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quinta-feira, 23 de setembro de 2010

"Pedra, Flor, Espinho" (Barão Vermelho) X "Pense e Dance" (Barão Vermelho)

“Aprendi com a primavera a deixar-me cortar e voltar sempre inteira”

(Clarice Lispector)

Primavera chegou, e eu sempre volto a falar de flores, ou pelo menos tentar. Daí, fiquei a pensar em músicas que me trouxessem flores para as pautas que eu vou rabiscar, e lembrei do meu primeiro post aqui, que falava justamente sobre flores, onde usei músicas especiais, de Titãs, Legião e Barão. Ah! Barão! Tem aquela música legal...Que fala de flor, mesmo que metaforicamente, ou apenas no nome. Com o que combinar uma letra tão boa? Perguntei ao Edu. Só eles estão a sua própria altura para tal feitio. Depois de várias “finalistas”, enfeito o jardim que começa a florir nessa primavera, com “Pedra, flor, espinho” e “Pense e dance”, ambas do Barão Vermelho.

Mas que flores são essas que não falam de amor, e só falam de desejo? E quem disse que não há desejo no amor? São aquelas teorias furadas de que o amor é o “sem graça”, “sem fogo”, “água com açúcar”, o inocente e intocável dos sentimentos. O oposto daquela tal de paixão, a avassaladora que tira a pureza e o juízo de quem ousa pensar em seu nome. Blá, blá, blá, tudo besteira, fingimento e encenação, visto que amor é continuidade da paixão, tanto quanto letra e melodia, sol e calor, chuva e arco-íris. E essas “flores” falam disso. Primavera desperta aquela sensação de romantismo, Romeu e Julieta, com açúcar e afeto, que só acenderá o fogo quando o verão chegar, com o seu calor e desejo de sentimentos ardentes numa noite quente à beira mar.

Como eu sou ansiosa e intensa em tudo que eu sinto, eu promovi a primavera, parafraseando os meninos do Barão, que dizem que hoje não querem ver o sol. E eu desprezo os dias cinzentos, vou pra noite, tudo vai rolar (“A noite vai ser boa, e tudo vai rolar...”). Saudações a quem tem coragem, aos que tão aqui pra qualquer viagem. Automóveis piscam os seus faróis, sexo nas esquinas, violentas paixões. Não é disso que nos alimentamos hoje em dia? Sair e ver no que vai dar. Compromisso pra que, se de tudo posso aproveitar um pouco, sem a nada me apegar?

Pra que perder tempo desperdiçando emoções? Não fique esperando a vida passar tão rápido, pois se você quiser, tudo pode acontecer no caminho. E não me diga não, não me diga o que fazer, sou eu quem escolho e faço os meus inimigos. E as minhas verdades eu invento sem medo, não me venha falar de medo, todo mundo tem um pouco de medo da vida. Eu não esqueço de quem um dia amei, e não penso em tudo que já fiz. Não me fale de você. Fale de você. Que eu quero ver você, e exorcizo as minhas fantasias. Quero te satisfazer, ser o seu maior brinquedo. Eu faço tudo pelos meus desejos, para que grilar com pequenas provocações, se esse seu ar obscuro é o meu objeto de prazer?

Eu quero te ter, ataco se isso for preciso. Alimento todos os desejos, e se você quiser, eu bebo o seu vinho. Não me diga não, o seu instinto é o meu desejo mais puro, e o meu coração é só um desejo de prazer, e eu rasgo o couro com os dentes. Não quer flor, não quer saber de espinho. Mas se você quiser, sou pedra, flor, espinho. E beijo uma flor sem machucar. Nenhum desejo pode ser mais excitante do que amar de verdade.

Penso como vai minha vida - Vida vazia, de jogos de poder. Eu que domino, mas não sou egoísta. É que o mundo é o meu eixo pra eu girar em torno de mim mesmo - Olhos negros, olhos negros. Olhos que procuram em silêncio, ver nas coisas, cores irreais. E eu aproveito pra sonhar enquanto é tempo, pois a felicidade é um estado imaginário.

