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terça-feira, 15 de dezembro de 2009

De você (Pitty) X Minha Alma (O Rappa)

O post dessa semana, surgiu de uma idéia antiga, que estava guardada no nosso baú musical. Eu abri o baú, e comecei a ver o que tinha na minha prateleira de idéias, que me agradasse pra essa semana. Daí tão previsível quanto areia no deserto, me veio o rock. Meus escolhidos dessa semana falam por mim sobre como vivemos presos em nossos mundos devido à forma como a sociedade trata as pessoas: para os criminosos ficarem soltos, os inocentes se enclausuram em suas tocas em busca de um pouco de paz. É o velho ditado, aquele que os ratos só fazem a festa quando os gatos estão presos. Não tive dúvidas quanto a minha escolha, e estou gestando um duelo de rock, entre a galera de O Rappa e ela, novamente ela, minha queridíssima Pitty. Uso e abuso de “Minha alma” pra falar “De você”.

Quando tive o estalo de unir essas duas músicas num post, tive essa intenção por ver que tinham algo de parecidas, porém só hoje ao ouvi-las e ler suas letras com calma, percebi a afinidade entre ambas, com idéias que se completam tanto quanto feijão com arroz, Eduardo e eu.

Começo por ela, porque suas letras de protótipo perfeito me fascinam e inquietam. E essa música, para os que não sabem, tem na autoria, nada mais, nada menos que: Pitty, Duda, Joe e Martin – Ela e sua incrível banda. Ela fala das grades do portão, que supostamente deveriam nos trazer segurança, mas que não nos protegem de nós mesmos. Quando o rancor não nos permite o perdão, quando o poder nos sobe a cabeça, nos tornamos prisioneiros daquilo que é material, e que um dia vai apodrecer e nos levar junto ralo abaixo.

Peço licença ao Eduardo pra citar Frejat, em uma música que ele fez baseada em um texto de Victor Hugo, que diz “Desejo que você ganhe dinheiro, pois é preciso viver também. E que você diga à ele, pelo menos uma vez, quem é mesmo o dono de quem.” Enquanto não mostrarmos pras nossas posses que nós somos os donos delas, e deixarmos que elas governem nossa vida e nos permitam ver apenas entre as grades, estaremos na dúvida sobre quem é que está na prisão. E é isso que os meninos do Rappa esbravejam ao falar que suas almas estão armadas. E às vezes atiram em si próprias, quando não percebem que nenhum muro vai te guardar de você. Paz sem voz, não é paz, é medo. E o medo escorre entre os meus dedos.

Qual a paz que eu não quero conservar pra tentar ser feliz? Se essa paz vem do vidro fechado e da grade do portão, suposta segurança, mas que não dão proteção, ela é muda. O silêncio não traz felicidade, traz solidão. E não é esse tipo de paz que nós queremos dentro dos nossos corações.

Nessa sociedade em putrefação em que tentamos sobreviver, nessas épocas onde os sorrisos estão enferrujados, e os corações foram substituídos por chips piratas desbloqueados, que aceitam qualquer operadora em planos de minutos gratuitos, temos que ficar enclausurados em condomínios com grades pra trazer proteção, e percebemos que talvez nós é que estejamos nessa prisão que se chama “viver”, no mundo da geração Aids, drogas e falta de amor. Só que viver com medo de dar o próximo passo e levar uma bala perdida, nos faz refém do egoísmo e não há como tentar extrair o altruísmo dos corações de gelo, com colete a prova de balas e demonstrações de afeto. Vivemos imersos em nossa solidão povoada, sem ninguém que compreenda nosso pequeno e insignificante mundo, tendo como conseqüência horas e horas de bate papo com o espelho, sem obter resposta.

Se as pessoas não conseguem entender a si próprias, não se permitem perdoar e enxergar algo bom dentro de si mesmas, como podemos esperar que tenham uma preocupação com algo fora do seu Eu? É fácil dar defeito em protótipos imperfeitos, é fácil se arrepender ao perceber que a vida podia ser algo diferente. Seria diferente se não colocássemos muros com a tentativa de proteção de nós mesmos, se não precisássemos de novas drogas de aluguel.

