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terça-feira, 2 de março de 2010

"Eduardo e Mônica" em: Eduardo, por Mônica

O post dessa semana levou mais de um mês para ser feito (enquanto o Edu, lóoogico, já estava com seu texto pronto me esperando, pacientemente), e tenho certeza que não busquei inspiração suficiente, e no fim, acharei que poderia ter sido melhor. É o que acontece quando falamos de amor, nenhuma palavra existente no vocabulário parece bastar para tentar expressar o que o coração sente.

Como, ao passar o carnaval, o ano começa verdadeiramente, eu saio do meu ócio reflexivo e venho recomeçar, de forma diferente: sem chocar duas letras, duas músicas em uma idéia, mas falando de alguém que me faz ter motivos para estar aqui. Falo do Eduardo, utilizando Eduardo e Mônica, da Legião Urbana. E tento fazer um paralelo entre o Eduardo da música, composto por Renato, e o meu Eduardo, composto PRA mim.

Ele é menino do Rio, tem um calor que me provoca arrepio. É moreno, alto, bonito e sensual. Preguiçoso, dorminhoco, irresistível, sensacional. Viciado em Coca-cola, e quando foi tomar juízo, só tinha vodca. De manhã, abre os olhos, mas pra que se levantar? Fica enrolando até perder a hora. Faz o melhor pão esperto da cidade, fazia jornalismo, agora faz publicidade. Nos cruzamos um dia, na internet sem querer, e como apenas bons amigos, começamos a nos conhecer. Adora sempre ter algo pra ler, se for jornal, ele delira, tanto quanto futebol na TV. Gol do flamengo?Ele pira. Adora debater sobre política, de Arnaldo Jabor até Xexéo, dois colunistas. Adora fórmula 1, Batman é seu herói, mas Cazuza está no topo, pois ele diz que “morrer não dói”, sabe tocar na ferida.

Era viciado em lanchonete, mas a Mônica disse que ele precisava se cuidar. Não anda sem fones de ouvido ouvindo algum rock legal, desde Led Zepellin até The Beatles e Frejat. Adora feijoada, adora churrascada, mousse de maracujá, com coca bem gelada, sem gás e com rum, românticos, libres. Celular pra quê? Quer ouvir 1001 discos antes de morrer. Quer fazer uma tattoo, tocar bateria, e pegar o diploma ao som de “Ideologia”. É filho único da mamãe, e cresceu com a “primaiada”, nem queria ouvir falar sobre Friends, até ter uma namorada viciada.

Nunca imaginei que o Eduardo existia, e tampouco que eu era a Mônica dele, e que a internet nos uniria. Ele só tinha 19, e eu já tinha terminado a faculdade, fazia pós-graduação e ele procurava estágio. A Mônica queria ir pro Médico Sem Fronteiras, o Eduardo, fazer revolução e acordar a vizinhança inteira. Ele ensinou à ela a gostar de Jornal, ele gostou de se sentir um cara atual. Ela ensinou à ele a jogar baralho, ela gostou de ganhar dele uma jogada. Eles brigaram mil vezes, e fizeram as pazes. Ele lhe apresentou o Arpoador, ela lhe deu amor sem fim. Ele fez mil declarações, ela escreveu a história linda. E eles dividiram filmes, músicas, críticas, lugares, lágrimas, abraços, vitórias e lástimas.

E assim, dispostos, se atraíram, e a vontade crescia, e crescia, e crescia. Como tinha de ser, porque não há razão pras coisas feitas pelo coração. E a sensação de reencontro crescia, preenchia e os tornava cúmplices. Querem construir uma casa, daqui uns dois anos, quando pretendem se casar na primavera. Vão juntar uma grana, e os melhores amigos para a melhor festa que sonharam. Eduardo e Mônica, voltaram-se um pro outro e o início da história dá saudade de lembrar. E eles já conseguem imaginar o jardim, as crianças, o sol e eles, todos juntos, a brincar. Não existe razão pras coisas sonhadas e vividas pelo coração. Mas e se tudo tiver razão?NEOQEAV.

By Mônica

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"Eduardo e Mônica" em: Mônica, por Eduardo

Bom... Este texto está sendo criado com no mínimo uma semana de atraso. Culpa de um pouco de preguiça desse que vos fala, e da viagem que fiz em companhia da homenageada do post. Calma, calma, eu não viajei com uma música, explicarei melhor no parágrafo abaixo.

