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quarta-feira, 10 de março de 2010

Elas, por eles. Elas, por elas.

"Maria Maria" (Milton Nascimento) Por Vanessa




Atendendo ao pedido dos queridos amigos donos desse blog vou escrever um texto sobre mulheres, já que esse mês tivemos o dia internacional da mulher.
É evidente que todos os dias são delas, já que, como diria Cazuza: O tempo não pára, e a vida também não. Inúmeros são os papéis representados diariamente por essas que, além de gerarem dentro de si novas vidas, normalmente tem a função de educá-las, de passar os primeiros valores morais, éticos, etc.
Pra ficar mais a cara desse blog, e não fugir ao objetivo de usar letras de músicas, utilizarei “Maria, Maria” de Milton Nascimento e Fernando Brant.
Riquíssima, a música já começa assim: “... É um dom, uma certa magia, uma força que nos alerta...” Ser mulher, moderna, nos dias de hoje, com tantas responsabilidades, tendo que mostrar sua capacidade no trabalho, não descuidar dos inúmeros afazeres de sua casa, e ainda estar sempre bonita, bem cuidada, sorrindo, cuidando dos que as cercam, é um dom feminino, é como mágica, pois fazem parecer simples, fácil e natural realizar tudo isso. No trabalho, normalmente ganham menos que os homens que realizam a mesma função, o que ao meu ver é puro preconceito já que a capacidade é a mesma e o resultado também. Assim como é puro preconceito quando dizem: “lugar de mulher é na cozinha... “ Não existe um lugar de mulher. Qualquer lugar onde estejam transformam em um bom lugar e superam as expectativas sobre sua capacidade.
“Uma mulher que merece viver e amar como outra qualquer do planeta.” Parece uma coisa simples viver e amar, não? Mas infelizmente não é algo tão fácil. Para algumas mulheres viver é quase um castigo, é como se tivessem que pedir desculpas diariamente por suas vidas, por serem mulheres. Amar então nem se fala, mal podem fazer suas próprias escolhas, apenas aceitam aquilo que lhes é imposto.
A Maria do Milton representa bem todas as mulheres, ou quase todas, já que não se pode generalizar. São fortes, suportam as adversidades da vida da maneira mais leve possível. São a representação do restante do mundo, que sofre e que ri apesar disso, que sobrevive ao invés de viver, que luta mas tenta levar a vida com graça e suavidade, e não esquece dos seus sonhos, mantendo sempre a fé de que tudo um dia muda, tudo um dia melhora.

Vanessa é canceriana legítima. Dramática, emotiva, intensa, maternal, apaixonante. Amiga, cúmplice, irmã. Tem os pés no chão e os sonhos nas estrelas. É nervosinha, marrenta e docemente encantadora. É mais forte que as ondas do mar. Mais rara que um diamante, mais brilhante que estrela no céu. É psicóloga, e sabe bem ouvir as pessoas. Tem alma leve e coração grande. É saudosista e sonhadora. E ela sabe bem onde pode chegar.

Link da Letra:


"Desconstruindo Amélia" (Pitty) Por Pri


Desde a história antiga, a mulher estava relacionada com a fertilidade. Era considerada o alicerce da família, limitada pelo trabalho doméstico (considerado uma virtude) e o papel que desempenhava na sociedade era de colaboradora do marido. No início do século XX, eis que de repente ela resolve então mudar. Uma revolução de operárias em busca de melhores condições de trabalho e melhores salários, torna-se o marco dessa mudança. A mulher percebe que não foi apenas educada pra cuidar e servir. Foram em busca do direito de se expressarem. Muitos protestos ocorreram em vários países. Quase cem anos depois, a mulher brasileira conseguiu o direito a voto.

No século XXI, a mulher vira a mesa, assume o jogo. Não é difícil ver uma mulher em destaque. No trabalho, na política ou na sociedade em geral. O reconhecimento muitas vezes é falho. Existem aquelas ainda que a despeito de tanto mestrado, ganha menos que o namorado e não entende porque. Mesmo assim, disfarça e segue em frente todo dia até cansar.

Uma das características mais marcantes da mulher é conseguir ser forte sem perder o encanto e a sutileza. Luta pelo seu espaço e faz questão de se cuidar. O instinto materno, que já é de sua natureza, faz com que ela defenda seus ideais como se estivesse protegendo seus filhotes no ninho. Tudo isso sem perder a beleza excêntrica e zelada.

Tem talento de equilibrista. Busca sempre a dosagem certa entre a razão e a emoção. Quando não consegue, faz a mistura perfeita entre o concreto e o abstrato. O exato e o humano.

Quando você se depara com uma mulher, está diante de várias. É o dom da diversidade. Ela é muitas se você quer saber. Consegue ser mãe, esposa e profissional ao mesmo tempo. E não termina por aí. Depois do lar, do trabalho e dos filhos. Ainda vai pra nigth ferver.

As mulheres são estereotipadas como sexo frágil. Essa busca por igualdade é justamente para se livrar desse rótulo. E o que foi deixado para trás, foi a dependência do homem. As mulheres querem se mostrar, sem a necessidade de estarem escondidas numa figura masculina. Nem serva, nem objeto. Já não quer ser o outro. Hoje ela é o também.

Priscila é mineirinha, aparentemente calada. Mas quando fala, se faz brilhar. Amiga, boêmia, romântica, bobiça, engraçada. Autêntica, sempre surpreende. Tem bom gosto musical. Tem opinião e a fórmula da juventude. Notável pra quem vê, essencial depois de uma simples conversa. É analista contábil. E entende de números tanto quanto cultivar uma amizade.

Link da Letra:

http://letras.terra.com.br/pitty/1524312/


"Anna Julia" (Los Hermanos) Por Kon

Eu não sou o maior fã de Anna Julia. Pronto, falei. Confissão difícil essa!