De certa forma, o medo embutido na paz abafada ainda é um bom sinal, pois só tememos por nós mesmos ou por aqueles que amamos. Então, me abrace e me dê um beijo, faça um filho comigo! Mas não me deixe sentar na poltrona num dia de domingo. Nesse mundo de caos e solidão, embarque em loucuras comigo e me traga amor, mas me livre do tédio dos conformados. E quando você aprende a amar, você abre os braços e se sente livre. E é com a mão aberta que se tem cada vez mais. A usura que te move só vai te puxar pra trás. E certas vezes, é difícil resistir. É pela paz que eu não quero seguir admitindo...

By Mônica

Links das Letras:

http://letras.terra.com.br/pitty/250226/

http://letras.terra.com.br/o-rappa/28945/

Vida Louca Vida (Lobão) X Vida Real (Engenheiros do Hawaii)

Já falei sobre tantas coisas em meus posts... Utilizei temas que vão de traição à internet, contemplei a solidão, fim de amor, música e cinema, e até os quatro cavaleiros do apocalipse já foram citados. Só que me preparando para escrever o texto desta semana, cheguei à conclusão de que todos os outros temas não passaram de coadjuvantes que tinham a missão de me fazer amadurecer, para que eu pudesse falar do tema principal: a VIDA.

Para poder abordar um tema tão complexo, utilizarei “Vida Louca Vida”, do Lobão e “Vida Real”, do Engenheiros do Hawaii.

Devo dizer que o fato de “Vida Louca...” ser relacionado por muitos a Cazuza, não influenciou sua escolha, pois a primeira idéia era utilizá-la com outra composição do Lobão, “Vida Bandida”. Só que utilizar o mesmo compositor para este tema específico, poderia atrapalhar no resultado final do texto, pois as músicas têm visões muito parecidas.

Passadas as considerações iniciais, vou me aventurar pela louca vida de Lobão.

Nessa loucura que vivemos e chamamos de sociedade, levar uma vida louca vida é realmente um crime que não compensa? Essa pergunta sempre martelou muito em minha cabeça. Todos estamos cansados de toda essa caretice, toda essa babaquice, gerada por uma eterna falta do que falar, que nos faz sentir carentes, simplesmente porque não corremos perigos e nem perdemos os sentidos, já que vivemos na eterna espera pela hora certa, por acreditar que ela um dia vai chegar. Ah... vida real! Como eu troco de canal?

Vivemos em um mundo em que todos querem ser manchetes populares seja com um título de mulher fruta, seja com uma saia indecente na faculdade (não critico a saia e sim o fato da aluna se sentir feliz pela capa de jornal que o fato gerou), ou querer voltar à mídia utilizando o suicídio, mesmo que pela última vez. Afinal, como dizem os titãs: “não é tentar o suicídio querer andar na contramão”.

Lobão entendeu que não somos nós que levamos nossas vidas, e sim que ela que nos leva... Só que ela nos leva para o olho do furacão, aonde vemos governadores aceitando propina e dizendo que é para comprar panettones, assessor de presidente colocando dinheiro na cueca, e o que é pior... Presidente falando que essas imagens não significam nada, já que nunca antes na história deste país... A corrupção foi tão popular.

O que é mais triste, é que nestes casos, o crime compensa.

Humberto Gessinger, sempre foi mais sutil, o poeta dos pampas, prefere usar figuras de linguagem, que num primeiro momento normalmente passam despercebidas, mas quando prestamos atenção ao que foi dito, temos que concordar que na hora da canção em que eles dizem “baby”, não sabemos o que dizer. E não sabemos mesmo. É vergonhoso ver como a sociedade brasileira, se tornou covarde de uns tempos para cá (o assunto do texto continua sendo a vida, só que a análise da letra dos Engenheiros, só me faz pensar em nossa vida em sociedade).

