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quarta-feira, 18 de agosto de 2010

"Bandeira" (Zeca Baleiro) X "Móbile no Furacão" (Paulinho Moska)

Depois de algum tempo em ócio mental, o retorno é sempre esperado, e ao mesmo tempo, temido. Fica aquela sensação de que desaprendi a escrever, porém isso é besteira, pois um dia eu vou aprender, por enquanto eu só rabisco. Então, pensei em uma música que há tempos quero usar. E não sabia o que casaria com ela. E lancei essa dúvida ao Eduardo, e ele me devolveu com uma resposta que dei à ele, quando ele me questionou sobre o mesmo fato: “a ponte somos nós quem fazemos”. Então, lembrei de uma outra música, que gosto de longa data, e que por tempos teve uma frase de impacto que me definia, e acho que ainda define, um pouco. Ou muita coisa. Então, vamos lá tentar fazer as pontes, entre “Bandeira” de Zeca Baleiro e “Móbile no Furacão”, de Paulinho Moska.

Começo pelo Zeca, que foi minha idéia inicial, por eu não querer passar agosto esperando setembro (se bem me lembro). Mas fato é que setembro é um mês especial pra mim, e agosto...Bem, agosto é agosto, e todo mundo lembra de azar, então que venha setembro e a primavera, pro nosso futuro recomeçar.

Em sua Bandeira, nome que remete a várias idéias, ele fala de expectativas, amor, entrega, insatisfação. Bandeira, que ele dá pra mulher, mostrando que a quer, sem esconder isso de ninguém. Bandeira como de um time, de uma nação: ele leva de cabeça erguida, e estampada em sua face, que não é de meios desejos e não se satisfaz com metades, como Moska diz em uma outra letra sua “A Seta e o Alvo”.

Ele não quer ver você cuspindo ódio, fumando ópio e chorando veneno, mesmo que seja pra sarar a dor. Ele não quer beber seu café pequeno, já que tem sentimentos grandes. Ele não quer o impossível – braço da Vênus de Milo* acenando tchau. Ele não quer o que ele não consegue reter – o Tejo** escorrendo das mãos. Ele não quer analisar os fatos e viver de expectativas – Pra que medir a altura do tombo e passar agosto esperando setembro, se o melhor futuro é esse hoje escuro, misterioso e sem amanhã?

Moska, que como eu, é um móbile solto num furacão, e “Qualquer calmaria me dá solidão...”, diz que não é o mesmo de ontem e que a pessoa que ele amou não o reconhece mais. E tudo que ele possa fazer ou dizer já não satisfaz. Mas você não percebe que quando eu mudo é porque estou vivendo cada segundo e você como se fosse uma eternidade a mais. Nada tenho vez em quando tudo. Tudo quero mais ou menos quanto.

Ele tentou mudar de nome pra que não pudesse ser achado nem por si mesmo, mas por ironia a sua vida o levou de volta ao ponto de partida, como se nunca tivesse saído de lá. E nesse efeito bumerangue, ele se viu sozinho, como um móbile na calmaria, buscando o furacão, que só estava presente quando algo o tirava de seu próprio eixo. Como quando a âncora de seu navio encosta no fundo, se acende o pavio e detona sua explosão, lançando a outros lugares e novos presentes, todos levando ao mesmo lugar: o maior desejo da boca, que é o beijo. Vida, vida, noves fora, zero. E fazendo a prova real da vida, pra ter certeza, eles querem tudo, cada um a sua maneira. Seja um furacão que afaste a calmaria. Seja o Guanabara, o Rio Nilo***, tua língua em meu mamilo, água e sal, suor e uma eternidade a mais.

Eu não quero aquele, eu não quero aquilo. Que me faz passar o presente esperando o futuro, que é escuro e menos saboroso. Eu não quero calmaria e solidão. Eu sou um móbile, e preciso de um furacão para me lançar a novos presentes. Ninguém me sente, se bem me lembro. Porque não me satisfaço só com metades. Quero viver, quero ouvir, quero ver. Quero tudo ter, estrela, flor, estilo, pois somente eu posso saber o que me faz feliz. Se é assim, quero sim, acho que vim pra te ver.