Mas, antes de levar pedradas de fãs fervorosos da alegre canção, acredito que devo me apresentar: sou Conrado Heoli, publicitário em formação e cinéfilo confesso. E sim, sou dotado de egocentrismo inegável, visto que comecei um texto sobre uma música falando de mim... Mas enfim, antes de mais nada, e de sair da escrita em primeira pessoa, quero agradecer o espaço cedido através de um convite feito pela minha excelente amiga Mônica e seu namorado querido Eduardo. Casal que brilha muito e tem um caminho iluminado pela frente, sem dúvidas!

Retomando Anna Julia e minha relação de amor e indiferença para com a canção e a moça que a intitula, devo mencionar primeiramente minha adoração por Los Hermanos. Hermanos meus que conheci através da supracitada canção! E o que me causa desinteresse por Anna Julia hoje é ver que esses meus hermanos cresceram tanto, e desenvolveram tantas outras canções tão mais belíssimas e dilacerantes, que acabo achando a música que projetou um dos melhores grupos para o cenário musical contemporâneo brasileiro bastante insossa. Inocente, até.

Mas é impossível negar a importância de Anna Julia. A música e a moça foram responsáveis pelo primeiro contato de 10 entre 10 atuais fãs com Los Hermanos. Hermanos esses, que hoje se distanciaram para seguir caminhos diferentes... Mas essa já é outra história. Mas a Anna, moça que encantou e deixou Alex Werner (que, em 1999, era empresário da banda) de coração quebrado, deve ser agradecida eternamente. Sem ela, hoje não ouviríamos canções tão emocionantes quantoÚltimo Romance”,Sentimental” eDe Onde Vem a Calma” tocando incessantemente em nossos players, memórias e corações.

Essa Anna Julia que, como tantas outras moças, inspirou devaneios de tantos jovens, que criou sentimentos complexos em rapazes apaixonados - e nunca os correspondeu. Histórias mil existem como essa, se replicam constantemente em corações imaturos ainda não muito calejados ou despedaçados. O hino Anna Julia foi e continua sendo declamado por muitos, mesmo após mais de 10 anos, mas não são todos que assumem a empatia com a composição de Marcelo Camelo. Ainda que a melodia não me comova com a simpatia que já me causou tempos atrás, fica a lembrança das vezes que me identifiquei com todas as palavras da canção, incluindo as mais melancólicas: "Quando tudo tiver fim, você vai estar com um cara, um alguém sem carinho, será sempre um espinho, dentro do meu coração".

Oh Anna Juliaaaaaa! Obrigado por inspirar meus hermanos barbudos a elaborarem uma canção com seu nome e sobre você. E você teve suas recompensas por isso, não é mesmo? Seu nome foi cantado ao redor do país por tantas vozes diferentes que fica difícil conseguir imaginar um número para quantificar tal afirmação. E, além de todo o amor e dor de cotovelo declarados à você por desconhecidos, você ficou famosa ao redor do mundo na voz de George Harrison, o ex-Beatle favorito de muita gente... Tem conhecimento da importância disso?

Finalizando, declaro que meu texto é para todas as Annas do mundo. Nos dêem uma chance, pode ser? Somos os românticos incuráveis, que como o Joel de "Brilho eterno de uma mente sem lembranças" se apaixonam apenas por receber um sorriso. Sejam nossa Clementine, não nossa Anna Julia.

"Uou uou uou".

Conrado é cinéfilo, amante da arte e de afetos sinceros. Sabe se fazer presente na ausência. Sabe ser especial a quilômetros de distância. Sabe semear sorrisos e cultivar amizades. É ocupado, mil e uma tarefas em um único ser humano, reles mortal com ares de anjo. Cuida, protege, é cúmplice e engraçado. É doce, cativante, especial. É publicitário, com alma criativa e desejo urgente em reinventar os outdoors das nossas vidas. Ele tem sonhos. E vai. Ao infinito, e além.


Link da Letra:

http://letras.terra.com.br/los-hermanos/17958/



"Maria de Verdade" (Carlinhos Brown) Por Ed

Fui convidado para a difícil, mas ao mesmo tempo agradável função de escrever sobre a canção “Maria de verdade” gravada magistralmente por Marisa Monte em seu álbum Verde Anil Amarelo Cor de Rosa e Carvão (adoro o nome desse álbum ). Passado o espanto pela coragem de Eduardo e Mônica de me recrutar para tal tarefa, veio o famoso branco total, e agora?

Como definir uma Maria de verdade? Como encontrá-la? Onde mora essa Maria, que um apaixonado e delirante Carlinhos Brown procura até mesmo entre fadas, besouros e pierrôs?

Não precisamos ir tão longe assim, a Maria de verdade mora dentro de cada mulher que sai pra trabalhar, cuida da casa, dos filhos e ainda tem que dar atenção ao seu homem (marido ou namorado) que mesmo sem saber, é programado por ela, e só lhe resta ficar ali parado, emoldurado, esperando chover desse céu que é Maria: amor.

Até ELE quando esteve aqui entre nós ficou sob os cuidados de uma Maria, e desde então este nome que atravessou séculos, criou uma força de revirar trens.

Quem somos nós diante de uma Maria de verdade? Filhos? Amantes? Devotos? Seja lá o que for, sempre que estivermos no profundo poço da poça do mundo, ela virá voando para nos socorrer, voando mesmo! Pois a alma boa sempre voa. Voa e sofre. Ser Maria é padecer no paraíso, mas mesmo que doa, nunca nos abandone Maria Mulher, Mulher Maria.

Edílson é primo, amigo e irmão. Seus pensamentos fervilham. Tem uma opinião sobre tudo e ao mesmo tempo é uma metamorfose ambulante. Ama cinema, Madonna e gosta de bancar o durão, mas tem um grande coração.