Ao contrário de todos os textos já criados, este aqui não é uma homenagem à nenhuma música, mas para Mônica, minha parceira no blog e na vida.

Neste mês de janeiro que já está chegando ao fim, completamos um ano de namoro, comemorações, brigas e felicidade para se dar e vender.

Como não poderia deixar de ser, vou homenagear minha amada com a música que deu origem aos pseudônimos do blog: “Eduardo e Monica”, da Legião Urbana. Na verdade, vou fazer uma ponte da minha Mônica, com a Mônica do Renato.

Esse é um grande desafio, porque nunca gostei muito dos meus textos de amor, mas vou me esforçar ao máximo para tentar expor todo o meu sentimento em relação ao meu grande amor.

Foi num dia 22 de janeiro, depois de termos trocado telefones, telefonado, que decidimos nos encontrar. Não foi num parque (até porque o dia era chuvoso) e ela não tinha tinta no cabelo. Não fomos numa lanchonete e nem ver um filme do Godard, foi num centro cultural, com uma exposição sobre moedas. Lembro até hoje do meu nervosismo e ansiedade em encontrar aquela pessoa que mesmo sem conhecer, já admirava e compartilhava alguns gostos.

Pela primeira vez depois de um ano de namoro me pego analisando aquele dia friamente e lembrando tudo que aconteceu. Que engraçado, aquele encontro daria um filme, as conversas carregadas de nervosismo no início, o primeiro e crucial beijo, aquele Hall do elevador e a volta para casa.

Devo confessar que em 22 de janeiro de 2009 eu poderia imaginar qualquer coisa, menos que um ano depois teria feito um blog (sonho antigo, mas que nunca foi realizado por falta de motivação interna e externa), uma viagem e ido ao Circo Voador com ela.

A música é um gancho que me permito usar, pois assim como os verdadeiros Eduardo e Mônica, existe uma diferença de idade entre nós dois, fomos viajar e falamos sobre Arnaldo Jabor, Martha Medeiros, BBB, planalto central, magia, meditação, céu, terra, água, ar e religião, estão sempre em nossa pauta de assuntos, que parecem nunca ter fim, e que com certeza nunca terão, porque passei a vida inteira atrás de uma parceira que me compreendesse, questionasse e até me convencesse a mudar algumas opiniões.

Minha Mônica se formou no mesmo ano que passei no vestibular. É um exemplo para mim, é o meu grande espelho, diria até meu combustível, a pessoa que me faz levantar todo dia de manhã e que sei que irá me apoiar sempre, porque nossa cumplicidade é algo que me assusta às vezes, e não digo no mal sentido, pois essa cumplicidade é sempre visando o bem-estar do outro, porque ela nunca deixa de puxar a minha orelha quando necessário. Nesse um ano, já comemoramos tanto juntos e também brigamos juntos muitas vezes depois, e sim eu completo ela e vice-versa, que nem feijão com arroz.

O combinado é utilizar apenas “Eduardo e Mônica”, mas preciso homenagear minha musa, com o mestre Chico Buarque, porque acho que agora, Mônica e eu entendemos que o amor não tem pressa e futuros amantes, quiçá se amarão sem saber o amor que um dia deixei pra você.

Nesse um ano de namoro, parei de beber, decidi trabalhar, troquei de curso na faculdade e descobri o amor verdadeiro. Eu, que como bom fã de Cazuza, sempre preferi o lado meio-dark do amor, aquele das separações e frustrações, descobri que quando se aprende a amar o mundo passa a ser seu, e ofereço a você, Mônica, meu calor, meu endereço, seja por mar, por terra, ou via Embratel.

Antes de terminar, quero fazer um agradecimento especial para Renato Russo, Cazuza, Jennifer Aniston e sua Rachel Karen Green que com certeza são nossos padrinhos.

Te amo, e isso é tão certo quanto o calor do fogo!

N.E.O.Q.E.A.V!

