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quarta-feira, 30 de junho de 2010

"A Mulher do Viajante no Tempo" (Audrey Niffenegger) + "O Avesso dos Ponteiros" (Ana Carolina) + "Em Algum Lugar do Tempo" (Biquini Cavadão)


“Lar doce lar. Não há lugar como a nossa casa. Take me home, country roads. Lar é onde está o coração. Mas meu coração está aqui. Então devo estar em casa. Clare suspira, vira a cabeça e fica quieta. Ei, querida, cheguei. Cheguei em casa.”


O texto dessa semana era o texto de semana passada, meu post de aniversário, que foi prorrogado para essa semana, enquanto eu viajava no tempo. Isso de “mais um ano de vida”, mil pensamentos vem à tona, lembranças, mistos de passado, presente e futuro, e eu, que quase não viajo na minha imaginação, pensei como virar os ponteiros do avesso, e viajar por algum lugar do tempo. Então, uso de coisas especiais para isso, especiais pra mim, em particular. Essa semana, uso o livro “A Mulher do Viajante no Tempo”, de Audrey Niffenegger e o filme baseado no livro, com título em português de “Te amarei Para Sempre”, relacionando com “O Avesso dos Ponteiros”, de Ana Carolina e “Em Algum Lugar do Tempo”, do Biquíni Cavadão.

Bem, vamos lá, embarcar nessa loucura. Primeiramente, explicações: Sem sombra de dúvidas, esse é o livro da minha vida, e tomou o topo de qualquer outra história de amor, sério. A música ao avesso de Ana, também é uma das mais especiais pra mim, logo, já digo de antemão que me senti lisonjeada por conseguir achar uma ponte entre as histórias. O livro de Audrey, recorde de vendas pelo mundo. O filme, estrelado por Rachel McAdams e Eric Bana, não teria esses protagonistas a princípio. A idéia de torná-lo filme era antiga entre Brad Pitt e Jennifer Aniston, quando ambos eram casados, e eles seriam a Clare e Henry da história. Com o divórcio instituído e os direitos autorais já reservados à eles, ambos ficaram apenas na direção, e Aniston disse que não teria ninguém melhor que McAdams para substituí-la como Clare.

A história gira em torno de Clare, uma garotinha de seis anos, que um dia, brincando perto de sua casa, conhece Henry, um viajante no tempo. Um homem que se sente excluído, o último membro de uma espécie antes numerosa. Um homem que vive de breves eternidades, numa grande variedade de tempos e lugares, revivendo cenas de seu passado, indo para um futuro além do que ele sabe. O futuro, aquela grande caixa de chocolates ainda fechada. O futuro é um lugar aonde eu possa ir? Ele vive se perguntando. O passado, aquela parte inalterável da história do universo, onde ele não pode fazer nada a respeito, pois só existe livre arbítrio quando se está no presente. Mas seja qual for o tempo em que ele esteja, é o presente dele. Ele não deveria ser capaz de decidir?

E nessa tortura de ser deslocado contra sua vontade para o seu “eu” de seis anos e seu “eu” de 40 anos, sem levar nada: noção de tempo, roupas, proteção, ele revive cenas felizes do seu passado e futuro, como também se tortura com as cenas que não são tão felizes assim. “Era uma vez, eu tinha mãe. Tinha pai também, e eles eram muito apaixonados. E eles tinham a mim.”. E isso, ficou em algum baú do passado, que qualquer hora, ele torna a abrir.

E no fim das contas, tudo que Henry quer, é se livrar dessa cronologia invertida, de viver no avesso dos ponteiros. Há alguma forma para ficar no presente, abraçá-lo com todas as células do seu corpo? Parece que o tempo passa muito mais devagar para mim do que para os outros. Hoje é interminável.

E é esse Henry complexo que se apresenta pra uma garotinha de seis anos, que acredita nele, apesar de achar que ele se parece com o gato da Alice. Afinal, gente não aparece e desaparece do jeito que ele faz. Porém, uma sorte grande do futuro dessa menina, fez de alguma forma, com que ele a encontrasse ali no presente. E Henry sempre a avisava quando tornaria a aparecer.

E ela foi crescendo num misto de fascinação e adoração por essa pessoa mágica e misteriosa que apareceu em sua vida e que só ela tinha. E ela começou a perceber, que a maioria das garotas não tinha um Henry. Ou se tinham, nenhuma falava nada. E cada vez que ele ia até ela, era menos uma vez que ele estaria lá. E esse fascínio, com o passar dos anos, foi virando paixão. E Henry não podia lhe dizer que era ela, que lá, no futuro, era a sua esposa. Não para a menina de seis anos. Só lá pra adolescente, de 18, que precisava entender quando realmente o encontrasse no presente, que ele não a reconheceria, pois seria realmente a primeira vez, para o Henry que vive o presente e não sabe do seu próprio futuro, esse viajante do tempo, que sentia uma combinação entre liberdade e desespero.

Então, acontece o encontro. Tão simples, como se andassem fazendo isso a vida inteira [...] Tão simples. Cá estamos nós. Aqui e agora, finalmente agora. E eles se beijam pela primeira vez, um beijo nascido de uma antiga conexão. Apaixonam-se e constroem uma vida juntos, casam-se. Finalmente juntos para qualquer um ver. Agora tudo começa. E ela, que achou que sua espera teria fim quando o encontrasse no presente, percebe que vai passar a vida inteira esperando. Esperando ele voltar de 1989, quando estava com ela aos 18 anos; de 2011, onde passeia com sua filha por um museu.

Por que tudo tem que ser complicado? Já não deixamos para trás a parte complicada?

Para Clare, é difícil ser quem fica. Porque a ausência intensifica o amor? Creio que porque a saudade apaga os deslizes que cometemos e superestima os bons momentos, por serem raros. “Tenho a sensação de que cada minuto de espera é um ano, uma eternidade. Cada minuto é lento e transparente como vidro. A cada minuto que passa, vejo uma fila de infinitos minutos, à espera. Por que ele foi aonde não posso ir atrás?”

Para Henry, “quando estou em outro tempo, me sinto pelo avesso, transformado numa versão desesperada de mim. Viro um ladrão, um andarilho, um bicho que corre e se esconde. Assusto velhas e assombro crianças. Sou um truque, uma ilusão da mais alta ordem. É incrível eu ser mesmo real [...] Odeio estar onde ela não está, quando não está. No entanto, vivo partindo, e ela não pode vir atrás.”

Clare se sente como Penélope, à espera de Ulisses, em Odisséia, tecendo e desmanchando. Como se tivesse sido abandonada por um anjo da guarda. Henry, é mais simplista. Cá estou eu. Inteiro. Agora. Aqui neste chão de cerâmica marrom. Parece que é pedir muito ter continuidade.

Sempre chega a hora da solidão, pra Clare. Ela era uma menina, mas já virou essa página do diário. Diário onde anotava as visitas de seu amor atemporal. Ele só pede que ela não guarde mágoa dele, e que não o esqueça. Mesmo por vezes não merecendo o seu amor. E ele é como as ondas do mar, que sempre vão e vem, os beijos de adeus na estação de trem. Esse gosto de lágrimas no rosto, de quem são essas lágrimas em seu rosto? Ela não nota a lua mudando de formato, e as pessoas passando por ela, pra pegar o metrô. E o diretor, o tempo, segue seu destino de cortar as cenas... E a ausência pode ser presente como um nervo danificado, como um pássaro preto.

Não tenha medo de mim, não importa o que aconteça. Não me tire da sua vida, nem desapareça. “Nunca vou largar você. Ainda que viva me largando”, ela diz. Os carros na minha frente vão indo e eu nunca sei pra onde. Será que é lá que você se esconde? Penso quando você partiu sem olhar pra trás, como um navio que vai ao longe e já nem se lembra do cais. Tudo passa, e eu ainda ando pensando em você, pois em algum lugar do tempo, nós ainda estamos juntos. Pra sempre ficaremos juntos.

Nunca escolhi Henry e ele nunca me escolheu. Então como poderia ser um erro? Mais uma vez encaro o fato de que não podemos saber [...] Parece que o tempo se dobra sobre si mesmo. Vejo que sou feita de camadas representando meus dias passados e futuros. Mas c´est la vie, os tempos mudam, e cá estamos nós.

Então, para eles, só resta contemplar o pequeno instante onde estão juntos. Não é tarde demais, ainda não. Afinal de contas. Então que brindem. À felicidade. Ao aqui e agora. A mundo e tempo suficientes. Como na verdade, todos nós deveríamos fazer. Não somos viajantes no tempo, e não temos um viajante no tempo em nossas vidas, mas essa forma de encarar os fatos, mostrando a efemeridade das coisas, faz realçar seu devido valor, faz intensificar os bons momentos e nos fazer perceber que não podemos perder tempo com inutilidades, porque quando menos se espera, o nosso espelho, ou o nosso mundo, pode viajar para um tempo que não conseguiremos alcançar.

Então, eles absorvem o tempo do mundo. Nada jamais pode ser triste, não se pode perder ninguém, ninguém pode morrer nem estar longe: estamos aqui e agora, e nada pode estragar nossa perfeição nem roubar a alegria deste momento perfeito. Nem tempo nem lugar, nem a sorte nem a morte podem dobrar os mais insignificantes dos meus desejos o mínimo que seja.

Ela sente que pode chegar nele e tocar no tempo. Ele a ama. Como se fosse o brilho de sol vindo de outra galáxia. E ele apenas diz que a ama, sempre. O tempo não é nada.

E não importa o tempo que fiquem juntos. Ainda não é o bastante. Ainda não acabei. Quero estar aqui. É só minha memória que me segura aqui. Tempo, deixe-me desaparecer. Então, o que separamos por nossa própria presença pode ser unido.

E quando ele precisa partir, ela se sente a viajante. E fica em carne viva, não na pele, mas lá dentro onde uma ferida se abre. A dor recuou, mas o que ficou é a sua casca, um espaço vazio onde ela devia estar, mas em vez disso é a expectativa da dor que está lá.

Mas logo ele volta, porque outro mês aponta na folha do calendário. Esperei por você, e agora você está aqui.

É melhor ser extremamente feliz por pouco tempo, mesmo que se perca essa felicidade, do que passar a vida inteira apenas bem?

O tempo faz tudo valer a pena, e nem o erro é desperdício. Tudo cresce. E o início deixa de ser início, e vai chegando ao meio. Aí começo a pensar que nada tem fim...

“O que há mais nesse universo, nesse desenho? Outras estrelas distantes. Cato nas minhas ferramentas e encontro uma agulha. Prendo o desenho numa janela e começo a perfurar o papel todo, e cada furo vira um sol em outro conjunto de mundos. E quanto tenho uma galáxia cheia de estrelas, perfuro a figura, que agora vira constelação para valer, uma rede de minúsculas luzes. Olho para a minha imagem, e ela me olha de volta. Ponho o dedo em sua testa e digo “suma”, mas é ela que vai ficar; sou eu quem está sumindo.”

By Mônica

Links das Letras:

http://www.vagalume.com.br/ana-carolina/o-avesso-dos-ponteiros.html

http://letras.terra.com.br/biquini-cavadao/1021540/

Trailer:

Veja no Youtube:

http://www.youtube.com/watch?v=XfYo04GfOL8

"De Quem é o Poder" (Kid Abelha) X "Toda Forma de Poder" (Engenheiros do Hawaii)

Bom... Acho que já se tornou um hábito meu, e não conseguirei mais escrever em outro horário que não seja de madrugada. Acho que é apenas nesse momento que meus devaneios utópicos tomam forma e eu consigo elucidar (ou ao menos tentar) tudo o que penso em um texto.

Inspirada pela Copa do Mundo, Monica pensou em escrever um texto que falasse desse tema como crítica social (afinal, moramos no Brasil e os políticos vêem o futebol como uma espécie de ópio do povo), e eu não consegui pensar em nada para dissertar sobre isso, então, resolvi buscar inspiração em uma idéia que eu tinha guardada, mas nunca tive inspiração (leia-se: coragem) para usá-la.

