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terça-feira, 29 de setembro de 2009

Tim Maia X Leoni em Primavera: A Temporada das Flores

O tema da semana me deixou especialmente feliz. É um tema que eu adoro. É algo que eu penso todos os dias, por onde eu passo. Queria ter falado desse tema semana passada, seria mais “apropriado”. Porém, o tema da semana passada tinha que ficar na semana passada, porque é mais importante que os jardins do Éden (desculpa, Caju!).

Voltando ao tema desta semana, vou falar de algo que existe em tudo que eu vejo: Flores. Tema apropriado, pois a temporada delas está apenas começando, perfumando minha alma e de todos os sonhadores. Colorindo minha íris e de todos que acreditam no amor. Já que a temporada está chegando como uma brisa morna de fim de tarde, falo do início. Saudações à recém chegada ( e mais bela das estações): Primavera. Peço licença à Tim Maia e sua Primavera, e também à Leoni e sua Temporada das Flores.

Logicamente, devido ao nome das canções, fica óbvio que falam de amor. Da forma mais açucarada e suculenta possível: o seu nascimento, ou renascimento, como queiram. Primavera pra mim, é igual ano novo. Aliás, o ano novo deveria começar com a primavera: ambos renovam as esperanças. No ano novo, as pessoas tentam de novo, com força e persistência. Na primavera, os corações se abrem para os novos (ou antigos) amores. Para novas tentativas e possibilidades, como se não houvesse chance de serem feridos. Mas eu não vou falar de dor. Não vim falar de espinhos, mas sim de rosas. Lírios. Tulipas. Orquídeas. Flores. Jardins. Novas temporadas. Cores pelo mundo. Como um arco íris palpável, que não aparece somente após as tempestades, mas antes delas. E durante. E depois. E depois. E depois...Sem murchar ou perder as pétalas.

Tim Maia diz que quer estar junto ao seu amor quando chegar o inverno, e mesmo que voltemos ao chove-não-molha em tons de cinza do outono. Porque ele está na primavera e esse amor traz tanta força e beleza, que ele suporta qualquer estação, desde que o tenha. Nenhum frio o entristece. Nenhuma frieza, nenhum marasmo indeciso.

Leoni é detalhista e belo ao falar da sua temporada que vem chegando: ele pede que seu amor o espere, porque ele suportou um inverno desnutrido e tem fome de receber com coração e alma as flores que estão chegando a colorir seus sentimentos. Flores imaginárias que saem do amor que ele sente. Que fez nascer em seu rosto um sorriso. E que enterrou uma escuridão assombrosa, da qual ele não queria sair. Ele não conseguia achar respostas e soluções, de tão imerso que se encontrava nesse gélido coração.

Mas agora, ele achou o caminho de volta. Ele marcou o caminho com flores e promessas reais. Ele conseguiu fazer renascer todos os bons sentimentos que ele tinha e estavam congelados. E percebeu que sempre estiveram ali, perto da parte onde ele percebe a importância das pessoas em sua vida e o sentido da sua existência. Estavam na mesma gaveta que o calor das pessoas e o amor pela vida. Ele se permitiu pôr uma pedra no inverno e (re)começar a plantar flores no canteiro da sua alma.

A primavera está chegando outra vez. O amor tem sempre a porta aberta, e vem chegando a primavera. Podemos recomeçar, da forma mais perfeita possível, dizia meu poeta preferido. E que com a primavera, possamos aprender a nos deixar podar e voltarmos inteiros pra nós mesmos.

Que possamos dar uma nova chance ao amor. Abrirmos novos caminhos. Plantar novos jardins. Aprender a andar e correr como se fosse a primeira vez. Porque, uma hora ou outra, entre galhos cortados, pétalas murchas e terra seca, encontraremos condições favoráveis de deixar germinar novas sementes. E mesmo que peguemos um verão temperamental, um outono melancólico e um inverno implacável, uma outra primavera virá. E numa dessas mudanças de vento, de ares e cores, encontraremos o que sempre faltou em nosso jardim. Uns chamam de flor da paixão. Eu acredito que seja amor-perfeito.

Finalizo com uma passagem de Pablo Neruda, que fala tudo sobre essa magnífica estação, e o amor. Quero apenas cinco coisas: Primeiro é o amor sem fim. A segunda é ver o outono. A terceira é o grave inverno. Em quarto lugar o verão. A quinta coisa são teus olhos. Não quero dormir sem teus olhos. Não quero ser... Sem que me olhes. Abro mão da primavera para que continues me olhando.