Cai a noite e continuamos indecisos, mas um telefonema bastaria para passarmos a limpo a vida inteira, será que esse telefonema, não seria de um amigo nos chamando para fazer algo contra toda essa sujeira que vemos no planalto central do país? Realmente passaremos o resto de nossas vidas esperando um telefonema que nunca virá? Porque não sei se vocês perceberam, o dia já nasceu e a noite caiu mais uma vez e não fizemos a ligação. O inferno continua sobrevoando nossa timidez que não nos permite pintar o rosto mais uma vez e clamar por justiça. Seja na política ou nos estádios de futebol. Por que nos tornamos tão impotentes diante deste cenário pós-apocalíptico que se formou em nossa frente? Temos medo de encarar a vida real e é por isso que na hora da canção em que eles dizem “samba” (viva o carnaval, o ópio do povo), fazemos questão de esquecer de todas as mazelas que nossa podre sociedade vive e nos entregamos a triste alegria (a intenção é ser contraditório) de deixar no ar a porta aberta no final de cada dia.

Ah... Vida Real! Tchau!

By Eduardo

Links das Letras:

http://letras.terra.com.br/cazuza/87861/

http://letras.terra.com.br/engenheiros-do-hawaii/104388/

terça-feira, 8 de dezembro de 2009

Brasil Corrupção (Ana Carolina) X Zé Ninguém (Biquini Cavadão)

O post dessa semana foi uma idéia que nasceu como fruto da minha indignação pela escória que tem algo ostentador chamado poder, algo corrompido chamado caráter e algo sagrado, porém, que foi molestado: a confiança de toda uma nação. Nesse modismo que o governo brasileiro se encontra, de inovar nas formas de corrupção, recorri à Ana Carolina em uma de suas parcerias com Tom Zé e ao grupo da minha Bèlle Époque, Biquíni Cavadão. Sendo assim, trago “Brasil Corrupção” e “Zé Ninguém” para esbravejar na arena dos donos do poder.

A galera do Biquíni traz a tona uma série de perguntas que nos faz refletir sobre o rumo que as coisas estão tomando. Vejam, essa letra foi escrita em torno de 20 anos atrás, e as coisas já estavam nesse patamar de gravidade. Ana, em contrapartida, traz uma realidade mais atual, e conseqüentemente, fétida e indigesta. Onde sequer existe a camuflagem da violação dos deveres políticos para com a sociedade. Camuflar pra que, se todo mundo rouba aqui desde o primeiro português que aqui pisou, de pé sujo e sem pedir licença pra entrar na casa alheia e tirar tudo do lugar?

Quem foi que disse que Deus é brasileiro, que existe ordem e progresso, enquanto a zona corre solta no congresso? Nesse país de manda-chuvas, tem sempre alguém se dando bem, de São Paulo a Belém. Seja o político que rouba dinheiro público com falso pretexto de caridade natalina (como se a população precisasse de Panettones, ao invés de comida, empregos, saúde, infra-estrutura de moradia – coisas supérfluas quando comparadas a um bolo de frutas do feriado sagrado vendido ao capitalismo), seja o financiador da pirataria, o furador de filas, o cambista vendendo ingressos pro show...Ou mesmo, o individuo que avança o sinal e anda sem cinto de segurança após tomar uma ou duas geladas enquanto critica os governantes que burlam as regras.

Quem foi que disse que a justiça tarda, mas não falha? Quem foi que disse que os homens nascem iguais? Eu não sou ministro, eu não sou magnata. Aqui embaixo, as leis são diferentes. A justiça não falha (nem tarda) para os ladrões de galinhas, mas não precisa funcionar para os estelionatários. Os homens nascem iguais para pagar impostos, e diferentes para receber benefícios. Aqui a lei é assim: quanto mais se tem, mais se ganha. Quanto menos se tem...Quem se importa com o que você precisa? Dois pesos, duas medidas. É assim que se equilibra a justa balança do mundo...

Os dias passam lentos, aos meses seguem os aumentos. Dos preços, da inflação. Da violência. Do desemprego. Dos golpes e falcatruas. Dos mortos na porta dos hospitais sem atendimento. Dos casos de gripe suína e de dengue. Dos desabrigados pelas enchentes. De balas perdidas (ou achadas). De impeachements. Pra responder essa sujeira, cada dia eu levo um tiro que sai pela culatra. Se tudo aqui acaba em samba, no país da corda bamba, querem me derrubar! Nessa Terra de Marlboro, derrubam-se os Zés que querem ser “Alguém” na mesma proporção que se sobe a inflação. A verdade, é que em terra de cego, quem tem um olho é rei, mas em terra de ladrão, quem é honesto, vai preso. É otário. E ainda por cima, visto como ladrão do mesmo jeito. Não importa, prefiro seguir acreditando que é melhor ser honesto e justo.

Vivendo nesse puto saco de mau cheiro, onde as senhoras de pouca renda vão rezando pela (in)justiça da Bahia ao Espírito Santo, não há santo que resista. Quem dirá, espírito. Quem foi que disse que a vida começa aos quarenta? A minha acabou faz tempo, agora entendo por que...eu sou do povo, eu sou um Zé Ninguém. E não tenho nada na cabeça, a não ser o céu. E os meus sonhos que alimentam a esperança de um futuro diferente do passado, por vezes sai pela culatra como os tiros de outrora.

Os dias sempre passam lentos para aqueles que desejam fazer as coisas de uma forma diferente.Quando se fala de corrupção, muitos preferem omitir suas opiniões a fixar idéias que poderiam ser contraditas caso estes pudessem ter a oportunidade de saborear o poder.

Quem foi que disse que os homens não podem chorar?Cada homem é sozinho a casa da humanidade. Se cada um de nós formar dentro de si um templo onde amar não é sofrer e onde as leis são iguais, sendo magnata ou Zé Ninguém, iremos perceber que os milhões de Zé “Alguéns” espalhados por aí, podem fazer a diferença. Finalizo parafraseando Ana, quando ela diz: Minha esperança é IMORTAL! Ouviram? Imortal. Sei que não dá pra mudar o começo, mas se a gente quiser, vai dar pra mudar o final...

By Mônica

Links das Letras:

http://letras.terra.com.br/ana-carolina/300818/

http://letras.terra.com.br/biquini-cavadao/44611/

Ska (Paralamas do Sucesso) X O Reggae (Legião Urbana)

Para não quebrar a regra, vou começar meu texto dando algumas explicações para a escolha das músicas dessa semana. Primeiro ponto: O fato das músicas terem o mesmo nome de ritmos musicais latino-americanos, não é coincidência. Segundo ponto: O fato das músicas serem dos Paralamas do Sucesso e da Legião Urbana (duas das minhas bandas prediletas), que estouraram no mesmo cenário musical e são da mesma cidade, também não é coincidência. Terceiro – mas não menos importante – ponto: Procurando sobre a origem do Reggae¹ e do Ska², descobri que o segundo também é jamaicano e que curiosamente, foi precursor do primeiro (digo curiosamente, porque foi graças aos Paralamas que apresentaram um demo da Legião para a gravadora, que Renato Russo e sua turma foram convidados a virem para o Rio de Janeiro... O resto é história).

Passada as considerações iniciais, apresento-lhes minhas escolhidas para essa semana: “Ska”, do Paralamas do Sucesso e “O Reggae”, da Legião Urbana (fala sério, vocês já tinham sacado que eram essas as músicas, né?).

“Ska”, faz parte do meu (in)consciente musical, pois conheço a música, mas nunca me lembrava do nome e “O Reggae” é uma das composições de Renato que mais adoro.

Seguindo a ordem cronológica do texto, começo minhas divagações pela letra de Herbert Vianna, que apesar de não ser um compositor que utilizo com freqüência (comparado a Renato e Cazuza), é muito importante para a formação musical que tenho. Confesso que num primeiro momento, só pensei em utilizar “Ska”, porque ela casaria perfeitamente com a outra escolhida, já que como eu disse no início do texto, ambas são nomes de ritmos musicais. Só que quando fui à procura da letra, me deparei com uma curta, porém expressiva letra, que consegue expor bastante seus sentimentos em tão poucos versos. Afinal de contas, que ser humano finge não ver os erros que comete?

