CLICK HERE FOR BLOGGER TEMPLATES AND MYSPACE LAYOUTS »

quarta-feira, 25 de agosto de 2010

"Astronauta" (Lulu Santos/Gabriel O Pensador) X "O Astronauta de Mármore" (Nenhum de Nós)

“ - O que você quer ser quando crescer, Aline?”

“ – Astronauta!!!”

“ – Mas porque Astronauta?”

“ – Por que eu vivo no mundo da lua!!!”.

Quem na infância, sob diferentes justificativas abstratas, não quis ser astronauta? Ver a Terra de longe, grande e azul, e milhares de vidas acontecendo na sua frente, e você só enxergando imensidão, estrelas cadentes e...Quem sabe não vê um extraterrestre ou um OVNI? E se eu descobrir um planeta novo onde existem pessoas como nós?

Eu sei, é muita ficção num mundo que já é uma novela por si só, mas são hipóteses que vagueavam pelo meu imaginário, no meu “Eu” de oito anos de idade.

Vamos falar do post dessa semana, e de músicas que eu aprendi a gostar em momentos diferentes, viajando nas letras como se fossem a minha nave especial. Vai que o mundo das maravilhas com o qual eu sonho não se encontra na Terra, mas existe em algum lugar? Viajando pelo universo infinito, peço carona ao “Astronauta” que é uma parceria entre Lulu Santos e Gabriel, O pensador e “O Astronauta de Mármore”, do Nenhum de Nós.

Começo pelo Astronauta de Lulu e Gabriel, que sente falta da Terra, mesmo tendo guerra, gente no bagaço, morrendo de cansaço de tanto lutar por um espaço, e ele lá com o espaço inteiro à sua disposição, quer voltar aqui pro chão, e pra toda essa nossa grande ignorância e nossa vida mesquinha, pois a solidão é tão lacerante que ele prefere essa vida difícil daqui, e o negócio tá feio, tá todo mundo feito cego em tiroteio.

E enquanto as pessoas olham pro alto procurando salvação e orientação, ele está perto de Deus, sabendo as respostas das grandes perguntas e não quer mandar tudo pela internet. Não adianta querer se livrar do peso da responsabilidade, a gravidade somos nós quem construímos, com toda nossa loucura, nossa tortura que nos permite conseguir sobreviver no meio do ódio, mentira e ambição.

E só estando face a face com a solidão, se percebe que nesse planeta doente, só nós podemos achar a cura pra cabeça e o coração da gente, e aí sim, seremos alguma criatura inteligente, como buscamos achar no espaço, definindo-os como nossos similares. Mas vida inteligente é algo longe de existir nessa merda de lugar, então não me mande nenhum e-mail com notícias, porque eu tô de saco cheio e vou me desconectar.

É tanto progresso que eu pareço criança, porque tudo evolui e nada cresce? Engatinho nessa loucura, a Terra é um planeta em extinção. É minha conclusão, nesse mundo de muita gente, onde só se encontra solidão. Cada um de nós dentro da sua própria bolha, em nossas redomas inquebráveis, nos fechando em solidão sem perceber, e fugindo dela, querendo voltar pra Terra. Estamos na Terra o tempo todo, querendo sobreviver, sem colocar os pés no chão e sonhando alto demais, nossos sonhos egoístas e mesquinhos, que valem pouco para repartir.

Vivendo no mundo da lua, no escuro deserto do céu, como astronautas de mármore. Queremos fugir da solidão, mas não usamos o machado pra quebrar o gelo. Queremos dar uma volta na nave, estamos de mala pronta, de partida, com a passagem só de ida, preparados pra seguir viagem, prontos pra decolar, mas a trajetória escapa o risco nu e as nuvens queimam o céu, nariz azul. Será que tenho uma chance de tentar viver sem dor? Vivendo fora de órbita, temos que assumir o risco que o vácuo nos traz e não podemos querer estar aquém do mundo ouvindo as vozes do rádio.

Sempre estar lá e ver ele voltar, não era mais o mesmo, mas estava em seu lugar. Que bicho te mordeu aí na lua, astronauta, que te fez querer voltar? Você não está feliz onde você está?

A lua inteira agora é um manto negro, estrela por aqui é o que não falta. A lua o lado escuro é sempre igual. E o mundo da lua é feito um motel, aonde os deuses e deusas se abraçam e beijam no céu. E observando tudo a distância, como a Terra é pequenininha. E no espaço, a solidão é tão normal...Desculpe estranho,eu voltei mais puro do céu. O tolo teme a noite, como a noite vai temer o fogo. E o fim das vozes no meu rádio, me fizeram acordar do sonho agora mesmo.

Nós, na Terra, olhamos pro céu e pedimos paz. Queremos viajar sem volta, pra um lugar que nos afaste desse pequeno universo de mentes inteligentes que transbordam loucuras e torturas e não são capazes de absolver a própria solidão. Antes só do que acompanhado demais. Porque preferimos reduzir nossos valores e multiplicar os bens.

Nós, no céu escuro, olhamos pra Terra e sentimos falta. Queremos voltar, pedimos notícias, a solidão é de matar. Como acabar com a solidão do mundo se não somos capazes de resolver nossas dores particulares? Cultivamos o deserto, e não aprendemos a nos curar. O simples mistério de amar. Como os deuses e deusas, no céu...

E o Astronauta, não é de mármore. Apenas de carne, osso, mente e coração. Porque eu não fiquei por lá, que era o melhor a fazer? Com todo aquele espaço na mão, agora eu olho pra lua implorando por paz. Vou chorar sem medo, vou lembrar do tempo de onde eu via o mundo azul...

By Mônica

Links das Letras:

http://letras.terra.com.br/nenhum-de-nos/28026/

http://letras.terra.com.br/gabriel-pensador/65577/

"Alagados" (Paralamas do Sucesso) X "Revanche" (Lobão)




Aqui estou eu em mais um dia de escrever para o blog, e como tem acontecido nos meus últimos posts (até com mais freqüência do que imaginei), ando meio sem inspiração, e venho escolhendo as músicas praticamente minutos antes de sentar para exercitar minha verve utópica semanal. Mônica diz que meus textos menos planejados são os mais inspirados, mas ela sempre é meio suspeita para falar.

Hoje as músicas escolhidas são “Alagados”, dos Paralamas do Sucesso (banda que uso bem menos do que gostaria) e “Revanche”, do Lobão (outro que uso bem pouco, mas nesse caso é mais por falta de envolvimento com sua obra). A primeira música foi uma indicação da Mônica, mas sempre foi uma música que pretendi usar, só que nunca encontrava inspiração para me atrever a rabiscar sobre ela, e a outra escolhida, foi uma pérola encontrada em meu museu pessoal de grandes novidades.

Antes de começar a falar sobre as músicas, devo agradecer ao Edílson por conhecer a música do Lobão, pois foi ele que comentou comigo que esta era uma grande letra de compositor muitas vezes subestimado por sua eterna atitude rebelde e sua metralhadora (sem pontaria) cheia de mágoas.

Bom, chega de blá blá blá e vamos às músicas. A primeira a ser discutida será “Alagados”, indiscutivelmente um dos grandes hinos gerados na revolucionária década de 80, berço musical dos dois artistas da semana.

Herbert Vianna criou uma música cheia de suingue e sangue, uma melodia que mistura ritmos e uma letra que expõe o caos que é o nosso país. Porque para muitos o Sol da manhã é apenas mais um desafio a ser vencido nesta eterna batalha diária que travamos para nos tornarmos brasileiros.

Nós levamos a vida na arte e temos a arte de viver na fé, mas em meio as falcatruas que vemos todas as vezes que ligamos a TV, eu pergunto: Fé em que?

Somos todos filhos da mesma agonia, conhecida mundialmente como Brasil, nossa pátria mãe tão distraída que sempre é subtraída por aqueles que são eleitos com a promessa de acabar com as palafitas, trapiches e os farrapos, mas que quando eleitos, nos negam oportunidades e nos mostram a face dura do mal.


Algo que sempre me deixa pensativo é de onde tiramos esperança por um futuro melhor... Porque com certeza essa esperança não vem do mar e nem das antenas das nossas televisões, que ficam em nossas salas que de forma curiosa são a nossa cela, enquanto somos prisioneiros nas grades do vídeo, que é de onde vemos o Sol nascer quadrado, mas não tem problema, afinal de contas, a gente ainda paga por isso.

Meu conhecimento sobre a obra de Lobão é muito pouco, visto que só conheço seus clássicos e não acompanho o que ele produziu nos últimos anos, mas desde que ouvi “Revanche", sempre achei esta uma das letras mais interessantes e fortes produzidas pelo grande lobo.

No meio da correria da grande cidade, o café, um cigarro, um trago não são mais um vício, e sim companheiros da solidão que assombra a todos que fugiram para as megalópoles como bichos do mato atrás do mito de fortuna e riqueza (somos eternos caboclos querendo ser ingleses), e que acabaram se tornando escravos de um novo rito.

Tentamos acertar o passo usando mil artifícios, mas sempre que alguém tenta um salto, é a gente que paga por isso. E paga um preço alto. Paga com falta de infra-estrutura em escolas e hospitais, com saneamento básico precário e muito miséria, até porque, a miséria nunca acaba, porque dá lucro e é um excelente assunto para todos os demagogos que almejam cargos públicos.

A favela é a nova senzala, e a cidade que tem braços abertos num cartão postal, mas os punhos fechados na vida real, não nos oferece nenhuma chance, nem mesmo a chance de uma revanche contra todos que nos condenam a viver como se estivéssemos em Trenchtown* ou na Favela da Maré (e não digo isso para denegrir esses lugares, mas sim, porque esses lugares são apenas dois exemplos de falta de compromisso dos políticos com o povo que os elegeu).

A única esperança que nos resta, é torcer para que o povo cobre sua revanche nas urnas e pare de capturar tudo que é captado pelas antenas de TV e tenha fé em si próprio e não em falsos profetas, que se autodenominam pais e mães do povo.

Quem é que vai pagar por isso?

*http://pt.wikipedia.org/wiki/Trenchtown

¹ Foto da parte de cima do texto é de Trenchtown na Jamaica

² Foto no meio do texto é da Favela da Maré, o verdadeiro cartão de visitas da cidade maravilhosa

By Eduardo

Links das letras:

http://letras.terra.com.br/os-paralamas-do-sucesso/47924/

http://letras.terra.com.br/lobao/47042/

quarta-feira, 18 de agosto de 2010

"Bandeira" (Zeca Baleiro) X "Móbile no Furacão" (Paulinho Moska)

Depois de algum tempo em ócio mental, o retorno é sempre esperado, e ao mesmo tempo, temido. Fica aquela sensação de que desaprendi a escrever, porém isso é besteira, pois um dia eu vou aprender, por enquanto eu só rabisco. Então, pensei em uma música que há tempos quero usar. E não sabia o que casaria com ela. E lancei essa dúvida ao Eduardo, e ele me devolveu com uma resposta que dei à ele, quando ele me questionou sobre o mesmo fato: “a ponte somos nós quem fazemos”. Então, lembrei de uma outra música, que gosto de longa data, e que por tempos teve uma frase de impacto que me definia, e acho que ainda define, um pouco. Ou muita coisa. Então, vamos lá tentar fazer as pontes, entre “Bandeira” de Zeca Baleiro e “Móbile no Furacão”, de Paulinho Moska.

Começo pelo Zeca, que foi minha idéia inicial, por eu não querer passar agosto esperando setembro (se bem me lembro). Mas fato é que setembro é um mês especial pra mim, e agosto...Bem, agosto é agosto, e todo mundo lembra de azar, então que venha setembro e a primavera, pro nosso futuro recomeçar.

Em sua Bandeira, nome que remete a várias idéias, ele fala de expectativas, amor, entrega, insatisfação. Bandeira, que ele dá pra mulher, mostrando que a quer, sem esconder isso de ninguém. Bandeira como de um time, de uma nação: ele leva de cabeça erguida, e estampada em sua face, que não é de meios desejos e não se satisfaz com metades, como Moska diz em uma outra letra sua “A Seta e o Alvo”.