By Mônica

Links das Letras:

http://letras.terra.com.br/tim-maia/48934/

http://letras.terra.com.br/leoni/81262/

Duas filhas de Francisco (Buarque): A História de Lily Braun X Mil perdões

O post desta semana será temático e ao mesmo tempo, não. Quebrando um dos primeiros dogmas (eles foram feitos para isso, serem quebrados) criados por Mônica e eu, vou falar sobre duas músicas de um mesmo compositor: Chico Buarque.

Uma curiosidade sobre este texto, é que há mais ou menos um mês atrás, Chico não estava no meu roll de compositores prediletos. Sempre achei o modo como ele aborda a alma feminina em suas canções muito interessante, mas não ao ponto de endeusá-lo, como fazem os metidos a expert musical. Porém, assistindo ao DVD do show “Carioca”, fiquei maravilhado quando ouvi a música “A História de Lily Braun”.

A letra conta a história de uma mulher que se apaixona pelo “homem dos seus sonhos”, e como nós (homens), temos o (maldito) dom de fazermos tudo errado, falo isso, porque Chico canta que após a conquista, o homem passa a amá-la como esposa e não como “star”, amassa as rosas e queima as fotos. O romance se resume a um beijo no altar.

Assim que terminei de ouvir a música, imaginei Lily Braun como a personagem principal da outra música do post: “Mil Perdões”, que conta a história da mulher que perdoa o companheiro por amá-la demais, por fazer mil perguntas, que em vidas que andam juntas ninguém, por chorar quando ela chora de rir e principalmente, o perdoa por traí-lo.

Discordo em 100% da antropologia que vê o homem como sagrado e a mulher como profana, se existe realmente o conceito de sagrado e profano, ele foi invertido pela nossa sociedade chauvinista, que adora por o homem como ator principal e a mulher como uma mera coadjuvante, neste grande show de rock que chamamos de vida. As mulheres comandam a sociedade, e elas sabem disso, nós é que ignoramos este fato. Quando percebermos que há muito não mandamos mais em nada, que sem elas não vivemos, e talvez sejamos apenas um mal necessário em suas vidas, desceremos do nosso pedestal, e nunca mais lhe ergueremos as mãos, voltaremos a comê-las com olhos de comer fotografia e como no cinema, vamos mandar flores e um poema.

Não quero levantar bandeira nenhuma com este texto, não vim aqui reclamar direitos feministas, mas simplesmente conscientizar meus semelhantes, que jamais deixem a chama da paixão parar de queimar entre você e sua companheira, porque um drink no dancing, um cinema e uma espelunca, podem ser suplantados, mas não sermos “nunca mais felizes”, mata a alma. E homens e mulheres que não são felizes, não merecem sequer um perdão, quiçá mil.

By Eduardo

Link das Letras:

http://letras.terra.com.br/chico-buarque/85821/

http://letras.terra.com.br/chico-buarque/85999/

terça-feira, 22 de setembro de 2009

Sutilmente (Skank) + P.S. Eu te amo

O post dessa semana, confesso que foi sofrido, quando a intenção era tudo, menos essa. Juntar música com outras forma de arte e traçar um paralelo me fascina. Então juntei essa idéia, com o dia D de hoje, e pensei nessa forma de me declarar pro Edu. Então, não vou por um duelo de músicas A versus B, e sim, somar. Como o amor faz. Comparo então o filme P.S. Eu te amo com a letra do Skank, Sutilmente.

Acho que todos sabem, mas o filme conta a história de Holly, uma mulher que acabou de chegar aos 30 anos e ganhou um presente de grego: perdeu seu amado Gerry, vítima de uma doença fatal. Mas como Gerry sabia que iria deixar sua amada, e que seria dificil pra ela seguir sem ele, encontrou formas de fazê-la despedir-se. Dar adeus aos poucos, se bem que em certos casos, o adeus pode nunca vir.

Antes da terrível separação, o filme mostra alguns conflitos do casal, mas o que mais em chama atenção, é uma briga explosiva onde ambos se alteram e dois segundos depois, se beijam loucamente, pensando o quão ridículo é perder tempo com bobeiras, se o amor é mesmo maior que isso. Quando eu estiver louco, subitamente se afaste, diz a letra. Mas quando eu estiver fogo, suavemente se encaixe, porque não é possível ficar mais que alguns segundos longe de você, minha alma arde em uma febre incessante por sentir seu coração bater em mim.

Em determinado momento do filme, eles se questionam do porquê de nao terem filhos, e Holly logo tem a resposta na ponta da língua: isso nao está nos planos previamente arquitetados, onde cada etapa é uma sequência que tem uma lógica perfeita para dar certo. Só que o que ela não percebeu, foi que quando planejamos demais nossa felicidade, adiamos pra um espaço de tempo que um dia sequer vai existir.

