Mais uma semana se passou e cá estou eu para escrever mais um texto neste espaço utópico. Vou retomar o meu projeto e escrever texto politizado (sei que após ler este trecho a maioria das pessoas não vão continuar lendo, mas isso é só mais um incentivo para que eu continue a escrever), aproveitando a proximidade das eleições. Garanto a todos que após o período eleitoral irei utilizar músicas mais suaves para meus posts, mas até lá, vamos seguir em frente.
As escolhidas para esta semana foram “Brasis”, do Seu Jorge (artista que considero superestimado e que sinceramente não me diz muito a que veio) e “Babylon”, do (grande) Zeca Baleiro, que na minha opinião, é um dos melhores compositores da nova geração. Para que não fique nenhuma dúvida sobre o porquê d’eu ter escolhido uma música do Seu Jorge, mesmo sem simpatizar muito com sua obra, justifico que a minha escolha ocorreu, porque momentos antes de escolher as letras a serem utilizadas para este post, Monica me apresentou esta composição, e eu imediatamente achei que valeria a pena correlacioná-la com a letra de Baleiro. Então, aqui vou eu e vamos ver no que isso vai dar.
Começando pela composição de Seu Jorge, vou dissertar sobre os vários Brasis que o compositor expõe em sua letra. Um Brasil que é negro, branco e nissei, mas que só oferece oportunidade para quem nasce em berço esplêndido e é filho do Brasil próspero, porque aquele que não muda continua indo à luta e batendo bola, sem nunca ir para escola.
Existe o Brasil que é lindo e exposto em conferências internacionais nos vídeos dirigidos e super produzidos por diretores de cinema, mas as pessoas felizes que aparecem neles, são pagas para disfarçar as angústias e incertezas do outro que fede e apanha. O país que nunca muda é a herança de anos de maus governos que nunca se preocuparam com os índios, mamelucos e cafusos que compõe a grande massa deste país de proporções continentais. Gostaria de um dia descobrir quem é que paga pra gente ficar assim.
O Brasil que soca e chuta é o mesmo que apanha, o que empresta dinheiro ao FMI é o mesmo que pede para poder suprir suas obras, que são superfaturadas pelos que andam de gravata. Aquele que faz amor e anda de sunga, também é o que mata, e depois vai à passeata pedir paz e saúde para as crianças do país inteiro, que sucumbem à fome e a desigualdade social, grande marco da nossa democracia.
Enquanto o Brasil segue sendo esta eterna contradição, aqueles que são eleitos para mudarem alguma coisa, esquecem do povo que o elegeu e quando assumem seus cargos, se mudam para nossa Babylon do Centro-oeste, dão Au revoir a ralé, e fazem das suas vidas um souvenir Made in Hong Kong e vão passear de iate no Lago Sul.
Comprar o que houver (e vender a ética), finesse s’il vous plaît, mon Dieu. Je t’aime politique, litros de Manhatans são tomados todas as noites enquanto o futuro do país é decido por pessoas que não estão nem aí pro povo, que mesmo acordando muito cedo e indo dormir muito tarde, mantém sua cabeça em pé e sua confiança
Eu que não tenho dinheiro pra sair com o meu broto e nem renda pra descolar a merenda, cansei de ser duro e vou correr atrás de um pindorama* que possa ser meu porto-seguro, onde eu possa desfrutar de suas riquezas sem precisar matar ninguém, curtir suas praias e cachoeiras e descansar à sombra de suas palmeiras.
Nesse país nada vem de graça, nem o pão, nem a cachaça, a gente perde e ganha, sobe e desce e eu quero ser o caçador, ando cansado de ser caça.
*http://pt.wikipedia.org/wiki/Pindorama
By Eduardo
Links das Letras: