A idéia desse espaço é respirar música, falar música, sentir música. "Um café para dois", era o título, porém combinaria muito mais se fosse para um espaço literário. Ninguém bebe café ouvindo música. Bebe álcool, emoções, notas e solos de guitarra. Interpretações e interligações musicais nos interessam. E Como disse Nietzsche: "Nada faria sentido sem a música". Mais uma dose?É claro que tô afim, pede a saideira.
Ass.: Os filhos da revolução
Depois de algum tempo em ócio mental, o retorno é sempre esperado, e ao mesmo tempo, temido. Fica aquela sensação de que desaprendi a escrever, porém isso é besteira, pois um dia eu vou aprender, por enquanto eu só rabisco. Então, pensei em uma música que há tempos quero usar. E não sabia o que casaria com ela. E lancei essa dúvida ao Eduardo, e ele me devolveu com uma resposta que dei à ele, quando ele me questionou sobre o mesmo fato: “a ponte somos nós quem fazemos”. Então, lembrei de uma outra música, que gosto de longa data, e que por tempos teve uma frase de impacto que me definia, e acho que ainda define, um pouco. Ou muita coisa. Então, vamos lá tentar fazer as pontes, entre “Bandeira” de Zeca Baleiro e “Móbile no Furacão”, de Paulinho Moska.
Começo pelo Zeca, que foi minha idéia inicial, por eu não querer passar agosto esperando setembro (se bem me lembro). Mas fato é que setembro é um mês especial pra mim, e agosto...Bem, agosto é agosto, e todo mundo lembra de azar, então que venha setembro e a primavera, pro nosso futuro recomeçar.
Em sua Bandeira, nome que remete a várias idéias, ele fala de expectativas, amor, entrega, insatisfação. Bandeira, que ele dá pra mulher, mostrando que a quer, sem esconder isso de ninguém. Bandeira como de um time, de uma nação: ele leva de cabeça erguida, e estampada em sua face, que não é de meios desejos e não se satisfaz com metades, como Moska diz em uma outra letra sua “A Seta e o Alvo”.
Ele não quer ver você cuspindo ódio, fumando ópio e chorando veneno, mesmo que seja pra sarar a dor. Ele não quer beber seu café pequeno, já que tem sentimentos grandes. Ele não quer o impossível – braço da Vênus de Milo* acenando tchau. Ele não quer o que ele não consegue reter – o Tejo** escorrendo das mãos. Ele não quer analisar os fatos e viver de expectativas – Pra que medir a altura do tombo e passar agosto esperando setembro, se o melhor futuro é esse hoje escuro, misterioso e sem amanhã?
Moska, que como eu, é um móbile solto num furacão, e “Qualquer calmaria me dá solidão...”, diz que não é o mesmo de ontem e que a pessoa que ele amou não o reconhece mais. E tudo que ele possa fazer ou dizer já não satisfaz. Mas você não percebe que quando eu mudo é porque estou vivendo cada segundo e você como se fosse uma eternidade a mais. Nada tenho vez em quando tudo. Tudo quero mais ou menos quanto.
Ele tentou mudar de nome pra que não pudesse ser achado nem por si mesmo, mas por ironia a sua vida o levou de volta ao ponto de partida, como se nunca tivesse saído de lá. E nesse efeito bumerangue, ele se viu sozinho, como um móbile na calmaria, buscando o furacão, que só estava presente quando algo o tirava de seu próprio eixo. Como quando a âncora de seu navio encosta no fundo, se acende o pavio e detona sua explosão, lançando a outros lugares e novos presentes, todos levando ao mesmo lugar: o maior desejo da boca, que é o beijo. Vida, vida, noves fora, zero. E fazendo a prova real da vida, pra ter certeza, eles querem tudo, cada um a sua maneira. Seja um furacão que afaste a calmaria. Seja o Guanabara, o Rio Nilo***, tua língua em meu mamilo, água e sal, suor e uma eternidade a mais.
Eu não quero aquele, eu não quero aquilo. Que me faz passar o presente esperando o futuro, que é escuro e menos saboroso. Eu não quero calmaria e solidão. Eu sou um móbile, e preciso de um furacão para me lançar a novos presentes. Ninguém me sente, se bem me lembro. Porque não me satisfaço só com metades. Quero viver, quero ouvir, quero ver. Quero tudo ter, estrela, flor, estilo, pois somente eu posso saber o que me faz feliz. Se é assim, quero sim, acho que vim pra te ver.
* Vênus de Milo, ou Afrodite, como é conhecida a deusa do amor, em sua escultura, não possui braços.
** Tejo é um Rio conhecido por ser grande em extensão.
*** Nilo é um Rio que era considerado o maior do mundo, e perdeu o posto para o Amazonas.
Bom... Antes de começar este texto, gostaria de pedir desculpas por nesta “volta” ao blog, o tema ser basicamente o de sempre: Política e desigualdade social.
Procurando o clipe de uma música dos Titãs no Youtube na semana passada (a música era “Televisão”, e já foi utilizada neste blog), acabei vendo o vídeo de “Hereditário”, música que conheço pouco e que até aquele momento não havia prestado muita atenção. Passada a surpresa e a bronca que fiquei comigo mesmo por nunca ter prestado atenção na letra, resolvi naquele mesmo instante, que sairia à caça de uma música que pudesse casar com aquele petardo titânico para divagar no meu próximo post. Passada uma semana, não consegui encontrar nenhuma música que tivesse despertado em mim a mesma sensação ou que parecesse com a letra, então, revirando meu baú de memórias, acabei encontrando, uma música um pouco desconhecida do Barão Vermelho, “Milagres”, uma das raras letras que Cazuza fez no grupo com cunho mais social.
Passada as apresentações, vou começar a tecer minhas opiniões e impressões sobre cada letra, vamos ver se ainda sei fazer isso... Começarei minha viagem utópica pelos Titãs.
“Hereditário” tem a característica básica das letras feitas pelos Titãs nos seus áureos tempos, rima fácil e mensagem bem explícita, apesar de escondida em uma letra curta, que ao primeiro olhar parece bem inofensiva.
A cada parto e a cada luto, lutamos contra algo hereditário, a nossa desigualdade, que resiste em seguir tão forte na sociedade brasileira, mesmo em pleno século XXI, lutamos contra tudo que for hereditário, principalmente contra os políticos corruptos, que parecem que se proliferam com a velocidade de um câncer que está entranhado bem no peito de nosso estado que nunca se torna uma nação. A cada perda do povo sempre há um político lucrando, porque ao contrário do que diz a teoria, os políticos lutam pelos interesses deles e não pelos das pessoas que os elegeram, esse é o tempo vagabundo que escolheram pra gente viver.
“Milagres” diz assim: “A fome está em toda parte, mas a gente come, levando a vida na arte”. Esse trecho me fez lembrar uma frase que o poeta Ferreira Gullar disse na FLIP (Feira Literária de Paraty) “a arte só existe, porque a realidade não basta”, e no Brasil, se nós tentássemos viver só da realidade, acho que não conseguiríamos chegar nem a puberdade, porque as crianças brincam com a violência neste cinema sem tela, que passa na cidade.
E em cada festa, em cada muro, esperamos pelo Sol que nasce a cada dia, apesar de tanta barbaridade, e mesmo a fome estando em cada parte, sempre lutamos contra o que é hereditário, porque sempre a cada aniversário (e a cada eleição), nossa esperança por um Brasil novo se renova. Sempre nos iludimos achando que o povo vai votar naquele que é melhor e não mais bonito, naquele que não promete muito, mas faz tudo o que promete. Afinal todos choram, mas só há alegria, porque no Brasil tudo é carnaval e futebol, e enquanto uma mulata estiver sambando, e alguém estiver empurrando a bola para o fundo do gol, sempre haverá alguém alardeando um novo milagre (econômico).
E enquanto as armas (dos assassinos) estiverem nas ruas e o povo inseguro em suas casas, o Brasil continuará sendo governado por seres como ex-presidente Fernando Collor de Melo que lidera as pesquisas de intenção de voto para o governo de Alagoas.
Eu continuarei torcendo por um milagre nas urnas em outubro e lutando contra o que for hereditário.
Falar sobre amizade não é difícil...nem fácil. São tão raros os amigos verdadeiros, aqueles que estão sempre ao nosso lado, não importa o que aconteça ou o tempo que passe. Aqueles que verdadeiramente sentem a nossa falta quando estamos distantes, os que verdadeiramente torcem pela nossa felicidade, sem competição. Os que nos ouvem quando precisamos desabafar, os que falam quando querem nos proteger, nos cuidar. E falam com aquele carinho especial, com aquele jeito de quem vai falando e passando a mão pelo nosso cabelo, como se nos pegassem no colo. Alguns passam pela nossa vida, simplesmente passam. E deixam uma saudade imensa, com a qual demoramos a nos acostumar.
Um poema de Vinícius de Moraes diz isso de uma forma linda:
“Um dia a maioria de nós irá se separar Sentiremos saudades de todas as conversas jogadas fora, as descobertas que fizemos, dos sonhos que tivemos, dos tantos risos e momentos compartilhados.”
Se isso acontecer, e cada momento for mais raro, teremos as lembranças.
E se um dia meus filhos, ou quem sabe meus netos me perguntarem, vendo aquelas fotos “antigas”, quem são estas pessoas? E estas roupas esquisitas?
Após um breve riso direi com orgulho: - Foram meus amigos, com os quais vivi meus melhores momentos. Neste instante a saudade vai apertar, doer de fato pela ausência. Quem sabe algumas lagrimas de tristeza e felicidade cairão de meus olhos.
É isso: meus amigos com os quais vivi e vivo meus melhores momentos.
Alguns já não estão mais perto fisicamente, perdi o contato, não sei mais deles. Me deixaram uma saudade imensa. E sempre estarão presentes no meu coração.
Os presentes, os que estão no meu dia a dia, eu prezo, respeito e cuido. Me são importantes, especiais. E se um dia, a vida nos separar, sei que estarei no coração deles como eles estarão no meu. São eternos em mim.
Dos textos que fiz este mês para os amigos, o seu talvez seja o mais fácil e o mais difícil ao mesmo tempo... Fácil porque há quase dois anos nos cumprimentamos carinhosamente como “companheiro” e “companheira”. E exatamente por causa deste nosso companheirismo que este pequeno texto é complicado. Nosso companheirismo que no início era baseado em música e simples bate-papos corriqueiros, criou um grande laço afetivo entre nós dois e hoje considero você uma grande amiga, daquelas que podemos contar para todas as horas.
É por isso que fico muito feliz de estar escrevendo sobre você em um (micro) texto sobre amizade.
Neste mês que temos o dia do amigo fui convidada mais uma vez pelos donos desse blog a escrever utilizando uma canção que fale sobre o tema amizade. Missão difícil. São muitas as músicas, mas poucas que eu realmente gosto e que estavam disponíveis, já que existiriam outros textos falando de algumas canções. Encontrei a canção “Que bom amigo” do Milton Nascimento, que achei perfeita pra ocasião.
Na amizade mesmo que o tempo passe, mesmo com toda distância, mesmo sem se falar, o carinho continua igual. A amizade é a forma de amor mais pura e verdadeira que existe. O simples fato daquela pessoa existir já faz o mundo melhor. Mesmo sem vê-la sabemos que ela está ali. Nos piores e nos melhores momentos ela estará ao nosso lado, mesmo ausente fisicamente. Amigo de verdade nunca deixa de ser amigo. Pode-se brigar e até parar de falar, se afastar, afinal as pessoas são muito orgulhosas pra perdoar, admitir os próprios erros, compreender o outro... Mas quando há uma amizade verdadeira, e não só uma relação superficial e/ou de interesses, todas as divergências são superadas e a relação volta ao normal, como se nada tivesse acontecido, ou melhor, aprendendo com o que aconteceu. Como diz na canção: “Que bom amigo, poder saber outra vez que estás comigo, dizer outra vez a palavra amigo.... Sentir que tu sabes que estou pro que der contigo. Se bem que isso nunca deixou de ser.” E nunca deixa mesmo. Amigo é aquele que mesmo após uma briga, coisa natural da convivência nos relacionamentos humanos, se você precisar ele estará lá. E só a presença dessa pessoa já faz com que você se sinta seguro, feliz... Amigo é aquela pessoa que nos traz alegria sempre que pensamos nela. Amigo é aquele com quem queremos compartilhar nossas alegrias, tristezas, dúvidas... Com quem queremos compartilhar tudo, ou quase tudo. Amigo é aquele que briga com a gente quando necessário, discorda da nossa opinião se for o caso, cansa de ouvir as mesmas histórias, mas sempre as ouve com toda a paciência do mundo, como se fosse a primeira vez, e repete milhões de vezes os mesmos conselhos que não ouvimos antes, e quando ainda assim fazemos besteira podem até brigar mas também nos oferecem seu ombro. Amigo também erra, claro, é humano, mas isso não importa. Amigo é aquela pessoa que a presença faz com que nosso rosto se ilumine com um sorriso. Que alivia os sofrimentos da vida em uma conversa. Que nos ajuda a superar os problemas, a ver “uma luz no fim do túnel”, a encontrar soluções. Amigo é aquele que nos traz a vida toda vez que se aproxima de nós, seja pra uma conversa séria, pra “jogar conversa fora” ou pra ficar em silêncio. Amigo é aquele que nunca nos pede nada em troca, nem amizade, está com você pelo carinho que sente, mesmo que esse não seja retribuído, e se alegra com a felicidade do outro. Amigo nunca deixa de ser amigo. Amizade é uma das coisas mais valiosas da vida, nos resta aprender a valorizar melhor o que possuímos, a respeitar, a cuidar, a reconhecer e agradecer o que recebemos e temos, mesmo sem merecermos.