Link da Letra:

http://letras.terra.com.br/marisa-monte/47288/


"As Rosas Não Falam" (Cartola) X "Sou Sua Sabiá" (Marisa Monte) Por Jean

“Olha...

Será que ela é moça

Será que ela é triste

Sera que o contrário

Será que é pintura...”

(Beatriz – Chico Buarque)

Enquanto o mundo desaba em nossa cabeça e nós nos descontrolamos, vocês nos colocam em seus braços e dizem palavras de aconchego, às vezes se privando de serem perguntadas “Você está bem?”.

O medo que toma conta de nós – medo esse que escondemos para manter nossa postura altiva diante de vocês e, assim, manter o suposto controle – se esvai em um toque de suas mãos em nosso rosto e vocês dizem com os olhos “Eu estou aqui com você!” e nós esquecemos que vocês também sentem medo.

E quando o sol nasce junto ao sorriso em seus lábios e vem acompanhado de um singelo “Bom dia!”, nos tornamos mais fortes, sem perceber que o nosso abraço e o nosso “Bom dia!” também faria de vocês mais fortes.

E quando escutamos a voz do amor que há em vocês, somos as criaturas mais felizes deste mundo, e em troca vocês pedem apenas um... “Eu te amo!”.

Se as lágrimas caírem de nossos olhos, Vênus tem um jeito de consolar que nos torna crianças em seus braços, e o homem vira um garoto diante do seu abraço, e Marte nem lhe perguntou se você precisava de colo...

E como sabiás, se achegam cantarolando palavras que nos cativam, entre olhares e sorrisos que nos apaixonam.

Sempre buscam apaziguar as brigas que nós quase sempre provocamos por motivos banais, ou por ciúmes daquela que amamos, afinal decidimos nós mesmos (homens) que vocês são nossas, sem nem ao menos lhes perguntar se é isso que querem, ou se é isso que precisam... E ainda dizemos “Foi você que provocou!”.

Quase sempre dão tudo que podem e o melhor que tem. Dedicam seu tempo aos nossos interesses e ainda arrumam tempo para se mostrarem lindas aos nossos olhos.

Eu poderia dizer agora que vocês são como rosas... Mas como, se o poeta disse que “simplesmente as rosas exalam o perfume que roubam de ti”? Creio que as rosas que inspiraram-se em vocês.

E esse perfume que nos conquista e nos domina… Ah! Se todos os domínios fossem perfumados assim, não haveriam libertos!

O que vocês dizem com o olhar é o segredo que só vocês sabem, só entende quem tem a sensibilidade da alma e o amor do coração... Jamais sentiremos como vocês sentem, e jamais amaremos como amam.... Somos o corpo, vocês a nossa alma! Só nos resta agradecer... Obrigado mulher!

E a quem contestar este merecido 8 março...

Pense todos em todos os dias que foi cuidado por sua mãe, as noites em claro, os dias que somos amados por nossas lindas namoradas e esposas, dias em que nós homens nos apaixonamos pela milésima vez pela mesma mulher enquanto ela simplesmente arrumava o cabelo de forma singela, e com toda a delicadeza que cabe a um ser tão divino. Sem dizer nos dias que elas acordam estressadas (sem explicação aparente! Mas uma vez me disseram que mulher não é para ser entendida, é para ser amada! Então confie e ame!), mas ainda assim não perdem a beleza e você pensa: “Ela nervosa fica mais linda!”. Pense que elas não são tão incansáveis como aparentam, e que apesar de serem múltiplas em um único ser, elas carecem, mas não se deixam derrotar jamais! E apesar de tudo, nunca desistiram e ainda conseguem amar. E quando as tratamos como objetos, elas se mostram humanas e choram... Por isso, e o muito mais que só elas têm, que merecem um dia dedicados a elas!

Meninas... Mulheres... Agora olhem para si e não vejam apenas um belo corpo, apenas uma mãe, uma Amélia ou só como a esposa do fulano, do beltrano... Olhem e vejam que sem vocês nada seria possível!

Devo crer senhoritas que vocês, como unidade e multiplicidade, seja como Maria ou Mariana, Aline ou Beatriz, sendo você ou Janaína, no fundo são essência, amor e ternura... São mães, pais, avós, irmãs... Amigas, companheiras, amores e o tudo para nós.

Dedico esse texto e meu sincero amor para as mulheres poderosas da minha vida: Ana, minha mamãe; Luiza, minha afilhada sapeca; Thais, Jana, Lys, Nine, Wall, Vanessa (Val), Grazi, amigas que amo com minha vida! Sou um homem de sorte por tê-las comigo! PARABÉNS MENINAS!

E como tudo começa e termina com música...

“Garotos não resistem aos seus mistérios

Garotos nunca dizem não

Garotos como eu sempre tão expertos

Perto de uma mulher...

São só garotos!”

(Garotos II - Leoni)

Jean é um poeta, no sentido mais literal da palavra. Vê lirismo em tudo nesse mundo caótico, e esquece da vida se tiver que escrever palavras de afeto sincero pra alguém. Grande cinéfilo, anda tão a flor da pele que qualquer beijo ou “eu te amo” o fazem chorar.

Links das Letras:

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terça-feira, 2 de março de 2010

"Eduardo e Mônica" em: Eduardo, por Mônica

O post dessa semana levou mais de um mês para ser feito (enquanto o Edu, lóoogico, já estava com seu texto pronto me esperando, pacientemente), e tenho certeza que não busquei inspiração suficiente, e no fim, acharei que poderia ter sido melhor. É o que acontece quando falamos de amor, nenhuma palavra existente no vocabulário parece bastar para tentar expressar o que o coração sente.

