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quinta-feira, 23 de setembro de 2010

"Pedra, Flor, Espinho" (Barão Vermelho) X "Pense e Dance" (Barão Vermelho)

“Aprendi com a primavera a deixar-me cortar e voltar sempre inteira”

(Clarice Lispector)

Primavera chegou, e eu sempre volto a falar de flores, ou pelo menos tentar. Daí, fiquei a pensar em músicas que me trouxessem flores para as pautas que eu vou rabiscar, e lembrei do meu primeiro post aqui, que falava justamente sobre flores, onde usei músicas especiais, de Titãs, Legião e Barão. Ah! Barão! Tem aquela música legal...Que fala de flor, mesmo que metaforicamente, ou apenas no nome. Com o que combinar uma letra tão boa? Depois de várias “finalistas”, enfeito o jardim que começa a florir nessa primavera, com “Pedra, flor, espinho” e “Pense e dance”, ambas do Barão Vermelho.

Mas que flores são essas que não falam de amor, e só falam de desejo? E quem disse que não há desejo no amor? São aquelas teorias furadas de que o amor é o “sem graça”, “sem fogo”, “água com açúcar”, o inocente e intocável dos sentimentos. O oposto daquela tal de paixão, a avassaladora que tira a pureza e o juízo de quem ousa pensar em seu nome. Blá, blá, blá, tudo besteira, fingimento e encenação, visto que amor é continuidade da paixão, tanto quanto letra e melodia, sol e calor, chuva e arco-íris. E essas “flores” falam disso. Primavera desperta aquela sensação de romantismo, Romeu e Julieta, com açúcar e afeto, que só acenderá o fogo quando o verão chegar, com o seu calor e desejo de sentimentos ardentes numa noite quente à beira mar.

Como eu sou ansiosa e intensa em tudo que eu sinto, eu promovi a primavera, parafraseando os meninos do Barão, que dizem que hoje não querem ver o sol. E eu desprezo os dias cinzentos, vou pra noite, tudo vai rolar (“A noite vai ser boa, e tudo vai rolar...”). Saudações a quem tem coragem, aos que tão aqui pra qualquer viagem. Automóveis piscam os seus faróis, sexo nas esquinas, violentas paixões. Não é disso que nos alimentamos hoje em dia? Sair e ver no que vai dar. Compromisso pra que, se de tudo posso aproveitar um pouco, sem a nada me apegar?

Pra que perder tempo desperdiçando emoções? Não fique esperando a vida passar tão rápido, pois se você quiser, tudo pode acontecer no caminho. E não me diga não, não me diga o que fazer, sou eu quem escolho e faço os meus inimigos. E as minhas verdades eu invento sem medo, não me venha falar de medo, todo mundo tem um pouco de medo da vida. Eu não esqueço de quem um dia amei, e não penso em tudo que já fiz. Não me fale de você. Fale de você. Que eu quero ver você, e exorcizo as minhas fantasias. Quero te satisfazer, ser o seu maior brinquedo. Eu faço tudo pelos meus desejos, para que grilar com pequenas provocações, se esse seu ar obscuro é o meu objeto de prazer?

Eu quero te ter, ataco se isso for preciso. Alimento todos os desejos, e se você quiser, eu bebo o seu vinho. Não me diga não, o seu instinto é o meu desejo mais puro, e o meu coração é só um desejo de prazer, e eu rasgo o couro com os dentes. Não quer flor, não quer saber de espinho. Mas se você quiser, sou pedra, flor, espinho. E beijo uma flor sem machucar. Nenhum desejo pode ser mais excitante do que amar de verdade.

Penso como vai minha vida - Vida vazia, de jogos de poder. Eu que domino, mas não sou egoísta. É que o mundo é o meu eixo pra eu girar em torno de mim mesmo - Olhos negros, olhos negros. Olhos que procuram em silêncio, ver nas coisas, cores irreais. E eu aproveito pra sonhar enquanto é tempo, pois a felicidade é um estado imaginário.