Gerry tem uma perspectiva mais realista: ele a responde dizendo que as pessoas têm filhos sem grana o tempo todo. Somos felizes sem planejar e estabelecer metas pra isso, porque 99% dos nossos planos nunca darão certo e precisamos viver cada dia no improviso, que nos faz sorrir muito mais por ser perfeito, sem ter sido pré-meditado.

Holly ainda diz uma frase que teve muito impacto pra mim e me fez pensar sobre a minha vida e os infinitos planos que faço pra ela: “ E se nossa vida for isso? E se isso for tudo?”. Ela diz isso ao refletir que vê muitas pessoas comprando apartamentos maiores e tendo filhos, e fala de às vezes sentir medo que sua vida não comece. E Gerry a rebate, dizendo que eles já estão vivendo a vida deles, que ela já começou e é aquela que eles levam. E pode não passar disso. E realmente, não passou disso. Não passa disso.

E ela não consegue viver nessa realidade onde ele não faz mais parte do mundo dela. Pelo menos, do mundo real e tocável. Ao ligar repetidas vezes pra secretária eletrônica dele pra ouvir sua voz na mensagem, ela mostra sua urgência em sentir a presença de quem é parte dela. Os hábitos são difíceis de mudar, quando a pessoa é parte de nós e de tudo que nos mantém vivo e são.

É como estar se apresentando em um salão lotado, e não enxergar ninguém, nem vaias, nem congratulações. Só enxergar um rosto no meio dessa multidão. O único rosto que não faz parte desse cenário, só de sua imaginação, que quer tornal real seu passado feliz que não existe mais. E se eu quiser encerrar minha vida por aqui?

Nem foi dada essa opção, apesar da vida continuar e se entregar ser uma bobagem. Bobagem maior é não perceber o privilégio que é envelhecer com alguém ao seu lado, que te mantém longe da vontade de suicidar. É mais difícil do que parece.

As saudades seguem. E ela não consegue ser feliz com a felicidade dos outros, por perceber que tudo que lhe fazia feliz foi embora sem a mínima chance de voltar. Como se tivesse condenada a pagar uma pena por um crime que não cometeu e ainda tentou impedir que fosse cometido por outrem. Não importa o que faça, o emprego ou os amigos que tenha, ele não está ali. E ela não está sei lá onde com ele. Nada muda o fato de que estão separados e isso dói em ambas as partes.

E ela percebe aos poucos como se encontra imersa em sua solidão: quando vai ao restaurante e o garçom tira os pratos da frente e pergunta: “sua companhia foi embora? É só você então?”. Era só ela, pra sempre. E ela só queria ser simplesmente abraçada por estar triste.

“Você foi minha vida, mas eu fui só um capítulo da sua. Ainda há mais”, é o que ele a diz em sua carta de adeus. Pra ela, a vida segue. Mas ele continua nela. Certas coisas, só acontecem uma vez, e deveriam ser proibidas de ter um final ímpar. Mas quando eu estiver morto, suplico que não me mate, não, dentro de ti. Mesmo que o mundo acabe, enfim. Dentro de tudo que cabe em ti. Não me exclua do seu universo. Pode disfarçar quando eu estiver bobo. Mas nunca esqueça que é P.S. Para sempre. Você sabe.

By Mônica

Link da Letra:

http://letras.terra.com.br/skank/1342038/

Link sobre o filme:

http://www.orkut.com.br/Main#Community?cmm=28833212

Blues da Piedade (Cazuza) + A viagem de Heitor à procura da Felicidade

Esse é o início de uma nova “aventura” neste blog, vamos começar a falar de músicas que possam se relacionar com outros tipos de arte. Não qual movimento artístico, mas desde que isso nos inspire, iremos divagar e trazer para nossos amigos leitores nosso modo de ver música e arte.

As minhas comparações musicais acabam me fazendo enveredar por campos não muito convencionais. Entre a correria do trabalho e a faculdade, estava exercendo a leitura com o livro “A Viagem de Heitor à procura da Felicidade” (não vou analisar o livro e sim de como ele fez a ponte para a música deste post).

O livro conta a história de Heitor, um psicanalista que decide fazer uma viagem, para tentar entender a felicidade. E o porque de ter tantos pacientes que não tem motivos, mas mesmo assim, são infelizes. Em sua viagem, Heitor encontra vários exemplos de felicidade em simples fatos ou atitudes do cotidiano. Essa viagem mudou o modo do personagem ver o mundo e a felicidade.