Todos achamos que vivemos em um filme, que nossos erros serão perdoados por um salvador que entrará pela porta do nosso quarto durante a madrugada nos redimindo de tudo. É difícil perceber, mas não fazemos parte de filme algum. Sim, é lindo morrer de amor, mas melancólico saber que de todos os nossos sonhos não sobrou nenhum, sendo assim, tanto faz se o herói não aparecer, normalmente aprendemos o que é certo com a pessoa errada.

No final das contas, é sempre melhor se perder olhando o pôr do Sol, do que assistir ao jornal da TV e aprender a roubar pra vencer. Não esqueçam, as bandas são de Brasília, mesma terra do Governador Arruda, aquele que recebe propina para alimentar os pobres com... Panettones(?).

As pessoas que acompanham o blog, sabem do fascínio que Renato e suas letras exercem sobre mim. Só que desta vez é diferente, pois a letra escolhida para essa semana não é apenas mais uma, e sim umas das três mais interessantes (na minha opinião) do letrista da Legião.

Em “O Reggae”, Renato faz aquilo que sabe de melhor, encarnar o espírito de todo jovem desiludido com a sociedade em que vive. É tocante e triste, a verdade com que cada verso nos atinge de maneira catártica, pois mentiroso é aquele que não se sente o eu-lírico da música quando Renato dispara: “Ainda me lembro aos três anos de idade, meu primeiro contato com as grades, meu primeiro dia na escola, como eu senti vontade de ir embora”.

A escola é sim nosso primeiro contato com as grades, acreditamos em tudo o que nos dizem, falhamos ao tentar ter paciência e quando crescemos e aparecemos, não vemos nada de mais, apenas injustiça e egoísmo. Afinal amar aos outros é démodé, e não é todo mundo que gosta de terminar o filme morrendo de amor.

Ninguém nos pergunta se estamos prontos, simplesmente nos jogam na cova dos leões, para tentarmos descobrir a verdade no meio das mentiras da cidade. Só peço sua ajuda se eu quiser, te aconselho a não fazer o que eu fizer, mas por favor, não me deixe aqui completamente tonto.

Tiram todas as minhas armas, como eu posso me defender? Vocês venceram essa batalha, mas a guerra, prefiro ver da janela, relembrando que nada era como eu imaginava, nem as pessoas que eu tanto amava.

By Eduardo

Links das letras:

http://letras.terra.com.br/os-paralamas-do-sucesso/76766/

http://letras.terra.com.br/legiao-urbana/46963/

¹ O reggae é um estilo de música originário da Jamaica. Em sentido mais amplo, Reggae pode referir-se a outros ritmos como os antecessores ska e rocksteady e predecessores dub,dancehall e ragga.

Bob Marley, cantor e compositor, é o ícone deste estilo musical[1].

² Ska é um gênero musical que teve sua origem na Jamaica no final da década de 50, combinando elementos caribenhos como o mento e o calipso e estadunidenses como o jazz erhythm and blues americanos.

Foi o precursor do rocksteady e do reggae. Suas letras trazem sinais de insatisfação, abordando temas como marginalidade, discriminação, vida dura da classe trabalhadora, e acima de tudo a diversão em harmonia.

Fonte:

(http://pt.wikipedia.org/wiki/Reggae)

(http://pt.wikipedia.org/wiki/Ska)

quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

Cazuza: Solidão? Que nada, Só se for a Dois

Sabe aquela história de velhos fantasmas que voltam para nos assombrar? Eu não acreditava nisso, mas ele bateu à minha porta, e tive que deixá-lo entrar. Não podemos deixar de encarar os fantasmas que nos perseguem e aproveitar a chance de mostrar que não nos assustam mais. E foi assim, com idéias do Eduardo, que agora discurso sobre ela. A temida pela maioria, a escolhida pelos egocêntricos: Solidão.