Saudações a quem tem coragem, e não me venha falar de medo, pois é preciso pensar – antes de descartar um coração com desejos puros. E dançar - conforme a música da vida, que passa tão rápido. Desprezando dias cinzentos, beijando flores sem machucar. Deixando-se cortar pelos espinhos, e voltando inteiro para quem um dia amei. Sendo pedra, flor, com sonhos, enquanto é tempo.

By Mônica

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http://letras.terra.com.br/barao-vermelho/44429/

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"Brasis" (Seu Jorge) X "Babylon" (Zeca Baleiro)

Mais uma semana se passou e cá estou eu para escrever mais um texto neste espaço utópico. Vou retomar o meu projeto e escrever texto politizado (sei que após ler este trecho a maioria das pessoas não vão continuar lendo, mas isso é só mais um incentivo para que eu continue a escrever), aproveitando a proximidade das eleições. Garanto a todos que após o período eleitoral irei utilizar músicas mais suaves para meus posts, mas até lá, vamos seguir em frente.

As escolhidas para esta semana foram “Brasis”, do Seu Jorge (artista que considero superestimado e que sinceramente não me diz muito a que veio) e “Babylon”, do (grande) Zeca Baleiro, que na minha opinião, é um dos melhores compositores da nova geração. Para que não fique nenhuma dúvida sobre o porquê d’eu ter escolhido uma música do Seu Jorge, mesmo sem simpatizar muito com sua obra, justifico que a minha escolha ocorreu, porque momentos antes de escolher as letras a serem utilizadas para este post, Monica me apresentou esta composição, e eu imediatamente achei que valeria a pena correlacioná-la com a letra de Baleiro. Então, aqui vou eu e vamos ver no que isso vai dar.

Começando pela composição de Seu Jorge, vou dissertar sobre os vários Brasis que o compositor expõe em sua letra. Um Brasil que é negro, branco e nissei, mas que só oferece oportunidade para quem nasce em berço esplêndido e é filho do Brasil próspero, porque aquele que não muda continua indo à luta e batendo bola, sem nunca ir para escola.

Existe o Brasil que é lindo e exposto em conferências internacionais nos vídeos dirigidos e super produzidos por diretores de cinema, mas as pessoas felizes que aparecem neles, são pagas para disfarçar as angústias e incertezas do outro que fede e apanha. O país que nunca muda é a herança de anos de maus governos que nunca se preocuparam com os índios, mamelucos e cafusos que compõe a grande massa deste país de proporções continentais. Gostaria de um dia descobrir quem é que paga pra gente ficar assim.

O Brasil que soca e chuta é o mesmo que apanha, o que empresta dinheiro ao FMI é o mesmo que pede para poder suprir suas obras, que são superfaturadas pelos que andam de gravata. Aquele que faz amor e anda de sunga, também é o que mata, e depois vai à passeata pedir paz e saúde para as crianças do país inteiro, que sucumbem à fome e a desigualdade social, grande marco da nossa democracia.

Enquanto o Brasil segue sendo esta eterna contradição, aqueles que são eleitos para mudarem alguma coisa, esquecem do povo que o elegeu e quando assumem seus cargos, se mudam para nossa Babylon do Centro-oeste, dão Au revoir a ralé, e fazem das suas vidas um souvenir Made in Hong Kong e vão passear de iate no Lago Sul.

Comprar o que houver (e vender a ética), finesse s’il vous plaît, mon Dieu. Je t’aime politique, litros de Manhatans são tomados todas as noites enquanto o futuro do país é decido por pessoas que não estão nem aí pro povo, que mesmo acordando muito cedo e indo dormir muito tarde, mantém sua cabeça em pé e sua confiança em um Brasil melhor inabalável.

Eu que não tenho dinheiro pra sair com o meu broto e nem renda pra descolar a merenda, cansei de ser duro e vou correr atrás de um pindorama* que possa ser meu porto-seguro, onde eu possa desfrutar de suas riquezas sem precisar matar ninguém, curtir suas praias e cachoeiras e descansar à sombra de suas palmeiras.

Nesse país nada vem de graça, nem o pão, nem a cachaça, a gente perde e ganha, sobe e desce e eu quero ser o caçador, ando cansado de ser caça.