Como, ao passar o carnaval, o ano começa verdadeiramente, eu saio do meu ócio reflexivo e venho recomeçar, de forma diferente: sem chocar duas letras, duas músicas em uma idéia, mas falando de alguém que me faz ter motivos para estar aqui. Falo do Eduardo, utilizando Eduardo e Mônica, da Legião Urbana. E tento fazer um paralelo entre o Eduardo da música, composto por Renato, e o meu Eduardo, composto PRA mim.

Ele é menino do Rio, tem um calor que me provoca arrepio. É moreno, alto, bonito e sensual. Preguiçoso, dorminhoco, irresistível, sensacional. Viciado em Coca-cola, e quando foi tomar juízo, só tinha vodca. De manhã, abre os olhos, mas pra que se levantar? Fica enrolando até perder a hora. Faz o melhor pão esperto da cidade, fazia jornalismo, agora faz publicidade. Nos cruzamos um dia, na internet sem querer, e como apenas bons amigos, começamos a nos conhecer. Adora sempre ter algo pra ler, se for jornal, ele delira, tanto quanto futebol na TV. Gol do flamengo?Ele pira. Adora debater sobre política, de Arnaldo Jabor até Xexéo, dois colunistas. Adora fórmula 1, Batman é seu herói, mas Cazuza está no topo, pois ele diz que “morrer não dói”, sabe tocar na ferida.

Era viciado em lanchonete, mas a Mônica disse que ele precisava se cuidar. Não anda sem fones de ouvido ouvindo algum rock legal, desde Led Zepellin até The Beatles e Frejat. Adora feijoada, adora churrascada, mousse de maracujá, com coca bem gelada, sem gás e com rum, românticos, libres. Celular pra quê? Quer ouvir 1001 discos antes de morrer. Quer fazer uma tattoo, tocar bateria, e pegar o diploma ao som de “Ideologia”. É filho único da mamãe, e cresceu com a “primaiada”, nem queria ouvir falar sobre Friends, até ter uma namorada viciada.

Nunca imaginei que o Eduardo existia, e tampouco que eu era a Mônica dele, e que a internet nos uniria. Ele só tinha 19, e eu já tinha terminado a faculdade, fazia pós-graduação e ele procurava estágio. A Mônica queria ir pro Médico Sem Fronteiras, o Eduardo, fazer revolução e acordar a vizinhança inteira. Ele ensinou à ela a gostar de Jornal, ele gostou de se sentir um cara atual. Ela ensinou à ele a jogar baralho, ela gostou de ganhar dele uma jogada. Eles brigaram mil vezes, e fizeram as pazes. Ele lhe apresentou o Arpoador, ela lhe deu amor sem fim. Ele fez mil declarações, ela escreveu a história linda. E eles dividiram filmes, músicas, críticas, lugares, lágrimas, abraços, vitórias e lástimas.

E assim, dispostos, se atraíram, e a vontade crescia, e crescia, e crescia. Como tinha de ser, porque não há razão pras coisas feitas pelo coração. E a sensação de reencontro crescia, preenchia e os tornava cúmplices. Querem construir uma casa, daqui uns dois anos, quando pretendem se casar na primavera. Vão juntar uma grana, e os melhores amigos para a melhor festa que sonharam. Eduardo e Mônica, voltaram-se um pro outro e o início da história dá saudade de lembrar. E eles já conseguem imaginar o jardim, as crianças, o sol e eles, todos juntos, a brincar. Não existe razão pras coisas sonhadas e vividas pelo coração. Mas e se tudo tiver razão?NEOQEAV.

By Mônica

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"Eduardo e Mônica" em: Mônica, por Eduardo

Bom... Este texto está sendo criado com no mínimo uma semana de atraso. Culpa de um pouco de preguiça desse que vos fala, e da viagem que fiz em companhia da homenageada do post. Calma, calma, eu não viajei com uma música, explicarei melhor no parágrafo abaixo.

Ao contrário de todos os textos já criados, este aqui não é uma homenagem à nenhuma música, mas para Mônica, minha parceira no blog e na vida.

Neste mês de janeiro que já está chegando ao fim, completamos um ano de namoro, comemorações, brigas e felicidade para se dar e vender.

Como não poderia deixar de ser, vou homenagear minha amada com a música que deu origem aos pseudônimos do blog: “Eduardo e Monica”, da Legião Urbana. Na verdade, vou fazer uma ponte da minha Mônica, com a Mônica do Renato.

Esse é um grande desafio, porque nunca gostei muito dos meus textos de amor, mas vou me esforçar ao máximo para tentar expor todo o meu sentimento em relação ao meu grande amor.

Foi num dia 22 de janeiro, depois de termos trocado telefones, telefonado, que decidimos nos encontrar. Não foi num parque (até porque o dia era chuvoso) e ela não tinha tinta no cabelo. Não fomos numa lanchonete e nem ver um filme do Godard, foi num centro cultural, com uma exposição sobre moedas. Lembro até hoje do meu nervosismo e ansiedade em encontrar aquela pessoa que mesmo sem conhecer, já admirava e compartilhava alguns gostos.

Pela primeira vez depois de um ano de namoro me pego analisando aquele dia friamente e lembrando tudo que aconteceu. Que engraçado, aquele encontro daria um filme, as conversas carregadas de nervosismo no início, o primeiro e crucial beijo, aquele Hall do elevador e a volta para casa.

Devo confessar que em 22 de janeiro de 2009 eu poderia imaginar qualquer coisa, menos que um ano depois teria feito um blog (sonho antigo, mas que nunca foi realizado por falta de motivação interna e externa), uma viagem e ido ao Circo Voador com ela.