Minhas escolhidas para esta semana são “De Quem é o Poder?”, letra de Cazuza, que foi composta para dar nome a um álbum do Kid Abelha, e “Toda Forma de Poder”, do sempre complexo Humberto Gessinger, líder dos Engenheiros do Hawaii.

Começando pelo poeta, eu devo avisar que ao contrário das outras músicas do Cazuza, só tive contato com essa a mais ou menos um ano atrás, quando ajudei minha companheira neste blog, a fazer o roteiro musical para sua festa de aniversário que tinha como tema os anos 80. Até pelo fato dessa letra ter sido gravada apenas pelo Kid Abelha, e como meu conhecimento do grupo é meio ralo, acabei que não criando grandes vínculos com a supracitada letra, mesmo se tratando de uma letra politizada, que mostra qual rumo seguiria a obra de Cazuza, se sua vida não fosse ceifada pelo toque do HIV.

O poeta constrói uma letra cheia de indagações que todos nós temos, afinal, de quem é o poder? Uns dizem que é de Deus (religiosos), uns dizem que ele é do povo (ateus), eu sinceramente acho que é dos muito loucos que não tem contas a prestar. O problema é que esses “loucos” que na sua juventude são os meus heróis acabam envelhecendo e me dando nojo seguindo feliz o rebanho, e abaixando a cabeça para os que tem o poder, que ao contrário do que muita gente pensa, não é o presidente, e sim quem vem mais de cima.

No final das contas todos querem poder (podemos testemunhar isso muito bem em um ano de eleição), seja o guarda da esquina, o ativo ou passivo, todos querem poder, nem que seja para poder dar ordem o dia inteiro, mesmo sem nem saber o que diz.

E nessa disputa ferrenha, eu posso até não saber de quem é o poder, mas tenho total certeza de quem não é o poder. Com certeza não é da nossa sociedade alienada que enquanto comemorava um gol do Brasil numa terça-feira normal que mais parecia feriado (me incluo neste grupo), se esquecia que o presidente estava sancionando um aumento de 7,7% para os aposentados. Aumento este que segundo especialista só vai poder ser mantido se também aumentarem os impostos – que já são extremamente altos. Então, você que não sabia que o presidente sancionou esse aumento, se pergunta: “por que o Lula fez essa loucura?”. Eu respondo parafraseando o nosso presidente: “Não podemos esquecer os nossos velhinhos, afinal de contas, eles também votam, né!” (a frase original não possui o que está escrito em negrito).

Mas podem ficar sossegados, nos próximos quatro anos, não vamos mais ter aumentos e esqueceremos novamente a nossa gente que trabalhou honestamente a vida inteira, e agora não tem mais direito a nada. Quer dizer... A quase nada, porque de quatro em quatro anos, eles tem um super aumento para não se esquecerem de votar no candidato do governo.

O engraçado é que toda essa luta para se saber de quem é o poder, também é uma forma de morrer por nada. Porque nós meros mortais, nunca saberemos quem é que paga pra gente ficar assim. E enquanto isso Fidel e Pinochet tiram um sarro da gente que não faz nada e a história vai se repetindo, mas a força deixa história mal contada e assim a gente vai levando essa manha.

E como a coisa mais fácil do mundo é ir adiante e esquecer que a coisa toda tá errada, acabamos virando marionetes do sistema e achando normal que um boçal atire bombas na embaixada. Porque no fim das contas toda forma de conduta acaba se transformando numa luta armada.

É muito triste quando olhamos para trás e vemos que nada mudou. Que a sociedade continua muda e seguindo todas as regras impostas por quem está no poder, que só tem o trabalho de ir sempre evoluindo nosso “chip” de inibição que nos faz agir como robôs prestando atenção nos que eles dizem, mas eles não dizem nada... E as verdades da vida continuam sendo ditas apenas na cama.

By Eduardo

Links das letras:

http://letras.terra.com.br/kid-abelha/65851/

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terça-feira, 8 de junho de 2010

"Meu Mundo Ficaria Completo (Com Você)" (Nando Reis) X "O Mundo Anda Tão Complicado" (Legião Urbana)

Mais um desafio a superar, confesso. Falar de amor é sempre tão clichê, e ao mesmo tempo, difícil, quando se deseja expressar através de palavras, tudo o que se sente. Não é possível completamente, mas ainda assim, a vontade é grande, de tentar passar o que acontece em nossos corações, quando eles falam por nós. Então, Edu e Eu, nessa semana de dia dos namorados, optamos por falar de nós, através de canções. Na verdade, não de nós, pessoas, mas de nós, o amor. O sentimento que move o mundo, o sentimento que pode transformar o mundo. Por esse motivo, uso dois nomes que exercem grande influência musical em mim, pra tentar expressar um pouco isso. Peço licença a Nando Reis e seu “Meu Mundo Ficaria Completo (Com Você)” e ao meu trovador solitário Renato Russo, e o seu “O Mundo Anda tão Complicado”.

Ambas as canções falam de amor, aquele simples, que todo mundo quer viver. Falam de coisas corriqueiras do dia-a-dia que se tornam muito mais saborosas e menos triviais, quando existe um amor no pacote. Daqueles onde há companheirismo, onde as pessoas crescem juntas, constroem juntas, se modificam juntas, uma para a outra e para si mesmas.

Nando, em seu mundo completo, pela presença de alguém essencial, mostra como contratempos comuns da nossa rotina passam despercebidos, e seriam fáceis de serem superados com a presença de alguém que faz nosso coração bater mais forte. Até grandes problemas da humanidade parecem pequenos, já que a fome que devora alguns milhões de brasileiros perto disso não tem importância. E a morte que nos toma a mãe insubstituível, de repente dela já nem me lembro. A derrota de 50 e a campanha de 70 perdem o sentido, assim como datas, fatos e aniversários passam sem vestígios. Qual a importância disso diante do amor? Injúrias, promessas, mentiras, ofensas, são superficiais. Nem se roubarem a carteira com meus documentos eu ligo.