Ironicamente, a pessoa que vai me ajudar a falar sobre o tema, não era nada sozinha. Acho que Renato Russo poderia definir melhor do que ele o que é solidão, pois era nesse abismo profundo que se encontrava a maior parte do tempo, o que é notável em suas letras. Mas enfim. Vamos ao que interessa, Caju? Solidão?Que nada, só se for a dois...

“Solidão que nada”, trata de encontros casuais. Não me digam o contrário, é disso que se trata. Cada aeroporto é um nome num papel. Um novo rosto...Um estranho que me quer. Por mar, por terra ou via Embratel. Mas não há promessas, não, é só um novo lugar. Ao falar das curvas da estrada, de relações com partida e chegada coincidindo na estaca zero, e um véu que encobre seu verdadeiro eu, ele retrata que só fica sozinho quem quer, pois em cada lugar podemos encontrar o conforto (momentâneo) pra nossa solidão.

Será esse preenchimento do vazio o determinador do fim da nossa solidão? Talvez pra geração “Já sei namorar” e suas vidas vazias, sim. Geração essa que cultiva uma solidão ocupada. A pior de todas. Onde você se encontra entre um milhão de pessoas (geralmente uma micareta, aff) e se sente tão sozinho quanto um monge ermitão isolado em uma cabana no alto de uma montanha inabitada no Tibet. Nesse caso, gritar não adianta, ninguém irá ouvir. Eu uso o velho e bom ditado do “antes só do que mal acompanhado”. Pior coisa que existe é alguém lhe roubar a solidão, sem em troca lhe oferecer verdadeiramente companhia, já dizia Nieschtze.

O compromisso virou algo clichê, algo banal. Dispensável. Algo que nos prende a uma rotina nada entusiasmante. É aquilo que não nos permite contar vantagem dos nossos escores de uma noite arrasadora. É o que frustra nossos desejos de fazer sempre o que quisermos, com quem quisermos e onde quisermos. Como se as realizações pessoais dos nossos desejos pequenos e fúteis fosse mais importante que a incrível aventura de compartilhar seu mundo com alguém. E conhecer um universo que você nem sabia que existia e sempre fez parte de você.

E isso abrange a todas as relações que podemos ter. Não é necessariamente restrito aos relacionamentos amorosos, como pode pensar a maioria.

“Só se for a dois” mostra os absurdos que nos cercam e enxergamos com olhos de naturalidade. A ironia já começa quando se fala dos brancos da África do Sul e se completa ao mostrar os filhos de Ghandi morrendo de fome. Mas o que mais mexeu comigo foi os filhos de Cristo estarem cada vez mais ricos. Que religião é essa que as pessoas pregam e dizem praticar, que os torna mais egoístas, individualistas e mecânicas? Creio não ser a que Cristo pregava ao falar de altruísmo, caridade e amor. Valores esquecidos com o advento da famosa distanciadora – A internet. Eu sou legal, até te adiciono no orkut. Mas não preciso te ver, não quero saber dos seus problemas. Mas me deixe ver seus álbuns e suas comunidades pra rir um pouco. A ironia persiste quando ele diz que o mundo é azul. Mas ele era visionário, talvez. O orkut é o mundo azul da internet. Mas de azul, o mundo não tem nada. Ele está mais pra cinza tendendo ao enferrujado.

Qual é a cor do amor? Vermelho, eu diria. Intenso e eterno. Mas isso é opinião minha - reles sonhadora com uma casa de veraneio no país das maravilhas. Se as possibilidades de felicidade são egoístas, o mundo não é azul, e tampouco o amor é vermelho. Talvez tenha sido um dia...Onde não se escondia a cor das flores pra se mostrar a dor. Mas o soldado beija sua namorada, não importa pra que batalha vá. No fim das contas, só quem luta, valoriza e vê o amor como uma benção, e não como uma banalidade ridícula e ultrapassada, que não se usa mais nos dias de hoje, porque mostra o nosso lado frágil, fácil alvo de ataques.