By Eduardo

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terça-feira, 12 de janeiro de 2010

Todos estão mudos (Pitty) X Todos estão surdos (Roberto Carlos)

Meu post dessa semana, era a idéia que eu tinha pro meu post da semana do Natal, que não chegou a ser feito, como eu disse no meu último post. Quando surgiu a idéia de unir essas duas músicas, pensei em falar do silêncio de um mundo que urge em gritar por socorro, sem forças sequer pra sussurrar por piedade. Então, passou a semana, e as idéias ficaram adormecidas, até que foram acordadas no susto essa semana, com mil pensamentos. Para vomitar essas palavras surdas desprovidas de som, meio mortas, meio cinzas, me utilizo de Pitty e Roberto Carlos em “Todos estão mudos” X “Todos estão surdos”.

Prezando o cavalheirismo já extinto, começo com a Baiana, rainha do rock. Ela fala dos gritos suprimidos da nossa sociedade alienada que perdeu a coragem em botar a cara pra bater em algum espaço de tempo tão fullgás, que não nos demos conta desse conformismo que nos dominou e roubou nossa voz. E não só a voz. Até bem pouco tempo atrás, poderíamos mudar o mundo. Quem roubou nossa coragem?

Com certeza não foi o peso do silêncio, que mudo, consegue eviscerar nossos pensamentos e paralisar a parte pensante e questionadora que existe em nós. Aquela mesma parte que é capaz de fazer algo pra transformar tudo. Essa parte nos foi ceifada em vida, dilacerando nosso caráter, fazendo sangrar a nossa fé. Nos esmagando por inteiro. Nos fazendo esperar eternamente pela salvação que nunca virá nos acometer em nosso sofá conectado 24 horas aos plim-plims excitantes que nos levam à loucura entre um vilão indo preso em horário nobre, um show de intrigas e traseiros ao sol, e um gol antes da novela da vida real.

Já o rei da geração brilhantina glostora, fala de algo que todos almejamos desde sempre, mas que a humanidade jamais conheceu: paz. Poderosa palavra de três letras, com um significado jamais alcançado por nós, mas que está dentro dos sonhos de todos que tem um pouco de sensatez. Ele diz que todos temos paz dentro de nós, apenas desconhecemos isso. E que poderemos perceber ao fechar os olhos e vermos o que diz nosso coração. Isso me lembra algo que li num livro, dizendo que a paz não é aquilo que vem depois da tempestade. É você estar no meio da tempestade mais turbulenta, e isso não afetar você. E permitir que a paz te persiga por mais que tudo pareça caos e dor, porque na verdade, é assim que tudo é em 99% das vezes, e assim continuará sendo.

Mesmo que a violência acabe, mesmo que a desigualdade se desmanche. Sempre haverá algo que trará o caos, até porque em teoria, o caos é a constante movida pela inconstância que nos rodeia. Voltando à letra, ele diz que o amor é importante e blá, blá, blá. Que não importa os motivos da guerra, a paz é mais importante e mais blá, blá, blá. Estamos cansados de saber disso tudo, mas preferimos ficar perdidos no labirinto dos pensamentos poluídos pela falta de amor. Sabemos que a covardia é surda e só ouve o que convém. E ela não ouve os clamores e as frases de outrora, que trazem os gritos suprimidos dos nossos ideais perdidos em eleições populares.

Como resultado, temos tanta gente sem fé num novo lar (logo, sendo novo ou antigo - penso eu - é indiferente. O problema não está onde se mora, e sim quem mora, o que pensa, no que crê e se alimenta esperanças renovadas quando tudo parece estar se renovando em sua vida – os que deixaram o fracasso lhes subir à cabeça). Mas existe o bom combate, de não desistir sem tentar. É desse que precisamos. É por esse que urgimos. É esse que deve nos perseguir. Com um grito que acorde a humanidade inteira, fazendo os mais surdos escutarem e os mais mudos bradarem. Acho que na verdade, todos não estão surdos, tampouco mudos. Esse título, de certa forma, acaba sendo um desrespeito imperdoável a todos os deficientes que estão muito mais antenados ao som do mundo e as vozes de compaixão.

Se eu pudesse unir as duas letras, em um título, diria que todos estão alienados. De uma forma tão severa e miserável, que parece que uma areia movediça nos faz afundar cada vez mais. E nem com o perigo iminente, temos a nossa covardia partida e voz pra nos fazermos ouvir. Não espere, levante. Sempre vale a pena bradar. É hora, alguém tem que falar. Que sejamos nós, pessoas que se recusam a ter os neurônios em estado de coma induzido. Não forcemos o grito abafado dos que não tem voz. Vamos unir nossas vozes em uma só, porque só assim, não haverá quem não consiga bradar. Martha Medeiros, em um de seus textos, diz mais ou menos assim: O mundo é um imenso playground que cultua deuses errados. Mas se prestarmos atenção nos detalhes, teremos uma visão mais abrangente e alcançaremos a paz.