* Vênus de Milo, ou Afrodite, como é conhecida a deusa do amor, em sua escultura, não possui braços.

** Tejo é um Rio conhecido por ser grande em extensão.

*** Nilo é um Rio que era considerado o maior do mundo, e perdeu o posto para o Amazonas.

By Mônica

Links das Letras:

http://letras.terra.com.br/paulinho-moska/48074/

http://letras.terra.com.br/zeca-baleiro/49376/

"Hereditário" (Titãs) X "Milagres" (Barão Vermelho)

Bom... Antes de começar este texto, gostaria de pedir desculpas por nesta “volta” ao blog, o tema ser basicamente o de sempre: Política e desigualdade social.

Procurando o clipe de uma música dos Titãs no Youtube na semana passada (a música era “Televisão”, e já foi utilizada neste blog), acabei vendo o vídeo de “Hereditário”, música que conheço pouco e que até aquele momento não havia prestado muita atenção. Passada a surpresa e a bronca que fiquei comigo mesmo por nunca ter prestado atenção na letra, resolvi naquele mesmo instante, que sairia à caça de uma música que pudesse casar com aquele petardo titânico para divagar no meu próximo post. Passada uma semana, não consegui encontrar nenhuma música que tivesse despertado em mim a mesma sensação ou que parecesse com a letra, então, revirando meu baú de memórias, acabei encontrando, uma música um pouco desconhecida do Barão Vermelho, “Milagres”, uma das raras letras que Cazuza fez no grupo com cunho mais social.

Passada as apresentações, vou começar a tecer minhas opiniões e impressões sobre cada letra, vamos ver se ainda sei fazer isso... Começarei minha viagem utópica pelos Titãs.

“Hereditário” tem a característica básica das letras feitas pelos Titãs nos seus áureos tempos, rima fácil e mensagem bem explícita, apesar de escondida em uma letra curta, que ao primeiro olhar parece bem inofensiva.

A cada parto e a cada luto, lutamos contra algo hereditário, a nossa desigualdade, que resiste em seguir tão forte na sociedade brasileira, mesmo em pleno século XXI, lutamos contra tudo que for hereditário, principalmente contra os políticos corruptos, que parecem que se proliferam com a velocidade de um câncer que está entranhado bem no peito de nosso estado que nunca se torna uma nação. A cada perda do povo sempre há um político lucrando, porque ao contrário do que diz a teoria, os políticos lutam pelos interesses deles e não pelos das pessoas que os elegeram, esse é o tempo vagabundo que escolheram pra gente viver.

“Milagres” diz assim: “A fome está em toda parte, mas a gente come, levando a vida na arte”. Esse trecho me fez lembrar uma frase que o poeta Ferreira Gullar disse na FLIP (Feira Literária de Paraty) “a arte só existe, porque a realidade não basta”, e no Brasil, se nós tentássemos viver só da realidade, acho que não conseguiríamos chegar nem a puberdade, porque as crianças brincam com a violência neste cinema sem tela, que passa na cidade.

E em cada festa, em cada muro, esperamos pelo Sol que nasce a cada dia, apesar de tanta barbaridade, e mesmo a fome estando em cada parte, sempre lutamos contra o que é hereditário, porque sempre a cada aniversário (e a cada eleição), nossa esperança por um Brasil novo se renova. Sempre nos iludimos achando que o povo vai votar naquele que é melhor e não mais bonito, naquele que não promete muito, mas faz tudo o que promete. Afinal todos choram, mas só há alegria, porque no Brasil tudo é carnaval e futebol, e enquanto uma mulata estiver sambando, e alguém estiver empurrando a bola para o fundo do gol, sempre haverá alguém alardeando um novo milagre (econômico).

