CLICK HERE FOR BLOGGER TEMPLATES AND MYSPACE LAYOUTS »

sexta-feira, 17 de setembro de 2010

"Quase Sem Querer" (Legião Urbana) X "Quando Você Passa (Sandy e Junior)

Essa semana o texto tem um assunto pré-determinado, na verdade, tinha uma idéia de fazer só texto com músicas de cunho político neste mês de setembro para aproveitar que seria o mês antes das eleições, mas como nunca consigo seguir cronogramas que eu mesmo crio, vou fugir do tema político e falar de algo que para mim é tão difícil quanto: o amor.

Neste mês de setembro, completa-se dois anos que Monica e eu nos conhecemos. Assim como nas histórias de amor que eu nunca acreditei que pudessem ser verdade, o amor da minha vida chegou na primavera, para me mostrar que eu estava mentindo pra mim mesmo ao achar que não acreditava em amor de verdade, e não acreditar que meu frágil coração poderia acelerar o batimento só com um simples olhar.

Bom, aqueles que conseguem identificar uma música só com simples versos já perceberam quais as músicas utilizadas no texto, mas para quem não percebeu, eu falo... As escolhidas da semana foram “Quase Sem Querer”, da Legião Urbana e “Quando Você Passa”, do duo Sandy e Jr. (não, você não leu errado).

Ok... Vamos lá para mais uma semana de palavras (repetidas) utópicas.

Já disse algumas vezes que não gosto de escrever textos sobre o amor, não tenho talento para discorrer sobre o assunto (na verdade não tenho talento para nenhum tema, mas com os outros eu consigo me virar), sempre acho que meus textos acabam ficando meio piegas. Só que nesta data tão importante para nós, Monica e eu não poderíamos deixar passar em branco.

Peço licença aos leitores deste blog para poder falar diretamente com a musa inspiradora da minha vida e deste texto, a pessoa que tem me deixado distraído, impaciente, indeciso, nenhum pouco confuso e muito tranqüilo e contente. Ninguém usa tantas palavras repetidas como eu, para demonstrar como é grande o meu amor por você, mas todas as outras palavras já foram ditas, e nenhuma delas é capaz de demonstrar o quanto você é essencial para mim. Queria me fazer em mil pedaços para você juntar e já não me preocupo se quase ninguém vê o que vejo, porque eu sei que você sabe quase sem querer, que eu vejo o mesmo que você.

Quem poderia prever um amor tão imprevisível assim? Um amor que saiu das páginas do Orkut, que ganhou forma, que marcou meu dia-a-dia, que me mostrou que não há lógica alguma nos livros e que o infinito é um dos deuses mais lindos, pois, tenho certeza que o infinito é o tamanho do que eu sinto por você.

Não quero te prender e nem dominar seus sentimentos, quero apenas ficar no seu corpo como tatuagem pra ficar marcado a frio, ferro, fogo e em carne viva... Quero decorar seus movimentos, assim como já decorei o seu olhar, que tanto me traz paz e seu sorriso que me deixa sem graça.

Se é amor? Sim, é amor. Porque não existe nada tão correto e tão bonito dentro de mim, por você desafio o instinto dissonante e faço nosso meu segredo mais sincero, porque quero que tudo que seja meu, também seja teu, quero me entregar de corpo e alma ao que sinto por você, meu amor. Sei que não sou mais criança a ponto de saber tudo, mas tenho a certeza, que você é tudo o que quero para a minha vida. Desperdicei muitas chances, querendo provar pra todo mundo que eu não precisava provar nada para ninguém, enquanto o sentimento entre nós foi crescendo pouco a pouco, e hoje já não nos deixa sós, e se me deixar, eu acho que fico louco, porque sem você não sou capaz de respirar.

Me sinto um anjo caído toda vez que não dou a você todo o amor que trago dentro do meu peito, porque você sempre merece o melhor, e o meu melhor ainda é pouco, já que por você iria a pé de Nova Campinas à Ilha do Governador.

Quero finalizar este texto dizendo como lhe quero tanto e que meu coração faz turu, turu, quando você passa.

By Eduardo

Links das letras:

http://letras.terra.com.br/legiao-urbana/46972/

http://letras.terra.com.br/sandy-junior-musicas/107516/

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

"Notícias Populares" (Ana Carolina) X "Panis et Circenses" (Os Mutantes)

A idéia para a semana era óbvia como uma equação matemática: falar sobre a independência na semana da independência, onde todos fogem dos desfiles e tudo mais, mas aproveitam o feriado, é claro. Mas difícil foi fazer a escolha, se alegrar com ela, depois de mudar mil vezes e chegar numa escolha nada prevista, porém aceita, devido ao apressar da carruagem: “Notícias Populares”, da Ana Carolina e “Panis et Circenses”, dos Mutantes ilustres na música brasileira, Caetano e Gil.

Ok. Músicas escolhidas. Ops...Mas e a idéia da Independência? Quá. Acho que foi pro brejo, como o nosso país e o respeito que deveríamos ter por ele, em unanimidade, não só em minorias em extinção.

Panis et circenses, ou no melhor, curto e grosso português: Pão e circo. Que é o que os governantes do nosso país nos oferecem como recompensa e atrativo por termos usado nosso poder de mudança pra votar em quem continua a fazer o mesmo que foi feito até agora – porcaria nenhuma. Mas isso não vem ao caso, parabéns pra nós, os donos do poder em uso inadequado. É por isso que devemos ler os manuais de instruções, eles sempre explicam os problemas decorrentes, está tudo ali, compre se quiser.

Ana fala de Notícias Populares, aquilo que atrai o povo – Pão e circo, lógico. Comer porcarias e rir de besteiras, ou vice-versa. É o que a alienação nos permite querer, numa era onde se idolatra o sensacionalismo e nos importamos mais com as crises internacionais (quando pensamos em nos preocupar com alguma causa) do que com a nossa própria desgraça. Mas quem vai querer se importar com a pobreza tirando o seu sarro? O meu vidro já está todo blindado.

Podemos até esquecer a crise da Argentina, mas lá pelas Globos, Bands e Records da vida, temos notícias sobre o Onze de setembro e o Iraque aparecendo até nas TVs das lanchonetes. E quem procura saber se a água se acaba, e se há mendigas descabeladas dormindo na vertical em épocas onde o Código da Vinci ( ou código da Venda) é tão popular quanto os Nikes, bikes, Cocas lights e canivetes do camelô em cheques pré-datados que não estipulam datas para finalizar a nossa miséria material e intelectual? No dia em que S. Eliot, Velvet Underground e Manoel de Barros forem notícias populares, as pessoas vão parar de viver fazendo proveito apenas do pouco que restar.

Os mutantes terráqueos falam das pessoas da sala de jantar. Essas pessoas da sala de jantar. São as pessoas da sala de jantar. Que só estão preocupadas em nascer e morrer, nada que aconteça nesse mero intervalo de tempo chamado vida. Não se importando com as canções cantadas iluminadas de sol, tampouco com os panos soltos sobre os mastros no ar e os tigres e leões soltos no quintal.

Enquanto estivermos mergulhados nessa inércia mental que nos faz sermos essas pessoas na sala de jantar encenando papéis decorados, preocupados somente em nascer e morrer, as notícias populares vão continuar voando pelos ares e ninguém sabe se alguém recua ou se alguém invade. Se alguém tem nome ou se alguém tem fome, pois tanta gente vive só com o que dá pra aproveitar. E não adianta plantar folhas de sonho no jardim do solar, pois as folhas sabem procurar pelo sol, mas nós não sabemos procurar por nós mesmos. É querer demais procurar um ideal, um sonho e uma independência que nunca virá enquanto formos dependentes de cenários pré-montados com desfechos programados em falsos finais felizes com aplausos de pé. Pão e circo cansa, e é pra controlar marionetes, felizes com um cantinho pra deitar e uma bola pra acalmar. Mesmo que seja tudo forjado. Mesmo que seja tudo bossal. Mesmo que seja tudo absurdo. ‘Tudo errado, mas tudo bem...”