Ele não quer ver você cuspindo ódio, fumando ópio e chorando veneno, mesmo que seja pra sarar a dor. Ele não quer beber seu café pequeno, já que tem sentimentos grandes. Ele não quer o impossível – braço da Vênus de Milo* acenando tchau. Ele não quer o que ele não consegue reter – o Tejo** escorrendo das mãos. Ele não quer analisar os fatos e viver de expectativas – Pra que medir a altura do tombo e passar agosto esperando setembro, se o melhor futuro é esse hoje escuro, misterioso e sem amanhã?

Moska, que como eu, é um móbile solto num furacão, e “Qualquer calmaria me dá solidão...”, diz que não é o mesmo de ontem e que a pessoa que ele amou não o reconhece mais. E tudo que ele possa fazer ou dizer já não satisfaz. Mas você não percebe que quando eu mudo é porque estou vivendo cada segundo e você como se fosse uma eternidade a mais. Nada tenho vez em quando tudo. Tudo quero mais ou menos quanto.

Ele tentou mudar de nome pra que não pudesse ser achado nem por si mesmo, mas por ironia a sua vida o levou de volta ao ponto de partida, como se nunca tivesse saído de lá. E nesse efeito bumerangue, ele se viu sozinho, como um móbile na calmaria, buscando o furacão, que só estava presente quando algo o tirava de seu próprio eixo. Como quando a âncora de seu navio encosta no fundo, se acende o pavio e detona sua explosão, lançando a outros lugares e novos presentes, todos levando ao mesmo lugar: o maior desejo da boca, que é o beijo. Vida, vida, noves fora, zero. E fazendo a prova real da vida, pra ter certeza, eles querem tudo, cada um a sua maneira. Seja um furacão que afaste a calmaria. Seja o Guanabara, o Rio Nilo***, tua língua em meu mamilo, água e sal, suor e uma eternidade a mais.

Eu não quero aquele, eu não quero aquilo. Que me faz passar o presente esperando o futuro, que é escuro e menos saboroso. Eu não quero calmaria e solidão. Eu sou um móbile, e preciso de um furacão para me lançar a novos presentes. Ninguém me sente, se bem me lembro. Porque não me satisfaço só com metades. Quero viver, quero ouvir, quero ver. Quero tudo ter, estrela, flor, estilo, pois somente eu posso saber o que me faz feliz. Se é assim, quero sim, acho que vim pra te ver.

* Vênus de Milo, ou Afrodite, como é conhecida a deusa do amor, em sua escultura, não possui braços.

** Tejo é um Rio conhecido por ser grande em extensão.

*** Nilo é um Rio que era considerado o maior do mundo, e perdeu o posto para o Amazonas.

By Mônica

Links das Letras:

http://letras.terra.com.br/paulinho-moska/48074/

http://letras.terra.com.br/zeca-baleiro/49376/

"Hereditário" (Titãs) X "Milagres" (Barão Vermelho)

Bom... Antes de começar este texto, gostaria de pedir desculpas por nesta “volta” ao blog, o tema ser basicamente o de sempre: Política e desigualdade social.

Procurando o clipe de uma música dos Titãs no Youtube na semana passada (a música era “Televisão”, e já foi utilizada neste blog), acabei vendo o vídeo de “Hereditário”, música que conheço pouco e que até aquele momento não havia prestado muita atenção. Passada a surpresa e a bronca que fiquei comigo mesmo por nunca ter prestado atenção na letra, resolvi naquele mesmo instante, que sairia à caça de uma música que pudesse casar com aquele petardo titânico para divagar no meu próximo post. Passada uma semana, não consegui encontrar nenhuma música que tivesse despertado em mim a mesma sensação ou que parecesse com a letra, então, revirando meu baú de memórias, acabei encontrando, uma música um pouco desconhecida do Barão Vermelho, “Milagres”, uma das raras letras que Cazuza fez no grupo com cunho mais social.

Passada as apresentações, vou começar a tecer minhas opiniões e impressões sobre cada letra, vamos ver se ainda sei fazer isso... Começarei minha viagem utópica pelos Titãs.