E enquanto as armas (dos assassinos) estiverem nas ruas e o povo inseguro em suas casas, o Brasil continuará sendo governado por seres como ex-presidente Fernando Collor de Melo que lidera as pesquisas de intenção de voto para o governo de Alagoas.

Eu continuarei torcendo por um milagre nas urnas em outubro e lutando contra o que for hereditário.

By Eduardo

Links das letras:

http://letras.terra.com.br/titas/48976/

http://letras.terra.com.br/barao-vermelho/119074/

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

"Saudade" (Vinícius de Moraes), Por Jade

Falar sobre amizade não é difícil...nem fácil.
São tão raros os amigos verdadeiros, aqueles que estão sempre ao nosso lado, não importa o que aconteça ou o tempo que passe.
Aqueles que verdadeiramente sentem a nossa falta quando estamos distantes, os que verdadeiramente torcem pela nossa felicidade, sem competição.
Os que nos ouvem quando precisamos desabafar, os que falam quando querem nos proteger, nos cuidar. E falam com aquele carinho especial, com aquele jeito de quem vai falando e passando a mão pelo nosso cabelo, como se nos pegassem no colo.
Alguns passam pela nossa vida, simplesmente passam. E deixam uma saudade imensa, com a qual demoramos a nos acostumar.

Um poema de Vinícius de Moraes diz isso de uma forma linda:

“Um dia a maioria de nós irá se separar
Sentiremos saudades de todas as conversas jogadas fora, as descobertas que fizemos, dos sonhos que tivemos, dos tantos risos e momentos compartilhados.”

Se isso acontecer, e cada momento for mais raro, teremos as lembranças.

E se um dia meus filhos, ou quem sabe meus netos me perguntarem, vendo aquelas fotos “antigas”, quem são estas pessoas? E estas roupas esquisitas?

Após um breve riso direi com orgulho:
- Foram meus amigos, com os quais vivi meus melhores momentos.
Neste instante a saudade vai apertar, doer de fato pela ausência.
Quem sabe algumas lagrimas de tristeza e felicidade cairão de meus olhos.

É isso: meus amigos com os quais vivi e vivo meus melhores momentos.

Alguns já não estão mais perto fisicamente, perdi o contato, não sei mais deles. Me deixaram uma saudade imensa. E sempre estarão presentes no meu coração.

Os presentes, os que estão no meu dia a dia, eu prezo, respeito e cuido. Me são importantes, especiais. E se um dia, a vida nos separar, sei que estarei no coração deles como eles estarão no meu. São eternos em mim.

Link da Letra:

http://www.poesiasonline.com/depressivas/saudadevinicius-de-moraes.html

Dos textos que fiz este mês para os amigos, o seu talvez seja o mais fácil e o mais difícil ao mesmo tempo... Fácil porque há quase dois anos nos cumprimentamos carinhosamente como “companheiro” e “companheira”. E exatamente por causa deste nosso companheirismo que este pequeno texto é complicado. Nosso companheirismo que no início era baseado em música e simples bate-papos corriqueiros, criou um grande laço afetivo entre nós dois e hoje considero você uma grande amiga, daquelas que podemos contar para todas as horas.

É por isso que fico muito feliz de estar escrevendo sobre você em um (micro) texto sobre amizade.

Obrigado por estar presente em minha vida!

terça-feira, 27 de julho de 2010

"Que Bom Amigo" (Milton Nascimento), Por Vanessa

Neste mês que temos o dia do amigo fui convidada mais uma vez pelos donos desse blog a escrever utilizando uma canção que fale sobre o tema amizade. Missão difícil. São muitas as músicas, mas poucas que eu realmente gosto e que estavam disponíveis, já que existiriam outros textos falando de algumas canções. Encontrei a canção “Que bom amigo” do Milton Nascimento, que achei perfeita pra ocasião.