Saudações a quem tem coragem, e não me venha falar de medo, pois é preciso pensar – antes de descartar um coração com desejos puros. E dançar - conforme a música da vida, que passa tão rápido. Desprezando dias cinzentos, beijando flores sem machucar. Deixando-se cortar pelos espinhos, e voltando inteiro para quem um dia amei. Sendo pedra, flor, com sonhos, enquanto é tempo.

By Nine

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sexta-feira, 17 de setembro de 2010

"A Câmera que Filma os Dias" (Ana Carolina) X "Relicário" (Nando Reis)

A luz que eu vi naquele dia escuro e ruim, que era uma tarde linda que não queria se pôr, era luz por encomenda para te filmar. E através de teus gestos solitários pela lente sem fim, você invadia mais um lugar onde eu não vou. E eu, entre milhões de vasos sem nenhuma flor, via as ilhas dançando sobre o mar. Mas lento, o tempo parecia desfocar. E tanta coisa e

scapa sem o olho ver, e o mundo está ao contrário, e ninguém reparou. E eu te vi assim, sem jeito e sem querer. E isso foi o tiro certo para começar nosso enredo.

Não lembro o dia em que isso tudo comecei, mas era um dia de inverno quando você chegou, e se não fosse seu abraço, compraria um moletom. E eu tinha medo de ser um tipo ensaiado, não inventa pose que eu fico invocada. E a lua corria, porque longe vai? Sobe o dia tão vertical, o horizonte anuncia com o seu vitral, que eu trocaria a eternidade por essa noite. Porque está amanhecendo? Peço ao contrário ver o sol se pôr. Porque está amanhecendo? Se não vou beijar seus lábios quando você se for. Como meu dia vai nascer feliz?

E entre o sonho criar asas, na iminência ou não de virar realidade, a vida ia passando no seu vai-e-vem, mas não demora, a porta já fechou ali no armazém. Será que eu sei que você é mesmo tudo aquilo que me falta? Essa imagem não se cansa de me assaltar. A câmera que filma os dias tomou conta de mim, e passei aquele inverno inteiro a te focar. O que está acontecendo? Eu estava em paz quando você chegou. Sua cartilha tem o A de que cor? O mundo é azul? Qual é a cor do amor?

E entre trocas de afeto e juras de amor, foi crescendo a sensação de que a vida é melhor, agora que você está no mundo. E eu não quero nada pra mim, eu vim pelo que sei, e pelo que sei, você gosta de mim. E eu guardei a canção que eu fiz pra você pra você não esquecer que eu tenho um coração, e é seu. Por isso eu te transformei nessa canção, pra poder te gravar em mim, como um filme todo em câmera lenta. Porque eu acho que eu gosto mesmo de você, bem do jeito que você é.

E o que você está fazendo? Um relicário imenso desse amor. Quem nesse mundo faz o que há durar? Pura semente dura: o futuro amor. Eu sou a chuva pra você secar. Pelo zunido das suas asas você me falou. O que você está dizendo? Milhões de frases sem nenhuma cor. O que você está fazendo? Por que é que está fazendo assim?

O mundo começa agora. E o amor tem sempre a porta aberta, e vem chegando a primavera. Nosso futuro recomeça. Venha, que o que vem, é perfeição.

E o desfecho? Tenho ainda nas paredes que grafitei. A câmera que filma os dias deu um giro e parou. Na nossa história, que não estará pelo avesso sem final feliz. Desde que você chegou, o meu coração se abriu. Hoje eu sinto mais calor e não sinto nem mais frio. E o que os olhos não vêm, o coração pressente. Mesmo na saudade você não está ausente. E em cada beijo seu. E em cada estrela do céu. E em cada flor no campo. E em cada letra no papel. Que cor terão seus olhos? E a luz dos seus cabelos?

Só sei que vou chamá-lo...amor.

By Nine

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quarta-feira, 8 de setembro de 2010

"Notícias Populares" (Ana Carolina) X "Panis et Circenses" (Os Mutantes)

A idéia para a semana era óbvia como uma equação matemática: falar sobre a independência na semana da independência, onde todos fogem dos desfiles e tudo mais, mas aproveitam o feriado, é claro. Mas difícil foi fazer a escolha, se alegrar com ela, depois de mudar mil vezes e chegar numa escolha nada prevista, porém aceita, devido ao apressar da carruagem: “Notícias Populares”, da Ana Carolina e “Panis et Circenses”, dos Mutantes ilustres na música brasileira, Caetano e Gil.

Ok. Músicas escolhidas. Ops...Mas e a idéia da Independência? Quá. Acho que foi pro brejo, como o nosso país e o respeito que deveríamos ter por ele, em unanimidade, não só em minorias em extinção.

Panis et circenses, ou no melhor, curto e grosso português: Pão e circo. Que é o que os governantes do nosso país nos oferecem como recompensa e atrativo por termos usado nosso poder de mudança pra votar em quem continua a fazer o mesmo que foi feito até agora – porcaria nenhuma. Mas isso não vem ao caso, parabéns pra nós, os donos do poder em uso inadequado. É por isso que devemos ler os manuais de instruções, eles sempre explicam os problemas decorrentes, está tudo ali, compre se quiser.

Ana fala de Notícias Populares, aquilo que atrai o povo – Pão e circo, lógico. Comer porcarias e rir de besteiras, ou vice-versa. É o que a alienação nos permite querer, numa era onde se idolatra o sensacionalismo e nos importamos mais com as crises internacionais (quando pensamos em nos preocupar com alguma causa) do que com a nossa própria desgraça. Mas quem vai querer se importar com a pobreza tirando o seu sarro? O meu vidro já está todo blindado.

Podemos até esquecer a crise da Argentina, mas lá pelas Globos, Bands e Records da vida, temos notícias sobre o Onze de setembro e o Iraque aparecendo até nas TVs das lanchonetes. E quem procura saber se a água se acaba, e se há mendigas descabeladas dormindo na vertical em épocas onde o Código da Vinci ( ou código da Venda) é tão popular quanto os Nikes, bikes, Cocas lights e canivetes do camelô em cheques pré-datados que não estipulam datas para finalizar a nossa miséria material e intelectual? No dia em que S. Eliot, Velvet Underground e Manoel de Barros forem notícias populares, as pessoas vão parar de viver fazendo proveito apenas do pouco que restar.

Os mutantes terráqueos falam das pessoas da sala de jantar. Essas pessoas da sala de jantar. São as pessoas da sala de jantar. Que só estão preocupadas em nascer e morrer, nada que aconteça nesse mero intervalo de tempo chamado vida. Não se importando com as canções cantadas iluminadas de sol, tampouco com os panos soltos sobre os mastros no ar e os tigres e leões soltos no quintal.

Enquanto estivermos mergulhados nessa inércia mental que nos faz sermos essas pessoas na sala de jantar encenando papéis decorados, preocupados somente em nascer e morrer, as notícias populares vão continuar voando pelos ares e ninguém sabe se alguém recua ou se alguém invade. Se alguém tem nome ou se alguém tem fome, pois tanta gente vive só com o que dá pra aproveitar. E não adianta plantar folhas de sonho no jardim do solar, pois as folhas sabem procurar pelo sol, mas nós não sabemos procurar por nós mesmos. É querer demais procurar um ideal, um sonho e uma independência que nunca virá enquanto formos dependentes de cenários pré-montados com desfechos programados em falsos finais felizes com aplausos de pé. Pão e circo cansa, e é pra controlar marionetes, felizes com um cantinho pra deitar e uma bola pra acalmar. Mesmo que seja tudo forjado. Mesmo que seja tudo bossal. Mesmo que seja tudo absurdo. ‘Tudo errado, mas tudo bem...”

Eu furo os planos, eu furo o dedo, “mando vê”, aperto o passo, eu não sou louca. É que tomei um tiro no vidro do meu carro. E quando a pobreza leva meu dinheiro e meu livro caro, deixo que façam bom proveito da grana que roubaram, porque eu trabalho e outro dinheiro eu vou ganhar. Pra que me importar então? Vou ser só mais uma pessoa no ilustre banquete na sala de jantar, apenas preocupada em nascer e morrer, porque o resto exige potencial de mudança demais, e isso pode dar indigestão, nada pode estragar a festa na sala de jantar.

Mandei fazer de puro aço luminoso punhal para matar o meu amor e matei, às cinco horas na avenida central. E ninguém se chocou, afinal, tudo se acaba, olha o noticiário. Como a vida de alguém se acaba antes do final? São as pessoas da sala de jantar. Mas as pessoas da sala de jantar. São ocupadas em nascer e morrer. Independência? Não, não sei o que é...Me dá mais pão? O espetáculo vai começar. Sem segundo turno, espero.

By Nine

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quarta-feira, 25 de agosto de 2010

"Astronauta" (Lulu Santos/Gabriel O Pensador) X "O Astronauta de Mármore" (Nenhum de Nós)

“ - O que você quer ser quando crescer, Aline?”

“ – Astronauta!!!”

“ – Mas porque Astronauta?”

“ – Por que eu vivo no mundo da lua!!!”.

Quem na infância, sob diferentes justificativas abstratas, não quis ser astronauta? Ver a Terra de longe, grande e azul, e milhares de vidas acontecendo na sua frente, e você só enxergando imensidão, estrelas cadentes e...Quem sabe não vê um extraterrestre ou um OVNI? E se eu descobrir um planeta novo onde existem pessoas como nós?

Eu sei, é muita ficção num mundo que já é uma novela por si só, mas são hipóteses que vagueavam pelo meu imaginário, no meu “Eu” de oito anos de idade.

Vamos falar do post dessa semana, e de músicas que eu aprendi a gostar em momentos diferentes, viajando nas letras como se fossem a minha nave especial. Vai que o mundo das maravilhas com o qual eu sonho não se encontra na Terra, mas existe em algum lugar? Viajando pelo universo infinito, peço carona ao “Astronauta” que é uma parceria entre Lulu Santos e Gabriel, O pensador e “O Astronauta de Mármore”, do Nenhum de Nós.

Começo pelo Astronauta de Lulu e Gabriel, que sente falta da Terra, mesmo tendo guerra, gente no bagaço, morrendo de cansaço de tanto lutar por um espaço, e ele lá com o espaço inteiro à sua disposição, quer voltar aqui pro chão, e pra toda essa nossa grande ignorância e nossa vida mesquinha, pois a solidão é tão lacerante que ele prefere essa vida difícil daqui, e o negócio tá feio, tá todo mundo feito cego em tiroteio.

E enquanto as pessoas olham pro alto procurando salvação e orientação, ele está perto de Deus, sabendo as respostas das grandes perguntas e não quer mandar tudo pela internet. Não adianta querer se livrar do peso da responsabilidade, a gravidade somos nós quem construímos, com toda nossa loucura, nossa tortura que nos permite conseguir sobreviver no meio do ódio, mentira e ambição.

E só estando face a face com a solidão, se percebe que nesse planeta doente, só nós podemos achar a cura pra cabeça e o coração da gente, e aí sim, seremos alguma criatura inteligente, como buscamos achar no espaço, definindo-os como nossos similares. Mas vida inteligente é algo longe de existir nessa merda de lugar, então não me mande nenhum e-mail com notícias, porque eu tô de saco cheio e vou me desconectar.

É tanto progresso que eu pareço criança, porque tudo evolui e nada cresce? Engatinho nessa loucura, a Terra é um planeta em extinção. É minha conclusão, nesse mundo de muita gente, onde só se encontra solidão. Cada um de nós dentro da sua própria bolha, em nossas redomas inquebráveis, nos fechando em solidão sem perceber, e fugindo dela, querendo voltar pra Terra. Estamos na Terra o tempo todo, querendo sobreviver, sem colocar os pés no chão e sonhando alto demais, nossos sonhos egoístas e mesquinhos, que valem pouco para repartir.

Vivendo no mundo da lua, no escuro deserto do céu, como astronautas de mármore. Queremos fugir da solidão, mas não usamos o machado pra quebrar o gelo. Queremos dar uma volta na nave, estamos de mala pronta, de partida, com a passagem só de ida, preparados pra seguir viagem, prontos pra decolar, mas a trajetória escapa o risco nu e as nuvens queimam o céu, nariz azul. Será que tenho uma chance de tentar viver sem dor? Vivendo fora de órbita, temos que assumir o risco que o vácuo nos traz e não podemos querer estar aquém do mundo ouvindo as vozes do rádio.

Sempre estar lá e ver ele voltar, não era mais o mesmo, mas estava em seu lugar. Que bicho te mordeu aí na lua, astronauta, que te fez querer voltar? Você não está feliz onde você está?

A lua inteira agora é um manto negro, estrela por aqui é o que não falta. A lua o lado escuro é sempre igual. E o mundo da lua é feito um motel, aonde os deuses e deusas se abraçam e beijam no céu. E observando tudo a distância, como a Terra é pequenininha. E no espaço, a solidão é tão normal...Desculpe estranho,eu voltei mais puro do céu. O tolo teme a noite, como a noite vai temer o fogo. E o fim das vozes no meu rádio, me fizeram acordar do sonho agora mesmo.

Nós, na Terra, olhamos pro céu e pedimos paz. Queremos viajar sem volta, pra um lugar que nos afaste desse pequeno universo de mentes inteligentes que transbordam loucuras e torturas e não são capazes de absolver a própria solidão. Antes só do que acompanhado demais. Porque preferimos reduzir nossos valores e multiplicar os bens.

Nós, no céu escuro, olhamos pra Terra e sentimos falta. Queremos voltar, pedimos notícias, a solidão é de matar. Como acabar com a solidão do mundo se não somos capazes de resolver nossas dores particulares? Cultivamos o deserto, e não aprendemos a nos curar. O simples mistério de amar. Como os deuses e deusas, no céu...

E o Astronauta, não é de mármore. Apenas de carne, osso, mente e coração. Porque eu não fiquei por lá, que era o melhor a fazer? Com todo aquele espaço na mão, agora eu olho pra lua implorando por paz. Vou chorar sem medo, vou lembrar do tempo de onde eu via o mundo azul...

By Nine

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quarta-feira, 18 de agosto de 2010

"Bandeira" (Zeca Baleiro) X "Móbile no Furacão" (Paulinho Moska)

Depois de algum tempo em ócio mental, o retorno é sempre esperado, e ao mesmo tempo, temido. Fica aquela sensação de que desaprendi a escrever, porém isso é besteira, pois um dia eu vou aprender, por enquanto eu só rabisco. Então, pensei em uma música que há tempos quero usar. E não sabia o que casaria com ela. E lancei essa dúvida ao Eduardo, e ele me devolveu com uma resposta que dei à ele, quando ele me questionou sobre o mesmo fato: “a ponte somos nós quem fazemos”. Então, lembrei de uma outra música, que gosto de longa data, e que por tempos teve uma frase de impacto que me definia, e acho que ainda define, um pouco. Ou muita coisa. Então, vamos lá tentar fazer as pontes, entre “Bandeira” de Zeca Baleiro e “Móbile no Furacão”, de Paulinho Moska.

Começo pelo Zeca, que foi minha idéia inicial, por eu não querer passar agosto esperando setembro (se bem me lembro). Mas fato é que setembro é um mês especial pra mim, e agosto...Bem, agosto é agosto, e todo mundo lembra de azar, então que venha setembro e a primavera, pro nosso futuro recomeçar.

Em sua Bandeira, nome que remete a várias idéias, ele fala de expectativas, amor, entrega, insatisfação. Bandeira, que ele dá pra mulher, mostrando que a quer, sem esconder isso de ninguém. Bandeira como de um time, de uma nação: ele leva de cabeça erguida, e estampada em sua face, que não é de meios desejos e não se satisfaz com metades, como Moska diz em uma outra letra sua “A Seta e o Alvo”.

Ele não quer ver você cuspindo ódio, fumando ópio e chorando veneno, mesmo que seja pra sarar a dor. Ele não quer beber seu café pequeno, já que tem sentimentos grandes. Ele não quer o impossível – braço da Vênus de Milo* acenando tchau. Ele não quer o que ele não consegue reter – o Tejo** escorrendo das mãos. Ele não quer analisar os fatos e viver de expectativas – Pra que medir a altura do tombo e passar agosto esperando setembro, se o melhor futuro é esse hoje escuro, misterioso e sem amanhã?

Moska, que como eu, é um móbile solto num furacão, e “Qualquer calmaria me dá solidão...”, diz que não é o mesmo de ontem e que a pessoa que ele amou não o reconhece mais. E tudo que ele possa fazer ou dizer já não satisfaz. Mas você não percebe que quando eu mudo é porque estou vivendo cada segundo e você como se fosse uma eternidade a mais. Nada tenho vez em quando tudo. Tudo quero mais ou menos quanto.

Ele tentou mudar de nome pra que não pudesse ser achado nem por si mesmo, mas por ironia a sua vida o levou de volta ao ponto de partida, como se nunca tivesse saído de lá. E nesse efeito bumerangue, ele se viu sozinho, como um móbile na calmaria, buscando o furacão, que só estava presente quando algo o tirava de seu próprio eixo. Como quando a âncora de seu navio encosta no fundo, se acende o pavio e detona sua explosão, lançando a outros lugares e novos presentes, todos levando ao mesmo lugar: o maior desejo da boca, que é o beijo. Vida, vida, noves fora, zero. E fazendo a prova real da vida, pra ter certeza, eles querem tudo, cada um a sua maneira. Seja um furacão que afaste a calmaria. Seja o Guanabara, o Rio Nilo***, tua língua em meu mamilo, água e sal, suor e uma eternidade a mais.

Eu não quero aquele, eu não quero aquilo. Que me faz passar o presente esperando o futuro, que é escuro e menos saboroso. Eu não quero calmaria e solidão. Eu sou um móbile, e preciso de um furacão para me lançar a novos presentes. Ninguém me sente, se bem me lembro. Porque não me satisfaço só com metades. Quero viver, quero ouvir, quero ver. Quero tudo ter, estrela, flor, estilo, pois somente eu posso saber o que me faz feliz. Se é assim, quero sim, acho que vim pra te ver.

* Vênus de Milo, ou Afrodite, como é conhecida a deusa do amor, em sua escultura, não possui braços.

** Tejo é um Rio conhecido por ser grande em extensão.

*** Nilo é um Rio que era considerado o maior do mundo, e perdeu o posto para o Amazonas.

By Nine

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quarta-feira, 4 de agosto de 2010

"Saudade" (Vinícius de Moraes), Por Jade

Falar sobre amizade não é difícil...nem fácil.
São tão raros os amigos verdadeiros, aqueles que estão sempre ao nosso lado, não importa o que aconteça ou o tempo que passe.
Aqueles que verdadeiramente sentem a nossa falta quando estamos distantes, os que verdadeiramente torcem pela nossa felicidade, sem competição.
Os que nos ouvem quando precisamos desabafar, os que falam quando querem nos proteger, nos cuidar. E falam com aquele carinho especial, com aquele jeito de quem vai falando e passando a mão pelo nosso cabelo, como se nos pegassem no colo.
Alguns passam pela nossa vida, simplesmente passam. E deixam uma saudade imensa, com a qual demoramos a nos acostumar.

Um poema de Vinícius de Moraes diz isso de uma forma linda:

“Um dia a maioria de nós irá se separar
Sentiremos saudades de todas as conversas jogadas fora, as descobertas que fizemos, dos sonhos que tivemos, dos tantos risos e momentos compartilhados.”

Se isso acontecer, e cada momento for mais raro, teremos as lembranças.

E se um dia meus filhos, ou quem sabe meus netos me perguntarem, vendo aquelas fotos “antigas”, quem são estas pessoas? E estas roupas esquisitas?

Após um breve riso direi com orgulho:
- Foram meus amigos, com os quais vivi meus melhores momentos.
Neste instante a saudade vai apertar, doer de fato pela ausência.
Quem sabe algumas lagrimas de tristeza e felicidade cairão de meus olhos.

É isso: meus amigos com os quais vivi e vivo meus melhores momentos.

Alguns já não estão mais perto fisicamente, perdi o contato, não sei mais deles. Me deixaram uma saudade imensa. E sempre estarão presentes no meu coração.