Que possamos ouvir os gritos abafados. Que possamos falar o que está preso em nós. Porque senão, a tendência acaba sendo que, além de alienados em nosso pequeno universo, nos tornemos cegos ao que está a nossa frente.

By Mônica

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Medieval II (Cazuza) X Televisão (Titãs)

O texto de hoje foi pensado por causa da estréia do Big Brother Brasil. O assunto de hoje é a vilã sexagenária que é responsável pela manipulação que leva à alienação do povo: a digníssima televisão brasileira.

Para os leitores, vou logo dar um aviso: os parágrafos deste post serão curtos, pois por um motivo estilístico vou adotar o mesmo dinamismo empregado pela revolucionária alienadora televisão.

As músicas desta semana serão “Televisão”, dos meus queridíssimos Titãs (que souberam utilizar a televisão como meio para divulgar suas músicas como poucos) e “Medieval II”, do meu estimado poeta Cazuza (que como é conhecido por todos, adorava holofotes). Pois é, nem os artistas conseguiram ficar imunes ao poder da TV, só que de suas formas, eles tentaram abrir os olhos do povo com suas letras, pena que a população além de surda, muda, também é cega.

Vou começar as dissecações pelos Titãs, que lançaram sua “Televisão” lá no longínquo 1985.

“A televisão me deixou burro, muito burro demais!”. É impossível começar um parágrafo sobre esta música e não utilizar essa frase, que pode até parecer simples, mas se for analisada com calma, é cheio de significados e extremamente reacionária, pena que o povo não estava (ainda não está) preparado para as sutilezas titânicas de Arnaldo Antunes e cia.

Os Titãs sempre souberam como poucos escrever sobre as mazelas da sociedade, e a televisão de certo modo, é uma delas.

Para explicar e não soar hipócrita, devo logo avisar... Sou espectador do BBB, irei assistir esta edição do primeiro ao último episódio e assisto televisão com bastante freqüência. Só que acho que essas informações não me transformam num alienado, porque meu coração não captura tudo que a antena capta.

A televisão também tem um lado positivo. Ela ajudou muito o país na época das “Diretas Já!” e dos “Caras Pintadas”, porque sem a cobertura maciça dos telejornais, com certeza essas manifestações não alcançariam nem a metade do apoio popular que conseguiram. Só que o que me deixa indignado é que sempre existe um motivo obscuro por trás de toda boa ação.

E no caso da televisão... A maior emissora brasileira (não citarei nomes, ok?) apoiava o regime militar e apoiou o presidente Collor a se eleger, e só mudou de lado, porque não estava mais obtendo – no primeiro caso – nem obteve – no segundo - o lucro necessário.

Os Titãs conseguem mandar essas mensagens muito explicitamente, porque nada consegue me convencer que o “Cride” da letra não é o povo.

Porque o “Cride”... Quer dizer...O povo, acredita nas besteiras que lê no jornal, e seu lado português sentimental não consegue enxergar que o objetivo da televisão não é criar cidadãos pensantes, e sim pessoas alienadas que aceitarão de muito bom grado o lixo comercial e industrial que é despejado sobre elas.

Espero que vocês tenham percebido que já estou utilizando “Medieval II”.

Estou fazendo como na televisão, utilizando esse ritmo frenético, porque se você não conseguir me acompanhar, será atropelado por esse trem da morte que não se importa com nada, exceto o dinheiro das propagandas publicitárias (mais uma vez estou fazendo parte deste jogo sujo... Estou cursando Publicidade e Propaganda).

Cazuza com seu estilo cáustico, também destila algumas excelentes pérolas sobre a mídia da novidade média.

Afinal... Por causa deste louco amor que o brasileiro sente pela televisão, que nós vivemos num eterno tour pelo inferno.