A música é um gancho que me permito usar, pois assim como os verdadeiros Eduardo e Mônica, existe uma diferença de idade entre nós dois, fomos viajar e falamos sobre Arnaldo Jabor, Martha Medeiros, BBB, planalto central, magia, meditação, céu, terra, água, ar e religião, estão sempre em nossa pauta de assuntos, que parecem nunca ter fim, e que com certeza nunca terão, porque passei a vida inteira atrás de uma parceira que me compreendesse, questionasse e até me convencesse a mudar algumas opiniões.

Minha Mônica se formou no mesmo ano que passei no vestibular. É um exemplo para mim, é o meu grande espelho, diria até meu combustível, a pessoa que me faz levantar todo dia de manhã e que sei que irá me apoiar sempre, porque nossa cumplicidade é algo que me assusta às vezes, e não digo no mal sentido, pois essa cumplicidade é sempre visando o bem-estar do outro, porque ela nunca deixa de puxar a minha orelha quando necessário. Nesse um ano, já comemoramos tanto juntos e também brigamos juntos muitas vezes depois, e sim eu completo ela e vice-versa, que nem feijão com arroz.

O combinado é utilizar apenas “Eduardo e Mônica”, mas preciso homenagear minha musa, com o mestre Chico Buarque, porque acho que agora, Mônica e eu entendemos que o amor não tem pressa e futuros amantes, quiçá se amarão sem saber o amor que um dia deixei pra você.

Nesse um ano de namoro, parei de beber, decidi trabalhar, troquei de curso na faculdade e descobri o amor verdadeiro. Eu, que como bom fã de Cazuza, sempre preferi o lado meio-dark do amor, aquele das separações e frustrações, descobri que quando se aprende a amar o mundo passa a ser seu, e ofereço a você, Mônica, meu calor, meu endereço, seja por mar, por terra, ou via Embratel.

Antes de terminar, quero fazer um agradecimento especial para Renato Russo, Cazuza, Jennifer Aniston e sua Rachel Karen Green que com certeza são nossos padrinhos.

Te amo, e isso é tão certo quanto o calor do fogo!

N.E.O.Q.E.A.V!

By Eduardo

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terça-feira, 12 de janeiro de 2010

Todos estão mudos (Pitty) X Todos estão surdos (Roberto Carlos)

Meu post dessa semana, era a idéia que eu tinha pro meu post da semana do Natal, que não chegou a ser feito, como eu disse no meu último post. Quando surgiu a idéia de unir essas duas músicas, pensei em falar do silêncio de um mundo que urge em gritar por socorro, sem forças sequer pra sussurrar por piedade. Então, passou a semana, e as idéias ficaram adormecidas, até que foram acordadas no susto essa semana, com mil pensamentos. Para vomitar essas palavras surdas desprovidas de som, meio mortas, meio cinzas, me utilizo de Pitty e Roberto Carlos em “Todos estão mudos” X “Todos estão surdos”.

Prezando o cavalheirismo já extinto, começo com a Baiana, rainha do rock. Ela fala dos gritos suprimidos da nossa sociedade alienada que perdeu a coragem em botar a cara pra bater em algum espaço de tempo tão fullgás, que não nos demos conta desse conformismo que nos dominou e roubou nossa voz. E não só a voz. Até bem pouco tempo atrás, poderíamos mudar o mundo. Quem roubou nossa coragem?

Com certeza não foi o peso do silêncio, que mudo, consegue eviscerar nossos pensamentos e paralisar a parte pensante e questionadora que existe em nós. Aquela mesma parte que é capaz de fazer algo pra transformar tudo. Essa parte nos foi ceifada em vida, dilacerando nosso caráter, fazendo sangrar a nossa fé. Nos esmagando por inteiro. Nos fazendo esperar eternamente pela salvação que nunca virá nos acometer em nosso sofá conectado 24 horas aos plim-plims excitantes que nos levam à loucura entre um vilão indo preso em horário nobre, um show de intrigas e traseiros ao sol, e um gol antes da novela da vida real.

Já o rei da geração brilhantina glostora, fala de algo que todos almejamos desde sempre, mas que a humanidade jamais conheceu: paz. Poderosa palavra de três letras, com um significado jamais alcançado por nós, mas que está dentro dos sonhos de todos que tem um pouco de sensatez. Ele diz que todos temos paz dentro de nós, apenas desconhecemos isso. E que poderemos perceber ao fechar os olhos e vermos o que diz nosso coração. Isso me lembra algo que li num livro, dizendo que a paz não é aquilo que vem depois da tempestade. É você estar no meio da tempestade mais turbulenta, e isso não afetar você. E permitir que a paz te persiga por mais que tudo pareça caos e dor, porque na verdade, é assim que tudo é em 99% das vezes, e assim continuará sendo.

Mesmo que a violência acabe, mesmo que a desigualdade se desmanche. Sempre haverá algo que trará o caos, até porque em teoria, o caos é a constante movida pela inconstância que nos rodeia. Voltando à letra, ele diz que o amor é importante e blá, blá, blá. Que não importa os motivos da guerra, a paz é mais importante e mais blá, blá, blá. Estamos cansados de saber disso tudo, mas preferimos ficar perdidos no labirinto dos pensamentos poluídos pela falta de amor. Sabemos que a covardia é surda e só ouve o que convém. E ela não ouve os clamores e as frases de outrora, que trazem os gritos suprimidos dos nossos ideais perdidos em eleições populares.

Como resultado, temos tanta gente sem fé num novo lar (logo, sendo novo ou antigo - penso eu - é indiferente. O problema não está onde se mora, e sim quem mora, o que pensa, no que crê e se alimenta esperanças renovadas quando tudo parece estar se renovando em sua vida – os que deixaram o fracasso lhes subir à cabeça). Mas existe o bom combate, de não desistir sem tentar. É desse que precisamos. É por esse que urgimos. É esse que deve nos perseguir. Com um grito que acorde a humanidade inteira, fazendo os mais surdos escutarem e os mais mudos bradarem. Acho que na verdade, todos não estão surdos, tampouco mudos. Esse título, de certa forma, acaba sendo um desrespeito imperdoável a todos os deficientes que estão muito mais antenados ao som do mundo e as vozes de compaixão.