Num trecho do livro, o tal Heitor tenta entender porque pessoas que tem todos os motivos para serem felizes, não o são. Pensei no que Frejat e a galera do Barão Vermelho disseram em “Pense e Dance”, que a “felicidade é um estado imaginário”, mas refletindo melhor, vi que o texto é mais complexo e resolvi tentar me fazer entender, utilizando as palavras do poeta.

As pessoas que Heitor cita, são as mesmas que não sabem amar e ficam esperando que alguém caia nos seus sonhos.

“Blues da Piedade” sempre disse muito para mim. Só que como bom fã de Cazuza, não foi por nenhum motivo altruísta, e sim pelo mais egoísta possível... Morro de medo de ser careta e covarde.

Peço ao senhor, piedade, grandeza e um pouco de coragem, para essas pessoas de alma bem pequena que de tanto remoerem seus pequenos problemas, não conseguem ser felizes.

O livro de certo modo me ajudou a entender duas coisas, a e principal, é que a felicidade não é um estado imaginário e sim de espírito, a segunda é que eu posso ser muitas coisas, inclusive careta, mas nem um pouco covarde, porque quando vejo a luz, ela ilumina minhas (grandes) certezas.

Dedico este texto às pessoas as pessoas fracas, que estão no mundo e perderam a viagem. E lhes dou um conselho: parem de querer aquilo que não tem.

By Eduardo

Link da Letra:

http://letras.terra.com.br/cazuza/44997/

Link sobre o livro:

http://www.orkut.com.br/Main#Community?cmm=21507946

terça-feira, 15 de setembro de 2009

Carta aos missionários (Uns e outros) X Tele fome (Jota Quest)

Invertendo a ordem com o Eduardo, e continuando a falar sobre os quatro cavalheiros, essa semana quem fala sobre guerra e fome sou eu. Guerra, na forma literal. E quanto à fome, que nos dói e nos faz ter pressa, falo dela. Mas não àquela que se sacia com alimento. Pelo menos, alimento pro corpo. Porque a gente não quer só comida, a gente quer matar a sede e curar a dor. Da alma. Com algum remédio ou antídoto para preencher nosso vazio interminável. Então, falo de fome de amor. É a fome que o mundo precisa saciar. Sendo assim, todos os outros problemas se dissolvem. Para seguir meu discurso, me utilizo de Uns e outros e sua Carta aos missionários, e Jota Quest com seu Tele fome.

Acredito na forte ligação dos temas, em uma era onde os egos que competem pelo poder tem fome de lutar, enquanto os miseráveis emplacam uma guerra por comida, por sobrevivência. Onde foi parar o amor num mundo onde existem gigantescas batalhas que tem como finalidade saciar desejos egoístas, uma fome – que deve ser mais intensa e urgente do que os que não tem alimento – de vencer exércitos a qualquer custo, mesmo que necessite devorar um a um os humanos como eles, pra chegar ao objetivo final?

Missionários e missões em um mundo pagão, resultam em missões suicidas. Se não há um Deus no comando, e crença em nada, como podemos esperar bons resultados dessa guerra?

Ódio e destruição nos quatro cantos da terra, como os quatro cavalheiros que noticiam o fim da espécie humana. Isso parece mesmo a marcha para o fim. Onde todos andam às cegas, em fileiras, indo pra lugar algum, destruindo-se uns aos outros no caminho.

A pureza das crianças não escapa desse revés. Em vez de estarem brincando, as crianças estão tomando a frente da guerra, dissipando sua inocência a cada vida que exterminam. Tem seus pequenos corações manchados pelo sangue faminto por poder e status que os representantes das grandes nações idolatram. A culpa vai para as crianças. As fardas bonitas e as condecorações, para os grandes senhores que não sujam suas mãos com o sangue que tanto sacia sua sede. E fica documentado no nosso passado de absurdos gloriosos, esse rastro sujo de sangue e glória.

Missionários de todas as partes, sem destino e sem saber porquê, obedecem cegamente à generais egocêntricos e inacessíveis. É isso que fica muito bem desenhado em Carta aos missionários. Acredito eu, que essa carta nunca tenha verdadeiramente chegado à eles e os alertado sobre suas realidades.

Em tele fome, falamos de fome de presença, pois as pessoas têm necessidades reais de afeto. Carência de andar de mãos dadas e saber como foi o dia, depois de um beijo na testa. A obrigação da sua voz é estar aqui, no ouvido do meu coração, dentro de mim, porque a tecnologia nos disponibiliza meios de estarmos juntos virtualmente e esquecemos a importância da presença física. Porque estarmos separados (por opção) se podemos estar juntos? Falar de amor ao telefone não basta, não dá pra ler a sinceridade em um aparelho eletrônico, só os olhos podem falar a língua do amor.