Eu que sempre me achei um cara tão atual, vejo que sou totalmente medieval. Porque às vezes só consigo acreditar em alguma informação, depois que ela passa pelo filtro dos editores e aparece no jornal das oito horas. E mesmo na era da internet, a televisão continua sendo o meu meio de informação mais utilizado.

Meu grande problema é acreditar em paixão e moinhos lindos, mas a televisão sempre brinca comigo e a cada decepção vai me desmentindo.

O efeito corrosivo da televisão é tão forte, que até este que vos fala, esqueceu de citar o único antídoto contra a televisão: O amor. *

Cazuza tenta nos mostrar em sua letra que enquanto oferecermos a mão (e o coração) para os outros, seremos capazes de derrotar toda hipocrisia que reina na telinha. *

Deixemos as portas do coração sempre abertas para os outros e provemos que a televisão está enganada, e que o amor não é apenas um artigo de luxo, um estereótipo para os personagens principais da novela das oito e que nenhum tipo de distância (seja ela real ou virtual) pode ser maior do que nosso sentimento.*

Enquanto tentamos aprender os ensinamentos do poeta, continuamos vivendo na moda da nova idade média, e dentro dessa jaula juntos dos animais.

* Parágrafos inspirados por uma discussão que tive com a Mônica após a leitura da primeira versão do texto.

By Eduardo

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quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

Tempo Perdido (Legião Urbana) X Tempos Modernos (Lulu Santos)

O post dessa semana foi como um repente, após uma gestação prolongada. E pari-lo, foi infinitamente difícil para mim. Após três semanas sem escrever aqui, pela correria das festas de final de ano, fiquei frustrada. Afinal, passei um bom tempo planejando os 2 últimos posts do ano – o da semana do natal e do reveillón – e eles não chegaram a nascer. Não dei adeus ao ano que findou como eu queria – e deveria, diga-se de passagem. Então, como já não tinha mesmo realizado os posts para fechar o ano com letras de ouro, falando de todo o sentimentalismo do espírito natalino e da renovação das esperanças com a chegada de um ano novo ainda bebê, estou eu aqui, na primeira semana do ano.

No primeiro post desse ano redondo, que traz com ele, um turbilhão de sonhos recém saídos do forno, vou pra minha idéia...De primeiro post do ano. E de onde surgiu essa idéia? Bem...confesso não ter sido muito criativa, visto que todo mundo que reflete sobre essa época, escrevendo, cantando ou guardando para si suas impressões ou expectativas, tem em mente um novo começo de era. Tempos novos chegando, sejam eles modernos, ou que se percam no final. Me usarei de Legião Urbana e Lulu Santos, para abrir o ano com Tempo Perdido X Tempos Modernos.

Engraçado, que tinha combinado com Eduardo, que nossos últimos post de encerramento do ano se dividiriam da seguinte forma: ele faria um post retrospectivo do ano que se passou - e eu, um prospectivo - do ano que está chegando. Quase sem querer, foi isso que aconteceu, pois ele cumpriu o prazo e está com o texto escrito há uma semana esperando ansiosamente para ser lido. E eu, acabei de tirar meus neurônios da paralisia das boas festas.

Nada melhor pra abrir o ano...Eu adoro legião urbana, mas isso todos devem saber, a essa altura do campeonato. Pelo menos os nossos leitores assíduos ou ocasionais. O jeito revolucionário de Renato fica estampado nessa letra, onde ele diz que acorda todos os dias com a sensação de não ter mais o tempo que passou, como se as lembranças fossem inexistentes. Mas diz que ainda tem muito tempo, tem todo o tempo do mundo, por ser jovem. Em outro momento, ele diz que não tem tempo a perder. E ele fala isso ao falar do suor sagrado de todos aqueles que se matam de trabalhar enquanto vêem suas próprias vidas passando pela janela e dando tchau. Mas reforça que isso ainda é mais bonito que o sangue selvagem dos burladores da lei.

É uma visão em preto-e-branco de alguém que esquece o que acontece nos seus dias que se seguem arrastados, devido a ter a sensação de estar perdendo tempo – e vida – trabalhando (honestamente a vida inteira, e agora não tendo mais direito a nada), não vendo a cor dos dias que se seguem, e perdendo a esperança da sua juventude, que está ficando marcada em máquinas, não em sorrisos e lembranças guardadas com afeto. Como resultado, percebe-se medos não assumidos e a carência de presenças reais para coisas simples, como um abraço, uma luz acesa, uma promessa verdadeiramente cumprida. Tempo ganhado, manhãs brilhantes, a juventude de volta. E ter o seu próprio tempo. E o controle sobre o rumo da sua própria vida.