Eu furo os planos, eu furo o dedo, “mando vê”, aperto o passo, eu não sou louca. É que tomei um tiro no vidro do meu carro. E quando a pobreza leva meu dinheiro e meu livro caro, deixo que façam bom proveito da grana que roubaram, porque eu trabalho e outro dinheiro eu vou ganhar. Pra que me importar então? Vou ser só mais uma pessoa no ilustre banquete na sala de jantar, apenas preocupada em nascer e morrer, porque o resto exige potencial de mudança demais, e isso pode dar indigestão, nada pode estragar a festa na sala de jantar.

Mandei fazer de puro aço luminoso punhal para matar o meu amor e matei, às cinco horas na avenida central. E ninguém se chocou, afinal, tudo se acaba, olha o noticiário. Como a vida de alguém se acaba antes do final? São as pessoas da sala de jantar. Mas as pessoas da sala de jantar. São ocupadas em nascer e morrer. Independência? Não, não sei o que é...Me dá mais pão? O espetáculo vai começar. Sem segundo turno, espero.

By Mônica

Links das Letras:

http://letras.terra.com.br/ana-carolina-seu-jorge/476360/

http://letras.terra.com.br/mutantes/47544/

"Independência" (Capital Inicial) X "Hoje Eu Quero Sair Só" (Lenine)

Depois de uma semana levemente conturbada que se foi e que não teve post, chegamos a tão esperada semana da independência, que para alguns é o momento de comemorar nossa liberdade proclamada por D. Pedro I em 1822 - ano em que nos transformamos em estado soberano (não em nação) –, e para outros é apenas mais um feriado prolongado, momento de recarregar as baterias e cair na farra atrás de rápidos e passageiros momentos de prazer.

Para o post desta semana vou utilizar a “Independência”, do Capital Inicial e “Hoje eu Quero Sair Só”, do Lenine, música e compositor que sempre quis utilizar para renovar meus posts, que admito, andam meio repetitivos.

Começando as divagações utópicas, vamos dissecar a “Independência” do Capital e suas meias verdades.

Não é porque estou utilizando uma música do Capital, que serei hipócrita de dizer que amo tudo o que a banda escreve, pelo contrário, não sou um grande fã da banda de Brasília e nem acho o Dinho um grande letrista, mas “Independência” merece minha atenção, porque sua letra fala de algo que anda muito em voga neste Brasil cada vez mais “independente”: o individualismo. Em época de eleições, ele sempre aparece muito forte.

Acreditamos na distância entre nós? Ou existe alguma outra razão para vivermos assim?

O individualismo crescente na nossa sociedade doente é um monstro que vem nos engolindo, e nos deixando cada vez mais frios com o passar dos anos. Como o Brasil pode mudar, se nós não buscamos mais identidade e resolvemos seguir o rebanho até o abate? Assim como eu, você também não sabe explicar, porque nem a verdade nos sacia mais.

Nesses tempos de reality shows, temos uma curiosidade mórbida pelo que os outros falam, mas quando indagados sobre nossas ações, não gostamos de nos explicar. O brasileiro adora cobrar, adora apontar o dedo, mas o que fazemos de fato para acabar com essas meias verdades que os políticos dizem? Nada! Temos nos conformados cada vez mais com toda essa barbárie que somos obrigados a engolir durante o período eleitoral e com isso só conseguimos nos afastar cada vez mais.

Quando aprendermos a canalizar toda a nossa intensidade em coisas realmente importantes e começarmos a mudar a sociedade, começando essa mudança por nós mesmos, deixando de acreditar que sentimentos frívolos e descartáveis são mais importantes que amizades verdadeiras e companheirismo sincero, aí sim quem sabe poderemos evoluir como pessoas e membros de um meio.

