim, trago “Brasil Corrupção” e “Zé Ninguém” para esbravejar na arena dos donos do poder.

A galera do Biquíni traz a tona uma série de perguntas que nos faz refletir sobre o rumo que as coisas estão tomando. Vejam, essa letra foi escrita em torno de 20 anos atrás, e as coisas já estavam nesse patamar de gravidade. Ana, em contrapartida, traz uma realidade mais atual, e conseqüentemente, fétida e indigesta. Onde sequer existe a camuflagem da violação dos deveres políticos para com a sociedade. Camuflar pra que, se todo mundo rouba aqui desde o primeiro português que aqui pisou, de pé sujo e sem pedir licença pra entrar na casa alheia e tirar tudo do lugar?

Quem foi que disse que Deus é brasileiro, que existe ordem e progresso, enquanto a zona corre solta no congresso? Nesse país de manda-chuvas, tem sempre alguém se dando bem, de São Paulo a Belém. Seja o político que rouba dinheiro público com falso pretexto de caridade natalina (como se a população precisasse de Panettones, ao invés de comida, empregos, saúde, infra-estrutura de moradia – coisas supérfluas quando comparadas a um bolo de frutas do feriado sagrado vendido ao capitalismo), seja o financiador da pirataria, o furador de filas, o cambista vendendo ingressos pro show...Ou mesmo, o individuo que avança o sinal e anda sem cinto de segurança após tomar uma ou duas geladas enquanto critica os governantes que burlam as regras.

Quem foi que disse que a justiça tarda, mas não falha? Quem foi que disse que os homens nascem iguais? Eu não sou ministro, eu não sou magnata. Aqui embaixo, as leis são diferentes. A justiça não falha (nem tarda) para os ladrões de galinhas, mas não precisa funcionar para os estelionatários. Os homens nascem iguais para pagar impostos, e diferentes para receber benefícios. Aqui a lei é assim: quanto mais se tem, mais se ganha. Quanto menos se tem...Quem se importa com o que você precisa? Dois pesos, duas medidas. É assim que se equilibra a justa balança do mundo...

Os dias passam lentos, aos meses seguem os aumentos. Dos preços, da inflação. Da violência. Do desemprego. Dos golpes e falcatruas. Dos mortos na porta dos hospitais sem atendimento. Dos casos de gripe suína e de dengue. Dos desabrigados pelas enchentes. De balas perdidas (ou achadas). De impeachements. Pra responder essa sujeira, cada dia eu levo um tiro que sai pela culatra. Se tudo aqui acaba em samba, no país da corda bamba, querem me derrubar! Nessa Terra de Marlboro, derrubam-se os Zés que querem ser “Alguém” na mesma proporção que se sobe a inflação. A verdade, é que em terra de cego, quem tem um olho é rei, mas em terra de ladrão, quem é honesto, vai preso. É otário. E ainda por cima, visto como ladrão do mesmo jeito. Não importa, prefiro seguir acreditando que é melhor ser honesto e justo.

Vivendo nesse puto saco de mau cheiro, onde as senhoras de pouca renda vão rezando pela (in)justiça da Bahia ao Espírito Santo, não há santo que resista. Quem dirá, espírito. Quem foi que disse que a vida começa aos quarenta? A minha acabou faz tempo, agora entendo por que...eu sou do povo, eu sou um Zé Ninguém. E não tenho nada na cabeça, a não ser o céu. E os meus sonhos que alimentam a esperança de um futuro diferente do passado, por vezes sai pela culatra como os tiros de outrora.

Os dias sempre passam lentos para aqueles que desejam fazer as coisas de uma forma diferente.Quando se fala de corrupção, muitos preferem omitir suas opiniões a fixar idéias que poderiam ser contraditas caso estes pudessem ter a oportunidade de saborear o poder.

Quem foi que disse que os homens não podem chorar?Cada homem é sozinho a casa da humanidade. Se cada um de nós formar dentro de si um templo onde amar não é sofrer e onde as leis são iguais, sendo magnata ou Zé Ninguém, iremos perceber que os milhões de Zé “Alguéns” espalhados por aí, podem fazer a diferença. Finalizo parafraseando Ana, quando ela diz: Minha esperança é IMORTAL! Ouviram? Imortal. Sei que não dá pra mudar o começo, mas se a gente quiser, vai dar pra mudar o final...

By Mônica

Links das Letras:

http://letras.terra.com.br/ana-carolina/300818/

http://letras.terra.com.br/biquini-cavadao/44611/