Renato, em seu mundo complicado, conta o cotidiano de um casal que tenta construir uma vida em comum, onde hoje eu acordo meio dia, e amanhã é a sua vez. O nosso telefone chega sexta-feira, temos que consertar o despertador, e separar todas as ferramentas, porque a mudança grande chegou, não precisamos dormir no chão, pois a cama chegou na terça, e na quinta chegou o som. Eu, que sempre faço mil coisas ao mesmo tempo, agora que temos nossa casa, é a chave que sempre esqueço. Me empresta um par de meias? Estou com sono, vamos dormir. Isso lembra uma cena de “O Curioso Caso de Benjamim Button”, onde ele e sua amada estão de mudança, pintando as paredes da casa e dormindo num colchão no chão da sala, único móvel que eles têm. Na verdade, não se precisa de muita coisa pra preencher o espaço físico quando o espaço emocional está devidamente ocupado.

E entre todo esse ir-e-vir que nos acomete todos os dias, Renato mostra que devemos aproveitar as pequenas nuances que nos permitem mostrar nosso afeto, sair da rotina e ser românticos, mesmo que seja clichê e fora de moda. Vamos chamar nossos amigos, a gente faz uma feijoada. Esquece um pouco do trabalho, e fica de bate-papo. Porque precisamos viver o mundo a nossa volta e não se fechar em um mundo duplo, onde fica a carência da multiplicidade que sempre nos foi ofertada. Precisamos saber viver, tragar, sorver o amor. E isso só é possível quando ele nos abre um mundo novo, onde podemos dividi-lo com nossos afetos especiais, o que multiplica a felicidade.

Temos a semana inteira pela frente, e a vida inteira também, estamos apenas começando, então me diga como foi seu dia. Você sujou a roupa bem na hora que já estava saindo? Você pegou o maior transito e acabou perdendo o cinema? A gente chega na sessão das dez, não tenho dúvidas que com você daria certo.

Não acha o papel onde anotou o telefone que está precisando? Cortou o dedo abrindo a lata e ainda continua sangrando? Foi mal na prova de geometria e periga de repetir de ano? O carro parou de madrugada por falta de gasolina? Não é porque tá muito frio, não é porque tá muito calor, o problema é que eu te amo. Juntos faríamos tantos planos, com você, meu mundo ficaria completo. E até que é fácil se acostumar com seu jeito.

E não é porque eu sei que ela não virá que eu não veja a porta já se abrindo. E que eu não queira tê-la, mesmo que não tenha a mínima lógica nesse raciocínio. E assim, o amor nos faz acreditar mesmo no improvável, e não deixar de desejar algo, pois não é porque não faz sentido, que eu vou dizer que eu não ligo, eu digo o que eu sinto e o que eu sou. E não é que eu esteja procurando no infinito a sorte pra andar comigo, se a fé remove ate montanhas, o desejo é o que torna o irreal possível. E podemos estar felizes, sorrindo e cantando, pois queremos ouvir uma canção de amor que fale da nossa situação, de quem deixou a segurança de seu mundo por amor.

Ei, não tenha dúvidas, que eu queria estar mais perto. Vem cá, meu bem, que é bom lhe ver. O meu mundo anda tão complicado, e hoje quero fazer tudo por você...Porque eu te amo, não tenha dúvidas, pois isso não é mais secreto. Juntos viveríamos por mil anos, porque o nosso mundo estaria completo. E juntos morreríamos, pois nos amamos, e de nós, o mundo ficaria deserto. E eu vejo nossos filhos brincando, lembrando, e depois cresceriam, e nos dariam os netos.

Eu só queria me casar com alguém igual a você, pois no meu coração fiz um lar, meu coração é teu lar. E não sei se esse mundo está são, nem se ele é bom, mas ele ficou melhor desde que você chegou. Meu mundo anda tão complicado,e ele não teria razão se não fosse por você. Com você, o meu mundo ficaria completo. Minha cor, minha flor, minha cara. Só é possível te amar...Vamos fazer um filme? Eu te amo...

By Mônica

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"Todo Amor que Houver Nessa Vida" (Cazuza) X "Depois de Ter Você" (Adriana Calcanhoto)

Depois de uma semana de férias, volto eu para meu exercício utópico semanal de escrever algo que se baseie em música, em experiência pessoal e... Ah, e eu sei lá mais o que. O negócio é escrever e deixar minha veia irracional (ou utópica?) falar por mim.

Bom... Depois desse leve acesso de loucura aí de cima, vou eu tentar começar meu texto, que esta semana é inspirado no dia dos namorados, que será comemorado no próximo dia 12. Para alguns, não existe data pior (eu sou sincero, na minha época de solteiro, eu odiava o dia dos namorados), e para outros, esta é uma data que se espera com aquela ansiedade que pode ser comparada à de quem espera pelo dia do seu aniversário (devo confessar mais uma vez, que estou ansioso por esta data desde o dia 1º do mês passado). Como este blog é de música, tive que escolher duas músicas para poder dissertar sobre o tema. Minhas escolhidas são: “Todo Amor Que Houver Nessa Vida”, do meu velho é bom poeta (sim, sempre ele!), e “Depois de Ter Você”, daquela que considero a maior cantora e compositora nacional da atualidade, Adriana Calcanhoto.

Vou logo explicar. Eu passei o dia inteiro pensando em como falaria sobre as músicas e como iria relacioná-las com o tema, e como não cheguei a nenhum resultado satisfatório, vou falar sobre o meu amor, sobre nosso relacionamento e sobre como você é importante pra mim.

Amor... Eu sei que provavelmente você vai reclamar comigo dizendo que eu deveria estar escrevendo este texto no outro blog, e que deveria me focar mais nas músicas, mas depois de ter você, regras para quê? Eu estou a fim de me declarar pra você e vou usar este texto para fazer isso.