Lenine escreveu um grande relato sobre o individualismo com a sua fantástica “Hoje eu Quero Sair Só”. Desde a frase que abre a música até o seu final ele se mostra como alguém que não quer companhia, alguém que preza sua “independência”, e que como ele deixa bem explícito, essa independência é sinônimo de solidão.

Não é seguro seguir alguém que prefere ser só, já que a solidão não cai bem em ninguém, e como dizia o poeta, é impossível ser feliz sozinho.

Como podemos desejar um futuro melhor para nosso país e como podemos comemorar a independência do Brasil, se nossa sociedade nunca foi tão carente de sentimentos reais, e ir pra rua não é mais sinônimo de mudança, e sim de estagnação e fuga? Enquanto à noite, a Lua nos chama para sairmos só, de manhã o Sol vem socar nossa cara e anunciar toda a barbaridade que continua acontecer e continuará acontecendo, enquanto acreditarmos na distância entre nós.

By Eduardo

Links das letras:

http://letras.terra.com.br/capital-inicial/44846/

http://letras.terra.com.br/lenine/46997/

quarta-feira, 25 de agosto de 2010

"Astronauta" (Lulu Santos/Gabriel O Pensador) X "O Astronauta de Mármore" (Nenhum de Nós)

“ - O que você quer ser quando crescer, Aline?”

“ – Astronauta!!!”

“ – Mas porque Astronauta?”

“ – Por que eu vivo no mundo da lua!!!”.

Quem na infância, sob diferentes justificativas abstratas, não quis ser astronauta? Ver a Terra de longe, grande e azul, e milhares de vidas acontecendo na sua frente, e você só enxergando imensidão, estrelas cadentes e...Quem sabe não vê um extraterrestre ou um OVNI? E se eu descobrir um planeta novo onde existem pessoas como nós?

Eu sei, é muita ficção num mundo que já é uma novela por si só, mas são hipóteses que vagueavam pelo meu imaginário, no meu “Eu” de oito anos de idade.

Vamos falar do post dessa semana, e de músicas que eu aprendi a gostar em momentos diferentes, viajando nas letras como se fossem a minha nave especial. Vai que o mundo das maravilhas com o qual eu sonho não se encontra na Terra, mas existe em algum lugar? Viajando pelo universo infinito, peço carona ao “Astronauta” que é uma parceria entre Lulu Santos e Gabriel, O pensador e “O Astronauta de Mármore”, do Nenhum de Nós.

Começo pelo Astronauta de Lulu e Gabriel, que sente falta da Terra, mesmo tendo guerra, gente no bagaço, morrendo de cansaço de tanto lutar por um espaço, e ele lá com o espaço inteiro à sua disposição, quer voltar aqui pro chão, e pra toda essa nossa grande ignorância e nossa vida mesquinha, pois a solidão é tão lacerante que ele prefere essa vida difícil daqui, e o negócio tá feio, tá todo mundo feito cego em tiroteio.

E enquanto as pessoas olham pro alto procurando salvação e orientação, ele está perto de Deus, sabendo as respostas das grandes perguntas e não quer mandar tudo pela internet. Não adianta querer se livrar do peso da responsabilidade, a gravidade somos nós quem construímos, com toda nossa loucura, nossa tortura que nos permite conseguir sobreviver no meio do ódio, mentira e ambição.

E só estando face a face com a solidão, se percebe que nesse planeta doente, só nós podemos achar a cura pra cabeça e o coração da gente, e aí sim, seremos alguma criatura inteligente, como buscamos achar no espaço, definindo-os como nossos similares. Mas vida inteligente é algo longe de existir nessa merda de lugar, então não me mande nenhum e-mail com notícias, porque eu tô de saco cheio e vou me desconectar.

É tanto progresso que eu pareço criança, porque tudo evolui e nada cresce? Engatinho nessa loucura, a Terra é um planeta em extinção. É minha conclusão, nesse mundo de muita gente, onde só se encontra solidão. Cada um de nós dentro da sua própria bolha, em nossas redomas inquebráveis, nos fechando em solidão sem perceber, e fugindo dela, querendo voltar pra Terra. Estamos na Terra o tempo todo, querendo sobreviver, sem colocar os pés no chão e sonhando alto demais, nossos sonhos egoístas e mesquinhos, que valem pouco para repartir.