“Para conhecermos os amigos é necessário passar pelo sucesso e pela desgraça. No sucesso, verificamos a quantidade e, na desgraça, a qualidade.”
[Confúcio]
Tá eu sei, demorei muito para escrever algo que me foi pedido a quase um mês... Mas sabe que pensando bem, eu gosto mais de escrever assim de supetão do que escrever com tudo planejadinho, bem arquitetado e cada palavra escolhida. Gosto do impacto de escrever o que vier a mente, de forma tão espontânea que cometo inúmeros erros de português tantando fazer com que a ponta dos meus dedos acompanhem meus pensamentos. Aliás, pensamentos que andam vagando por mundos desconhecidos e de descobertas incríveis a respeito de... AMIZADE! Eu sei que soa estranho eu dizer que é um mundo desconhecido, mas sinceramente, eu nunca vou entender por que dois seres humanos que biologicamente não tem nenhum laço ou grau de parentesco, ou nem mesmo se conheciam – até o dia em que se conhecem – conseguem cultivar um sentimento tão pleno de... AMOR! Vamos dispensar os pensamentos de amor carnal que pode existir entre amigos de sexos opostos e os pensamentos de mesmo gênero voltados para relações de sexo! Ta, eu sei que Freud associava tudo ao sexo como motivação para todos os sentimentos e atitudes – fosse ele de altruísmo ou rejeição – mas neste momento eu falo de algo mais grandioso que toda essa teoria.
Pois bem, vou tentar explicar melhor meus delírios e devaneios – calma que eu vou chegar à música e ao soneto.
Pense no maior numero de momentos em que você se sentiu muito feliz, momentos que marcaram sua vida de forma positiva. Pensou? Agora pense nos piores momentos da sua vida, aqueles em que você chorou e sentiu-se desprotegido. Lembre-se de quem esteve nos melhores e nos piores acontecimentos... São essas pessoas, ou essa pessoa, que é o seu amigo. Ta, não vamos generalizar, pois, por inúmeros motivos, alguns que te amavam tanto quanto esses poucos que você pensou, não puderam estar ao seu lado em tais momentos de aflição. Mas o fato é que, se pensarmos somente em pessoas com ligações de sangue que são as verdadeiras ligações afetivas e eternas, não achamos uma resposta plausível para explicar o porquê de um “desconhecido” estar ao nosso lado quando simplesmente ele podia se abster de suas dores e cuidar apenas das dele, visto que, na condição humana de ambos, ele também sofre igualzinho a você. E, afinal, ele não tem porquê cuidar de você, nem sequer é de sua família! Como escreveu Vinicius de Moraes em seu “Soneto do amigo”: “O amigo: um ser que a vida não explica”.
Baseado no mesmo soneto e na composição de Roberto Carlos e Erasmo – “É preciso saber viver” –, consegui inspiração para escrever este texto que por pouco não se torna uma desculpa esfarrapada para uma não realização... Mas vamos esquecer o tempo, que o tempo é totalmente dispensável e desconhecido quando estamos entre amigos... E tudo acaba se tornando uma grande brincadeira!
E ele permaneceu ali (aqui!) comigo, sem hesitar, apenas com um olhar de... “estamos juntos para o que der e vier”. Eu tenho certeza que sempre que tomávamos um café no fim da tarde ou contemplávamos a noite com filosofias baratas e sem aparente sentido, éramos como se fossemos os únicos amigos, um do outro. Esquecendo que tinhamos outros amigos que nos amavam tanto. Era tudo simples: você era incondicional a ponto de crer que tudo se resolvia com uma imitação hilária e inesquecível de mulher, eu apenas me colocava a sorrir e brindávamos aquele momento. Como eu podia rir tantas vezes da mesma piada? Cara você sabia como ninguém arrancar sorrisos e simpatia de quem quer que fosse! Mas, ainda assim, não tinha muitos amigos. Embora hoje eu veja que o real motivo para os tais poucos era a satisfação que você tinha de estar com as mesmas pessoas, fazendo as mesmas coisas e falando quase sempre dos mesmos assuntos. Você não queria mais, apenas estar ali já lhe bastava e isso era a tal da felicidade para você. Você realmente não tem explicação!
“As coisas são como são.” Você sempre dizia isso no apogeu de suas filosofias negativistas, mas coerentes. E foi como foi. Mas, “eis que surge noutro o velho amigo”. Ganhei amizades tão cuidadosas quanto a sua. Amizades que me deram um novo sentido de ver a vida e entender como dois seres humanos podem ser encantadores com seus defeitos e qualidades. A perfeição de números e comportamento tornou-se até vergonhoso diante de tamanho altruísmo que encontrei pelo caminho. E com esses amigos eu pude beber Fernet¹ na Pedra do Arpoador – a pedra que conta a minha vida em detalhes –, com esses amigos eu pude filosofar sobre a felicidade plena e suas implicações, pude descobrir que pessoas valem à pena, conversei com eles até o amanhecer sem que o assunto terminasse. Percebi que Cazuza escrevia para ele, Renato escrevia para nós – algo que até então eu estava totalmente ignorante. Cara, ainda existem pessoas que te abraçam e dizem que te amam sem pedir nada em troca, beijam seu braço com suas dores e cicatrizes e dizem: Se cuida tá? Te amo Chuchu! É meu caro, não sei o que seria deste pobre ser se tais seres humanos não tivessem ao meu lado quando vi que a vida não era feita de ilusão. Loucura e solidão não são algo do qual irei padecer. As tais “pedras” ficarão pelo caminho, pois mesmo que eu não as retire eles estarão lá para me ajudar a superá-las. E por mais que algumas das minhas flores tenham espinhos, ainda que seja apenas quatro, eu as protegerei do frio e do vento, pois, sei que cada uma delas me protege contra a nevasca, os furacões, retiram os brotos de baobás e reviram meus vulcões.**
“É preciso saber viver”, mas quando temos amigos tudo fica mais fácil! Não tenho do que reclamar quanto a isso. Somente o que agradecer... OBRIGADO meus amigos!