Estamos todos cada vez mais urgentes em ser feliz nesses tempos de guerra, com um apetite voraz por saciar nossos desejos. Pra você chegar mais rápido ao meu coração, porque ele está com pressa, no meio de toda essa esperança dispersa. Então não posso esperar. Como diz o slogan, quem tem fome, urge. E eu estou com fome de ser feliz. De amar. De vivenciar tudo o que é simples e banal aos olhos alheios. Porque emoções tendem a mostrar nossa face boba e ridícula, e é esse medo do ridículo que paralisa a todos nós. E nos faz parar no tempo. Numa janela escondida em algum lugar, onde a guerra é normal. Pessoas morrendo de fome, idem. A falta de amor é natural. Ninguém liga pra reforma moral. Pelo que você lutaria? Você tem fome de amor ou está satisfeito com a indiferença?

By Mônica

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Boas novas (Cazuza) X Bom é quando faz mal (Matanza)

Mais uma terça-feira, senhoras e senhores. Venho até vocês para lhes trazer boas novas, desta vez sou eu quem escrevo sobre peste e morte. Não esperem que eu fale de doenças (sejam elas físicas ou da alma). Vou utilizar minha ótica meio distorcida para o tema e vejamos no que vai dar.

Assim como guerra e fome, peste e morte são irmãs, estão unidas em sua missão de nos levar embora dessa vida. Seria bem fácil e cômodo, escrever um texto reclamando que as pestes desse mundo são causadas, porque as pessoas só pensam em si próprias e todas essas frases feitas que temos para todos os assuntos, mas você já parou pensar que a peste que pode causar a sua morte é apenas um resultado do seu egoísmo?

É bom sair com os amigos e encher a cara, não? “Isso é apenas diversão, não pode fazer mal a ninguém”. Realmente isso não faz mal a ninguém, a não ser a você mesmo. Nós não podemos causar mal nenhum a ninguém, a não ser a nós mesmos, dizia Cazuza. E ele estava errado. Por causa de seu (des) compromisso com a vida, o poeta morreu vítima da maior peste do século passado, e sua morte causou grandes danos na vida de várias pessoas, desde familiares, até pessoas que nem sabiam da sua existência quando ele se foi.

Não estou falando que não precisamos cometer exageros, pelo contrário, os exageros devem ser cometidos, só que eles valem muito mais a pena, quando cometemos ao lado de quem se ama. Dividir um barril de whisky, vinte caixas de cerveja ou quilos de carne, com pessoas que só estão ao seu lado porque você pode lhes proporcionar isso, é mais importante do que compartilhar momentos com pessoas que só pedem a você a sua presença na vida delas? Não reclame que perdeu sua vida, se não foi capaz de valorizar estes momentos e nem respeitou seus limites como ser humano.

Isso tudo que eu estou escrevendo, pode ser apenas bobagem num papel aos seus olhos, mas na verdade é isso que eu falaria para o meu poeta se tivesse a chance de conversar com ele, dizer como ele foi egocêntrico em não pensar nos órfãos que ele deixou ao partir tão cedo. Não estou julgando Cazuza e nem ninguém por querer se divertir, até porque, na minha opinião, diversão é solução, sim!

Só eu sei como estou fazendo das tripas coração para escrever estas metáforas rimadas e dizer que a maior hipocrisia do mundo, é clamar pela vida quando você em nenhum momento cuidou dela do modo como deveria, para não ter que fazer do medo sua oração, porque não é Deus na hora “H”, que vai redimir você das conseqüências que qualquer coisa traz.

Esse é apenas um texto de alguém que descobriu que a vida significa muito mais, quando dividimos todos os momentos ao lado de quem vale a pena, não importa se sejam poetas, loucos ou cantores do porvir.

By Eduardo

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http://letras.terra.com.br/matanza/95573/

http://letras.terra.com.br/cazuza/85001/

terça-feira, 8 de setembro de 2009

Temas para Semanas Utópicas

Parir idéias não é fácil. A dois então, é como dividir a dor e multiplicar a responsabilidade sobre o que vai nascer. Afinal, todos queremos herdeiros notáveis. A vida é mesmo um ciclo de acontecimentos em cadeia.