Vivendo no mundo da lua, no escuro deserto do céu, como astronautas de mármore. Queremos fugir da solidão, mas não usamos o machado pra quebrar o gelo. Queremos dar uma volta na nave, estamos de mala pronta, de partida, com a passagem só de ida, preparados pra seguir viagem, prontos pra decolar, mas a trajetória escapa o risco nu e as nuvens queimam o céu, nariz azul. Será que tenho uma chance de tentar viver sem dor? Vivendo fora de órbita, temos que assumir o risco que o vácuo nos traz e não podemos querer estar aquém do mundo ouvindo as vozes do rádio.

Sempre estar lá e ver ele voltar, não era mais o mesmo, mas estava em seu lugar. Que bicho te mordeu aí na lua, astronauta, que te fez querer voltar? Você não está feliz onde você está?

A lua inteira agora é um manto negro, estrela por aqui é o que não falta. A lua o lado escuro é sempre igual. E o mundo da lua é feito um motel, aonde os deuses e deusas se abraçam e beijam no céu. E observando tudo a distância, como a Terra é pequenininha. E no espaço, a solidão é tão normal...Desculpe estranho,eu voltei mais puro do céu. O tolo teme a noite, como a noite vai temer o fogo. E o fim das vozes no meu rádio, me fizeram acordar do sonho agora mesmo.

Nós, na Terra, olhamos pro céu e pedimos paz. Queremos viajar sem volta, pra um lugar que nos afaste desse pequeno universo de mentes inteligentes que transbordam loucuras e torturas e não são capazes de absolver a própria solidão. Antes só do que acompanhado demais. Porque preferimos reduzir nossos valores e multiplicar os bens.

Nós, no céu escuro, olhamos pra Terra e sentimos falta. Queremos voltar, pedimos notícias, a solidão é de matar. Como acabar com a solidão do mundo se não somos capazes de resolver nossas dores particulares? Cultivamos o deserto, e não aprendemos a nos curar. O simples mistério de amar. Como os deuses e deusas, no céu...

E o Astronauta, não é de mármore. Apenas de carne, osso, mente e coração. Porque eu não fiquei por lá, que era o melhor a fazer? Com todo aquele espaço na mão, agora eu olho pra lua implorando por paz. Vou chorar sem medo, vou lembrar do tempo de onde eu via o mundo azul...

By Mônica

Links das Letras:

http://letras.terra.com.br/nenhum-de-nos/28026/

http://letras.terra.com.br/gabriel-pensador/65577/

"Alagados" (Paralamas do Sucesso) X "Revanche" (Lobão)




Aqui estou eu em mais um dia de escrever para o blog, e como tem acontecido nos meus últimos posts (até com mais freqüência do que imaginei), ando meio sem inspiração, e venho escolhendo as músicas praticamente minutos antes de sentar para exercitar minha verve utópica semanal. Mônica diz que meus textos menos planejados são os mais inspirados, mas ela sempre é meio suspeita para falar.

Hoje as músicas escolhidas são “Alagados”, dos Paralamas do Sucesso (banda que uso bem menos do que gostaria) e “Revanche”, do Lobão (outro que uso bem pouco, mas nesse caso é mais por falta de envolvimento com sua obra). A primeira música foi uma indicação da Mônica, mas sempre foi uma música que pretendi usar, só que nunca encontrava inspiração para me atrever a rabiscar sobre ela, e a outra escolhida, foi uma pérola encontrada em meu museu pessoal de grandes novidades.

Antes de começar a falar sobre as músicas, devo agradecer ao Edílson por conhecer a música do Lobão, pois foi ele que comentou comigo que esta era uma grande letra de compositor muitas vezes subestimado por sua eterna atitude rebelde e sua metralhadora (sem pontaria) cheia de mágoas.

Bom, chega de blá blá blá e vamos às músicas. A primeira a ser discutida será “Alagados”, indiscutivelmente um dos grandes hinos gerados na revolucionária década de 80, berço musical dos dois artistas da semana.

Herbert Vianna criou uma música cheia de suingue e sangue, uma melodia que mistura ritmos e uma letra que expõe o caos que é o nosso país. Porque para muitos o Sol da manhã é apenas mais um desafio a ser vencido nesta eterna batalha diária que travamos para nos tornarmos brasileiros.

Nós levamos a vida na arte e temos a arte de viver na fé, mas em meio as falcatruas que vemos todas as vezes que ligamos a TV, eu pergunto: Fé em que?

Somos todos filhos da mesma agonia, conhecida mundialmente como Brasil, nossa pátria mãe tão distraída que sempre é subtraída por aqueles que são eleitos com a promessa de acabar com as palafitas, trapiches e os farrapos, mas que quando eleitos, nos negam oportunidades e nos mostram a face dura do mal.


Algo que sempre me deixa pensativo é de onde tiramos esperança por um futuro melhor... Porque com certeza essa esperança não vem do mar e nem das antenas das nossas televisões, que ficam em nossas salas que de forma curiosa são a nossa cela, enquanto somos prisioneiros nas grades do vídeo, que é de onde vemos o Sol nascer quadrado, mas não tem problema, afinal de contas, a gente ainda paga por isso.

Meu conhecimento sobre a obra de Lobão é muito pouco, visto que só conheço seus clássicos e não acompanho o que ele produziu nos últimos anos, mas desde que ouvi “Revanche", sempre achei esta uma das letras mais interessantes e fortes produzidas pelo grande lobo.

No meio da correria da grande cidade, o café, um cigarro, um trago não são mais um vício, e sim companheiros da solidão que assombra a todos que fugiram para as megalópoles como bichos do mato atrás do mito de fortuna e riqueza (somos eternos caboclos querendo ser ingleses), e que acabaram se tornando escravos de um novo rito.

Tentamos acertar o passo usando mil artifícios, mas sempre que alguém tenta um salto, é a gente que paga por isso. E paga um preço alto. Paga com falta de infra-estrutura em escolas e hospitais, com saneamento básico precário e muito miséria, até porque, a miséria nunca acaba, porque dá lucro e é um excelente assunto para todos os demagogos que almejam cargos públicos.

A favela é a nova senzala, e a cidade que tem braços abertos num cartão postal, mas os punhos fechados na vida real, não nos oferece nenhuma chance, nem mesmo a chance de uma revanche contra todos que nos condenam a viver como se estivéssemos em Trenchtown* ou na Favela da Maré (e não digo isso para denegrir esses lugares, mas sim, porque esses lugares são apenas dois exemplos de falta de compromisso dos políticos com o povo que os elegeu).

A única esperança que nos resta, é torcer para que o povo cobre sua revanche nas urnas e pare de capturar tudo que é captado pelas antenas de TV e tenha fé em si próprio e não em falsos profetas, que se autodenominam pais e mães do povo.

Quem é que vai pagar por isso?

*http://pt.wikipedia.org/wiki/Trenchtown

¹ Foto da parte de cima do texto é de Trenchtown na Jamaica

² Foto no meio do texto é da Favela da Maré, o verdadeiro cartão de visitas da cidade maravilhosa

By Eduardo

Links das letras:

http://letras.terra.com.br/os-paralamas-do-sucesso/47924/

http://letras.terra.com.br/lobao/47042/

quarta-feira, 18 de agosto de 2010

"Bandeira" (Zeca Baleiro) X "Móbile no Furacão" (Paulinho Moska)