*http://pt.wikipedia.org/wiki/Pindorama

By Eduardo

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sexta-feira, 17 de setembro de 2010

"A Câmera que Filma os Dias" (Ana Carolina) X "Relicário" (Nando Reis)

O post dessa semana faz parte da origem de tudo isso aqui. Afinal, sem amor, eu nada seria. Logo, na semana onde completam dois anos que eu e o Edu nos encontramos no universo imenso, por mar, por terra e via embratel, estou eu aqui, querendo de forma singela, dedicar este post à ele, e ao nosso amor. Pra isso, utilizo duas músicas bonitinhas, cujas letras tenho alguma afeição, e através delas, posso falar um pouco de como foi o dia em que eu estava em paz quando você chegou, meu amor. Utilizo “Relicário”, do grande Nando Reis e “A Câmera que Filma os Dias”, da Ana Carolina em seus tempos de ótimas composições.

A luz que eu vi naquele dia escuro e ruim, que era uma tarde linda que não queria se pôr, era luz por encomenda para te filmar. E através de teus gestos solitários pela lente sem fim, você invadia mais um lugar onde eu não vou. E eu, entre milhões de vasos sem nenhuma flor, via as ilhas dançando sobre o mar. Mas lento, o tempo parecia desfocar. E tanta coisa escapa sem o olho ver, e o mundo está ao contrário, e ninguém reparou. E eu te vi assim, sem jeito e sem querer. E isso foi o tiro certo para começar nosso enredo.

Não lembro o dia em que isso tudo comecei, mas era um dia de inverno quando você chegou, e se não fosse seu abraço, compraria um moletom. E eu tinha medo de ser um tipo ensaiado, não inventa pose que eu fico invocada. E a lua corria, porque longe vai? Sobe o dia tão vertical, o horizonte anuncia com o seu vitral, que eu trocaria a eternidade por essa noite. Porque está amanhecendo? Peço ao contrário ver o sol se pôr. Porque está amanhecendo? Se não vou beijar seus lábios quando você se for. Como meu dia vai nascer feliz?

E entre o sonho criar asas, na iminência ou não de virar realidade, a vida ia passando no seu vai-e-vem, mas não demora, a porta já fechou ali no armazém. Será que eu sei que você é mesmo tudo aquilo que me falta? Essa imagem não se cansa de me assaltar. A câmera que filma os dias tomou conta de mim, e passei aquele inverno inteiro a te focar. O que está acontecendo? Eu estava em paz quando você chegou. Sua cartilha tem o A de que cor? O mundo é azul? Qual é a cor do amor?

E entre trocas de afeto e juras de amor, foi crescendo a sensação de que a vida é melhor, agora que você está no mundo. E eu não quero nada pra mim, eu vim pelo que sei, e pelo que sei, você gosta de mim. E eu guardei a canção que eu fiz pra você pra você não esquecer que eu tenho um coração, e é seu. Por isso eu te transformei nessa canção, pra poder te gravar em mim, como um filme todo em câmera lenta. Porque eu acho que eu gosto mesmo de você, bem do jeito que você é.

E o que você está fazendo? Um relicário imenso desse amor. Quem nesse mundo faz o que há durar? Pura semente dura: o futuro amor. Eu sou a chuva pra você secar. Pelo zunido das suas asas você me falou. O que você está dizendo? Milhões de frases sem nenhuma cor. O que você está fazendo? Por que é que está fazendo assim?

Vem cá, meu bem, que é bom lhe ver. O mundo anda tão complicado, e hoje quero fazer tudo por você. O mundo começa agora. E o amor tem sempre a porta aberta, e vem chegando a primavera. Nosso futuro recomeça. Venha, que o que vem, é perfeição.

E o desfecho? Tenho ainda nas paredes que grafitei. A câmera que filma os dias deu um giro e parou. Na nossa história, que não estará pelo avesso sem final feliz. Desde que você chegou, o meu coração se abriu. Hoje eu sinto mais calor e não sinto nem mais frio. E o que os olhos não vêm, o coração pressente. Mesmo na saudade você não está ausente. E em cada beijo seu. E em cada estrela do céu. E em cada flor no campo. E em cada letra no papel. Que cor terão seus olhos? E a luz dos seus cabelos?

Só sei que vou chamá-lo...N.E.O.Q.E.A.V.



Nota: Esse post, em especial não é um correlação de músicas como de costume. É apenas uma declaração de uma exagerada, que por ele larga tudo: carreira, dinheiro e canudo. Até as coisas mais banais. Pra mim é Ele ou nunca mais.

By Mônica

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"Quase Sem Querer" (Legião Urbana) X "Quando Você Passa (Sandy e Junior)

Essa semana o texto tem um assunto pré-determinado, na verdade, tinha uma idéia de fazer só texto com músicas de cunho político neste mês de setembro para aproveitar que seria o mês antes das eleições, mas como nunca consigo seguir cronogramas que eu mesmo crio, vou fugir do tema político e falar de algo que para mim é tão difícil quanto: o amor.

Neste mês de setembro, completa-se dois anos que Monica e eu nos conhecemos. Assim como nas histórias de amor que eu nunca acreditei que pudessem ser verdade, o amor da minha vida chegou na primavera, para me mostrar que eu estava mentindo pra mim mesmo ao achar que não acreditava em amor de verdade, e não acreditar que meu frágil coração poderia acelerar o batimento só com um simples olhar.

Bom, aqueles que conseguem identificar uma música só com simples versos já perceberam quais as músicas utilizadas no texto, mas para quem não percebeu, eu falo... As escolhidas da semana foram “Quase Sem Querer”, da Legião Urbana e “Quando Você Passa”, do duo Sandy e Jr. (não, você não leu errado).

Ok... Vamos lá para mais uma semana de palavras (repetidas) utópicas.

Já disse algumas vezes que não gosto de escrever textos sobre o amor, não tenho talento para discorrer sobre o assunto (na verdade não tenho talento para nenhum tema, mas com os outros eu consigo me virar), sempre acho que meus textos acabam ficando meio piegas. Só que nesta data tão importante para nós, Monica e eu não poderíamos deixar passar em branco.

Peço licença aos leitores deste blog para poder falar diretamente com a musa inspiradora da minha vida e deste texto, a pessoa que tem me deixado distraído, impaciente, indeciso, nenhum pouco confuso e muito tranqüilo e contente. Ninguém usa tantas palavras repetidas como eu, para demonstrar como é grande o meu amor por você, mas todas as outras palavras já foram ditas, e nenhuma delas é capaz de demonstrar o quanto você é essencial para mim. Queria me fazer em mil pedaços para você juntar e já não me preocupo se quase ninguém vê o que vejo, porque eu sei que você sabe quase sem querer, que eu vejo o mesmo que você.

Quem poderia prever um amor tão imprevisível assim? Um amor que saiu das páginas do Orkut, que ganhou forma, que marcou meu dia-a-dia, que me mostrou que não há lógica alguma nos livros e que o infinito é um dos deuses mais lindos, pois, tenho certeza que o infinito é o tamanho do que eu sinto por você.

Não quero te prender e nem dominar seus sentimentos, quero apenas ficar no seu corpo como tatuagem pra ficar marcado a frio, ferro, fogo e em carne viva... Quero decorar seus movimentos, assim como já decorei o seu olhar, que tanto me traz paz e seu sorriso que me deixa sem graça.

Se é amor? Sim, é amor. Porque não existe nada tão correto e tão bonito dentro de mim, por você desafio o instinto dissonante e faço nosso meu segredo mais sincero, porque quero que tudo que seja meu, também seja teu, quero me entregar de corpo e alma ao que sinto por você, meu amor. Sei que não sou mais criança a ponto de saber tudo, mas tenho a certeza, que você é tudo o que quero para a minha vida. Desperdicei muitas chances, querendo provar pra todo mundo que eu não precisava provar nada para ninguém, enquanto o sentimento entre nós foi crescendo pouco a pouco, e hoje já não nos deixa sós, e se me deixar, eu acho que fico louco, porque sem você não sou capaz de respirar.

Me sinto um anjo caído toda vez que não dou a você todo o amor que trago dentro do meu peito, porque você sempre merece o melhor, e o meu melhor ainda é pouco, já que por você iria a pé de Nova Campinas à Ilha do Governador.

Quero finalizar este texto dizendo como lhe quero tanto e que meu coração faz turu, turu, quando você passa.