É nessa melancolia de esperanças partidas como o final de um ano exaustivo, que Renato carrega sua letra de melodia que começa com impecável e inesquecível solo de guitarra. Mais esperançoso, Lulu crê num futuro com dias melhores, não porque tudo está correndo limpo e claro como numa bossa nova que fala de alegria, mas porque, sua visão além do alcance, transcende os muros de hipocrisia que insistem em nos rodear, sufocar e tragar a nossa alma para o mundo de aparências que leva ao sucesso e à solidão.

Ele consegue enxergar uma vida mais repleta de prazeres e sensações, que outrora Renato desconhecia, por viver imerso em obrigações que o cegavam para o sentido e a beleza do resto. Ele fala de amor. Amor sincero, pra todos nós. Amor real, não só o platônico. Não só o virtual. Não só o inatingível de novelas de horário nobre e filmes estrelados por celebridades Hollywodianas que escondem suas vidas frustrantes em longas-metragens com trilhas de chorar de emoção. A emoção da platéia, gente simples, mas feliz. Não aquela mesma encenada para receber o Oscar.

É essa platéia que vai fazer um novo começo de era, pois é gente fina, elegante e sincera. Não estou dizendo que o povão está repleto de gente honesta, não sou a hipócrita do começo da letra. Até porque ser gente fina ou gente grosseira, independe de classe social, raça e religião. Mas bem verdade, é que todo mundo deveria ser gente fina. Como diz minha queridíssima colunista do Globo, Martha Medeiros, “Gente fina diz mais sim do que não, e faz isso naturalmente, não é para agradar. Gente fina não julga ninguém – tem opinião, apenas. Gente fina é que tinha que virar tendência. Porque, colocando na balança, é quem faz a diferença.”

E toda essa volta, pra dizer que eu vejo (e quero) um novo começo de era, porque cansei de ter tempo perdido. Quero ganhar mais. Não só na megasena da virada. Não só dinheiro no bolso, saúde pra dar e vender. Quero ganhar sorrisos, abraços, tempo para estar ao lado de quem eu amo. Não só um bom emprego que me mantenha estável e me garanta uma boa aposentadoria, mas fé para não desistir, acreditando que o mundo pode ser melhor e que eu não vou deixar de fazer a minha parte, mesmo que remando contra a maré.

Como será o amanhã? Eu sou péssima de previsões, e aprendi a me libertar delas, vivendo esse segundo que me permite respirar e torcendo para que o novo seja melhor ainda. Sem esperar, mas recebendo de bom tom. O ano acabou de nascer, não tenho mais o tempo que passou, mas temos muito tempo. Temos todo o tempo do mundo? Acredito que sim, pois somos jovens, e apesar do sinal estar fechado pra nós, temos nosso próprio tempo. Mas hoje, o tempo voa, amor. Escorre pelas mãos. Mesmo sem se sentir. E não há tempo que volte, amor. Vamos viver tudo o que há pra viver. Vamos nos permitir. E só por hoje, eu vou me permitir ser feliz. É esse meu lema para esse novo começo de era, porque o tempo não vai mais escorrer pelos meus dedos. Sou eu quem vou dançar sob suas horas, a trilha sonora da minha vida. Vem comigo, Eduardo? Feliz vida a todos nós.

By Mônica

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Vai Passar (Chico Buarque) X O Bêbado e a Equilibrista (João Bosco e Aldir Blanc)