“Hereditário” tem a característica básica das letras feitas pelos Titãs nos seus áureos tempos, rima fácil e mensagem bem explícita, apesar de escondida em uma letra curta, que ao primeiro olhar parece bem inofensiva.

A cada parto e a cada luto, lutamos contra algo hereditário, a nossa desigualdade, que resiste em seguir tão forte na sociedade brasileira, mesmo em pleno século XXI, lutamos contra tudo que for hereditário, principalmente contra os políticos corruptos, que parecem que se proliferam com a velocidade de um câncer que está entranhado bem no peito de nosso estado que nunca se torna uma nação. A cada perda do povo sempre há um político lucrando, porque ao contrário do que diz a teoria, os políticos lutam pelos interesses deles e não pelos das pessoas que os elegeram, esse é o tempo vagabundo que escolheram pra gente viver.

“Milagres” diz assim: “A fome está em toda parte, mas a gente come, levando a vida na arte”. Esse trecho me fez lembrar uma frase que o poeta Ferreira Gullar disse na FLIP (Feira Literária de Paraty) “a arte só existe, porque a realidade não basta”, e no Brasil, se nós tentássemos viver só da realidade, acho que não conseguiríamos chegar nem a puberdade, porque as crianças brincam com a violência neste cinema sem tela, que passa na cidade.

E em cada festa, em cada muro, esperamos pelo Sol que nasce a cada dia, apesar de tanta barbaridade, e mesmo a fome estando em cada parte, sempre lutamos contra o que é hereditário, porque sempre a cada aniversário (e a cada eleição), nossa esperança por um Brasil novo se renova. Sempre nos iludimos achando que o povo vai votar naquele que é melhor e não mais bonito, naquele que não promete muito, mas faz tudo o que promete. Afinal todos choram, mas só há alegria, porque no Brasil tudo é carnaval e futebol, e enquanto uma mulata estiver sambando, e alguém estiver empurrando a bola para o fundo do gol, sempre haverá alguém alardeando um novo milagre (econômico).

E enquanto as armas (dos assassinos) estiverem nas ruas e o povo inseguro em suas casas, o Brasil continuará sendo governado por seres como ex-presidente Fernando Collor de Melo que lidera as pesquisas de intenção de voto para o governo de Alagoas.

Eu continuarei torcendo por um milagre nas urnas em outubro e lutando contra o que for hereditário.

By Eduardo

Links das letras:

http://letras.terra.com.br/titas/48976/

http://letras.terra.com.br/barao-vermelho/119074/

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

"Saudade" (Vinícius de Moraes), Por Jade

Falar sobre amizade não é difícil...nem fácil.
São tão raros os amigos verdadeiros, aqueles que estão sempre ao nosso lado, não importa o que aconteça ou o tempo que passe.
Aqueles que verdadeiramente sentem a nossa falta quando estamos distantes, os que verdadeiramente torcem pela nossa felicidade, sem competição.
Os que nos ouvem quando precisamos desabafar, os que falam quando querem nos proteger, nos cuidar. E falam com aquele carinho especial, com aquele jeito de quem vai falando e passando a mão pelo nosso cabelo, como se nos pegassem no colo.
Alguns passam pela nossa vida, simplesmente passam. E deixam uma saudade imensa, com a qual demoramos a nos acostumar.

Um poema de Vinícius de Moraes diz isso de uma forma linda:

“Um dia a maioria de nós irá se separar
Sentiremos saudades de todas as conversas jogadas fora, as descobertas que fizemos, dos sonhos que tivemos, dos tantos risos e momentos compartilhados.”

Se isso acontecer, e cada momento for mais raro, teremos as lembranças.

E se um dia meus filhos, ou quem sabe meus netos me perguntarem, vendo aquelas fotos “antigas”, quem são estas pessoas? E estas roupas esquisitas?

Após um breve riso direi com orgulho:
- Foram meus amigos, com os quais vivi meus melhores momentos.
Neste instante a saudade vai apertar, doer de fato pela ausência.
Quem sabe algumas lagrimas de tristeza e felicidade cairão de meus olhos.

É isso: meus amigos com os quais vivi e vivo meus melhores momentos.