Depois de algum tempo em ócio mental, o retorno é sempre esperado, e ao mesmo tempo, temido. Fica aquela sensação de que desaprendi a escrever, porém isso é besteira, pois um dia eu vou aprender, por enquanto eu só rabisco. Então, pensei em uma música que há tempos quero usar. E não sabia o que casaria com ela. E lancei essa dúvida ao Eduardo, e ele me devolveu com uma resposta que dei à ele, quando ele me questionou sobre o mesmo fato: “a ponte somos nós quem fazemos”. Então, lembrei de uma outra música, que gosto de longa data, e que por tempos teve uma frase de impacto que me definia, e acho que ainda define, um pouco. Ou muita coisa. Então, vamos lá tentar fazer as pontes, entre “Bandeira” de Zeca Baleiro e “Móbile no Furacão”, de Paulinho Moska.

Começo pelo Zeca, que foi minha idéia inicial, por eu não querer passar agosto esperando setembro (se bem me lembro). Mas fato é que setembro é um mês especial pra mim, e agosto...Bem, agosto é agosto, e todo mundo lembra de azar, então que venha setembro e a primavera, pro nosso futuro recomeçar.

Em sua Bandeira, nome que remete a várias idéias, ele fala de expectativas, amor, entrega, insatisfação. Bandeira, que ele dá pra mulher, mostrando que a quer, sem esconder isso de ninguém. Bandeira como de um time, de uma nação: ele leva de cabeça erguida, e estampada em sua face, que não é de meios desejos e não se satisfaz com metades, como Moska diz em uma outra letra sua “A Seta e o Alvo”.

Ele não quer ver você cuspindo ódio, fumando ópio e chorando veneno, mesmo que seja pra sarar a dor. Ele não quer beber seu café pequeno, já que tem sentimentos grandes. Ele não quer o impossível – braço da Vênus de Milo* acenando tchau. Ele não quer o que ele não consegue reter – o Tejo** escorrendo das mãos. Ele não quer analisar os fatos e viver de expectativas – Pra que medir a altura do tombo e passar agosto esperando setembro, se o melhor futuro é esse hoje escuro, misterioso e sem amanhã?

Moska, que como eu, é um móbile solto num furacão, e “Qualquer calmaria me dá solidão...”, diz que não é o mesmo de ontem e que a pessoa que ele amou não o reconhece mais. E tudo que ele possa fazer ou dizer já não satisfaz. Mas você não percebe que quando eu mudo é porque estou vivendo cada segundo e você como se fosse uma eternidade a mais. Nada tenho vez em quando tudo. Tudo quero mais ou menos quanto.

Ele tentou mudar de nome pra que não pudesse ser achado nem por si mesmo, mas por ironia a sua vida o levou de volta ao ponto de partida, como se nunca tivesse saído de lá. E nesse efeito bumerangue, ele se viu sozinho, como um móbile na calmaria, buscando o furacão, que só estava presente quando algo o tirava de seu próprio eixo. Como quando a âncora de seu navio encosta no fundo, se acende o pavio e detona sua explosão, lançando a outros lugares e novos presentes, todos levando ao mesmo lugar: o maior desejo da boca, que é o beijo. Vida, vida, noves fora, zero. E fazendo a prova real da vida, pra ter certeza, eles querem tudo, cada um a sua maneira. Seja um furacão que afaste a calmaria. Seja o Guanabara, o Rio Nilo***, tua língua em meu mamilo, água e sal, suor e uma eternidade a mais.

Eu não quero aquele, eu não quero aquilo. Que me faz passar o presente esperando o futuro, que é escuro e menos saboroso. Eu não quero calmaria e solidão. Eu sou um móbile, e preciso de um furacão para me lançar a novos presentes. Ninguém me sente, se bem me lembro. Porque não me satisfaço só com metades. Quero viver, quero ouvir, quero ver. Quero tudo ter, estrela, flor, estilo, pois somente eu posso saber o que me faz feliz. Se é assim, quero sim, acho que vim pra te ver.

* Vênus de Milo, ou Afrodite, como é conhecida a deusa do amor, em sua escultura, não possui braços.