Os presentes, os que estão no meu dia a dia, eu prezo, respeito e cuido. Me são importantes, especiais. E se um dia, a vida nos separar, sei que estarei no coração deles como eles estarão no meu. São eternos em mim.

Link da Letra:

http://www.poesiasonline.com/depressivas/saudadevinicius-de-moraes.html

É por isso que fico muito feliz de estar escrevendo sobre você em um (micro) texto sobre amizade.

Obrigado por estar presente em minha vida!

terça-feira, 27 de julho de 2010

"Que Bom Amigo" (Milton Nascimento), Por Vanessa

Neste mês que temos o dia do amigo fui convidada mais uma vez pelos donos desse blog a escrever utilizando uma canção que fale sobre o tema amizade. Missão difícil. São muitas as músicas, mas poucas que eu realmente gosto e que estavam disponíveis, já que existiriam outros textos falando de algumas canções. Encontrei a canção “Que bom amigo” do Milton Nascimento, que achei perfeita pra ocasião.

Na amizade mesmo que o tempo passe, mesmo com toda distância, mesmo sem se falar, o carinho continua igual. A amizade é a forma de amor mais pura e verdadeira que existe. O simples fato daquela pessoa existir já faz o mundo melhor. Mesmo sem vê-la sabemos que ela está ali. Nos piores e nos melhores momentos ela estará ao nosso lado, mesmo ausente fisicamente. Amigo de verdade nunca deixa de ser amigo. Pode-se brigar e até parar de falar, se afastar, afinal as pessoas são muito orgulhosas pra perdoar, admitir os próprios erros, compreender o outro... Mas quando há uma amizade verdadeira, e não só uma relação superficial e/ou de interesses, todas as divergências são superadas e a relação volta ao normal, como se nada tivesse acontecido, ou melhor, aprendendo com o que aconteceu. Como diz na canção: “Que bom amigo, poder saber outra vez que estás comigo, dizer outra vez a palavra amigo.... Sentir que tu sabes que estou pro que der contigo. Se bem que isso nunca deixou de ser.” E nunca deixa mesmo. Amigo é aquele que mesmo após uma briga, coisa natural da convivência nos relacionamentos humanos, se você precisar ele estará lá. E só a presença dessa pessoa já faz com que você se sinta seguro, feliz... Amigo é aquela pessoa que nos traz alegria sempre que pensamos nela. Amigo é aquele com quem queremos compartilhar nossas alegrias, tristezas, dúvidas... Com quem queremos compartilhar tudo, ou quase tudo. Amigo é aquele que briga com a gente quando necessário, discorda da nossa opinião se for o caso, cansa de ouvir as mesmas histórias, mas sempre as ouve com toda a paciência do mundo, como se fosse a primeira vez, e repete milhões de vezes os mesmos conselhos que não ouvimos antes, e quando ainda assim fazemos besteira podem até brigar mas também nos oferecem seu ombro. Amigo também erra, claro, é humano, mas isso não importa. Amigo é aquela pessoa que a presença faz com que nosso rosto se ilumine com um sorriso. Que alivia os sofrimentos da vida em uma conversa. Que nos ajuda a superar os problemas, a ver “uma luz no fim do túnel”, a encontrar soluções. Amigo é aquele que nos traz a vida toda vez que se aproxima de nós, seja pra uma conversa séria, pra “jogar conversa fora” ou pra ficar em silêncio. Amigo é aquele que nunca nos pede nada em troca, nem amizade, está com você pelo carinho que sente, mesmo que esse não seja retribuído, e se alegra com a felicidade do outro. Amigo nunca deixa de ser amigo. Amizade é uma das coisas mais valiosas da vida, nos resta aprender a valorizar melhor o que possuímos, a respeitar, a cuidar, a reconhecer e agradecer o que recebemos e temos, mesmo sem merecermos.

Link da Letra:

http://letras.terra.com.br/milton-nascimento/808232/

Vamos juntas caminhar

Além da vida, além do tempo

Nos meus caminhos mais brilhantes,

Encontrei você, pequena notável

Sorrindo, chorando, real e intensa

Sempre sonhando e ensinando a sorrir

Amiga, irmã. Dádiva, Vanessa.