Se eu pudesse unir as duas letras, em um título, diria que todos estão alienados. De uma forma tão severa e miserável, que parece que uma areia movediça nos faz afundar cada vez mais. E nem com o perigo iminente, temos a nossa covardia partida e voz pra nos fazermos ouvir. Não espere, levante. Sempre vale a pena bradar. É hora, alguém tem que falar. Que sejamos nós, pessoas que se recusam a ter os neurônios em estado de coma induzido. Não forcemos o grito abafado dos que não tem voz. Vamos unir nossas vozes em uma só, porque só assim, não haverá quem não consiga bradar. Martha Medeiros, em um de seus textos, diz mais ou menos assim: O mundo é um imenso playground que cultua deuses errados. Mas se prestarmos atenção nos detalhes, teremos uma visão mais abrangente e alcançaremos a paz.

Que possamos ouvir os gritos abafados. Que possamos falar o que está preso em nós. Porque senão, a tendência acaba sendo que, além de alienados em nosso pequeno universo, nos tornemos cegos ao que está a nossa frente.

By Mônica

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Medieval II (Cazuza) X Televisão (Titãs)

O texto de hoje foi pensado por causa da estréia do Big Brother Brasil. O assunto de hoje é a vilã sexagenária que é responsável pela manipulação que leva à alienação do povo: a digníssima televisão brasileira.

Para os leitores, vou logo dar um aviso: os parágrafos deste post serão curtos, pois por um motivo estilístico vou adotar o mesmo dinamismo empregado pela revolucionária alienadora televisão.

As músicas desta semana serão “Televisão”, dos meus queridíssimos Titãs (que souberam utilizar a televisão como meio para divulgar suas músicas como poucos) e “Medieval II”, do meu estimado poeta Cazuza (que como é conhecido por todos, adorava holofotes). Pois é, nem os artistas conseguiram ficar imunes ao poder da TV, só que de suas formas, eles tentaram abrir os olhos do povo com suas letras, pena que a população além de surda, muda, também é cega.

Vou começar as dissecações pelos Titãs, que lançaram sua “Televisão” lá no longínquo 1985.

“A televisão me deixou burro, muito burro demais!”. É impossível começar um parágrafo sobre esta música e não utilizar essa frase, que pode até parecer simples, mas se for analisada com calma, é cheio de significados e extremamente reacionária, pena que o povo não estava (ainda não está) preparado para as sutilezas titânicas de Arnaldo Antunes e cia.

Os Titãs sempre souberam como poucos escrever sobre as mazelas da sociedade, e a televisão de certo modo, é uma delas.

Para explicar e não soar hipócrita, devo logo avisar... Sou espectador do BBB, irei assistir esta edição do primeiro ao último episódio e assisto televisão com bastante freqüência. Só que acho que essas informações não me transformam num alienado, porque meu coração não captura tudo que a antena capta.

A televisão também tem um lado positivo. Ela ajudou muito o país na época das “Diretas Já!” e dos “Caras Pintadas”, porque sem a cobertura maciça dos telejornais, com certeza essas manifestações não alcançariam nem a metade do apoio popular que conseguiram. Só que o que me deixa indignado é que sempre existe um motivo obscuro por trás de toda boa ação.

E no caso da televisão... A maior emissora brasileira (não citarei nomes, ok?) apoiava o regime militar e apoiou o presidente Collor a se eleger, e só mudou de lado, porque não estava mais obtendo – no primeiro caso – nem obteve – no segundo - o lucro necessário.

Os Titãs conseguem mandar essas mensagens muito explicitamente, porque nada consegue me convencer que o “Cride” da letra não é o povo.

Porque o “Cride”... Quer dizer...O povo, acredita nas besteiras que lê no jornal, e seu lado português sentimental não consegue enxergar que o objetivo da televisão não é criar cidadãos pensantes, e sim pessoas alienadas que aceitarão de muito bom grado o lixo comercial e industrial que é despejado sobre elas.

Espero que vocês tenham percebido que já estou utilizando “Medieval II”.

Estou fazendo como na televisão, utilizando esse ritmo frenético, porque se você não conseguir me acompanhar, será atropelado por esse trem da morte que não se importa com nada, exceto o dinheiro das propagandas publicitárias (mais uma vez estou fazendo parte deste jogo sujo... Estou cursando Publicidade e Propaganda).

Cazuza com seu estilo cáustico, também destila algumas excelentes pérolas sobre a mídia da novidade média.

Afinal... Por causa deste louco amor que o brasileiro sente pela televisão, que nós vivemos num eterno tour pelo inferno.

Eu que sempre me achei um cara tão atual, vejo que sou totalmente medieval. Porque às vezes só consigo acreditar em alguma informação, depois que ela passa pelo filtro dos editores e aparece no jornal das oito horas. E mesmo na era da internet, a televisão continua sendo o meu meio de informação mais utilizado.

Meu grande problema é acreditar em paixão e moinhos lindos, mas a televisão sempre brinca comigo e a cada decepção vai me desmentindo.

O efeito corrosivo da televisão é tão forte, que até este que vos fala, esqueceu de citar o único antídoto contra a televisão: O amor. *

Cazuza tenta nos mostrar em sua letra que enquanto oferecermos a mão (e o coração) para os outros, seremos capazes de derrotar toda hipocrisia que reina na telinha. *

Deixemos as portas do coração sempre abertas para os outros e provemos que a televisão está enganada, e que o amor não é apenas um artigo de luxo, um estereótipo para os personagens principais da novela das oito e que nenhum tipo de distância (seja ela real ou virtual) pode ser maior do que nosso sentimento.*

Enquanto tentamos aprender os ensinamentos do poeta, continuamos vivendo na moda da nova idade média, e dentro dessa jaula juntos dos animais.