Cazuza como todos sabem, é o meu grande ídolo, sou louco por suas músicas e sempre acho que alguma letra, alguma frase ou alguma palavra contida em sua obra foi feita para mim. E com “Todo Amor...”, não é diferente. A visão da letra sobre o amor é algo mais que verdadeiro, chega a ser transcendental. Quem já viveu um relacionamento sabe do que estou falando, não é aquela coisa água com açúcar dos comerciais de margarina, e sim de relacionamentos verdadeiros, aqueles onde duas pessoas que se amam muito, também têm opiniões diferentes sobre um monte de assuntos, brigam às vezes por besteiras e se reconciliam quando percebem que brigaram por algo totalmente besta.

Existe algo mais verdadeiro que: “E ser artista no nosso convívio, pelo inferno e céu de todo dia...”? Quem já amou de verdade, quem já estabeleceu uma relação de companheirismo e de entrega com outra pessoa, sabe o que isso significa. Nos dias de hoje, onde a palavra “amor” virou vírgula, entender o outro, perceber as sutilezas e nuances da pessoa que está ao seu lado é cada vez mais difícil. Ainda mais numa sociedade como a nossa, que prega o egoísmo como filosofia de vida. Amar é muito mais do que dizer eu te amo, é bem mais do que mandar flores, do que ligar no dia seguinte. Amar é saber que o dia-a-dia não é um eterno paraíso, entender que a nossa verdade não é absoluta e que a graça de um relacionamento consiste em transformar o tédio em melodia, nessa poesia que a gente não vive.

Ok... Falar é muito fácil, se o amor fosse tão simples assim, todo mundo teria um amor tranqüilo, com sabor de fruta mordida. Então eu não sei se tudo que estou falando tem alguma base certa. Eu sou apenas um apaixonado que às 01h43min da manhã está escrevendo algo sobre amor. Tanta gente mais gabaritada que eu já falou sobre o assunto. Pensadores, filósofos, poetas e toda essa galera que adora descrever o amor em poemas e sonetos que sinceramente são inalcançáveis para nós, meros mortais.

Tudo o que estou tentando escrever (e descrever) são as minhas sensações depois de ter você (isso mesmo, você, a pessoa com os olhos mais lindos desse mundo. A minha parceira nessa loucura utópica que é escrever baseando-se em letras de música).

Sabe... Depois de ter você, eu realmente pergunto: “Poetas para quê?”. Poeta nenhum é ou será capaz de explicar com palavras o amor que eu sinto por ti. A felicidade que não cabe em mim, a euforia por saber que tenho ao meu lado a pessoa mais incrível que existe na face da terra, e nem todo o tempo do mundo é capaz de suprir a necessidade que eu tenho de estar ao seu lado, e é aí que eu me pergunto: Depois de ter você, pra que querer saber que horas são?

Horas, segundos, o tempo é meu inimigo, porque ele voa quando eu estou com você e depois pára quando eu me afasto, deixando no meu peito um vazio monstruoso, que só é preenchido quando te encontro e me transformo no seu pão, na sua comida e te dou todo o amor que há na minha vida.

Depois de ter você, meu amor, eu me pergunto para que servem os deuses, as dúvidas, pra que amendoeiras pelas ruas? Tudo é uma tela em branco quando estou longe de ti. Tudo é enfadonho e tedioso, não porque realmente é, mas porque você consegue melhorar tanto as coisas com a sua presença, que nada é igual sem você. Você com certeza é o remédio que me dá alegria.

E depois de ter você, meu veneno antimonotonia, eu chego à conclusão que não me importo se é noite ou faz calor, se estamos no verão, se o Sol virá ou não, e nem sei para que serve um texto como esse. Só sei que depois de ter você, basta um trocado que me dê garantia, para que no embalo da rede eu possa matar minha sede na sua saliva.

By Eduardo

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quarta-feira, 19 de maio de 2010

"Infinita Highway" (Engenheiros do Hawaii) X "A Seta e o Alvo" (Paulinho Moska)

OH, My God. Olha eu inventando moda. Depois fico reclamando como uma velha ranzinza por não ter feito tudo como queria. Isso que dá inventar idéias mirabolantes. Essa idéia sempre foi grandiosa demais, mas mesmo assim, eu quis abraçá-la. Aí, começaram os contratempos: surgiram posts temáticos que me fizeram vir a adiar esse tema umas trocentas vezes, depois passei mais umas longas semanas em ócio criativo, e agora não tenho mais como fugir, sério. Não tenho pretextos, droga. Perdoem-me pelas linhas que se seguem, mas eu preciso tentar. Duas músicas de grande importância e complexidade pra mim*, num único post, só eu mesmo pra surtar com essas coisas. Então, lá vai: Infinita Highway, dos Engenheiros do Hawaii e A Seta e o Alvo, de Paulinho Moska.

Nem sei como começar a falar...Ambas são complexas, cheias de antíteses e mensagens subliminares, e tratam de milhares de coisas com uma simples melodia.

Começo pelos Engenheiros com sua Auto-estrada interminável. Gessinger diz a alguém, um alguém daqueles que toca nosso coração, com algo conhecido como paixão, uma coisa. Que essa pessoa o faz correr riscos. Os riscos da correria da nossa vida moderna. Nesse mundo onde estamos sós e nenhum de nós sabe exatamente onde vai parar.

Andando em um labirinto ou em uma estrada em linha reta, a 110, 120, 160, pra ver até quando o motor agüenta. Estamos vivos, e essa é a lei da infinita Highway. Sobreviver, sem saber pra onde vamos, mas precisamos ir. Não queremos ter o que não temos, nós só queremos viver, sem motivos e nem objetivos. Então me diz qual é a graça de já saber o fim da estrada quando se parte rumo ao nada? É isso que Moska diz, completanto a idéia de Gessinger.

Ele, em sua letra que fala de duas pessoas com pontos de vistas opostos, onde um fala de amor à vida e o outro, de medo da morte. Mas não adianta apenas querermos atingir nossas metas. Metas que são como setas nos alvos, mas o alvo na certa não nos espera. É sempre assim, como aquela história: João gosta de Maria que gosta de Paulo que não gosta de ninguém. É mais ou menos igual, mas essa teoria não se restringe somente ao amor, e nossos objetivos por alcançá-los. Ela serve pra tudo na nossa vida. Tudo que está milimetricamente planejado, como se fosse ocorrer de acordo com nossas expectativas.