Na amizade mesmo que o tempo passe, mesmo com toda distância, mesmo sem se falar, o carinho continua igual. A amizade é a forma de amor mais pura e verdadeira que existe. O simples fato daquela pessoa existir já faz o mundo melhor. Mesmo sem vê-la sabemos que ela está ali. Nos piores e nos melhores momentos ela estará ao nosso lado, mesmo ausente fisicamente. Amigo de verdade nunca deixa de ser amigo. Pode-se brigar e até parar de falar, se afastar, afinal as pessoas são muito orgulhosas pra perdoar, admitir os próprios erros, compreender o outro... Mas quando há uma amizade verdadeira, e não só uma relação superficial e/ou de interesses, todas as divergências são superadas e a relação volta ao normal, como se nada tivesse acontecido, ou melhor, aprendendo com o que aconteceu. Como diz na canção: “Que bom amigo, poder saber outra vez que estás comigo, dizer outra vez a palavra amigo.... Sentir que tu sabes que estou pro que der contigo. Se bem que isso nunca deixou de ser.” E nunca deixa mesmo. Amigo é aquele que mesmo após uma briga, coisa natural da convivência nos relacionamentos humanos, se você precisar ele estará lá. E só a presença dessa pessoa já faz com que você se sinta seguro, feliz... Amigo é aquela pessoa que nos traz alegria sempre que pensamos nela. Amigo é aquele com quem queremos compartilhar nossas alegrias, tristezas, dúvidas... Com quem queremos compartilhar tudo, ou quase tudo. Amigo é aquele que briga com a gente quando necessário, discorda da nossa opinião se for o caso, cansa de ouvir as mesmas histórias, mas sempre as ouve com toda a paciência do mundo, como se fosse a primeira vez, e repete milhões de vezes os mesmos conselhos que não ouvimos antes, e quando ainda assim fazemos besteira podem até brigar mas também nos oferecem seu ombro. Amigo também erra, claro, é humano, mas isso não importa. Amigo é aquela pessoa que a presença faz com que nosso rosto se ilumine com um sorriso. Que alivia os sofrimentos da vida em uma conversa. Que nos ajuda a superar os problemas, a ver “uma luz no fim do túnel”, a encontrar soluções. Amigo é aquele que nos traz a vida toda vez que se aproxima de nós, seja pra uma conversa séria, pra “jogar conversa fora” ou pra ficar em silêncio. Amigo é aquele que nunca nos pede nada em troca, nem amizade, está com você pelo carinho que sente, mesmo que esse não seja retribuído, e se alegra com a felicidade do outro. Amigo nunca deixa de ser amigo. Amizade é uma das coisas mais valiosas da vida, nos resta aprender a valorizar melhor o que possuímos, a respeitar, a cuidar, a reconhecer e agradecer o que recebemos e temos, mesmo sem merecermos.

Link da Letra:

http://letras.terra.com.br/milton-nascimento/808232/

Vamos juntas caminhar

Além da vida, além do tempo

Nos meus caminhos mais brilhantes,

Encontrei você, pequena notável

Sorrindo, chorando, real e intensa

Sempre sonhando e ensinando a sorrir

Amiga, irmã. Dádiva, Vanessa.

"É Preciso Saber Viver" (Roberto e Erasmo Carlos), Por Jean

“Para conhecermos os amigos é necessário passar pelo sucesso e pela desgraça. No sucesso, verificamos a quantidade e, na desgraça, a qualidade.”

[Confúcio]

Tá eu sei, demorei muito para escrever algo que me foi pedido a quase um mês... Mas sabe que pensando bem, eu gosto mais de escrever assim de supetão do que escrever com tudo planejadinho, bem arquitetado e cada palavra escolhida. Gosto do impacto de escrever o que vier a mente, de forma tão espontânea que cometo inúmeros erros de português tantando fazer com que a ponta dos meus dedos acompanhem meus pensamentos. Aliás, pensamentos que andam vagando por mundos desconhecidos e de descobertas incríveis a respeito de... AMIZADE! Eu sei que soa estranho eu dizer que é um mundo desconhecido, mas sinceramente, eu nunca vou entender por que dois seres humanos que biologicamente não tem nenhum laço ou grau de parentesco, ou nem mesmo se conheciam – até o dia em que se conhecem – conseguem cultivar um sentimento tão pleno de... AMOR! Vamos dispensar os pensamentos de amor carnal que pode existir entre amigos de sexos opostos e os pensamentos de mesmo gênero voltados para relações de sexo! Ta, eu sei que Freud associava tudo ao sexo como motivação para todos os sentimentos e atitudes – fosse ele de altruísmo ou rejeição – mas neste momento eu falo de algo mais grandioso que toda essa teoria.

Pois bem, vou tentar explicar melhor meus delírios e devaneios – calma que eu vou chegar à música e ao soneto.

Pense no maior numero de momentos em que você se sentiu muito feliz, momentos que marcaram sua vida de forma positiva. Pensou? Agora pense nos piores momentos da sua vida, aqueles em que você chorou e sentiu-se desprotegido. Lembre-se de quem esteve nos melhores e nos piores acontecimentos... São essas pessoas, ou essa pessoa, que é o seu amigo. Ta, não vamos generalizar, pois, por inúmeros motivos, alguns que te amavam tanto quanto esses poucos que você pensou, não puderam estar ao seu lado em tais momentos de aflição. Mas o fato é que, se pensarmos somente em pessoas com ligações de sangue que são as verdadeiras ligações afetivas e eternas, não achamos uma resposta plausível para explicar o porquê de um “desconhecido” estar ao nosso lado quando simplesmente ele podia se abster de suas dores e cuidar apenas das dele, visto que, na condição humana de ambos, ele também sofre igualzinho a você. E, afinal, ele não tem porquê cuidar de você, nem sequer é de sua família! Como escreveu Vinicius de Moraes em seu “Soneto do amigo”: “O amigo: um ser que a vida não explica”.

Baseado no mesmo soneto e na composição de Roberto Carlos e Erasmo – “É preciso saber viver” –, consegui inspiração para escrever este texto que por pouco não se torna uma desculpa esfarrapada para uma não realização... Mas vamos esquecer o tempo, que o tempo é totalmente dispensável e desconhecido quando estamos entre amigos... E tudo acaba se tornando uma grande brincadeira!

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E ele permaneceu ali (aqui!) comigo, sem hesitar, apenas com um olhar de... “estamos juntos para o que der e vier”. Eu tenho certeza que sempre que tomávamos um café no fim da tarde ou contemplávamos a noite com filosofias baratas e sem aparente sentido, éramos como se fossemos os únicos amigos, um do outro. Esquecendo que tinhamos outros amigos que nos amavam tanto. Era tudo simples: você era incondicional a ponto de crer que tudo se resolvia com uma imitação hilária e inesquecível de mulher, eu apenas me colocava a sorrir e brindávamos aquele momento. Como eu podia rir tantas vezes da mesma piada? Cara você sabia como ninguém arrancar sorrisos e simpatia de quem quer que fosse! Mas, ainda assim, não tinha muitos amigos. Embora hoje eu veja que o real motivo para os tais poucos era a satisfação que você tinha de estar com as mesmas pessoas, fazendo as mesmas coisas e falando quase sempre dos mesmos assuntos. Você não queria mais, apenas estar ali já lhe bastava e isso era a tal da felicidade para você. Você realmente não tem explicação!