Alguns já não estão mais perto fisicamente, perdi o contato, não sei mais deles. Me deixaram uma saudade imensa. E sempre estarão presentes no meu coração.

Os presentes, os que estão no meu dia a dia, eu prezo, respeito e cuido. Me são importantes, especiais. E se um dia, a vida nos separar, sei que estarei no coração deles como eles estarão no meu. São eternos em mim.

Link da Letra:

http://www.poesiasonline.com/depressivas/saudadevinicius-de-moraes.html

Dos textos que fiz este mês para os amigos, o seu talvez seja o mais fácil e o mais difícil ao mesmo tempo... Fácil porque há quase dois anos nos cumprimentamos carinhosamente como “companheiro” e “companheira”. E exatamente por causa deste nosso companheirismo que este pequeno texto é complicado. Nosso companheirismo que no início era baseado em música e simples bate-papos corriqueiros, criou um grande laço afetivo entre nós dois e hoje considero você uma grande amiga, daquelas que podemos contar para todas as horas.

É por isso que fico muito feliz de estar escrevendo sobre você em um (micro) texto sobre amizade.

Obrigado por estar presente em minha vida!

terça-feira, 27 de julho de 2010

"Que Bom Amigo" (Milton Nascimento), Por Vanessa

Neste mês que temos o dia do amigo fui convidada mais uma vez pelos donos desse blog a escrever utilizando uma canção que fale sobre o tema amizade. Missão difícil. São muitas as músicas, mas poucas que eu realmente gosto e que estavam disponíveis, já que existiriam outros textos falando de algumas canções. Encontrei a canção “Que bom amigo” do Milton Nascimento, que achei perfeita pra ocasião.

Na amizade mesmo que o tempo passe, mesmo com toda distância, mesmo sem se falar, o carinho continua igual. A amizade é a forma de amor mais pura e verdadeira que existe. O simples fato daquela pessoa existir já faz o mundo melhor. Mesmo sem vê-la sabemos que ela está ali. Nos piores e nos melhores momentos ela estará ao nosso lado, mesmo ausente fisicamente. Amigo de verdade nunca deixa de ser amigo. Pode-se brigar e até parar de falar, se afastar, afinal as pessoas são muito orgulhosas pra perdoar, admitir os próprios erros, compreender o outro... Mas quando há uma amizade verdadeira, e não só uma relação superficial e/ou de interesses, todas as divergências são superadas e a relação volta ao normal, como se nada tivesse acontecido, ou melhor, aprendendo com o que aconteceu. Como diz na canção: “Que bom amigo, poder saber outra vez que estás comigo, dizer outra vez a palavra amigo.... Sentir que tu sabes que estou pro que der contigo. Se bem que isso nunca deixou de ser.” E nunca deixa mesmo. Amigo é aquele que mesmo após uma briga, coisa natural da convivência nos relacionamentos humanos, se você precisar ele estará lá. E só a presença dessa pessoa já faz com que você se sinta seguro, feliz... Amigo é aquela pessoa que nos traz alegria sempre que pensamos nela. Amigo é aquele com quem queremos compartilhar nossas alegrias, tristezas, dúvidas... Com quem queremos compartilhar tudo, ou quase tudo. Amigo é aquele que briga com a gente quando necessário, discorda da nossa opinião se for o caso, cansa de ouvir as mesmas histórias, mas sempre as ouve com toda a paciência do mundo, como se fosse a primeira vez, e repete milhões de vezes os mesmos conselhos que não ouvimos antes, e quando ainda assim fazemos besteira podem até brigar mas também nos oferecem seu ombro. Amigo também erra, claro, é humano, mas isso não importa. Amigo é aquela pessoa que a presença faz com que nosso rosto se ilumine com um sorriso. Que alivia os sofrimentos da vida em uma conversa. Que nos ajuda a superar os problemas, a ver “uma luz no fim do túnel”, a encontrar soluções. Amigo é aquele que nos traz a vida toda vez que se aproxima de nós, seja pra uma conversa séria, pra “jogar conversa fora” ou pra ficar em silêncio. Amigo é aquele que nunca nos pede nada em troca, nem amizade, está com você pelo carinho que sente, mesmo que esse não seja retribuído, e se alegra com a felicidade do outro. Amigo nunca deixa de ser amigo. Amizade é uma das coisas mais valiosas da vida, nos resta aprender a valorizar melhor o que possuímos, a respeitar, a cuidar, a reconhecer e agradecer o que recebemos e temos, mesmo sem merecermos.