** Tejo é um Rio conhecido por ser grande em extensão.

*** Nilo é um Rio que era considerado o maior do mundo, e perdeu o posto para o Amazonas.

By Mônica

Links das Letras:

http://letras.terra.com.br/paulinho-moska/48074/

http://letras.terra.com.br/zeca-baleiro/49376/

"Hereditário" (Titãs) X "Milagres" (Barão Vermelho)

Bom... Antes de começar este texto, gostaria de pedir desculpas por nesta “volta” ao blog, o tema ser basicamente o de sempre: Política e desigualdade social.

Procurando o clipe de uma música dos Titãs no Youtube na semana passada (a música era “Televisão”, e já foi utilizada neste blog), acabei vendo o vídeo de “Hereditário”, música que conheço pouco e que até aquele momento não havia prestado muita atenção. Passada a surpresa e a bronca que fiquei comigo mesmo por nunca ter prestado atenção na letra, resolvi naquele mesmo instante, que sairia à caça de uma música que pudesse casar com aquele petardo titânico para divagar no meu próximo post. Passada uma semana, não consegui encontrar nenhuma música que tivesse despertado em mim a mesma sensação ou que parecesse com a letra, então, revirando meu baú de memórias, acabei encontrando, uma música um pouco desconhecida do Barão Vermelho, “Milagres”, uma das raras letras que Cazuza fez no grupo com cunho mais social.

Passada as apresentações, vou começar a tecer minhas opiniões e impressões sobre cada letra, vamos ver se ainda sei fazer isso... Começarei minha viagem utópica pelos Titãs.

“Hereditário” tem a característica básica das letras feitas pelos Titãs nos seus áureos tempos, rima fácil e mensagem bem explícita, apesar de escondida em uma letra curta, que ao primeiro olhar parece bem inofensiva.

A cada parto e a cada luto, lutamos contra algo hereditário, a nossa desigualdade, que resiste em seguir tão forte na sociedade brasileira, mesmo em pleno século XXI, lutamos contra tudo que for hereditário, principalmente contra os políticos corruptos, que parecem que se proliferam com a velocidade de um câncer que está entranhado bem no peito de nosso estado que nunca se torna uma nação. A cada perda do povo sempre há um político lucrando, porque ao contrário do que diz a teoria, os políticos lutam pelos interesses deles e não pelos das pessoas que os elegeram, esse é o tempo vagabundo que escolheram pra gente viver.

“Milagres” diz assim: “A fome está em toda parte, mas a gente come, levando a vida na arte”. Esse trecho me fez lembrar uma frase que o poeta Ferreira Gullar disse na FLIP (Feira Literária de Paraty) “a arte só existe, porque a realidade não basta”, e no Brasil, se nós tentássemos viver só da realidade, acho que não conseguiríamos chegar nem a puberdade, porque as crianças brincam com a violência neste cinema sem tela, que passa na cidade.

E em cada festa, em cada muro, esperamos pelo Sol que nasce a cada dia, apesar de tanta barbaridade, e mesmo a fome estando em cada parte, sempre lutamos contra o que é hereditário, porque sempre a cada aniversário (e a cada eleição), nossa esperança por um Brasil novo se renova. Sempre nos iludimos achando que o povo vai votar naquele que é melhor e não mais bonito, naquele que não promete muito, mas faz tudo o que promete. Afinal todos choram, mas só há alegria, porque no Brasil tudo é carnaval e futebol, e enquanto uma mulata estiver sambando, e alguém estiver empurrando a bola para o fundo do gol, sempre haverá alguém alardeando um novo milagre (econômico).

E enquanto as armas (dos assassinos) estiverem nas ruas e o povo inseguro em suas casas, o Brasil continuará sendo governado por seres como ex-presidente Fernando Collor de Melo que lidera as pesquisas de intenção de voto para o governo de Alagoas.

Eu continuarei torcendo por um milagre nas urnas em outubro e lutando contra o que for hereditário.

By Eduardo

Links das letras:

http://letras.terra.com.br/titas/48976/

http://letras.terra.com.br/barao-vermelho/119074/