Dedico este texto a todos os meus amigos (sem citar nomes, para não esquecer ninguém, até porque eles sabem quem são, pois já ouviram de mim que eu os amo), mas em especial ao um irmão “preto”, como carinhosamente chamávamos ele, que deve estar rindo da minha cara me chamando de boiola por escrever um texto dedicado a ele. (rs) Mas como sempre foi e sempre será... Ele está sempre me protegendo... Alex seu preto safado, se tiver internet no céu da uma olhada no blog! rs
Amo os meus amigos aqui ou em qualquer lugar, porque sem vocês, sem exagero algum, eu não conseguiria absolutamente nada e estaria fadado a loucura e solidão!
Amigo, brou, meu chapa e como não poderia deixar de ser... Companheiro.
Filosofias de boteco às três e meia da manhã, ombro amigo e abraços espremidos. Como é possível um coração tão grande caber num corpo tão pequeno? Não sei. Você é um enigma, meu amigo. Retribuindo uma frase sua para mim: “Você é uma pessoa essencial na vida de qualquer um...”
Falar sobre a amizade é muito complexo. Acredito ser o exemplo mais concreto do sentimento amor. E aquilo que é complexo demais, prefiro expressar da forma mais simples possível. Deixo ficar subentendido.
O título da música é nada mais que uma chamada entre camadas: Hey, amigo!
Como se um amigo quisesse dizer para o outro, aquelas coisas que ele já sabe. Amizade é isso. Uma troca de olhares e já se entende tudo! Porque a gente sabe demais sobre nós dois.
A banda? Cachorro Grande. Dizem que o cão é o melhor amigo do homem. No momento da escolha não pensei nisso, mas foi bem percebido pela Mônica.
A letra da música? Repetir insistentemente “quero ser seu amigo de novo”. Não sei se existe isso. Uma vez amigo, sempre amigo. Uma vez que pisa na bola, percebemos que o sentido da palavra “amigo’, não servia para aquela pessoa. Prefiro pensar que a expressão “de novo” é conhecer o mesmo amigo mais de uma vez. Temos os amigos de infância. A amizade mais pura e sincera. Emprestar uma boneca para a amiguinha e ter o companheiro perfeito para as travessuras. Depois na adolescência, as pessoas mudam. Hey, quero ser seu amigo de novo. Amizade passa a ser cumplicidade. De segredos e descobertas. Mais tarde, já adultos. Hey, quero ser seu amigo de novo. Sentar numa mesa de bar e relembrar por horas e horas sobre a amizade que já é de longa data. Contar para o outro as conquistas alcançadas na sua vida. Depois vem a velhice. Hey, quero ser seu amigo de novo. Trocar receitas do bolo que vamos cozinhar para os nossos netos ou fazer companhia naquele final de tarde depois que todos já voltaram para suas casas.
Por esses motivos, talvez eu nunca irei encontrar, outro alguém com quem eu possa falar noite e dia, pela madrugada.
Quando criança, nunca fui de muitas amizades. Era aquele garoto que agradava mais aos adultos, que admiravam minha educação e o que chamavam de “maturidade”, que àqueles da minha idade. Na escola, dois ou três colegas próximos e um grande amigo inseparável. Dessa espécie de introspecção, que culminava em cumplicidade, dedicação e confiança para com pouquíssimas pessoas, surgiu um adulto que consegue se relacionar com muitos, mas que guarda a profundidade inerente às amizades verdadeiras para um número realmente seleto de colegas.
Tentando fugir da pieguice que muitas vezes se institui quando se fala de coisas tão caras e valiosas para o ser humano, vejo uma amizade hoje como um sentimento necessário, ou até mais, como um bem obrigatório. Amigo é aquele que se encontra quando não se procura, que se instala sem que se perceba num espaço preenchido apenas pelas melhores coisas de uma pessoa. Tais amigos se tornam parentes selecionados, relacionamentos insubstituíveis, companheiros para a eternidade.
Confesso que perdi alguns amigos ao longo dos anos... Alguns pela distância (seja física ou ideológica), outros pela evolução ou retrocesso quealtera nosso caráter em vários momentos da vida, e alguns ainda por motivos que nunca compreenderei. Mas devo muito à todos eles, pois sem essas relações, que admito serem muitas vezes mais importantes que as amorosas, aquele ser com quem convivo diariamente, conhecido por “eu mesmo”, seria tomado de uma amargura e depressão insuportáveis.
A trilogia “Toy Story” tem uma importância imensurável para mim, e quem me conhece sabe que tal afirmação não é brincadeira – com o perdão do trocadilho. Cada filme entrou na minha vida em um espaço de tempo e fez com que muitas questões se esclarecessem, ou ao menos parecessem mais fáceis de serem solucionadas, além de ser uma peça fílmica que despertou minha atenção para a sétima das artes. Dentre as várias mensagens com que o filme trabalha, a amizade é possivelmente a maior delas, ou a que ganha maior destaque em minhas revisitas às aventuras de Woody, Buzz e todos os outros brinquedos do Andy.
Essa música representa para mim tudo o que você acaba de ler. Assim como em “I'll be there for you”, tema da melhor série sobre a amizade já feita, “You've got a friend in me” aborda tão bem tal questão que meu texto pode ter se tornado até redundante. Importante mesmo é ter pessoas em mente quando se ouve tal canção. Afinal, não é para todos que dizemos “você tem um amigo em mim”. E para menos ainda fazemos tal afirmação justificando que ela irá conosco para o infinito, e além.
Lápis de cor, brincadeiras, fim de tarde, ciranda, pó de pir-lim-pim-pim, tintas coloridas, a casa, a montanha, duas nuvens no céu, o sol a sorrir no papel... Agora, sinto cheiro de saudade. Saudade das minhas coisinhas que outrora valorizadas, agora estão esquecidas dentro de alguma gaveta velha; meus diários, minhas cartinhas, meus cadernos. Caderno que me acompanhou do meu primeiro rabisco e ainda me acompanha depois que surgiram meus primeiros raios de mulher.