Afinal, amar ao próximo é tão démodé...mas eu estou cheia de me sentir vazia. E digam o que disserem, o mal do século é a solidão. Diferente da fome, da sede e da doença, que fazemos de tudo para combater, a solidão pode ser semeada, como forma de renúncia ou conformismo. Ou inadequação a aceitar um universo diferente do seu. Mas é esse encontro de vidas que nos move. Nossa vida na terra está presa a outras pessoas. O que não podemos, é nos deixar afogar num mar de rostos sem conseguir encontrar um olhar. Drummond diz que na vida, a dor é inevitável, mas o sofrimento é opcional. Eu peço licença poética a ele pra dizer que o exílio pode ser inevitável (e até produtivo). Mas a solidão, essa sim é opcional.

Agora parafraseando Ana Carolina, ficar sozinho é pra quem tem coragem. E eu vou ler meu livro “Cem anos de solidão”... De toda forma, não curto esse lance de ficar só. Só se for a dois. Mas me sinto só. Me sinto só. Me sinto tão seu...

By Mônica

Links das Letras:

http://letras.terra.com.br/cazuza/85126/

http://letras.terra.com.br/cazuza/45009/

Dança da Solidão (Paulinho da Viola) X Solidão (Tom Jobim)

Desde que Mônica e eu começamos com nossos tópicos utópicos, que o tema do post dessa semana ficava na minha cabeça, mas eu meio que tentava empurrá-lo com a barriga, porque acreditei que a solidão não me assombrava mais, engano meu. Depois que se prova a vida a dois, o fantasma da solidão finge que sai das nossas vidas, mas na verdade ele fica apenas a espreita, esperando o momento certo para que possa voltar a ser nossa companheira inseparável.

Quando aprendemos a dividir a vida com outra pessoa, descobrimos que não existe nada melhor, e refletimos sobre aquela época em que nosso coração batia resignado e mudo no compasso da desilusão. Como é triste ser só. Não ter ninguém para dividir as alegrias e tristezas dessa vida é com certeza um dos piores males do mundo. Não é a toa que Renato Russo disse: “A solidão é o mal do século.”.

Essa semana não vou utilizar nenhum dos meus poetas para falar sobre a solidão, mas sim um dos maiores sambistas brasileiros de todos os tempos e o nosso maestro soberano. Falo de Paulinho da Viola e sua triste “Dança da Solidão” e Tom Jobim com a melancólica “Solidão”.

“Dança da Solidão” foi um dos primeiros sambas que eu aprendi a gostar. Quando ouvi a versão de Marisa Monte no CD Cor de Rosa e Carvão, fiquei encantado com a letra, pois a solidão sempre me fascinou (falo dela como tema e não estado de espírito). Paulinho da Viola e sua eterna sutileza conseguiram captar com perfeição a complexidade do tema. Ele percebeu como poucos que junto com a solidão, aparece outro sentimento, a desilusão. Sua dança triste nos embala em nossos piores momentos, principalmente quando perdemos um grande amor. Qual a pessoa que não sente a solidão invadir nossa vida como lava que cobre tudo?

Nessa sensação de fim de amor, encontro a ponte que queria para inserir “Solidão” do maestro Tom Jobim, nesse post que está me deixando tão melancólico quanto suas músicas. Tom guarda o vulto do seu amor na memória, em vão, pois ele sofre calado o fim deste amor que deixou como resultado a desilusão. Que com certeza amargurou sua boca e o fez sorrir com dentes de chumbo.

Os poetas procuram a solução para o fim deste mal, mas com o passar dos dias, a noite vem, e eles se cansam. E esperam o chegar da madrugada para que seus pensamentos possam vaguear enquanto contemplam a lua cheia. Neste momento eles rezam para que seu amor volte a amá-los como um dia o fez, e quando a saudade apertar, voltam a procurá-los.

No final das contas acho que Paulinho da Viola foi o único que conseguiu descobrir que apesar de tudo, existe sim uma fonte de água pura capaz de dar fim a toda a amargura da solidão. Essa fonte se chama amor. Sei disso, porque há dez meses a solidão saiu da minha vida para nunca mais voltar.

By Eduardo

Links das letras:

http://letras.terra.com.br/paulinho-da-viola/48053/

http://solidao.tomjobim.letrasdemusicas.com.br/