As idéias nascem, crescem, multiplicam-se e modificam-se, antes de se tornarem reais. Para cada idéia, mil músicas. Para cada música, um universo de histórias. Para cada universo, um turbilhão de emoções compartilhadas. Nossos ouvidos estão sintonizados: necessitam urgentemente capturar as intenções de cada verso.

Nossa afinidade nos levou à criação desse espaço. Nossa percepção musical, à entender que inspirações aleatórias não alimentam para sempre. E assim, surgiram idéias temáticas, onde os nossos tópicos utópicos serão abordados dentro de assuntos com alguma coisa em comum, previamente explicados. Porque criar é algo que nos fascina. Saber que há música para tudo e para todos, nos move a pensamentos sem fim. E para começar, falaremos do fim. Fim dos tempos, fim do mundo (?).

By Eduardo e Mônica

Os Quatro Cavalheiros do Apocalipse

Os quatro cavalheiros do apocalipse, personagens que foram descritos na terceira visão profética do apóstolo João, no livro do apocalipse. Estão em número que representa a simetria e universalidade, como os quatro cantos da Terra e aos quatro ventos. São representados por símbolos: Conquista (ou às vezes, o Anti-Cristo), Guerra, Fome e Morte, embora apenas este último seja identificado pelo nome. A Conquista, é simbolizada pela falsa inocência e paz disfarçada, por usar um cavalo branco e um arco, e também pode ser interpretada como a Peste. A guerra é descrita por um cavalo vermelho, pelo sangue derramado, e uma espada que explicita a luta. A fome, obscura, aparece em um cavalo negro que carrega a balança da desigualdade, da escassez de alimentos e das trocas injustas. Por último, a morte aparece em um cavalo Baio, de pele tão esverdeada quanto um cadáver em decomposição, tem a honra de ser o único cavalheiro a ser chamado pelo nome, como a única certeza que nos aguarda. Porta um tridente, e tem o poder de receber àqueles destruídos pela guerra, pela fome e pela peste.

By Eduardo e Mônica

Duelo de Titãs: O Pulso X Epitáfio

Começando a falar sobre posts temáticos, eu e o Eduardo nos dividimos, 2 temas pra cada um, sobre os quatro cavalheiros do apocalipse, tema dessa semana. O mais engraçado da divisão, é que foi ao “acaso”, e não percebemos que ficamos com temas que se completam...Ele, Guerra e Fome. Eu, Peste e Morte.

Pra expor minhas idéias relacionadas a tais temas, usarei músicas, que sem querer, são do mesmo (fantástico) grupo. Peste X Morte deram origem ao duelo de Titãs, de O pulso X Epitáfio.

Em O Pulso, são vomitadas infinitas enfermidades que acometem a raça humana, e mesmo remando contra a maré, o pulso ainda pulsa...A vida persiste e tenta sobreviver. O que mais me chamou a atenção, foi o fato de apesar de muitas doenças que deterioram o nosso corpo serem citadas, estas são mescladas com as piores pestes que nos invadem: as doenças da alma. Rancor, estupidez, ciúmes, hipocrisia. Culpa, e até hipocondria e cleptomania.

Estamos em um mundo doente, com uma sociedade doente, de todas as formas. Mas a pior epidemia que pode nos atacar é aquela que remédio algum pode curar. Porque o corpo, ainda é pouco, e não nos basta, porque sempre queremos mais. Mais. Mais do que nossas mãos alcançam. A peste toma conta de nós e nos alimenta, pra depois nos fazer definhar à sua própria sorte, até a morte nos levar com piedade.

E quando percebemos, chegamos ao fim...E Epitáfio retrata esse fim com toda lamentação de alguém que deixou sua vida passar sem fazer parte dela.

Alguém que chega ao fim de sua jornada, olha pra trás e vê tudo o que deixou passar, por hiperestimar coisas que não valiam nada e não dar valor às pequenas coisas, que são aquelas que farão grande diferença na forma como vivemos a nossa vida, e são o que nos farão termos as melhores lembranças.

Rancor de nós mesmos e culpa por não saber fazer a coisa certa. Medo de amar, de chorar, de viver. Resistência em aceitar as pessoas com todos os seus defeitos, e dores que trazem em seus corações. As qualidades até parecem ficar pequenas, as alegrias também. O nosso maior erro é achar que o mundo tem que se adequar à nossa forma de enxergá-lo, quando na verdade, nós que devemos ajustar nossas lentes pra termos um novo olhar.

Somente quando percebermos que estamos imersos em um mundo doente, onde todo o tipo de peste nos leva pro lado mais obscuro da moeda, poderemos largar nossos sentimentos dopados e perceber que seríamos muito mais felizes se não nos importássemos com problemas pequenos.