* Parágrafos inspirados por uma discussão que tive com a Mônica após a leitura da primeira versão do texto.

By Eduardo

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quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

Tempo Perdido (Legião Urbana) X Tempos Modernos (Lulu Santos)

O post dessa semana foi como um repente, após uma gestação prolongada. E pari-lo, foi infinitamente difícil para mim. Após três semanas sem escrever aqui, pela correria das festas de final de ano, fiquei frustrada. Afinal, passei um bom tempo planejando os 2 últimos posts do ano – o da semana do natal e do reveillón – e eles não chegaram a nascer. Não dei adeus ao ano que findou como eu queria – e deveria, diga-se de passagem. Então, como já não tinha mesmo realizado os posts para fechar o ano com letras de ouro, falando de todo o sentimentalismo do espírito natalino e da renovação das esperanças com a chegada de um ano novo ainda bebê, estou eu aqui, na primeira semana do ano.

No primeiro post desse ano redondo, que traz com ele, um turbilhão de sonhos recém saídos do forno, vou pra minha idéia...De primeiro post do ano. E de onde surgiu essa idéia? Bem...confesso não ter sido muito criativa, visto que todo mundo que reflete sobre essa época, escrevendo, cantando ou guardando para si suas impressões ou expectativas, tem em mente um novo começo de era. Tempos novos chegando, sejam eles modernos, ou que se percam no final. Me usarei de Legião Urbana e Lulu Santos, para abrir o ano com Tempo Perdido X Tempos Modernos.

Engraçado, que tinha combinado com Eduardo, que nossos últimos post de encerramento do ano se dividiriam da seguinte forma: ele faria um post retrospectivo do ano que se passou - e eu, um prospectivo - do ano que está chegando. Quase sem querer, foi isso que aconteceu, pois ele cumpriu o prazo e está com o texto escrito há uma semana esperando ansiosamente para ser lido. E eu, acabei de tirar meus neurônios da paralisia das boas festas.

Nada melhor pra abrir o ano...Eu adoro legião urbana, mas isso todos devem saber, a essa altura do campeonato. Pelo menos os nossos leitores assíduos ou ocasionais. O jeito revolucionário de Renato fica estampado nessa letra, onde ele diz que acorda todos os dias com a sensação de não ter mais o tempo que passou, como se as lembranças fossem inexistentes. Mas diz que ainda tem muito tempo, tem todo o tempo do mundo, por ser jovem. Em outro momento, ele diz que não tem tempo a perder. E ele fala isso ao falar do suor sagrado de todos aqueles que se matam de trabalhar enquanto vêem suas próprias vidas passando pela janela e dando tchau. Mas reforça que isso ainda é mais bonito que o sangue selvagem dos burladores da lei.

É uma visão em preto-e-branco de alguém que esquece o que acontece nos seus dias que se seguem arrastados, devido a ter a sensação de estar perdendo tempo – e vida – trabalhando (honestamente a vida inteira, e agora não tendo mais direito a nada), não vendo a cor dos dias que se seguem, e perdendo a esperança da sua juventude, que está ficando marcada em máquinas, não em sorrisos e lembranças guardadas com afeto. Como resultado, percebe-se medos não assumidos e a carência de presenças reais para coisas simples, como um abraço, uma luz acesa, uma promessa verdadeiramente cumprida. Tempo ganhado, manhãs brilhantes, a juventude de volta. E ter o seu próprio tempo. E o controle sobre o rumo da sua própria vida.

É nessa melancolia de esperanças partidas como o final de um ano exaustivo, que Renato carrega sua letra de melodia que começa com impecável e inesquecível solo de guitarra. Mais esperançoso, Lulu crê num futuro com dias melhores, não porque tudo está correndo limpo e claro como numa bossa nova que fala de alegria, mas porque, sua visão além do alcance, transcende os muros de hipocrisia que insistem em nos rodear, sufocar e tragar a nossa alma para o mundo de aparências que leva ao sucesso e à solidão.

Ele consegue enxergar uma vida mais repleta de prazeres e sensações, que outrora Renato desconhecia, por viver imerso em obrigações que o cegavam para o sentido e a beleza do resto. Ele fala de amor. Amor sincero, pra todos nós. Amor real, não só o platônico. Não só o virtual. Não só o inatingível de novelas de horário nobre e filmes estrelados por celebridades Hollywodianas que escondem suas vidas frustrantes em longas-metragens com trilhas de chorar de emoção. A emoção da platéia, gente simples, mas feliz. Não aquela mesma encenada para receber o Oscar.

É essa platéia que vai fazer um novo começo de era, pois é gente fina, elegante e sincera. Não estou dizendo que o povão está repleto de gente honesta, não sou a hipócrita do começo da letra. Até porque ser gente fina ou gente grosseira, independe de classe social, raça e religião. Mas bem verdade, é que todo mundo deveria ser gente fina. Como diz minha queridíssima colunista do Globo, Martha Medeiros, “Gente fina diz mais sim do que não, e faz isso naturalmente, não é para agradar. Gente fina não julga ninguém – tem opinião, apenas. Gente fina é que tinha que virar tendência. Porque, colocando na balança, é quem faz a diferença.”

E toda essa volta, pra dizer que eu vejo (e quero) um novo começo de era, porque cansei de ter tempo perdido. Quero ganhar mais. Não só na megasena da virada. Não só dinheiro no bolso, saúde pra dar e vender. Quero ganhar sorrisos, abraços, tempo para estar ao lado de quem eu amo. Não só um bom emprego que me mantenha estável e me garanta uma boa aposentadoria, mas fé para não desistir, acreditando que o mundo pode ser melhor e que eu não vou deixar de fazer a minha parte, mesmo que remando contra a maré.

Como será o amanhã? Eu sou péssima de previsões, e aprendi a me libertar delas, vivendo esse segundo que me permite respirar e torcendo para que o novo seja melhor ainda. Sem esperar, mas recebendo de bom tom. O ano acabou de nascer, não tenho mais o tempo que passou, mas temos muito tempo. Temos todo o tempo do mundo? Acredito que sim, pois somos jovens, e apesar do sinal estar fechado pra nós, temos nosso próprio tempo. Mas hoje, o tempo voa, amor. Escorre pelas mãos. Mesmo sem se sentir. E não há tempo que volte, amor. Vamos viver tudo o que há pra viver. Vamos nos permitir. E só por hoje, eu vou me permitir ser feliz. É esse meu lema para esse novo começo de era, porque o tempo não vai mais escorrer pelos meus dedos. Sou eu quem vou dançar sob suas horas, a trilha sonora da minha vida. Vem comigo, Eduardo? Feliz vida a todos nós.

By Mônica

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Vai Passar (Chico Buarque) X O Bêbado e a Equilibrista (João Bosco e Aldir Blanc)


Com uma semana de atraso, volto a me ver sentado à frente do computador para digitar o texto do blog. Texto esse que será o último do ano. Espero não desapontar ninguém, mas esse post não será reflexivo como todo texto que tem como tema o Natal e muito menos festivo como aqueles que se referem ao ano que bate a nossa porta. Nunca fui muito apegado a convenções, por isso, o tema de hoje, além de inédito, também é polêmico.
Como uma pessoa inconformada e política por natureza, cheguei ao fim do ano, fazendo uma retrospectiva da vida pública do nosso país e de alguma forma (não vou tentar explicar como minha louca mente cria os temas e as pontes para as músicas), me imaginei vivendo na época da ditadura militar.
Por isso, resolvi utilizar duas músicas que foram compostas naquele momento negro da política nacional (algum dia o cenário político nacional não foi negro?). As músicas desta semana serão: “Vai Passar”, do mestre Chico Buarque e “O Bêbado e a Equilibrista”, da afiada parceria de João Bosco e Aldir Blanc.
Não vou passar um parágrafo inteiro contado a importância de Chico Buarque para o Brasil num momento em que ter esperança era o mesmo que andar na corda bamba utilizando uma sombrinha para se equilibrar. “Vai Passar”, assim como todas as canções de protesto da época, não diz o que quer escancaradamente. Chico usa mensagens quase que subliminares para tentar acordar o povo, que de tão distraído, não percebia que seus governantes subtraiam nossa pátria mãe em tenebrosas transações (qualquer semelhança com o governador dos Panettones ou com os atos secretos do presidente do senado, não é mera coincidência).
Foi assistindo aos noticiários e refletindo, que pude perceber que nosso povo, continua com a mesma mentalidade que tinha na época da ditadura, ou, existe outro motivo que explique, porque o presidente do senado é o nosso “querido” ex-presidente e imortal ocupante da cadeira 38 da Academia Brasileira de Letras José Sarney?
O mais triste, porém, é perceber, como letras compostas nos anos 70, continuam tão atuais, parece que o povo não aprendeu com os erros do passado. É chocante ver pessoas como Fernando Collor de Mello, Paulo Maluf e Jader Barbalho, ocupando cargos importantes no Planalto Central, sendo que o primeiro é o nosso único presidente que sofreu um impeachment, e os outros dois, assim como Sarney, faziam parte da corja que apoiava os militares.
Como sociedade, nós brasileiros, continuamos errando cegos pelo continente e levando pedras feito penitentes, para que as construções do PAC sejam concluídas e forjem seus superfaturamentos, com inaugurações pomposas, em meio a discursos inflamados de salaflários que dizem amar esse país, mas que não pensariam duas vezes em abandoná-lo por uma pasta cheia de dólares, que passaria camuflado em suas meias e cuecas.
O que fazer quando a corrupção chegar a níveis insuportáveis? Por que na época da ditadura ela não era tão explícita? E quando as maracutaias eram descobertas, como elas conseguiam passar em branco, como os casos de nepotismo do senador Sarney (que de tão bonzinho, empregou até o namorado da neta? Quem não gostaria de ter um avô desses, hein?!)?
A resposta é simples, tudo era levado a banho-maria, até que fossemos contaminados por uma ofegante epidemia que se chamava carnaval.
Alguma coisa mudou?
João Bosco e Aldir Blanc são os compositores de “O Bêbado e a Equilibrista”, que cantada por Elis Regina, ficou célebre por expor a tristeza e ao mesmo tempo a esperança equilibrista que ainda restava ao nosso povo, que como a dona do bordel pedia a cada estrela fria um brilho de aluguel. Para iluminar a cor de chumbo que predominava em nossa sociedade muda.
Hoje, diferente da época em que torcíamos pela volta do irmão do Henfil, além de mudos, estamos surdos. Porque eu não consigo acreditar que nada foi feito quando a imprensa divulgou, que a família Sarney queria proibir jornais de divulgar matérias que denunciavam seus atos criminosos.
Apesar dos motivos serem diferentes, Marias e Clarisses continuam a chorar, com esse nosso estado que não é nação. E infelizmente, mais uma vez, Chico Buarque estava certo... Pois assim como aquela página infeliz da nossa história, a atual, será apenas uma passagem desbotada na memória das nossas novas gerações.
Vamos esperar a tarde cair como um viaduto, para que possamos assistir o estandarte do sanatório geral passar.
Boas festas!

By Eduardo

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