Link da Letra:

http://letras.terra.com.br/milton-nascimento/808232/

Vamos juntas caminhar

Além da vida, além do tempo

Nos meus caminhos mais brilhantes,

Encontrei você, pequena notável

Sorrindo, chorando, real e intensa

Sempre sonhando e ensinando a sorrir

Amiga, irmã. Dádiva, Vanessa.

"É Preciso Saber Viver" (Roberto e Erasmo Carlos), Por Jean

“Para conhecermos os amigos é necessário passar pelo sucesso e pela desgraça. No sucesso, verificamos a quantidade e, na desgraça, a qualidade.”

[Confúcio]

Tá eu sei, demorei muito para escrever algo que me foi pedido a quase um mês... Mas sabe que pensando bem, eu gosto mais de escrever assim de supetão do que escrever com tudo planejadinho, bem arquitetado e cada palavra escolhida. Gosto do impacto de escrever o que vier a mente, de forma tão espontânea que cometo inúmeros erros de português tantando fazer com que a ponta dos meus dedos acompanhem meus pensamentos. Aliás, pensamentos que andam vagando por mundos desconhecidos e de descobertas incríveis a respeito de... AMIZADE! Eu sei que soa estranho eu dizer que é um mundo desconhecido, mas sinceramente, eu nunca vou entender por que dois seres humanos que biologicamente não tem nenhum laço ou grau de parentesco, ou nem mesmo se conheciam – até o dia em que se conhecem – conseguem cultivar um sentimento tão pleno de... AMOR! Vamos dispensar os pensamentos de amor carnal que pode existir entre amigos de sexos opostos e os pensamentos de mesmo gênero voltados para relações de sexo! Ta, eu sei que Freud associava tudo ao sexo como motivação para todos os sentimentos e atitudes – fosse ele de altruísmo ou rejeição – mas neste momento eu falo de algo mais grandioso que toda essa teoria.

Pois bem, vou tentar explicar melhor meus delírios e devaneios – calma que eu vou chegar à música e ao soneto.

Pense no maior numero de momentos em que você se sentiu muito feliz, momentos que marcaram sua vida de forma positiva. Pensou? Agora pense nos piores momentos da sua vida, aqueles em que você chorou e sentiu-se desprotegido. Lembre-se de quem esteve nos melhores e nos piores acontecimentos... São essas pessoas, ou essa pessoa, que é o seu amigo. Ta, não vamos generalizar, pois, por inúmeros motivos, alguns que te amavam tanto quanto esses poucos que você pensou, não puderam estar ao seu lado em tais momentos de aflição. Mas o fato é que, se pensarmos somente em pessoas com ligações de sangue que são as verdadeiras ligações afetivas e eternas, não achamos uma resposta plausível para explicar o porquê de um “desconhecido” estar ao nosso lado quando simplesmente ele podia se abster de suas dores e cuidar apenas das dele, visto que, na condição humana de ambos, ele também sofre igualzinho a você. E, afinal, ele não tem porquê cuidar de você, nem sequer é de sua família! Como escreveu Vinicius de Moraes em seu “Soneto do amigo”: “O amigo: um ser que a vida não explica”.

Baseado no mesmo soneto e na composição de Roberto Carlos e Erasmo – “É preciso saber viver” –, consegui inspiração para escrever este texto que por pouco não se torna uma desculpa esfarrapada para uma não realização... Mas vamos esquecer o tempo, que o tempo é totalmente dispensável e desconhecido quando estamos entre amigos... E tudo acaba se tornando uma grande brincadeira!

____________________________________________________________

E ele permaneceu ali (aqui!) comigo, sem hesitar, apenas com um olhar de... “estamos juntos para o que der e vier”. Eu tenho certeza que sempre que tomávamos um café no fim da tarde ou contemplávamos a noite com filosofias baratas e sem aparente sentido, éramos como se fossemos os únicos amigos, um do outro. Esquecendo que tinhamos outros amigos que nos amavam tanto. Era tudo simples: você era incondicional a ponto de crer que tudo se resolvia com uma imitação hilária e inesquecível de mulher, eu apenas me colocava a sorrir e brindávamos aquele momento. Como eu podia rir tantas vezes da mesma piada? Cara você sabia como ninguém arrancar sorrisos e simpatia de quem quer que fosse! Mas, ainda assim, não tinha muitos amigos. Embora hoje eu veja que o real motivo para os tais poucos era a satisfação que você tinha de estar com as mesmas pessoas, fazendo as mesmas coisas e falando quase sempre dos mesmos assuntos. Você não queria mais, apenas estar ali já lhe bastava e isso era a tal da felicidade para você. Você realmente não tem explicação!

“As coisas são como são.” Você sempre dizia isso no apogeu de suas filosofias negativistas, mas coerentes. E foi como foi. Mas, “eis que surge noutro o velho amigo”. Ganhei amizades tão cuidadosas quanto a sua. Amizades que me deram um novo sentido de ver a vida e entender como dois seres humanos podem ser encantadores com seus defeitos e qualidades. A perfeição de números e comportamento tornou-se até vergonhoso diante de tamanho altruísmo que encontrei pelo caminho. E com esses amigos eu pude beber Fernet¹ na Pedra do Arpoador – a pedra que conta a minha vida em detalhes –, com esses amigos eu pude filosofar sobre a felicidade plena e suas implicações, pude descobrir que pessoas valem à pena, conversei com eles até o amanhecer sem que o assunto terminasse. Percebi que Cazuza escrevia para ele, Renato escrevia para nós – algo que até então eu estava totalmente ignorante. Cara, ainda existem pessoas que te abraçam e dizem que te amam sem pedir nada em troca, beijam seu braço com suas dores e cicatrizes e dizem: Se cuida tá? Te amo Chuchu! É meu caro, não sei o que seria deste pobre ser se tais seres humanos não tivessem ao meu lado quando vi que a vida não era feita de ilusão. Loucura e solidão não são algo do qual irei padecer. As tais “pedras” ficarão pelo caminho, pois mesmo que eu não as retire eles estarão lá para me ajudar a superá-las. E por mais que algumas das minhas flores tenham espinhos, ainda que seja apenas quatro, eu as protegerei do frio e do vento, pois, sei que cada uma delas me protege contra a nevasca, os furacões, retiram os brotos de baobás e reviram meus vulcões.**

“É preciso saber viver”, mas quando temos amigos tudo fica mais fácil! Não tenho do que reclamar quanto a isso. Somente o que agradecer... OBRIGADO meus amigos!

Dedico este texto a todos os meus amigos (sem citar nomes, para não esquecer ninguém, até porque eles sabem quem são, pois já ouviram de mim que eu os amo), mas em especial ao um irmão “preto”, como carinhosamente chamávamos ele, que deve estar rindo da minha cara me chamando de boiola por escrever um texto dedicado a ele. (rs) Mas como sempre foi e sempre será... Ele está sempre me protegendo... Alex seu preto safado, se tiver internet no céu da uma olhada no blog! rs

Amo os meus amigos aqui ou em qualquer lugar, porque sem vocês, sem exagero algum, eu não conseguiria absolutamente nada e estaria fadado a loucura e solidão!

Notas:

¹Fernet

http://colunistas.ig.com.br/bebidinhas/2008/11/07/fernet-com-coca-cola-o-drinque-nacional-da-argentina/

²Referência ao livro infantil “O Pequeno Príncipe” http://www.mayrink.g12.br/pp/Cap00.htm

Link da Letra:

http://letras.terra.com.br/titas/48967/

Amigo, brou, meu chapa e como não poderia deixar de ser... Companheiro.

Filosofias de boteco às três e meia da manhã, ombro amigo e abraços espremidos. Como é possível um coração tão grande caber num corpo tão pequeno? Não sei. Você é um enigma, meu amigo. Retribuindo uma frase sua para mim: “Você é uma pessoa essencial na vida de qualquer um...”

Te amo, brou!