Com uma semana de atraso, volto a me ver sentado à frente do computador para digitar o texto do blog. Texto esse que será o último do ano. Espero não desapontar ninguém, mas esse post não será reflexivo como todo texto que tem como tema o Natal e muito menos festivo como aqueles que se referem ao ano que bate a nossa porta. Nunca fui muito apegado a convenções, por isso, o tema de hoje, além de inédito, também é polêmico.
Como uma pessoa inconformada e política por natureza, cheguei ao fim do ano, fazendo uma retrospectiva da vida pública do nosso país e de alguma forma (não vou tentar explicar como minha louca mente cria os temas e as pontes para as músicas), me imaginei vivendo na época da ditadura militar.
Por isso, resolvi utilizar duas músicas que foram compostas naquele momento negro da política nacional (algum dia o cenário político nacional não foi negro?). As músicas desta semana serão: “Vai Passar”, do mestre Chico Buarque e “O Bêbado e a Equilibrista”, da afiada parceria de João Bosco e Aldir Blanc.
Não vou passar um parágrafo inteiro contado a importância de Chico Buarque para o Brasil num momento em que ter esperança era o mesmo que andar na corda bamba utilizando uma sombrinha para se equilibrar. “Vai Passar”, assim como todas as canções de protesto da época, não diz o que quer escancaradamente. Chico usa mensagens quase que subliminares para tentar acordar o povo, que de tão distraído, não percebia que seus governantes subtraiam nossa pátria mãe em tenebrosas transações (qualquer semelhança com o governador dos Panettones ou com os atos secretos do presidente do senado, não é mera coincidência).
Foi assistindo aos noticiários e refletindo, que pude perceber que nosso povo, continua com a mesma mentalidade que tinha na época da ditadura, ou, existe outro motivo que explique, porque o presidente do senado é o nosso “querido” ex-presidente e imortal ocupante da cadeira 38 da Academia Brasileira de Letras José Sarney?
O mais triste, porém, é perceber, como letras compostas nos anos 70, continuam tão atuais, parece que o povo não aprendeu com os erros do passado. É chocante ver pessoas como Fernando Collor de Mello, Paulo Maluf e Jader Barbalho, ocupando cargos importantes no Planalto Central, sendo que o primeiro é o nosso único presidente que sofreu um impeachment, e os outros dois, assim como Sarney, faziam parte da corja que apoiava os militares.
Como sociedade, nós brasileiros, continuamos errando cegos pelo continente e levando pedras feito penitentes, para que as construções do PAC sejam concluídas e forjem seus superfaturamentos, com inaugurações pomposas, em meio a discursos inflamados de salaflários que dizem amar esse país, mas que não pensariam duas vezes em abandoná-lo por uma pasta cheia de dólares, que passaria camuflado em suas meias e cuecas.
O que fazer quando a corrupção chegar a níveis insuportáveis? Por que na época da ditadura ela não era tão explícita? E quando as maracutaias eram descobertas, como elas conseguiam passar em branco, como os casos de nepotismo do senador Sarney (que de tão bonzinho, empregou até o namorado da neta? Quem não gostaria de ter um avô desses, hein?!)?
A resposta é simples, tudo era levado a banho-maria, até que fossemos contaminados por uma ofegante epidemia que se chamava carnaval.
Alguma coisa mudou?
João Bosco e Aldir Blanc são os compositores de “O Bêbado e a Equilibrista”, que cantada por Elis Regina, ficou célebre por expor a tristeza e ao mesmo tempo a esperança equilibrista que ainda restava ao nosso povo, que como a dona do bordel pedia a cada estrela fria um brilho de aluguel. Para iluminar a cor de chumbo que predominava em nossa sociedade muda.
Hoje, diferente da época em que torcíamos pela volta do irmão do Henfil, além de mudos, estamos surdos. Porque eu não consigo acreditar que nada foi feito quando a imprensa divulgou, que a família Sarney queria proibir jornais de divulgar matérias que denunciavam seus atos criminosos.
Apesar dos motivos serem diferentes, Marias e Clarisses continuam a chorar, com esse nosso estado que não é nação. E infelizmente, mais uma vez, Chico Buarque estava certo... Pois assim como aquela página infeliz da nossa história, a atual, será apenas uma passagem desbotada na memória das nossas novas gerações.
Vamos esperar a tarde cair como um viaduto, para que possamos assistir o estandarte do sanatório geral passar.
Boas festas!

By Eduardo

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terça-feira, 15 de dezembro de 2009

De você (Pitty) X Minha Alma (O Rappa)

O post dessa semana, surgiu de uma idéia antiga, que estava guardada no nosso baú musical. Eu abri o baú, e comecei a ver o que tinha na minha prateleira de idéias, que me agradasse pra essa semana. Daí tão previsível quanto areia no deserto, me veio o rock. Meus escolhidos dessa semana falam por mim sobre como vivemos presos em nossos mundos devido à forma como a sociedade trata as pessoas: para os criminosos ficarem soltos, os inocentes se enclausuram em suas tocas em busca de um pouco de paz. É o velho ditado, aquele que os ratos só fazem a festa quando os gatos estão presos. Não tive dúvidas quanto a minha escolha, e estou gestando um duelo de rock, entre a galera de O Rappa e ela, novamente ela, minha queridíssima Pitty. Uso e abuso de “Minha alma” pra falar “De você”.