Um caderno. Companheiro fiel que está presente nos momentos mais lindos de sua vida e também nos tristes. Um caderno, que sofre junto nas provas bimestrais, ajuda a resolver problemas e é sempre o confidente fiel. Um caderno, discreto escudeiro de fugas e desabafos. Um simples caderno, que se mantém firme se o pranto vir a molhar seu papel, ou quando a vida se abrir em um veloz carrosel e o papel forem rasgados. Assim como um amigo.
Olhar pra trás e lembrar-se do passado é como se, de repente, batesse uma ventania forte no seu rosto, fazendo você fechar os olhos e reviver as brincadeiras, os sorrisos, a molecagem e as amizades leves e inocentes da infância. E depois se lembrar dos amigos que você talvez tenha feito no colegial, mesmo com as confusões adolescentes e as intrigas de meninas malvadas típicas de colegial. E pra quem cresceu na rua e em bairro pequeno, vai lembrar-se dos amigos-vizinhos que brincaram de esconde-esconde e elástico, quando pivetes, e ainda hoje continuam a serem seus amigos. Também existem aqueles amigos que moram longe, de uma distância que faz doer no peito, mas nos promovem sorrisos quando, por exemplo, vemos algo por perto que nos lembre o tal amigo. Tem aquela galera que possui o mesmo sangue que você e que te acompanha desde seu nascimento. Companheiros de farras, de festas e de bares. Suas amigas mais grudadas que estão sempre com você, em qualquer lugar, a qualquer hora, pra farrear, fofocar e dar risada. Os amigos coloridos. Aquela galera do mal que nunca te acrescenta nada de bom, mas a companhia deles é sem igual. Amigos de curso, de trabalho, suas alegrias diárias. Aqueles que já se foram. Aqueles que são seus amigos e você nem percebe. Nossos amiguinhos animais. Os camaradas que não têm tanto contato ou intimidade, mas são bons amigos. Pra quem nem tem tanto amigo assim, mas os poucos que têm já preenchem de alegria o coração.
E pra você, meu amigo-caderno, só peço um favor, se puder: não me esqueça num canto qualquer.
Um diálogo é a estrutura dessa música que retrata o encontro de dois amigos num boteco, universo masculino onde ‘’machos ’’ conversam sobre política, futebol e claro, mulheres. Mas entre coçada, cusparada e contagem de vantagens, consegue se achar um lugar onde nascem verdadeiras amizades .
O sujeito chega ao bar depressivo por causa do término do seu relacionamento, éengraçado como ele primeiro solta uma indireta para que o outro pergunte o que houve:
- A vida é um dilema
- Nem sempre vale a pena
- pô...
- o que é que há?
- Rosa acabou comigo
Embora a amizade retratada na música não tenha laços muito concretos, na sua essência, estão ali representados tudo que se espera de um amigo: preocupação, carinho , conselho e até o nada aconselhável dinheiro emprestado.Tudo de um jeito bem despojado e malandro, bem ao estilo de Aldir Blanc um dos seus autores.
Quem nunca chorou no ombro de um amigo a dor de um amor perdido e ouviu deste, a frase:
- Pra frente é que se anda
Amizades são como diamante bruto, que com o tempo você vai lapidando e ela vai ficando cada vez mais bonita, clara, transparente, reluzente e como tal, podem ser duras nas horas certas e te colocar de novo no eixo quando saímos do prumo.
Encontrar amizades é algo que requer muito mais do que simplesmente sair por aí nas festas e baladas da vida, lá talvez você encontre candidatos a esse posto que somente o tempo e as circunstâncias irão definir, se eles são merecedores de tal cargo.
E quanto aos dois amigos da canção, se despedem afirmando que o apreço não tem preço, e eu acrescento que o preço é o próprio apreço de um pelo outro e realmente não tem pagamento melhor do que esse. Pois a final de contas amigo é pra essas coisas.
Primo, amigo, irmão, mentor e principalmente amigo. Acho que todo mundo deveria ter um Edilson em suas vidas. Suas palavras nem sempre são as certas, mas com certeza são as que precisamos ouvir (é ambíguo eu sei, mas não existe ninguém mais ambíguo que ele).
Esse será um mês diferente, mas não menos utópico que os demais. Diria até, mais, e além. Como é o mês onde se comemora o dia do amigo, são nossos amigos que estarão aqui, fazendo as honras, com textos sobre amizade. Eles, diversos em idades, profissões, sexo, ideologia, espaço físico, sonhos, desejos, segredos. Eles, idênticos em sensibilidade, companheirismo, altruísmo, e um algo diferente que os tornam indispensáveis, essenciais, únicos, insubstituíveis. Eis aqui. Simples, como foram quando nos cativaram. Simples, como a amizade deve ser, para trazer doçura à vida e eternidade à nossa credibilidade no mundo. Eis aqui, uma parte brilhante e fundamental de mim, de nós, os sortudos que os mantém bem guardados. Com açúcar e com afeto.
A idéia desse mês, eram dois amigos por semana, falando de amizade, e depois que todos se pronunciassem, entraríamos Edu e eu, para fechar o tema com nossos posts. Porém, contratempos, é isso aí. Abriremos o mês, a ordem dos fatores não altera o conteúdo. E para falar desse assunto, presente em nossa vida, simples e complexo, doce e por vezes, diverso, estou eu aqui, com “Canção da América”, de Milton Nascimento e “Minha Vida”, de Rita Lee.
Quem não tem amigos? Todos experimentamos, ao longo de nossas vidas, diversas vezes, o sabor de uma amizade verdadeira e talvez o de uma amizade simulada. Levamos conosco, afetos sinceros, deixamos pra trás, personagens inventados. O tempo passa, os dias vão e vem, mas quem ficou, no pensamento voou. E quem voou, no pensamento ficou. Porque AMIGO é coisa pra se guardar debaixo de sete chaves, do lado esquerdo do peito. Dentro do coração. Assim eu ouvi, certa vez, numa canção que na América ouvi. A letra que sempre me emociona.
Quem nunca chorou ao ver um amigo partir? Pra um outro país, uma outra realidade, uma outra filosofia de vida, pra um outro mundo, para um outro plano. Não importa o tipo de separação: física, emocional, espiritual. Mesmo esquecendo a canção, com a lembrança o outro cantou. Mas se você não pode ser forte, seja pelo menos humano. É difícil quando alguém importante não pode estar ali, mais uma vez, dividindo um momento crucial de nossa existência. Todo mundo é parecido quando sente dor, mas só verdadeiros amigos ouvem a voz que vem do nosso coração, mesmo que o tempo e a distância digam não.