Se nossas almas não fossem doentes, dormentes, alienadas, não teríamos que lamentar uma vida perdida, e poderíamos olhar pra trás e ver que valeu a pena. Porque talvez não haja nada que me proteja enquanto eu andar distraída. Mas o pulso ainda pulsa. E não é pouco. Ele quer pulsar cada vez mais, livre da sombra das pestes a nos atormentar. E como diria o poeta “Só há uma coisa da qual me arrependi: foi não ter morrido de amor...”

By Mônica

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Canção do Senhor da Guerra (Legião Urbana) X Comida (Titãs)

Mais uma vez venho por meio deste blog destilar minha opinião sobre temas que me motivam e que me fazem pensar. Esse é o primeiro post, de uma série sobre os quatro cavaleiros do apocalipse. Logo de primeiro peguei como temas a Guerra e a Fome.

Pensei em falar delas como co-irmãs, afinal num lugar onde se faz guerra, não se tem comida, exceto para soldados, que são os fantoches dos senhores que lucram com a guerra, porque exportar armas é mais lucrativo que comida, e o que é a guerra, senão um meio de evitar a superpopulação?

Guerras são todas inúteis, um excelente modo do homem mostrar o quão é ignorante e o quanto não sabe viver em paz com seus semelhantes. Não vou fugir do tema principal, que é correlacionar a guerra com a comida (ou a falta dela), aqui nesse texto ela será representada não em forma de alimento, mas como cultura.

Todos se lembram dos malefícios que a Guerra trás para a economia dos países, mas ninguém realmente se lembra de como ela é prejudicial para o povo ao ferir seu orgulho, ao ver sua pátria-mãe ser invadida por pessoas que simplesmente não respeitam aquilo que eles têm de mais valor: sua cultura.

Quando os Titãs falam em seus versos que nós não queremos só comida, mas também prazer pra aliviar a dor, que queremos inteiro e não pela metade, seus versos podem ser muito bem encaixados em situações de guerra, comida não é apenas alimento para o corpo, isso apenas não basta para formar um ser humano. Por isso que o senhor da guerra não gosta de criança, qual o lucro esse velho terá no futuro se ele criar pensadores, para quem ele venderá seus brinquedos de guerra? Ele prefere investir seu dinheiro comprando sua juventude e te persuadindo a vencer, porque Deus está de um lado, e não é do perdedor...

A gente não quer só dinheiro, mas dinheiro e felicidade. Então... A guerra gera emprego e aumenta a produção, por isso as guerras não acabam, não dizem que feliz é o homem que tem emprego? E como brinde, seus filhos tem direito a belos uniformes. Por que se preocupar em sair para qualquer parte, se a guerra, seja ela santa, quente, morna ou fria, avança a tecnologia?

Você que está lendo esse post, reveja seus conceitos e pense, o que você prefere, comer ou ficar do lado de quem vai vencer?


By Eduardo

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terça-feira, 1 de setembro de 2009

Três vezes Fotografia: Jobim X Ana Carol X Leoni

Estava totalmente empolgada pra falar do tema que escolhi pra essa semana, e minha empolgação levou um banho de água fria ao perceber que me equivoquei: queria, precisava falar sobre fotografia e seu significado através da música, inspiração que tive ao ouvir algo curioso sobre fotografia.

E comecei a pensar em músicas que falavam do tema. Ouvi Foto Polaroid, da Taviani, Retrato em Branco-e-Preto do Chico Buarque e Fotografia, de Jobim. Porém, o que eu desconhecia, é que a letra que eu achava que era de Jobim, era na verdade de Leoni. E com isso, fui buscar as letras, e descobri mais uma fotografia: de Ana Carolina. Então, depois de tirar minha dúvida implacável com o Eduardo, decidi. Fotografia tripla essa semana: Tom Jobim, Leoni e Ana Carolina.

Quando penso em fotografia, só um pensamento vem à minha mente: lembrança. Saudades. Tempo bom que ficou em alguma gaveta do passado.

Em sua versão, Jobim fala de um romance ao entardecer em frente ao mar. Cenário perfeito pra um amor, pra uma fotografia. A tarde vai embora pra deixar a noite chegar, e mesmo tendo que ir embora, fica a sensação de que o beijo é o desfecho ideal pra esse encontro. Simples e gostoso de ouvir. E de desejar.

Ana dramatiza mais, como é de sua natureza. Ela só consegue olhar os olhos de quem ama através da fotografia, porque ambos estão tão distantes com suas meias verdades que não conseguem aceitar a opinião alheia. É difícil de encarar. Mas ela jura que vê alem do que parece, quando diz que é do tamanho do que vê e não do tamanho que enxerga a si mesma.