Quando tive o estalo de unir essas duas músicas num post, tive essa intenção por ver que tinham algo de parecidas, porém só hoje ao ouvi-las e ler suas letras com calma, percebi a afinidade entre ambas, com idéias que se completam tanto quanto feijão com arroz, Eduardo e eu.

Começo por ela, porque suas letras de protótipo perfeito me fascinam e inquietam. E essa música, para os que não sabem, tem na autoria, nada mais, nada menos que: Pitty, Duda, Joe e Martin – Ela e sua incrível banda. Ela fala das grades do portão, que supostamente deveriam nos trazer segurança, mas que não nos protegem de nós mesmos. Quando o rancor não nos permite o perdão, quando o poder nos sobe a cabeça, nos tornamos prisioneiros daquilo que é material, e que um dia vai apodrecer e nos levar junto ralo abaixo.

Peço licença ao Eduardo pra citar Frejat, em uma música que ele fez baseada em um texto de Victor Hugo, que diz “Desejo que você ganhe dinheiro, pois é preciso viver também. E que você diga à ele, pelo menos uma vez, quem é mesmo o dono de quem.” Enquanto não mostrarmos pras nossas posses que nós somos os donos delas, e deixarmos que elas governem nossa vida e nos permitam ver apenas entre as grades, estaremos na dúvida sobre quem é que está na prisão. E é isso que os meninos do Rappa esbravejam ao falar que suas almas estão armadas. E às vezes atiram em si próprias, quando não percebem que nenhum muro vai te guardar de você. Paz sem voz, não é paz, é medo. E o medo escorre entre os meus dedos.

Qual a paz que eu não quero conservar pra tentar ser feliz? Se essa paz vem do vidro fechado e da grade do portão, suposta segurança, mas que não dão proteção, ela é muda. O silêncio não traz felicidade, traz solidão. E não é esse tipo de paz que nós queremos dentro dos nossos corações.

Nessa sociedade em putrefação em que tentamos sobreviver, nessas épocas onde os sorrisos estão enferrujados, e os corações foram substituídos por chips piratas desbloqueados, que aceitam qualquer operadora em planos de minutos gratuitos, temos que ficar enclausurados em condomínios com grades pra trazer proteção, e percebemos que talvez nós é que estejamos nessa prisão que se chama “viver”, no mundo da geração Aids, drogas e falta de amor. Só que viver com medo de dar o próximo passo e levar uma bala perdida, nos faz refém do egoísmo e não há como tentar extrair o altruísmo dos corações de gelo, com colete a prova de balas e demonstrações de afeto. Vivemos imersos em nossa solidão povoada, sem ninguém que compreenda nosso pequeno e insignificante mundo, tendo como conseqüência horas e horas de bate papo com o espelho, sem obter resposta.

Se as pessoas não conseguem entender a si próprias, não se permitem perdoar e enxergar algo bom dentro de si mesmas, como podemos esperar que tenham uma preocupação com algo fora do seu Eu? É fácil dar defeito em protótipos imperfeitos, é fácil se arrepender ao perceber que a vida podia ser algo diferente. Seria diferente se não colocássemos muros com a tentativa de proteção de nós mesmos, se não precisássemos de novas drogas de aluguel.

De certa forma, o medo embutido na paz abafada ainda é um bom sinal, pois só tememos por nós mesmos ou por aqueles que amamos. Então, me abrace e me dê um beijo, faça um filho comigo! Mas não me deixe sentar na poltrona num dia de domingo. Nesse mundo de caos e solidão, embarque em loucuras comigo e me traga amor, mas me livre do tédio dos conformados. E quando você aprende a amar, você abre os braços e se sente livre. E é com a mão aberta que se tem cada vez mais. A usura que te move só vai te puxar pra trás. E certas vezes, é difícil resistir. É pela paz que eu não quero seguir admitindo...

By Mônica

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