E guardado debaixo de sete chaves, ficam as lembranças, dos que passaram e passam por nós. Dos que permanecem e dos que deixaram apenas marcas. Tem aquela amiga que era companheira de aventuras, de passar a noite fora e acordar no estacionamento do supermercado pra voltar pra casa de manhã. Tem lugares que me lembram minha vida, por onde andei. Tem a amiga que cresceu com você, com promessas de um futuro onde tudo seria dividido, e de alguma forma, isso ficou numa janelinha encantada que sempre vai esperar acontecer, mesmo que um oceano inteiro as separe. Cenas do meu filme em branco e preto. Tem a amiga que madrugou pra te levar pra fazer uma prova, que viajou com você por dias inesquecíveis, que te proporcionou a primeira chance de dormir fora de casa. Personagens do meu livro de memórias.
A que estudava com você, madrugadas adentro, para provas na faculdade, fazendo mais bagunça do que estudando. Aquela que você mimava enquanto ela guardava uma vida dentro de si. As histórias, os caminhos. A amiga que você conheceu pela internet e nem se lembra mais que foi assim que se conheceram. Que se visitam com freqüência, ou pelo menos nos aniversários. A amiga que você conheceu pela internet, e só ela entende suas piadas, e só ela está com você todos os dias, te vendo rir e chorar, mais perto do que parece. Entre todos os amores e amigos, de você me lembro mais. Aquele amigo com quem você teve inesquecíveis momentos e que mesmo sumindo por vezes, não deixa o vento o levar embora. Que o vento levou, e o tempo traz.
Aquele amigo que você conheceu através de outra amiga, e que hoje, você não vive sem. Daria a vida por ele. Entre corações que tenho tatuados, de você me lembro mais. Aqueles que eram seus amigos, e você apresentou pra outros amigos seus. O destino que eu mudei. Aquela com quem você dividia seus momentos adolescentes, de tietagem, jogos em tardes intermináveis. A que te viciaria em algo tão legal e benéfico, que te traria um mundo inteiro a descobrir. Que foi pra longe, e está sempre na memória. Desenhos que a vida vai fazendo. Aquela amiga que você conheceu por ter perdido alguém especial, e como “recompensa”, ganhou algo tão bom que nem podia acreditar. Aquela que se parece tanto com você, que assusta. A que você gosta de cuidar como se fosse mãe dela e a que você vê muito raramente, mas que é tão especial, que fica se perguntando por que as oportunidades de conviver estão ficando tão poucas, nessa vida corrida que nos toma tempo para ser gente grande. Tem pessoas que a gente não esquece nem se esquecer.
Tem aquela amiga que te deixou cedo demais, e nunca será esquecida. De você, me lembro mais. Tem aqueles que te deixaram por opção, e deixaram um espaço vazio que não dá pra explicar a sensação. Desbotam alguns, uns ficam iguais. Tem aquela que era pra ser mãe, mas é amiga. Porto seguro onde eu voltei. Meu mar e minha mãe. Aquele que era pra ser pai, mas te escuta. Meu bálsamo benigno. Aquela que é o sonho de todo mundo. Amigos como irmãos. Irmã amiga. Desde o início estava você. Tem aquele que já é especial por si só, mas não basta ser amor, precisa ser amigo. Não basta estar na alma, ocupa o coração. Entre todas as novelas e romances, de você me lembro mais. Mas venha, o que vier, qualquer dia amigo a gente vai se encontrar. De vocês, não esqueço jamais...
Bom... Meu post desta semana deveria ser entregue apenas no final do mês, mas visto que alguns imprevistos aconteceram, terei que me apressar e escrever esse texto que me traz arrepios só de pensar.
Esse mês em decorrência do Dia dos amigos, Monica e eu resolvemos convidar de novo aquela galera que participou do Clube dos 5, em nossos posts em homenagem ao Dia da Mulher, com a adesão de mais três amigas. Organizei-me milimetricamente da forma que nunca faço, e escolhi a música que seria usada com um mês de antecedência, criei alguns esboços para o texto e pensei em começar a trabalhá-lo pelo menos duas semanas antes de postá-lo, mas agora me vejo tendo que fazer o texto mais rápido do que imaginei, e sinceramente, estou adorando essa adrenalina. Também devo confessar algo para Monica: Por conta da música que escolhi e por causa da data de hoje, acho que este post vai ser perfeito para hoje.
Sem mais delongas, a minha música escolhida para meu post especial sobre o dia dos amigos é “O Poeta Está Vivo”, bela parceria de Dulce Quental e Frejat, feita para homenagear o “brou” Cazuza, que completa hoje 20 anos que foi ao inferno e voltou, e agora descansa nos Jardins do Éden, naquela parte destinada aos poetas, loucos e cantores do porvir...
Creio que antes de dissertar sobre a música supracitada no parágrafo acima, devo explicar minha escolha. Confesso que não conheço música melhor para falar de amigos do que “Canção da América”, de Milton Nascimento, porém, esta foi a música escolhida por Monica, então, antes de enlouquecer, lembrei que este ano se completam 20 anos sem Cazuza, então, resolvi homenagear o melhor amigo que nunca conheci.
Tentarei não ser saudosista em meu post, juro a vocês, mas caso isto aconteça, peço que me perdoem.
Minha “amizade” com Cazuza e sua música, aconteceu numa tarde de um sábado há mais ou menos 8 ou 9 anos atrás, quando eu tinha 12 anos (sim, fatidicamente eu nasci no ano em que Cazuza morreu). Foi no quarto de um primo, que tomei conhecimento da grande obra que Cazuza havia deixado de herança para aqueles que como eu (mesmo sem saber até aquele momento), eram órfãos de pessoas como ele, que tinham atitude e nenhum medo de se mostrar, pois como disse o próprio: “Só quem se mostra se encontra. Por mais que se perca no caminho”.
Minha paixão pela música de Cazuza foi instantânea, e quando eu ouvi: “Meus heróis morreram de overdose, meus inimigos estão no poder. Ideologia, eu quero uma pra viver!”. Senti que havia descoberto alguém que tinha feito a trilha sonora para a minha vida, e que esta trilha só estava esperando aquele dia acontecer para que pudéssemos nos encontrar.