Devemos ter objetivos, estarmos vivos não é tudo, não devemos nos deixar ser arrastados a toda velocidade numa das curvas da highway. Como diz Jennifer Aniston, “Não faça planos, faça opções”. Ou seja: torne palpável, não idealize. Tudo que é muito idealizado tende a ficar no platônico que há em nós, alimentado por mocinhos e vilões do nosso imaginário conto de fadas. Opções são diferentes de metas. São um estilo de vida a ser seguido, e não uma estrada com um destino final. Porque se colocamos um destino final, significa que quando chegarmos lá, não haverá mais pra onde ir. E nós sempre estamos recomeçando. Independente de você acreditar na força do acaso, e eu, em azar ou sorte.

Será essa estrada uma prisão? Viver no ritmo da infinita highway, requer renunciar ao direito de ser livre. Mas não adianta mesmo ser livre, se tanta gente vive, sem ter como viver. Estamos vivos sem motivos? Que motivos temos para estar? Os motivos estão escondidos nas entrelinhas do horizonte dessa highway...E além do horizonte, existe um lugar...Onde queremos lembrar o que esquecemos e onde queremos aprender o que sabemos, porque isso de “não queremos nem saber” é como dar um grito por liberdade enquanto alguém deixa a porta se fechar. É preferível saber a verdade a se preocupar em não se machucar.

No jogo do amor e na auto-estrada da vida, estamos a todo instante nos arriscando, vendo placas cortando o horizonte, como facas de dois gumes. E estamos vivos, tão confusos como a América Central...Como não ser irracional vendo placas “não corra”, “não morra”, “não fume”, “não pense”? Tudo é proibido, só nos resta desistir. Devemos correr todos os riscos ou dizer que não temos mais vontade? Nos oferecermos por inteiro ou nos satisfazermos com metades?

E nesse caos, enquanto olhamos pro infinito a sonhar, tem alguém de óculos escuros, que quando eu digo “te amo” só acredita quando eu juro. Mas nem por isso ficaremos parados, com a cabeça nas nuvens e os pés no chão. Por isso eu lanço minha alma no espaço, enquanto muitos pisam os pés na terra. Eu prefiro experimentar o futuro, não vale ficar lamentando não ser o que era.

Não devemos usar nossas frustrações e nossas limitações em acreditar em sonhos para impedir que os outros sonhem. Nem todo o caos que nos cerca. Ele cerca a todos nós, e cada um tira dele, exatamente o pretexto que precisa, pro amor ou para a dor. Para mudar a vida ou se acomodar em sua mesmice. Então façamos um pacto de não usar a Highway pra causar impacto. E que sejamos inteiros e íntegros para amar. Eu não sou ator, eu não tô à toa do teu lado. Não quero encontrar na boca em vez do beijo, um chiclé de menta e a sombra do sorriso que eu deixei, porque sorrisos não são sombras, e gastar tempo mascando chiclé pra preencher o vazio, é como estar vivendo e morrendo na cidade, tendo tudo ao meu redor, mas sentindo que algo me faltava.

É necessário, acima de tudo, correr os riscos dessa highway. Não podemos estar vivos sem motivos e nem objetivos. Se o sinal está fechado para nós, que somos jovens, e não mudamos mais o mundo, como há pouco tempo atrás, porque roubaram nossa coragem, que não roubem também nossos sonhos. Nem a paixão latejante que flameja na jovialidade que há em nós. E nós podemos estar completamente enganados, podemos estar correndo pro lado errado. Mas a dúvida é o preço da pureza, e é inútil ter certeza. Até porque o alvo, na certa não nos espera. E quando se parte rumo ao nada, qual é a graça de saber o fim da estrada, numa das curvas da Highway?

A vida é pra valer, eu fiz o meu melhor. E o meu destino eu sei de cor...

By Mônica

Links das Letras:

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http://letras.terra.com.br/paulinho-moska/48065/

* Dedico este Post à Tainá, filhote meu, que me apresentou ambas as músicas e ampliou meu acervo. E à Kamilla, por noites filosofando sobre músicas e seu sentido pro Universo. Parabéns, Milla.

"Podres Poderes" (Caetano Veloso) X "Burguesia" (Cazuza)

Quando Mônica e eu criamos o blog, eu já tinha algumas letras e compositores pré-escolhidos para dissertar, só que com o passar do tempo, abandonei algumas idéias e acabei me focando mais em outras letras, mas sempre com uma vontade de falar daquelas, que de certa forma faziam parte da minha história. Foi assim com “Vaca Profana”, letra de Caetano que depois de quase ano num impasse para saber qual seria a outra letra utilizada no texto, acabei usando apenas ela, sem usar outra para me auxiliar ou para confrontá-la.

Dos compositores da MPB, Caetano Veloso é para mim como Cazuza é para o rock, suas letras são únicas e a coisa mais difícil do mundo é encontrar uma letra de outro artista que seja parecida ou que tenha o mesmo sentido. Na verdade eu sempre achei Cazuza e Caetano muito parecidos em suas essências, ambos têm uma alma transgressora, são poetas que não buscam inspiração no simples.

Cazuza sempre disse em suas entrevistas que Caetano era uma grande influência em sua vida e Caetano sempre disse que admirava Cazuza como poeta. Então, resolvi usar esses meus dois ídolos para falar de tema recorrente em suas obras, a crítica social, ou melhor, a crítica a um grupo da sociedade: a burguesia.

Escolhi para esta semana “Podres Poderes”, de Caetano e “Burguesia”, do poeta. Duas músicas que sempre me intimidaram por conta do conteúdo de suas letras.