By Eduardo

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quarta-feira, 8 de setembro de 2010

"Notícias Populares" (Ana Carolina) X "Panis et Circenses" (Os Mutantes)

A idéia para a semana era óbvia como uma equação matemática: falar sobre a independência na semana da independência, onde todos fogem dos desfiles e tudo mais, mas aproveitam o feriado, é claro. Mas difícil foi fazer a escolha, se alegrar com ela, depois de mudar mil vezes e chegar numa escolha nada prevista, porém aceita, devido ao apressar da carruagem: “Notícias Populares”, da Ana Carolina e “Panis et Circenses”, dos Mutantes ilustres na música brasileira, Caetano e Gil.

Ok. Músicas escolhidas. Ops...Mas e a idéia da Independência? Quá. Acho que foi pro brejo, como o nosso país e o respeito que deveríamos ter por ele, em unanimidade, não só em minorias em extinção.

Panis et circenses, ou no melhor, curto e grosso português: Pão e circo. Que é o que os governantes do nosso país nos oferecem como recompensa e atrativo por termos usado nosso poder de mudança pra votar em quem continua a fazer o mesmo que foi feito até agora – porcaria nenhuma. Mas isso não vem ao caso, parabéns pra nós, os donos do poder em uso inadequado. É por isso que devemos ler os manuais de instruções, eles sempre explicam os problemas decorrentes, está tudo ali, compre se quiser.

Ana fala de Notícias Populares, aquilo que atrai o povo – Pão e circo, lógico. Comer porcarias e rir de besteiras, ou vice-versa. É o que a alienação nos permite querer, numa era onde se idolatra o sensacionalismo e nos importamos mais com as crises internacionais (quando pensamos em nos preocupar com alguma causa) do que com a nossa própria desgraça. Mas quem vai querer se importar com a pobreza tirando o seu sarro? O meu vidro já está todo blindado.

Podemos até esquecer a crise da Argentina, mas lá pelas Globos, Bands e Records da vida, temos notícias sobre o Onze de setembro e o Iraque aparecendo até nas TVs das lanchonetes. E quem procura saber se a água se acaba, e se há mendigas descabeladas dormindo na vertical em épocas onde o Código da Vinci ( ou código da Venda) é tão popular quanto os Nikes, bikes, Cocas lights e canivetes do camelô em cheques pré-datados que não estipulam datas para finalizar a nossa miséria material e intelectual? No dia em que S. Eliot, Velvet Underground e Manoel de Barros forem notícias populares, as pessoas vão parar de viver fazendo proveito apenas do pouco que restar.

Os mutantes terráqueos falam das pessoas da sala de jantar. Essas pessoas da sala de jantar. São as pessoas da sala de jantar. Que só estão preocupadas em nascer e morrer, nada que aconteça nesse mero intervalo de tempo chamado vida. Não se importando com as canções cantadas iluminadas de sol, tampouco com os panos soltos sobre os mastros no ar e os tigres e leões soltos no quintal.

Enquanto estivermos mergulhados nessa inércia mental que nos faz sermos essas pessoas na sala de jantar encenando papéis decorados, preocupados somente em nascer e morrer, as notícias populares vão continuar voando pelos ares e ninguém sabe se alguém recua ou se alguém invade. Se alguém tem nome ou se alguém tem fome, pois tanta gente vive só com o que dá pra aproveitar. E não adianta plantar folhas de sonho no jardim do solar, pois as folhas sabem procurar pelo sol, mas nós não sabemos procurar por nós mesmos. É querer demais procurar um ideal, um sonho e uma independência que nunca virá enquanto formos dependentes de cenários pré-montados com desfechos programados em falsos finais felizes com aplausos de pé. Pão e circo cansa, e é pra controlar marionetes, felizes com um cantinho pra deitar e uma bola pra acalmar. Mesmo que seja tudo forjado. Mesmo que seja tudo bossal. Mesmo que seja tudo absurdo. ‘Tudo errado, mas tudo bem...”

Eu furo os planos, eu furo o dedo, “mando vê”, aperto o passo, eu não sou louca. É que tomei um tiro no vidro do meu carro. E quando a pobreza leva meu dinheiro e meu livro caro, deixo que façam bom proveito da grana que roubaram, porque eu trabalho e outro dinheiro eu vou ganhar. Pra que me importar então? Vou ser só mais uma pessoa no ilustre banquete na sala de jantar, apenas preocupada em nascer e morrer, porque o resto exige potencial de mudança demais, e isso pode dar indigestão, nada pode estragar a festa na sala de jantar.