Não sei dizer por que as letras de Cazuza são tão significativas pra mim, não sei se é a sua visão “meio dark do amor”, se é o fato de assim como eu, o poeta também era filho único, e sabia que nós, filhos únicos, somos os seres mais altruístas do mundo, vestidos em nossa capa de monstros egoístas e ruins que sofrem, mas fingem não ter pena do papa e seu rebanho por eles serem caretas e covardes e não terem a coragem de ouvir que são capazes de mudar o mundo com seus moinhos de vento.
O poeta continua vivo, impulsionando a grande roda da história com seus moinhos de vento, e sendo meu amigo e conselheiro em todos os meus momentos, ele me salvou da alienação, me deu a coragem de escolher o mundo e não a proteção das paredes da minha casa. Fez-me entender que o amor é o ridículo da vida, e que só quem é Lua e Sol ao meio-dia* está pronto para ele, que viver é bom nas curvas da estrada, porque viver a liberdade, amar de verdade... Só se for a dois.
Baby, continuaremos comprando o jornal e vendo o Sol nascer, apesar de tanta barbaridade, porque Cazuza se foi, mas deixou um legado, ele nos ensinou que a vida é o nosso espetáculo, e que a sorte é se abandonar e aceitar essa vaga idéia de paraíso que nos persegue, pois a vida é bem mais perigosa que a morte, e como dizia o poeta... Morrer não dói.
Valeu, caju!
*Adaptação feita por Monica e eu da frase “nú e só ao meio-dia” que faz parte da letra original
“Lar doce lar. Não há lugar como a nossa casa. Take me home, country roads. Lar é onde está o coração. Mas meu coração está aqui. Então devo estar em casa. Clare suspira, vira a cabeça e fica quieta. Ei, querida, cheguei. Cheguei em casa.”
O texto dessa semana era o texto de semana passada, meu post de aniversário, que foi prorrogado para essa semana, enquanto eu viajava no tempo. Isso de “mais um ano de vida”, mil pensamentos vem à tona, lembranças, mistos de passado, presente e futuro, e eu, que quase não viajo na minha imaginação, pensei como virar os ponteiros do avesso, e viajar por algum lugar do tempo. Então, uso de coisas especiais para isso, especiais pra mim, em particular. Essa semana, uso o livro “A Mulher do Viajante no Tempo”, de Audrey Niffenegger e o filme baseado no livro, com título em português de “Te amarei Para Sempre”, relacionando com “O Avesso dos Ponteiros”, de Ana Carolina e “Em Algum Lugar do Tempo”, do Biquíni Cavadão.
Bem, vamos lá, embarcar nessa loucura. Primeiramente, explicações: Sem sombra de dúvidas, esse é o livro da minha vida, e tomou o topo de qualquer outra história de amor, sério. A música ao avesso de Ana, também é uma das mais especiais pra mim, logo, já digo de antemão que me senti lisonjeada por conseguir achar uma ponte entre as histórias. O livro de Audrey, recorde de vendas pelo mundo. O filme, estrelado por Rachel McAdams e Eric Bana, não teria esses protagonistas a princípio. A idéia de torná-lo filme era antiga entre Brad Pitt e Jennifer Aniston, quando ambos eram casados, e eles seriam a Clare e Henry da história. Com o divórcio instituído e os direitos autorais já reservados à eles, ambos ficaram apenas na direção, e Aniston disse que não teria ninguém melhor que McAdams para substituí-la como Clare.
A história gira em torno de Clare, uma garotinha de seis anos, que um dia, brincando perto de sua casa, conhece Henry, um viajante no tempo. Um homem que se sente excluído, o último membro de uma espécie antes numerosa. Um homem que vive de breves eternidades, numa grande variedade de tempos e lugares, revivendo cenas de seu passado, indo para um futuro além do que ele sabe. O futuro, aquela grande caixa de chocolates ainda fechada. O futuro é um lugar aonde eu possa ir? Ele vive se perguntando. O passado, aquela parte inalterável da história do universo, onde ele não pode fazer nada a respeito, pois só existe livre arbítrio quando se está no presente. Mas seja qual for o tempo em que ele esteja, é o presente dele. Ele não deveria ser capaz de decidir?
E nessa tortura de ser deslocado contra sua vontade para o seu “eu” de seis anos e seu “eu” de 40 anos, sem levar nada: noção de tempo, roupas, proteção, ele revive cenas felizes do seu passado e futuro, como também se tortura com as cenas que não são tão felizes assim. “Era uma vez, eu tinha mãe. Tinha pai também, e eles eram muito apaixonados. E eles tinham a mim.”. E isso, ficou em algum baú do passado, que qualquer hora, ele torna a abrir.
E no fim das contas, tudo que Henry quer, é se livrar dessa cronologia invertida, de viver no avesso dos ponteiros. Há alguma forma para ficar no presente, abraçá-lo com todas as células do seu corpo? Parece que o tempo passa muito mais devagar para mim do que para os outros. Hoje é interminável.
E é esse Henry complexo que se apresenta pra uma garotinha de seis anos, que acredita nele, apesar de achar que ele se parece com o gato da Alice. Afinal, gente não aparece e desaparece do jeito que ele faz. Porém, uma sorte grande do futuro dessa menina, fez de alguma forma, com que ele a encontrasse ali no presente. E Henry sempre a avisava quando tornaria a aparecer.
E ela foi crescendo num misto de fascinação e adoração por essa pessoa mágica e misteriosa que apareceu em sua vida e que só ela tinha. E ela começou a perceber, que a maioria das garotas não tinha um Henry. Ou se tinham, nenhuma falava nada. E cada vez que ele ia até ela, era menos uma vez que ele estaria lá. E esse fascínio, com o passar dos anos, foi virando paixão. E Henry não podia lhe dizer que era ela, que lá, no futuro, era a sua esposa. Não para a menina de seis anos. Só lá pra adolescente, de 18, que precisava entender quando realmente o encontrasse no presente, que ele não a reconheceria, pois seria realmente a primeira vez, para o Henry que vive o presente e não sabe do seu próprio futuro, esse viajante do tempo, que sentia uma combinação entre liberdade e desespero.
Então, acontece o encontro. Tão simples, como se andassem fazendo isso a vida inteira [...] Tão simples. Cá estamos nós. Aqui e agora, finalmente agora. E eles se beijam pela primeira vez, um beijo nascido de uma antiga conexão. Apaixonam-se e constroem uma vida juntos, casam-se. Finalmente juntos para qualquer um ver. Agora tudo começa. E ela, que achou que sua espera teria fim quando o encontrasse no presente, percebe que vai passar a vida inteira esperando. Esperando ele voltar de 1989, quando estava com ela aos 18 anos; de 2011, onde passeia com sua filha por um museu.
Por que tudo tem que ser complicado? Já não deixamos para trás a parte complicada?
Para Clare, é difícil ser quem fica. Porque a ausência intensifica o amor? Creio que porque a saudade apaga os deslizes que cometemos e superestima os bons momentos, por serem raros. “Tenho a sensação de que cada minuto de espera é um ano, uma eternidade. Cada minuto é lento e transparente como vidro. A cada minuto que passa, vejo uma fila de infinitos minutos, à espera. Por que ele foi aonde não posso ir atrás?”
Para Henry, “quando estou em outro tempo, me sinto pelo avesso, transformado numa versão desesperada de mim. Viro um ladrão, um andarilho, um bicho que corre e se esconde. Assusto velhas e assombro crianças. Sou um truque, uma ilusão da mais alta ordem. É incrível eu ser mesmo real [...] Odeio estar onde ela não está, quando não está. No entanto, vivo partindo, e ela não pode vir atrás.”
Clare se sente como Penélope, à espera de Ulisses, em Odisséia, tecendo e desmanchando. Como se tivesse sido abandonada por um anjo da guarda. Henry, é mais simplista. Cá estou eu. Inteiro. Agora. Aqui neste chão de cerâmica marrom. Parece que é pedir muito ter continuidade.
Sempre chega a hora da solidão, pra Clare. Ela era uma menina, mas já virou essa página do diário. Diário onde anotava as visitas de seu amor atemporal. Ele só pede que ela não guarde mágoa dele, e que não o esqueça. Mesmo por vezes não merecendo o seu amor. E ele é como as ondas do mar, que sempre vão e vem, os beijos de adeus na estação de trem. Esse gosto de lágrimas no rosto, de quem são essas lágrimas em seu rosto? Ela não nota a lua mudando de formato, e as pessoas passando por ela, pra pegar o metrô.E o diretor, o tempo, segue seu destino de cortar as cenas...E a ausência pode ser presente como um nervo danificado, como um pássaro preto.
Não tenha medo de mim, não importa o que aconteça. Não me tire da sua vida, nem desapareça. “Nunca vou largar você. Ainda que viva me largando”, ela diz. Os carros na minha frente vão indo e eu nunca sei pra onde. Será que é lá que você se esconde? Penso quando você partiu sem olhar pra trás, como um navio que vai ao longe e já nem se lembra do cais. Tudo passa, e eu ainda ando pensando em você, pois em algum lugar do tempo, nós ainda estamos juntos. Pra sempre ficaremos juntos.
Nunca escolhi Henry e ele nunca me escolheu. Então como poderia ser um erro? Mais uma vez encaro o fato de que não podemos saber [...] Parece que o tempo se dobra sobre si mesmo. Vejo que sou feita de camadas representando meus dias passados e futuros. Mas c´est la vie, os tempos mudam, e cá estamos nós.
Então, para eles, só resta contemplar o pequeno instante onde estão juntos. Não é tarde demais, ainda não. Afinal de contas. Então que brindem. À felicidade. Ao aqui e agora. A mundo e tempo suficientes. Como na verdade, todos nós deveríamos fazer. Não somos viajantes no tempo, e não temos um viajante no tempo em nossas vidas, mas essa forma de encarar os fatos, mostrando a efemeridade das coisas, faz realçar seu devido valor, faz intensificar os bons momentos e nos fazer perceber que não podemos perder tempo com inutilidades, porque quando menos se espera, o nosso espelho, ou o nosso mundo, pode viajar para um tempo que não conseguiremos alcançar.
Então, eles absorvem o tempo do mundo. Nada jamais pode ser triste, não se pode perder ninguém, ninguém pode morrer nem estar longe: estamos aqui e agora, e nada pode estragar nossa perfeição nem roubar a alegria deste momento perfeito. Nem tempo nem lugar, nem a sorte nem a morte podem dobrar os mais insignificantes dos meus desejos o mínimo que seja.
Ela sente que pode chegar nele e tocar no tempo. Ele a ama. Como se fosse o brilho de sol vindo de outra galáxia. E ele apenas diz que a ama, sempre. O tempo não é nada.
E não importa o tempo que fiquem juntos. Ainda não é o bastante. Ainda não acabei. Quero estar aqui. É só minha memória que me segura aqui. Tempo, deixe-me desaparecer. Então, o que separamos por nossa própria presença pode ser unido.
E quando ele precisa partir, ela se sente a viajante. E fica em carne viva, não na pele, mas lá dentro onde uma ferida se abre. A dor recuou, mas o que ficou é a sua casca, um espaço vazio onde ela devia estar, mas em vez disso é a expectativa da dor que está lá.
Mas logo ele volta, porque outro mês aponta na folha do calendário. Esperei por você, e agora você está aqui.
É melhor ser extremamente feliz por pouco tempo, mesmo que se perca essa felicidade, do que passar a vida inteira apenas bem?
O tempo faz tudo valer a pena, e nem o erro é desperdício. Tudo cresce. E o início deixa de ser início, e vai chegando ao meio. Aí começo a pensar que nada tem fim...
“O que há mais nesse universo, nesse desenho? Outras estrelas distantes. Cato nas minhas ferramentas e encontro uma agulha. Prendo o desenho numa janela e começo a perfurar o papel todo, e cada furo vira um sol em outro conjunto de mundos. E quanto tenho uma galáxia cheia de estrelas, perfuro a figura, que agora vira constelação para valer, uma rede de minúsculas luzes. Olho para a minha imagem, e ela me olha de volta. Ponho o dedo em sua testa e digo “suma”, mas é ela que vai ficar; sou eu quem está sumindo.”
Esse espaço nada é, além do cotidiano musical de um casal que vive em voz alta. Exaustos em ouvir canções com palavras repetidas, têm a urgente necessidade de expressar as palavras não ditas, que imploram gritar aos quatro cantos, pensamentos que precisam ficar marcados no universo. Sem nenhuma finalidade ou peso ideológico, mas com a nossa vontade de se fazer ler, ouvir, questionar. Nosso pequeno universo traduzido em notas, comparações, impressões pessoais (2 em 1, sempre), considerações sem nexo que se completam quase sem querer. Nós, Bruno e Aline, os “Eduardo e Mônica” da geração Orkut, nos encontramos. E fomos encontrados pela música.