Leoni retoma a idéia tranqüila do mar e do afeto, fotografias pedem mesmo um fundo ao pôr-do-sol. Sugerem lembranças, histórias, sorrisos. No começo, ele parece se preocupar mais com seu sossego do que com a própria felicidade. No curso de suas idéias, ele passa a se esforçar e cansar, ao tentar encontrar a felicidade. Encontra obstáculos, e parece encontrar uma pontinha de esperança quando “Deus deixa pistas” pra ele ser feliz. Até perceber, ao sentir saudades do seu passado, que foi feliz. Que era feliz. Que ele buscava algo que já era real.

Fotografia...cópia fiel, reprodução exata, retrato, segundo o dicionário. Imagem capturada de um instante que não volta e fica guardado na lembrança. Desenho de algo bonito que aconteceu, porque só queremos deixar registrado, memórias de um passado bom. De uma tarde ouvindo o quebrar das marolas, de um olhar, mesmo que oposto. De um beijo, um amigo, uma juventude a ser lembrada. De afeto.

Como diz a canção, “O que vai ficar na fotografia são os laços invisíveis que havia. As cores, figuras, motivos, o sol passando sobre os amigos. Histórias, bebidas, sorrisos. E afeto em frente ao mar”, em um pedaço de papel numa gaveta visitada em momentos de nostalgia, de tardes nubladas. Gosto bom de um tempo onde a memória de suaves momentos não era arquivada em um espaço virtual, que diminui a sensação de que aquilo aconteceu um dia, pois não é palpável, não tem peso. E precisamos dele. A minha alma tem o peso da luz. Tem o peso da música. Tem o peso da palavra nunca dita, prestes quem sabe a ser dita. Tem o peso de uma lembrança doce. Com açúcar e afeto.

By Mônica

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Ode aos Ratos (Chico Buarque) X Bichos Escrotos (Titãs)

A idéia de fazer parte de uma sociedade sem personalidade sempre me assombrou e isso vai desde que comecei a ter uma visão política e social mais aguçada. A música é a minha grande professora, ela que me instigou, desafiou e não me deixou alienar. Já que a música foi minha grande professora, os filósofos dela são meus grandes heróis e um desses heróis é talvez o mais anti-herói de todos: Ney Matogrosso (a música é do Chico, mas foi a versão do Ney que me chamou atenção). Pessoas inquietas e nunca satisfeitas com certas situações como Ney sempre me agradaram mais que todos os artistas que simplesmente se deixaram levar por suas ondinhas de popularidade, pois demonstram no momento de maior popularidade que não é simplesmente isso que lhes deixa feliz.

Como estou falando do artista que mais tem personalidade na música nacional, também tenho que falar daquela banda que na sua fase aúrea, foi a mais polêmica e mais inteligente para criticar nossa sociedade hipócrita e triste, os Titãs. A banda em seu ápice criativo disse tudo o que todos nós queriamos dizer contra Igreja, Televisão e Polícia, mas é “Bichos Escrotos”, seu grande hino em favor dos seres malditos, que mais me chama atenção. É aproveitando essa escatologia titânica e a sutileza ácida de Chico buarque, que faço minha “Ode aos Ratos” das sociedade.

Sempre quando ouço “Bichos Escrotos”, do Titãs, não imagino os tais bichos como seres repugnates, mas como aquela parte da sociedade que vive escondida, porque ninguém lhes dá ouvido, eles fazem parte de uma tribo frenética em proliferação, que leva terror as pessoas que vivem no Shopping Center e no topo de seus arranha-céus. Quando digo levar terror, não significa do modo negativo. Esta “tribo” que me refiro é aquela parte da sociedade que diz a verdade sempre, doa a quem doer, são os “malditos” que tocam na ferida exposta.

Por não serem pré-programados como todos os outros que aceitam tudo sem contestar, são tratados como diferentes... Como pediram os Titãs, espero que esses bichos escrotos venham enfeitar meu lar, meu jantar, meu “nobre” paladar e que os “ratos” citados por Chico, estuporem as ilusões criadas por estes que querem nos manter calados.

“Ratos” e “bichos escrotos”, são sim meus semelhantes e meus irmãos, como todo filho de Deus, porque eu me recuso a acreditar que faço parte de algo tão triste e pálido como essa sociedade comandada por oncinhas pintadas, zebrinhas listradas e coelhinhos peludos, que eu sinceramente quero que vão se foder!

By Eduardo

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