“As coisas são como são.” Você sempre dizia isso no apogeu de suas filosofias negativistas, mas coerentes. E foi como foi. Mas, “eis que surge noutro o velho amigo”. Ganhei amizades tão cuidadosas quanto a sua. Amizades que me deram um novo sentido de ver a vida e entender como dois seres humanos podem ser encantadores com seus defeitos e qualidades. A perfeição de números e comportamento tornou-se até vergonhoso diante de tamanho altruísmo que encontrei pelo caminho. E com esses amigos eu pude beber Fernet¹ na Pedra do Arpoador – a pedra que conta a minha vida em detalhes –, com esses amigos eu pude filosofar sobre a felicidade plena e suas implicações, pude descobrir que pessoas valem à pena, conversei com eles até o amanhecer sem que o assunto terminasse. Percebi que Cazuza escrevia para ele, Renato escrevia para nós – algo que até então eu estava totalmente ignorante. Cara, ainda existem pessoas que te abraçam e dizem que te amam sem pedir nada em troca, beijam seu braço com suas dores e cicatrizes e dizem: Se cuida tá? Te amo Chuchu! É meu caro, não sei o que seria deste pobre ser se tais seres humanos não tivessem ao meu lado quando vi que a vida não era feita de ilusão. Loucura e solidão não são algo do qual irei padecer. As tais “pedras” ficarão pelo caminho, pois mesmo que eu não as retire eles estarão lá para me ajudar a superá-las. E por mais que algumas das minhas flores tenham espinhos, ainda que seja apenas quatro, eu as protegerei do frio e do vento, pois, sei que cada uma delas me protege contra a nevasca, os furacões, retiram os brotos de baobás e reviram meus vulcões.**

“É preciso saber viver”, mas quando temos amigos tudo fica mais fácil! Não tenho do que reclamar quanto a isso. Somente o que agradecer... OBRIGADO meus amigos!

Dedico este texto a todos os meus amigos (sem citar nomes, para não esquecer ninguém, até porque eles sabem quem são, pois já ouviram de mim que eu os amo), mas em especial ao um irmão “preto”, como carinhosamente chamávamos ele, que deve estar rindo da minha cara me chamando de boiola por escrever um texto dedicado a ele. (rs) Mas como sempre foi e sempre será... Ele está sempre me protegendo... Alex seu preto safado, se tiver internet no céu da uma olhada no blog! rs

Amo os meus amigos aqui ou em qualquer lugar, porque sem vocês, sem exagero algum, eu não conseguiria absolutamente nada e estaria fadado a loucura e solidão!

Notas:

¹Fernet

http://colunistas.ig.com.br/bebidinhas/2008/11/07/fernet-com-coca-cola-o-drinque-nacional-da-argentina/

²Referência ao livro infantil “O Pequeno Príncipe” http://www.mayrink.g12.br/pp/Cap00.htm

Link da Letra:

http://letras.terra.com.br/titas/48967/

Amigo, brou, meu chapa e como não poderia deixar de ser... Companheiro.

Filosofias de boteco às três e meia da manhã, ombro amigo e abraços espremidos. Como é possível um coração tão grande caber num corpo tão pequeno? Não sei. Você é um enigma, meu amigo. Retribuindo uma frase sua para mim: “Você é uma pessoa essencial na vida de qualquer um...”

Te amo, brou!

terça-feira, 20 de julho de 2010

"Hey, Amigo" (Cachorro Grande), Por Priscila


Falar sobre a amizade é muito complexo. Acredito ser o exemplo mais concreto do sentimento amor. E aquilo que é complexo demais, prefiro expressar da forma mais simples possível. Deixo ficar subentendido.

O título da música é nada mais que uma chamada entre camadas: Hey, amigo!

Como se um amigo quisesse dizer para o outro, aquelas coisas que ele já sabe. Amizade é isso. Uma troca de olhares e já se entende tudo! Porque a gente sabe demais sobre nós dois.

A banda? Cachorro Grande. Dizem que o cão é o melhor amigo do homem. No momento da escolha não pensei nisso, mas foi bem percebido pela Mônica.

A letra da música? Repetir insistentemente “quero ser seu amigo de novo”. Não sei se existe isso. Uma vez amigo, sempre amigo. Uma vez que pisa na bola, percebemos que o sentido da palavra “amigo’, não servia para aquela pessoa. Prefiro pensar que a expressão “de novo” é conhecer o mesmo amigo mais de uma vez. Temos os amigos de infância. A amizade mais pura e sincera. Emprestar uma boneca para a amiguinha e ter o companheiro perfeito para as travessuras. Depois na adolescência, as pessoas mudam. Hey, quero ser seu amigo de novo. Amizade passa a ser cumplicidade. De segredos e descobertas. Mais tarde, já adultos. Hey, quero ser seu amigo de novo. Sentar numa mesa de bar e relembrar por horas e horas sobre a amizade que já é de longa data. Contar para o outro as conquistas alcançadas na sua vida. Depois vem a velhice. Hey, quero ser seu amigo de novo. Trocar receitas do bolo que vamos cozinhar para os nossos netos ou fazer companhia naquele final de tarde depois que todos já voltaram para suas casas.