Mandei fazer de puro aço luminoso punhal para matar o meu amor e matei, às cinco horas na avenida central. E ninguém se chocou, afinal, tudo se acaba, olha o noticiário. Como a vida de alguém se acaba antes do final? São as pessoas da sala de jantar. Mas as pessoas da sala de jantar. São ocupadas em nascer e morrer. Independência? Não, não sei o que é...Me dá mais pão? O espetáculo vai começar. Sem segundo turno, espero.

By Mônica

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"Independência" (Capital Inicial) X "Hoje Eu Quero Sair Só" (Lenine)

Depois de uma semana levemente conturbada que se foi e que não teve post, chegamos a tão esperada semana da independência, que para alguns é o momento de comemorar nossa liberdade proclamada por D. Pedro I em 1822 - ano em que nos transformamos em estado soberano (não em nação) –, e para outros é apenas mais um feriado prolongado, momento de recarregar as baterias e cair na farra atrás de rápidos e passageiros momentos de prazer.

Para o post desta semana vou utilizar a “Independência”, do Capital Inicial e “Hoje eu Quero Sair Só”, do Lenine, música e compositor que sempre quis utilizar para renovar meus posts, que admito, andam meio repetitivos.

Começando as divagações utópicas, vamos dissecar a “Independência” do Capital e suas meias verdades.

Não é porque estou utilizando uma música do Capital, que serei hipócrita de dizer que amo tudo o que a banda escreve, pelo contrário, não sou um grande fã da banda de Brasília e nem acho o Dinho um grande letrista, mas “Independência” merece minha atenção, porque sua letra fala de algo que anda muito em voga neste Brasil cada vez mais “independente”: o individualismo. Em época de eleições, ele sempre aparece muito forte.

Acreditamos na distância entre nós? Ou existe alguma outra razão para vivermos assim?

O individualismo crescente na nossa sociedade doente é um monstro que vem nos engolindo, e nos deixando cada vez mais frios com o passar dos anos. Como o Brasil pode mudar, se nós não buscamos mais identidade e resolvemos seguir o rebanho até o abate? Assim como eu, você também não sabe explicar, porque nem a verdade nos sacia mais.

Nesses tempos de reality shows, temos uma curiosidade mórbida pelo que os outros falam, mas quando indagados sobre nossas ações, não gostamos de nos explicar. O brasileiro adora cobrar, adora apontar o dedo, mas o que fazemos de fato para acabar com essas meias verdades que os políticos dizem? Nada! Temos nos conformados cada vez mais com toda essa barbárie que somos obrigados a engolir durante o período eleitoral e com isso só conseguimos nos afastar cada vez mais.

Quando aprendermos a canalizar toda a nossa intensidade em coisas realmente importantes e começarmos a mudar a sociedade, começando essa mudança por nós mesmos, deixando de acreditar que sentimentos frívolos e descartáveis são mais importantes que amizades verdadeiras e companheirismo sincero, aí sim quem sabe poderemos evoluir como pessoas e membros de um meio.

Lenine escreveu um grande relato sobre o individualismo com a sua fantástica “Hoje eu Quero Sair Só”. Desde a frase que abre a música até o seu final ele se mostra como alguém que não quer companhia, alguém que preza sua “independência”, e que como ele deixa bem explícito, essa independência é sinônimo de solidão.

Não é seguro seguir alguém que prefere ser só, já que a solidão não cai bem em ninguém, e como dizia o poeta, é impossível ser feliz sozinho.

Como podemos desejar um futuro melhor para nosso país e como podemos comemorar a independência do Brasil, se nossa sociedade nunca foi tão carente de sentimentos reais, e ir pra rua não é mais sinônimo de mudança, e sim de estagnação e fuga? Enquanto à noite, a Lua nos chama para sairmos só, de manhã o Sol vem socar nossa cara e anunciar toda a barbaridade que continua acontecer e continuará acontecendo, enquanto acreditarmos na distância entre nós.

By Eduardo

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