Sem mais delongas, vou começar o texto por Caetano e seu manifesto anti-burguês. A facilidade que Caê tem para usar várias influências em apenas uma letra é fantástica, para criticar um sistema e sua herança social, podemos encontrar um monte de mensagens que fazem parte de nosso cotidiano. “Podres Poderes” aborda um tema que faz parte da obra de Caetano desde o início, seu inconformismo com a burguesia e com os que fazem parte desse grupo. Grupo esse que não faz nada senão confirmar a incompetência da América católica, que sempre precisará de ridículos tiranos para se manter no poder. O mais triste é que enquanto os homens exercem seus podres poderes, aqui no Brasil, índios, padres, bichas, negros, mulheres e adolescentes fazem o carnaval como se nada estivesse acontecendo (pobre Cazuza, que acreditou que as pessoas iriam perceber que estavam sendo roubadas. O máximo que pode acontecer, é se repetir um golpe igual ao de 64, afinal... O Brasil aumentou, mas não mudou).

Fazer parte da burguesia elitista que comanda nosso país, e que quer ser sócia do country, é o sonho de cada paisano e cada capataz que acham que morrer e matar de fome, de raiva e de sede são gestos naturais. E enquanto esse pensamento reinar entre a população que é vista como bicho tentando se enforcar na janela do carro, nem os mil tons, nem os hermetismos pascoais e seus sons, e seus dons geniais serão capazes de nos salvar dessa treva em que vivemos.

“A burguesia fede, a burguesia quer ficar rica, enquanto houver burguesia, não vai haver poesia”, é com este verso que Cazuza começa a disparar sua metralhadora cheia de mágoas contra a burguesia, que abrigou o poeta, que dizia: “Pobre de mim que vim no seio da burguesia...”.

A burguesia, não tem charme e nem é discreta, e não se importa com o que está acontecendo nas esquinas das ruas de suas luxuosas mansões, desde que o governo assegure a taxa de juros em um nível que o dinheiro renda o bastante para que ela possa ir a New York fazer compras e manter suas empregadas uniformizadas ganhando seus salários de fome. Sendo assim, para que se importar com a vendedora de chicletes que não teve chance de estudar, porque os governantes não se importaram em criar oportunidades para os que não têm, mas sim para os que já têm muito, e que sempre se convencem que não tem o bastante.

Infelizmente no nosso país, manda quem pode e obedece quem tem juízo, e por isso, a burguesia irá continuar mandando na política nacional. Neste ano de eleições, se nada mudar e senão conseguirmos colocar a burguesia na cadeia, podemos esperar por mais um presidente que com certeza será eleito com o único propósito de atender aos anseios dos burgueses.

Não sei por mais quantos anos esta minha estúpida retórica terá que ser ouvida para que algo mude, mas espero que o povo preste atenção no que acontece em sua volta, porque eu estou cansado de fazer parte de uma sociedade que é comandada por caboclos querendo ser ingleses.

By Eduardo

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quarta-feira, 28 de abril de 2010

Alice no País das Maravilhas (Não me Escreva Aquela Carta de Amor)


O post dessa semana, talvez seja o mais importante pra mim, desde o início do blog. Isso, por si só, já demonstra o peso da responsabilidade, pelo grau de importância pra mim. Tudo isso por falar de um tempo que me causa admiração e deslumbramento, desde as minhas lembranças mais precoces da infância, com o desenho preferido, no qual eu gostaria de mergulhar e viver a história num mundo real. Então, resolvi lançar um desafio a mim mesma, em torno de tudo isso: Juntar várias idéias numa coisa só, fazendo comparações e descobrindo se existe algo que une tudo isso. A idéia principal? Alice no País das Maravilhas, desenho da Disney baseado na obra literária de Lewis Carroll, que agora virou filme, com Tim Burton por trás das lentes. Então, esse post se dedica à Alice, de todas as formas Possíveis. Alice, de Lewis Carroll, onde tudo começou. Alice, o desenho, que me fascinou na infância, Alice no filme, que me fascinou como adulta. E como não poderia faltar, Alice na música, em composição de Paula Toller e Leoni, com o nome “Alice (Não me escreva Aquela carta de amor)”.

Uau. Como começar? Talvez pelo princípio, que é o mais lógico. Ou pelo fim, visto que quando se trata de uma história sem pé nem cabeça, por onde se começa não importa, o que importa mesmo é onde se pretende chegar. Mas se não se sabe aonde ir, não importa que caminho tomar, já dizia o gato sorridente.

Antes de tudo, preciso dar algumas explicações, para que todos entendam as linhas que estão por vir. Comecei a fazer buscas na internet sobre o tema, e coisas marcantes do tema, que acabam invadindo o imaginário de muita gente. Exemplo: Gal Costa tem um CD lançando em 1993 que se chama “O Sorriso do Gato de Alice”, sabe-se lá porque. Com esse mesmo nome, encontrei um blog, com certeza de algum fã inveterado da menininha deslumbrada com um mundo que não existe, a não ser em seus sonhos, “nesse mundo só meu...”, como ela mesma canta.

Achei outro blog, de nome “Siga o Coelho branco”, nome este que seria dado ao CD mais recente de Pitty, mas foi mudado para Chiaroscuro. Porém, a idéia do coelho apressado não sumiu por completo, ao dizer “O Coelho dizendo ´Já é tarde´”, em “Rato da roda”, faixa do CD da Baianinha do Rock. Ainda em minhas buscas, encontrei o blog de Zeca Camargo, que faz uma crítica sobre o livro e o filme, em minha opinião, fabulosas, de fazer viajar na história, para quem a conhece de cabo a rabo como eu, e de fazer querer entrar nela, em quem ainda está descobrindo. Ah! Acrescento que li o livro todo de uma vez só, poucas horas antes de estar aqui escrevendo, para poder fazer algo mais completo sobre Alice. Não seria justo querer falar sobre ela sem saber como foi que ela nasceu de verdade.

A Alice do livro, que se transformou em desenho, é uma menininha que viaja a um mundo que seria do jeito que ela deseja, onde as flores falam, coelhos vestem coletes e podemos pintar rosas brancas de carmim, para que a rainha de copas não nos corte a cabeça. Mas vai muito além disso, e a história engloba muitos personagens que passam por Alice, cada um com suas particularidades, que a marcam de alguma forma.

Tem a tartaruga falsa, que não aparece no desenho, e mostra um animalzinho infeliz, contando de como era legal quando ia pra escola no fundo do mar, estudar Educação Química, Algas práticas de desenho e Chuvória antiga e moderna, bem como o professor de línguas, que ensina bolo inglês e pão francês muito bem.