Por esses motivos, talvez eu nunca irei encontrar, outro alguém com quem eu possa falar noite e dia, pela madrugada.

Hey, amigos. Quero ser sua amiga de novo.

Link da Letra:

http://letras.terra.com.br/cachorro-grande/90390/

Presente, mesmo longe

Risadas, momentos, unidas pelo pensamento

Incríveis coincidências

Surgiram entre nós...

Como amigas de infância

Irmãs, mas disfarçadas

Lua, sol, cometa

Amiga, pra você dou meu universo inteiro.

"Amigo Estou Aqui" (Randy Newman), Por Conrado

Quando criança, nunca fui de muitas amizades. Era aquele garoto que agradava mais aos adultos, que admiravam minha educação e o que chamavam de “maturidade”, que àqueles da minha idade. Na escola, dois ou três colegas próximos e um grande amigo inseparável. Dessa espécie de introspecção, que culminava em cumplicidade, dedicação e confiança para com pouquíssimas pessoas, surgiu um adulto que consegue se relacionar com muitos, mas que guarda a profundidade inerente às amizades verdadeiras para um número realmente seleto de colegas.

Tentando fugir da pieguice que muitas vezes se institui quando se fala de coisas tão caras e valiosas para o ser humano, vejo uma amizade hoje como um sentimento necessário, ou até mais, como um bem obrigatório. Amigo é aquele que se encontra quando não se procura, que se instala sem que se perceba num espaço preenchido apenas pelas melhores coisas de uma pessoa. Tais amigos se tornam parentes selecionados, relacionamentos insubstituíveis, companheiros para a eternidade.

Confesso que perdi alguns amigos ao longo dos anos... Alguns pela distância (seja física ou ideológica), outros pela evolução ou retrocesso que altera nosso caráter em vários momentos da vida, e alguns ainda por motivos que nunca compreenderei. Mas devo muito à todos eles, pois sem essas relações, que admito serem muitas vezes mais importantes que as amorosas, aquele ser com quem convivo diariamente, conhecido por “eu mesmo”, seria tomado de uma amargura e depressão insuportáveis.

A trilogia “Toy Story” tem uma importância imensurável para mim, e quem me conhece sabe que tal afirmação não é brincadeira – com o perdão do trocadilho. Cada filme entrou na minha vida em um espaço de tempo e fez com que muitas questões se esclarecessem, ou ao menos parecessem mais fáceis de serem solucionadas, além de ser uma peça fílmica que despertou minha atenção para a sétima das artes. Dentre as várias mensagens com que o filme trabalha, a amizade é possivelmente a maior delas, ou a que ganha maior destaque em minhas revisitas às aventuras de Woody, Buzz e todos os outros brinquedos do Andy.

Essa música representa para mim tudo o que você acaba de ler. Assim como em “I'll be there for you”, tema da melhor série sobre a amizade já feita, “You've got a friend in me” aborda tão bem tal questão que meu texto pode ter se tornado até redundante. Importante mesmo é ter pessoas em mente quando se ouve tal canção. Afinal, não é para todos que dizemos “você tem um amigo em mim”. E para menos ainda fazemos tal afirmação justificando que ela irá conosco para o infinito, e além.

Link da Letra:

http://letras.terra.com.br/toy-story/504541/traducao.html

Como uma estrela no céu

Onde meus olhos alcançam o brilho

Nem distância, nem tempo

Rompem e corrompem

Amigos, quando surgem, ficam pra sempre

Doce, especial, eterno.

O cowboy que vai ao infinito. E eu vou junto.