Tem os gêmeos, Tweedledee e Tweedledum, que no desenho são como num musical, contando histórias através de canções, e que no filme de Burton, a confundem, apontando diferentes horizontes para Alice, que no filme se apresenta quase adulta, mas não menos sonhadora que a do conto de Carroll.

No filme, ela é uma jovem que foge de um casamento, correndo atrás de um coelho branco, entrando em sua toca. Semelhança com o desenho, porém a Alice do filme, teve o mesmo sonho várias vezes, desde a infância. Sempre com esse mundo de maravilhas, que agora ela mergulhou ao entrar na toca do coelho. Enquanto a pequena Alice do livro acha que tudo é real, apesar de ser apenas um sonho, a Alice do filme acha que tudo é um sonho, quando na verdade é tudo real. São dois momentos da mesma pessoa, onde a infância mostra a fantasia, e a visão emocional de um mundo, que a Alice maior torna racional, achando ser fruto de sua imaginação, pensando que a qualquer momento acordará. Mas ela tem a consciência de que está cada vez mais curiosa, e apesar de tudo, segue sua jornada por esse País das Maravilhas com ares de Terra do Nunca, atrás de um coelho apressado, que sua curiosidade anseia em saber o motivo de tanta pressa para um simples coelho, afinal, ela nunca tinha visto um coelho de colete e de relógio.

A curiosidade vence a prudência, pois mesmo tentando dar bons conselhos a si mesma, como ela mesma diz no conto infantil, ela segue os avisos de “beba-me” e “coma-me” que encontra pelo caminho, aumentando e diminuindo de tamanho diversas vezes. E aquela história do cogumelo, que leva a muitos a fazerem apologia à drogas, é tudo idéia da lagarta. Sempre soube que ouvir uma largarta não era lá boa coisa a se fazer, ainda mais quando ela não responde perguntas, e a cada cinco segundos pergunta “Quem é você?”.

A lagarta do filme tem um tantinho de humor ao chamar Alice toda hora de “Menina burra”, pois ela não consegue saber quem ela mesma é, devido a tantas mudanças que já sofreu desde que chegou nesse mundo louco.

Outro ponto marcante da história é a visita de Alice ao Chapeleiro Maluco, que no conto de Carroll se passa como uma visita para um chá de desaniversário, mas que no filme, se estende além disso. O chapeleiro é quase um personagem tão importante quando Alice, que tenta atos heróicos para ajudá-la em sua missão de destruir o reinado da Rainha Vermelha para que a Rainha Branca assumisse de novo, seu trono por direito.

Ah, quase ia me esquecendo de comentar: no filme de Tim Burton, há uma mistura entre as duas obras de Carroll : “ Alice no País das Maravilhas” e “Alice no País dos Espelhos” – segunda essa que não tive oportunidade de ler – trazendo à trama uma heterogeneidade que a diferencia da história que nos recordamos quando crianças, com as lembranças que temos do desenho.

Porém, não podemos querer uma cópia fiel da obra literária. Como disse Zeca Camargo em seu comentário sobre o filme, se o filme fosse uma cópia fiel da obra, não teria tanta graça e tanto impacto, como teve com as licenças poéticas que Burton fez para torná-lo mais interessante. E quem fala aqui, é uma fã de carteirinha da Alice, que se fascinou com a nova versão, onde até parece que o Chapeleiro Maluco, estava mesmo maluquinho pela Alice, e eu quase cheguei a torcer para que ela ficasse por lá, pelo mundo subterrâneo a fazer chapéus e tomar chá para todo o sempre.

E porque sempre está o Chapeleiro a tomar chá? Ele brigou com o tempo, pois o tempo não é algo, é alguém (“Se você falasse com educação, ele faria com o relógio o que você quisesse”). E agora, que o tempo está bravo com ele, ele parou de correr e são sempre cinco da tarde. Cinco da tarde é hora do chá. Por isso, vive ele a tomar chá sem parar, sempre mudando de lugar. Oferecendo mais chá à Alice, que não entende como tomar mais chá, se ainda não tomou nenhum, mas “mais” é sempre diferente de “nenhum”, e não é preciso entender, apenas tome mais uma xícara.

Vivendo de chá e de charadas sem respostas, o Chapeleiro intriga Alice no conto Original, mas a encanta no filme, onde a mesma charada tem um efeito diferente sobre a menina que está no mundo onde nada é impossível. Qual a semelhança entre o corvo e a escrivaninha? “Não tenho a mínima idéia”, responde ele – o autor da charada, por isso conhecido como maluco, mas essas são as pessoas mais legais.

E assim, tanto no filme, como no desenho ou no livro, tudo acaba como um sonho, pois o mundo real volta para mostrar que aquilo foi apenas uma aventura. Tantos sonhos morrem em poucas palavras, como diz a música. A Alice da música, que esquece do amor e quer mandar uma carta que ninguém quer receber, é uma Alice em muito, parecida com a menininha, ou a jovem da história do País das Maravilhas.

Ela sempre precisa que lhe lembrem das coisas, as idéias que ela tem são temidas, por serem fora dos padrões de normalidade. Ela é tão sincera que é preciso ser treinado para enfrentá-la. “Fica mais uma semana”, Alice. E ela responde: É tarde, é tarde, é tarde! Preciso correr atrás do meu Coelho Branco para viver uma aventura, que seja sonho ou fantasia, mas nesse mundo só meu, o que não fosse, seria. E se eu sou várias no mesmo dia e não sei mais quem sou, só me resta reinventar meu mundo de maravilhas. Nós, crianças de todas as idades.

By Alice (Vulga Mônica)

Links Interessantes:

http://letras.terra.com.br/kid-abelha/46794/ (Música)

http://colunas.g1.com.br/zecacamargo (Com os ótimos textos que o Zeca escreveu)

http://sorrisodogatodealice.blogspot.com/ (Apenas pelo nome)

http://sigaocoelhobranco.zip.net/ (Apenas pelo nome)

Trailler: