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quarta-feira, 28 de abril de 2010

Alice no País das Maravilhas (Não me Escreva Aquela Carta de Amor)


O post dessa semana, talvez seja o mais importante pra mim, desde o início do blog. Isso, por si só, já demonstra o peso da responsabilidade, pelo grau de importância pra mim. Tudo isso por falar de um tempo que me causa admiração e deslumbramento, desde as minhas lembranças mais precoces da infância, com o desenho preferido, no qual eu gostaria de mergulhar e viver a história num mundo real. Então, resolvi lançar um desafio a mim mesma, em torno de tudo isso: Juntar várias idéias numa coisa só, fazendo comparações e descobrindo se existe algo que une tudo isso. A idéia principal? Alice no País das Maravilhas, desenho da Disney baseado na obra literária de Lewis Carroll, que agora virou filme, com Tim Burton por trás das lentes. Então, esse post se dedica à Alice, de todas as formas Possíveis. Alice, de Lewis Carroll, onde tudo começou. Alice, o desenho, que me fascinou na infância, Alice no filme, que me fascinou como adulta. E como não poderia faltar, Alice na música, em composição de Paula Toller e Leoni, com o nome “Alice (Não me escreva Aquela carta de amor)”.

Uau. Como começar? Talvez pelo princípio, que é o mais lógico. Ou pelo fim, visto que quando se trata de uma história sem pé nem cabeça, por onde se começa não importa, o que importa mesmo é onde se pretende chegar. Mas se não se sabe aonde ir, não importa que caminho tomar, já dizia o gato sorridente.

Antes de tudo, preciso dar algumas explicações, para que todos entendam as linhas que estão por vir. Comecei a fazer buscas na internet sobre o tema, e coisas marcantes do tema, que acabam invadindo o imaginário de muita gente. Exemplo: Gal Costa tem um CD lançando em 1993 que se chama “O Sorriso do Gato de Alice”, sabe-se lá porque. Com esse mesmo nome, encontrei um blog, com certeza de algum fã inveterado da menininha deslumbrada com um mundo que não existe, a não ser em seus sonhos, “nesse mundo só meu...”, como ela mesma canta.

Achei outro blog, de nome “Siga o Coelho branco”, nome este que seria dado ao CD mais recente de Pitty, mas foi mudado para Chiaroscuro. Porém, a idéia do coelho apressado não sumiu por completo, ao dizer “O Coelho dizendo ´Já é tarde´”, em “Rato da roda”, faixa do CD da Baianinha do Rock. Ainda em minhas buscas, encontrei o blog de Zeca Camargo, que faz uma crítica sobre o livro e o filme, em minha opinião, fabulosas, de fazer viajar na história, para quem a conhece de cabo a rabo como eu, e de fazer querer entrar nela, em quem ainda está descobrindo. Ah! Acrescento que li o livro todo de uma vez só, poucas horas antes de estar aqui escrevendo, para poder fazer algo mais completo sobre Alice. Não seria justo querer falar sobre ela sem saber como foi que ela nasceu de verdade.

A Alice do livro, que se transformou em desenho, é uma menininha que viaja a um mundo que seria do jeito que ela deseja, onde as flores falam, coelhos vestem coletes e podemos pintar rosas brancas de carmim, para que a rainha de copas não nos corte a cabeça. Mas vai muito além disso, e a história engloba muitos personagens que passam por Alice, cada um com suas particularidades, que a marcam de alguma forma.

Tem a tartaruga falsa, que não aparece no desenho, e mostra um animalzinho infeliz, contando de como era legal quando ia pra escola no fundo do mar, estudar Educação Química, Algas práticas de desenho e Chuvória antiga e moderna, bem como o professor de línguas, que ensina bolo inglês e pão francês muito bem.

Tem os gêmeos, Tweedledee e Tweedledum, que no desenho são como num musical, contando histórias através de canções, e que no filme de Burton, a confundem, apontando diferentes horizontes para Alice, que no filme se apresenta quase adulta, mas não menos sonhadora que a do conto de Carroll.

No filme, ela é uma jovem que foge de um casamento, correndo atrás de um coelho branco, entrando em sua toca. Semelhança com o desenho, porém a Alice do filme, teve o mesmo sonho várias vezes, desde a infância. Sempre com esse mundo de maravilhas, que agora ela mergulhou ao entrar na toca do coelho. Enquanto a pequena Alice do livro acha que tudo é real, apesar de ser apenas um sonho, a Alice do filme acha que tudo é um sonho, quando na verdade é tudo real. São dois momentos da mesma pessoa, onde a infância mostra a fantasia, e a visão emocional de um mundo, que a Alice maior torna racional, achando ser fruto de sua imaginação, pensando que a qualquer momento acordará. Mas ela tem a consciência de que está cada vez mais curiosa, e apesar de tudo, segue sua jornada por esse País das Maravilhas com ares de Terra do Nunca, atrás de um coelho apressado, que sua curiosidade anseia em saber o motivo de tanta pressa para um simples coelho, afinal, ela nunca tinha visto um coelho de colete e de relógio.

A curiosidade vence a prudência, pois mesmo tentando dar bons conselhos a si mesma, como ela mesma diz no conto infantil, ela segue os avisos de “beba-me” e “coma-me” que encontra pelo caminho, aumentando e diminuindo de tamanho diversas vezes. E aquela história do cogumelo, que leva a muitos a fazerem apologia à drogas, é tudo idéia da lagarta. Sempre soube que ouvir uma largarta não era lá boa coisa a se fazer, ainda mais quando ela não responde perguntas, e a cada cinco segundos pergunta “Quem é você?”.

A lagarta do filme tem um tantinho de humor ao chamar Alice toda hora de “Menina burra”, pois ela não consegue saber quem ela mesma é, devido a tantas mudanças que já sofreu desde que chegou nesse mundo louco.

Outro ponto marcante da história é a visita de Alice ao Chapeleiro Maluco, que no conto de Carroll se passa como uma visita para um chá de desaniversário, mas que no filme, se estende além disso. O chapeleiro é quase um personagem tão importante quando Alice, que tenta atos heróicos para ajudá-la em sua missão de destruir o reinado da Rainha Vermelha para que a Rainha Branca assumisse de novo, seu trono por direito.

Ah, quase ia me esquecendo de comentar: no filme de Tim Burton, há uma mistura entre as duas obras de Carroll : “ Alice no País das Maravilhas” e “Alice no País dos Espelhos” – segunda essa que não tive oportunidade de ler – trazendo à trama uma heterogeneidade que a diferencia da história que nos recordamos quando crianças, com as lembranças que temos do desenho.

Porém, não podemos querer uma cópia fiel da obra literária. Como disse Zeca Camargo em seu comentário sobre o filme, se o filme fosse uma cópia fiel da obra, não teria tanta graça e tanto impacto, como teve com as licenças poéticas que Burton fez para torná-lo mais interessante. E quem fala aqui, é uma fã de carteirinha da Alice, que se fascinou com a nova versão, onde até parece que o Chapeleiro Maluco, estava mesmo maluquinho pela Alice, e eu quase cheguei a torcer para que ela ficasse por lá, pelo mundo subterrâneo a fazer chapéus e tomar chá para todo o sempre.

E porque sempre está o Chapeleiro a tomar chá? Ele brigou com o tempo, pois o tempo não é algo, é alguém (“Se você falasse com educação, ele faria com o relógio o que você quisesse”). E agora, que o tempo está bravo com ele, ele parou de correr e são sempre cinco da tarde. Cinco da tarde é hora do chá. Por isso, vive ele a tomar chá sem parar, sempre mudando de lugar. Oferecendo mais chá à Alice, que não entende como tomar mais chá, se ainda não tomou nenhum, mas “mais” é sempre diferente de “nenhum”, e não é preciso entender, apenas tome mais uma xícara.

Vivendo de chá e de charadas sem respostas, o Chapeleiro intriga Alice no conto Original, mas a encanta no filme, onde a mesma charada tem um efeito diferente sobre a menina que está no mundo onde nada é impossível. Qual a semelhança entre o corvo e a escrivaninha? “Não tenho a mínima idéia”, responde ele – o autor da charada, por isso conhecido como maluco, mas essas são as pessoas mais legais.

E assim, tanto no filme, como no desenho ou no livro, tudo acaba como um sonho, pois o mundo real volta para mostrar que aquilo foi apenas uma aventura. Tantos sonhos morrem em poucas palavras, como diz a música. A Alice da música, que esquece do amor e quer mandar uma carta que ninguém quer receber, é uma Alice em muito, parecida com a menininha, ou a jovem da história do País das Maravilhas.

Ela sempre precisa que lhe lembrem das coisas, as idéias que ela tem são temidas, por serem fora dos padrões de normalidade. Ela é tão sincera que é preciso ser treinado para enfrentá-la. “Fica mais uma semana”, Alice. E ela responde: É tarde, é tarde, é tarde! Preciso correr atrás do meu Coelho Branco para viver uma aventura, que seja sonho ou fantasia, mas nesse mundo só meu, o que não fosse, seria. E se eu sou várias no mesmo dia e não sei mais quem sou, só me resta reinventar meu mundo de maravilhas. Nós, crianças de todas as idades.

By Alice (Vulga Mônica)

Links Interessantes:

http://letras.terra.com.br/kid-abelha/46794/ (Música)

http://colunas.g1.com.br/zecacamargo (Com os ótimos textos que o Zeca escreveu)

http://sorrisodogatodealice.blogspot.com/ (Apenas pelo nome)

http://sigaocoelhobranco.zip.net/ (Apenas pelo nome)

Trailler:



"Rosa dos Ventos" (Chico Buarque) X "Para Não Dizer Que Não Falei das Flores" (Geraldo Vandré)


Quando comecei a escrever no blog, tive muito medo de que meus textos sempre soassem repetitivos demais no que diz respeito aos seus temas. Tento sempre abordar temas e músicas diversificadas. Só que como um bom Ser político que sou, sempre a primeira idéia que vem a cabeça é de alguma música que fale de política ou de um determinado fato político que tenha afetado nosso país. Neste aspecto, a ditadura e as canções que foram feitas na época, se tornaram meu objeto de desejo.

Depois de um primeiro parágrafo como este, imagino que vocês tenham percebido que o texto desta semana versará sobre ditadura militar. E as duas escolhidas foram “Rosa dos Ventos”, do grande Chico Buarque e “Para Não Dizer Que Não Falei das Flores”, do enigmático Geraldo Vandré.

A primeira música se tornou uma das mais emblemáticas do repertório de Maria Bethânia, que a fez se tornar imortal e a outra foi o grande hino daqueles que lutavam contra a ditadura. Sempre tive a idéia de fazer um texto utilizando essas letras, mas sempre tive medo de não ser capaz de fazer algo à altura do que essas músicas merecem.

Bom... Sem mais delongas, vamos ao que nos interessa.

Começarei minha divagação semanal com “Rosa dos Ventos”, tentativa de Chico Buarque de alertar as pessoas para o que estava acontecendo na época. Como a ditadura ainda não era tão forte, a censura ainda não tinha o poder que adquiriu na década de 70, então, versos emblemáticos como “E na gente deu hábito de caminhar entre as trevas”, passaram ilesos e deram voz para uma juventude que lutou pelos seus direitos, até que no rosto pintou-se o pálido e do medo criou-se o trágico, e a Ditadura conseguiu controlar a vida dos brasileiros por mais de 20 anos e o abominável AI-5 destruiu com o sonho de muita gente que acreditava que o Brasil podia chegar a algum lugar.

Uma dessas pessoas que acreditava no Brasil foi Geraldo Vandré, que em seu hino “Para Não Dizer Que Não Falei das Flores”, conclama toda a massa insatisfeita com o momento político e social da época para seguir a canção e caminhar de braços dados ou não, porque esperar não é saber e o povo tinha que fazer alguma coisa contra as brutalidades do Governo Militar, que com seus soldados amados ou não, porém armados até os dentes, oprimiam não só os cidadãos das grandes cidades, mas também aqueles que morriam de fome em grandes plantações.

O brasileiro acostumou-se a tirar leite de pedras e murmurar entre as pregas, porque isso era mais fácil do que marchar pelas ruas em indecisos cordões.

E quando do sono dos séculos, amanheceu o espetáculo, a calma dos lagos zangou-se e a rosa dos ventos danou-se, com amores na mente e as flores no chão, nem a prudência dos “sábios”, que diziam que o povo deveria aceitar a condição de oprimidos com o ridículo bordão “Brasil: ame ou deixe-o”, foi capaz de conter nos lábios o sorriso e a paixão de um povo que tentou de todas as formas lutar contra um sistema opressor que achava que o bom brasileiro era aquele que morria pela pátria e vivia sem razão.

Aprendendo e ensinando uma nova lição, a multidão em pânico e atônica viu ainda que tarde o seu despertar e fez das flores seu mais forte refrão, e mesmo que tenha demorado, o povo conseguiu mostrar que quando se une é mais forte que qualquer governo. O problema é que nós nos esquecemos disso rápido demais.

Nas escolas, nas ruas, campos e construções, somos todos soldados armados ou não, e quando acreditarmos que uma flor pode vencer um canhão, talvez uma chuva de pétalas venha como forma de perdão para aqueles que sempre acham que a violência é melhor recurso que o diálogo.

By Eduardo

Links das letras:

http://letras.terra.com.br/chico-buarque/45168/

http://letras.terra.com.br/geraldo-vandre/46168/

quinta-feira, 22 de abril de 2010

Duelo Legionário: "O Descobrimento do Brasil" (Legião Urbana) X "Índios" (Legião Urbana)

O post dessa semana era um tema que queria falar semana passada, mas foi preciso adiar por idéias urgentes que brotaram de última hora. Porém, ele não vai acontecer de novo, será novamente adiado, visto que outro tema me surgiu, e que não pode ser adiado. Idéias que já estavam em minha cabeça para serem postas em prática na semana do descobrimento do Brasil e do dia do índio, vão vir agora à tona. Pra tal fato, me utilizo do poeta revolucionário que tanto falava de nosso país em letras protestantes. Renato Russo, em duas canções da Legião Urbana: O descobrimento do Brasil X Índios.

Aparentemente sem nada em comum, O Descobrimento do Brasil e Índios se assemelham quando vomitam seus anseios não satisfeitos. Cada qual à sua forma, mas com o desejo latejante de tornar palpáveis suas inquietações, permitindo-as serem saciadas.

Em “O Descobrimento...”, Renato fala sobre um amor não realizado (“Será que você vai saber o quanto penso em você com o meu coração?”), idealizado (“Quem modelou teu rosto? Quem viu a tua alma entrando?” – ele enxerga muito além do rosto, e consegue visualizar a alma que lhe é tão cara), com marcas suaves que lembram sua infância (“A tia Edilamar e a tia Esperança...”) e com o amargo sofrimento de quem se sente invisível perante os olhos de quem ama (“Quem está agora ao seu lado? Quem para sempre está? Quem para sempre estará?”).

Ele reforça que o objeto do seu amor ama a outro, e que é algo sólido e difícil de quebrar, pois as famílias se conhecem bem. Tudo o que ele quer, é lugar, papel passado, com festa, bolo e brigadeiro, um canto sossegado, um pouco de sossego. Será pedir demais? Como atingir aquilo que nós queremos, e às vezes, nem estamos sonhando tão alto assim? Ao início da letra, ele diz estar pensando em casamento, mas não quer se casar. Ao final, ele diz ainda pensar em casamento, mas diz que ainda não pode se casar. A vontade mudou, mas isso não o possibilita suas concretizações, pois ele é rapaz direito, e foi escolhido pela menina mais bonita. Mas ela não lhe pertence e ele não se acha no direito de chegar aos seus sonhos de forma suja.

Já em Índios, Renato mostra sua indignação por um mundo que está ao contrário e ninguém reparou. Mundo esse no qual, as pessoas se acostumaram a viver, sem se deixarem abalar pelo caos instalado. Um mundo onde as pessoas podem levar embora até o que não temos. Onde cortamos panos-de-chão de linha nobre e pura seda, pois é cada vez mais comum em nós banalizarmos o que nos é raro e caro. Porque o ritmo frenético em que vivemos não nos permite selecionar o precioso do podre, e assim, misturamos tudo numa coisa só, sem dar a cada coisa, seu devido valor.

Ele diz que o que aconteceu ainda está por vir, pois tudo se repete a todo instante. As mesmas histórias, os mesmos erros, as mesmas ladainhas e falsas promessas. E também diz que o futuro não é mais como era antigamente. Bons tempos que não voltam, onde tudo era melhor do que agora. E o futuro será ainda pior do que hoje. E nesse jogo de antíteses, onde tudo se repete e nada é igual, ele prossegue dizendo que quem tem mais do que precisa ter quase sempre se convence que não tem o bastante, porque nosso ponto de saciedade vai se modificando conforme vamos atingindo novos patamares. E falamos demais quando não temos nada a dizer, porque precisamos preencher o silêncio com palavras vazias, perdendo a preciosa oportunidade de contemplá-lo. Martin Luther King diz que “Nossas vidas começam a terminar no dia em que permanecemos em silêncio sobre as coisas que importam”. E acrescento dizendo que o fim também chega quando falamos demais ao não termos nada de útil a acrescentar.

Nesse mar de lamentações e queixas revolucionárias, ele segue idealizando o mundo que sonha. Quem me dera ao menos uma vez que o mais simples fosse visto como o mais importante. Mas nos deram espelhos, e vimos um mundo doente. Doentes, somos nós, que não enxergamos nada além das nossas vaidades, sem olhar no espelho e ver nossa infinidade de defeitos irreparáveis.

Não dá pra entender como um só Deus ao mesmo tempo é três, quando se quer o perigo e se sangra sozinho, pois isso não traz ninguém de volta, nem a si mesmo: Só quando podemos dividir as nossas dores, começamos a enxergar que deixamos o Deus que nos salvou ficar triste sem nada fazer.

Acho que todos deveríamos acreditar por um instante em tudo o que existe, e acreditar que o mundo é perfeito e que todas as pessoas são felizes, pois só assim, poderemos fazer a nossa parte para que tudo dê certo e para que tudo passe apenas de sonhos utópicos. Acho que merecemos algo além de ser atacados por sermos inocentes.

Nós, acomodados e revolucionários reprimidos, nada mais somos do que índios andando em círculos nos nossos rituais de sobreviver, nos vitimizando de inocentes aos ataques injustos, quando na verdade, podemos pegar nossas lanças e lutar pela nossa liberdade, que nos permitirá redescobrir o país inteiro que há dentro de nós, e que ele não seja careta e covarde.

Temos que descobrir a melhor forma e o melhor caminho que nos levem ao doce equilíbrio de aceitar as nossas limitações, sem nos tornarmos indiferentes com as coisas que podemos mudar para melhor. Só assim, poderemos transpor barreiras e verdadeiramente amar. Não só nossa família, amigos, amores. Mas nosso país, nosso “Eu” que faz a diferença. E todos aqueles que queremos que percebam o nosso coração.

Será que você vai saber o quanto penso em você com o meu coração? Descobri que é sempre só você que me entende do início ao fim. E é só você que tem a cura pro meu vício de insistir nessa saudade que eu sinto de tudo que eu ainda não vi. Mas quero ver. Brasil, mostra a tua cara, confia em mim. Não venderemos todas as almas dos nossos índios em um leilão.

By Mônica

Links das Letras:

http://letras.terra.com.br/legiao-urbana/46959/

http://letras.terra.com.br/legiao-urbana/92/

"Um Índio" (Caetano Veloso) X "Carta à República" (Milton Nascimento)

O post dessa semana será uma “homenagem” ao Descobrimento do Brasil e ao Dia do Índio, comemorados dia 22 e 19 de Abril respectivamente.

Tentando escolher as músicas para o texto, pensei em várias que já haviam sido usadas por mim e fiquei com um grande impasse em qual seria a música que representaria o maior feito de Pedro Álvares Cabral. Quando já havia perdido as esperanças, descobri uma música de Milton Nascimento e Fernando Brant, que representava exatamente o que eu queria dizer neste meu post. O nome da escolhida é: “Carta à República”, que será confrontado com “Um Índio”, de Caetano Veloso (terceiro post seguido com uma letra de Caetano).

Vou seguir a ordem cronológica das homenagens e falarei sobre os índios e sobre o “índio” de Caetano, que coloca sua poesia concreta e nada fácil de entender a serviço desses seres que fazem parte da fauna brasileira (sim, acreditem ou não, índio não é cidadão, é fauna). Prestando maior atenção a letra do eterno tropicalista, pude perceber porque tudo que Caetano faz se tornar clássico... A letra pode ser muito bem utilizada para falar da grande polêmica em torno da construção da Usina Hidrelétrica de Belo Monte. Obra do governo federal, que segundo ambientalistas e acadêmicos, irá causar diversos impactos socioeconômicos na região e afetará também a fauna e a flora local por causa da redução do fluxo de água do Rio Xingu.

Num ponto eqüidistante entre o atlântico e o pacífico, e no meio do fogo cruzado entre ambientalistas e o governo federal – e as empreiteiras que estão de olho nos bilhões de reais que serão investidos na obra -, estão índios que mais uma vez serão prejudicados pela cobiça do homem branco que não se importa com o fato de remover daquelas terras, tribos indígenas que provavelmente estão ali há bem mais tempo do que o meros 510 anos do Brasil. E viram seus domínios serem demarcados para poder atender a eterna sede de poder dos “bravos” desbravadores, que em nosso passado de absurdos gloriosos quis adequar os índios as normas de uma sociedade hipócrita e mentirosa, que diz que devemos preservar nosso passado, mas que não sente o menor remorso em exterminar a última nação indígena e destruir o espírito dos pássaros e as fontes de água limpa, para poder substituí-la pela mais avançada, das mais avançadas das tecnologias.

E assim, aquilo que poderia se revelar aos povos não por ser exótico, mas sim pelo fato de poder ter sempre estado oculto quando terá sido o óbvio, mais uma vez será tragado pelo espírito destrutivo e egoísta do homem civilizado, o que fará com que as novas gerações nunca conheçam seus verdadeiros antepassados, que mesmo impávidos como Muhammed Ali e apaixonante como Peri, terá o mesmo destino de Bruce Lee.

Mudando o assunto para o descobrimento de Cabral, usarei a “Carta à República” de Milton Nascimento para poder falar da nossa grande pátria desimportante que chega aos seus 510 anos sem ter evoluído muito da época em que Pedro Álvares chegou aqui e viu uma terra linda, que passou por poucas e boas graças aos incompetentes que sempre nos governaram como se fossemos uma república de bananas.

Como bons brasileiros, continuamos brigando, apanhando, sofrendo, aprendendo, cantando, berrando, chorando, sorrindo e sonhando com um futuro em que nossos filhos não tenham medo das ruas, dos bares e de suas casas, aonde possamos ter alegria ao invés de amargura, ao ver que o sonho de um Brasil mais justo andou para trás.

Nesse ano de eleição vamos começar a mudar as coisas, vamos tentar eleger pessoas que façam coisas diferentes do que foi feito até agora. Para que esse meu pensamento utópico de um futuro melhor se realize, o povo tem que acreditar que é o senhor, e tem que se juntar em uma só voz, numa só canção.

Eu quero trabalhar em paz, quero um país honesto e por isso não posso me acomodar. E tendo colocado a mão no futuro, vejo que no presente preciso ser duro, para que nossa esperança não seja carregada como um sorvete em pleno Sol.

By Eduardo

Links das Letras:

http://letras.terra.com.br/milton-nascimento/646470/

http://letras.terra.com.br/caetano-veloso/44788/

terça-feira, 13 de abril de 2010

Encontros e Despedidas (MIlton Nascimento) X Só de Passagem (Pitty)

“Se eu morrer, sobrevive a mim com tamanha força

que acordarás as fúrias do pálido e do frio,

de sul a sul, ergue teus olhos indeléveis,

de sol a sol sonha através de tua boca cantante.

Não quero que tua risada ou teus passos hesitem.

Não quero que minha herança de alegria morra.

Não me chames. Estou ausente.

Vive em minha ausência como em uma casa.

A ausência é uma casa tão rápida

que dentro passarás pelas paredes

e pendurarás quadros no ar.

A ausência é uma casa tão transparente

que eu, morto, te verei, vivendo,

e se sofreres, meu amor, eu morrerei novamente.” (Pablo Neruda)

O texto dessa semana, para não fugir à regra, foi parido num tempo maior do que deveria. Mas dessa vez, tenho o álibi, um assunto que justifica. É adiar o inadiável e estender por um tempo maior, o que inevitavelmente chegará, cedo ou tarde. Mas na verdade, é muito além do que eu planejava fazer. Quando pensei nas músicas em questão, estava com uma idéia inicial. Fatos nos últimos dias, colaboraram para expandir minhas idéias, aliados às influências que andei lendo, e como resultado, não sei onde essa bomba vai explodir.

Explico-me, para que entendam que o objetivo pode ser um, e o resultado final ser diferente: a minha idéia era falar da vida. De como estamos nesse mundo de passagem, entre erros, acertos, tropeços e saltos, tentando fazer valer a pena, tendo sempre pessoas ao nosso redor que nos influenciam. Tendo crenças que nos influenciam, tendo percepções do mundo que nos influenciam. Para isso, escolhi duas músicas que cabem certo com a minha idéia inicial. Daí pensei: como falar de vida e não abranger parte impreterível dela? Então, vários pensamentos relacionados à finitude da vida, me vieram à mente. E sim, no meio de tudo, falarei dela, a temida, ou a salvação. A evitada ou o fim do sofrimento. Morte, entre de forma sutil aqui, para que todos possam refletir sobre você, dessa vez com um novo olhar. Vamos lá, vamos pelo menos tentar.

Grandes influências de hoje, Milton Nascimento e Pitty, me ajudam com “Encontros e Despedidas” e “Só de passagem”. Não sei nem por onde começo. Se exponho minhas idéias e depois falo das músicas, ou vice-versa. Mas vamos tentar focar, e começar pela músicas, visto que são protagonistas desse blog.

Milton Nascimento fala de uma música que sempre me foi meio familiar. No tempo de escola, o meu Eu de catorze anos escreveu, certa vez, uma redação que falava sobre a vida. Falava sobre a vida como uma viagem de trem, onde podemos descer em várias estações para realizar grandes feitos, mas descer ou não é uma opção nossa, e reembarcar é nossa falta de opção, porque se ficarmos ali parados, não iremos a lugar algum. O embarque é só de ida, e se passarmos toda a viagem sem descer em estações para conhecer novos lugares dentro de nós mesmos, chegaremos ao fim da viagem sem ter tido nada de proveitoso. Okay. Chega do meu Eu de catorze anos, que foi desacreditada pela professora quanto à autoria. Ela queria saber qual livro utilizei, mas isso não vem ao caso.

Encontros e despedidas, de uma forma ou de outra, fala disso. E fala mais, fala do mundo de lá. O outro lado da vida. Ele quer saber noticias de lá, e saber quem está desse lado. Ele quer ser recebido por pessoas queridas, independente de que lado da vida esteja, seja a finita, seja a eterna. Ele gosta de poder partir sem ter planos, e poder voltar sempre que quer (espíritos são livres, espíritos só passam por aqui), nas nossas idas e vindas ao longo de várias vidas pela eternidade. A vida se repete na estação (mudaram as estações, nada mudou), o que mudam são apenas os protagonistas, com histórias parecidas ou divergentes, porém o que não podemos é ser coadjuvantes da nossa própria história. Tem gente que veio só olhar. Que sejamos quem chegue pra ficar, ou aqueles que vão pra nunca mais, para ancorar em um porto diferente, mas deixando uma marca de eternidade por onde passamos. E assim, vivendo a sorrir e a chorar, chegamos e partimos, de encontro aos dois lados da mesma viagem. A hora do encontro é também despedida, porque toda partida é a chegada a um outro lugar.

Momento de fechar ciclos e finalizar etapas. E de reencontros tão antigos que ficaram no esquecimento em nossa memória. A plataforma dessa estação, são as vidas que adiam sem explicação. Vidas que Pitty mostra por um olhar passageiro em “Só de passagem”. Ela diz que não é nada daquilo presente no universo em que vive, e sim está naquela situação de forma temporária, como um caixeiro viajante a espera do próximo destino. Não tenho cor nem cheiro, eu não pertenço a lugar nenhum. Porque posso estar em todos os lugares sem estar acorrentada a nenhum deles. Ela mostra nossa existência como uma fotografia. Um registro de um momento, um recorte no tempo, onde estávamos naquela cena, sob aquela lente, naquele foco, vestindo aquela identidade. Mas não significa que ficaremos ali, parados, com sorrisos congelados, pela eternidade.

Nada me toca, nem aprisiona. Como diz Paulo Leminski, “Esta vida é uma viagem, pena eu estar só de passagem”. Eu possuo muitas coisas, mas nada disso me possui. É como aquela história de “Desejo que ganhe dinheiro, pois é preciso viver também. E que você diga à ele, pelo menos uma vez, quem é mesmo o dono de quem.”

O lance, é não inverter as peças do jogo e as ordens dos fatores, porque isso vai alterar todo o resultado final. Eu posso possuir coisas, mas não posso me aprisionar a elas, deixando que elas me possuam. É mais ou menos isso que as pessoas materialistas sentem. Elas são tão presas ao que tem e ao que desejam ser, que esquecem a que vieram e o que verdadeiramente são. E o que essencialmente importa. O necessário não é possuir nada. E tampouco se deixar possuir por invólucros temporários. Que sejamos espíritos livres, que passeiam por aqui, sem explicação, acima da carne e do metal.

Que aceitemos a complexidade que é viver e que consigamos lidar com o fantasma da finitude da nossa existência material sem nos assombrarmos diariamente, quando na verdade, deveríamos agradecer por cada dia que podemos nos reinventar e sermos algo novo. Nós vamos morrer, e isso nos torna afortunados. A maioria das pessoas nunca vai morrer, porque nunca vai nascer, li certa vez.

Não há separação, nem distinção entre matéria e espírito. O que existe é uma liberdade maior quando conseguimos enxergar além dos nossos olhos. Eu posso (e devo) viver o aqui, e o agora, que pode ser o primeiro ou o último momento dentro desse minúsculo espaço de tempo na eternidade onde nos tornamos suscetíveis ao acaso fatídico. Esse espaço onde se valoriza demais pequenos gestos que fazem grande diferença, porque uma oportunidade perdida pode jamais ser recuperada.

O autor de “O Pequeno Príncipe” diz que o que se leva da vida, é a vida que se leva. Então, esse barco, quem conduz somos nós, tendo ou não experiência em navegar. Teremos que aprender a lidar com o mar calmo e o turbulento, sem ninguém para nos dizer pra que lado girar o leme. Mas devemos aproveitar as circunstâncias para nos fazer crescer em nossas certezas e nos permitir novos horizontes, sendo sempre nós mesmos, certos de que não seremos os mesmos por toda a eternidade, pois só o que está morto não muda. E querendo ou não, somos todos eternos, e estamos agora, infinitos enquanto duramos.

E se houver uma pedra bem grande no meio do caminho? E se uma encosta cair e tivermos que mudar o rumo, pegando um atalho ou um caminho mais longo? E se for tudo diferente do que planejamos, sonhamos? Se levarmos uma vida que não foi a almejada? Respondo parafraseando Fernando Pessoa: "Há um tempo em que é preciso abandonar as roupas usadas que já não têm a forma do nosso corpo, e esquecer os nossos caminhos que nos levam sempre ao mesmos lugares.É o tempo de travessia...E se não ousarmos fazê-la,teremos ficado para sempre,à margem de nós mesmos.”

Então, nossa próxima parada: viver o agora. Eternizá-lo. Porque devemos viver como se fossemos morrer no próximo segundo, para não gerar arrependimentos futuros. Frases clichês, que todos cansamos de ouvir, eu sei. Mas quando se trata de morte, muitos sentimentos entram em pauta: dor, irreversibilidade, saudades, inconformismo, indignação, impotência. E por aí vai.

Como diz Martha Medeiros, morrer é um verbo carregado pra se falar da nostalgia que a saudade traz, mas talvez seja o mais real. Porque a única saudade não saciada é a de quem não volta mais. Na nossa mente que entende que morte é o fim, é separação, é um eterno abismo entre duas almas que estavam ligadas, e que agora, tem um vão de separação. Um vão simples, na verdade, alcançável com um pulo. Um pulo de fé, esperança ou credibilidade no futuro que nos aguarda e no sentido que precisamos encontrar em nossas vidas. Não devemos esperar sermos poeiras de estrelas para que possamos brilhar. As próprias estrelas morreram há tanto tempo e querem continuar eternas.

Mas a nossa eternidade não começa quando a vida termina. Ela começa em atos bem vividos e palavras bem colocadas, nas frases certas, no tempo devido. Nos sentimentos vividos com a intensidade de um romance shakespeareano. Um velhinho barbudo e grisalho, adorado por toda a garotada que é fã do bruxo mais famoso do mundo, disse uma frase interessante: “Para uma mente bem estruturada, a morte é apenas a etapa seguinte”. Porém é muito difícil alguém estar tão estruturado que no momento da perda e da separação, tenha estrutura para agir com naturalidade diante do que deveria ser natural a todos nós. Ainda temos dentro de nós um algo, uma fagulha divina, que nos faz sensibilizar e nos sentirmos amputados em alguma coisa. É essa mesma fagulha que nos mantém como pessoas que podem fazer algo por um mundo melhor, porque ainda deixamos sangrar dentro de nós, emoções sinceras por algo temporariamente irreparável.

Morrer não dói, já dizia o poeta, que diz que as borboletas só vivem 24 horas. Mas isso é só uma questão de opinião. Há quem ache a morte bem dolorosa, para quem vai, e sobretudo, para quem fica desse lado. Acontece que certas coisas existem, independente de acreditarmos ou não. Independente da nossa fé e dos nossos princípios. A morte é uma dessas coisas. E todos temos que encarar isso, tendo preparo prévio ou não. O fato de que a vida continua (e se entregar é uma bobagem) também. Seja como vida eterna, seja com a pluralidade das existências, seja como for, e com o que se queira acreditar. Mas o fim absoluto não existe. O que existe, é o recomeço para algo novo. O para sempre, sempre acaba. E recomeça. Para dar lugar ao que é eterno. E aí, começo a pensar que nada tem fim. E não tem explicação, não tem, não tem...

Eu deixarei que morra em mim o desejo de amar teus olhos que são doces, porque nada te poderei dar senão a mágoa de me veres eternamente exausto. No entanto a tua presença é qualquer coisa como a luz e a vida. E eu sinto que em meu gesto existe o teu gesto e em minha voz a tua voz.

Não te quero ter porque em meu ser tudo estaria terminado. Quero só que surjas em mim como a fé nos desesperados, para que eu possa levar uma gota de orvalho nesta terra amaldiçoada, que ficou sobre a minha carne como nódoa do passado. Eu deixarei... tu irás e encostarás a tua face em outra face.
Teus dedos enlaçarão outros dedos e tu desabrocharás para a madrugada. Mas tu não saberás que quem te colheu fui eu, porque eu fui o grande íntimo da noite. Porque eu encostei minha face na face da noite e ouvi a tua fala amorosa. Porque meus dedos enlaçaram os dedos da névoa suspensos no espaço. E eu trouxe até mim a misteriosa essência do teu abandono desordenado. Eu ficarei só como os veleiros nos pontos silenciosos. Mas eu te possuirei como ninguém porque poderei partir. E todas as lamentações do mar, do vento, do céu, das aves, das estrelas. Serão a tua voz presente, a tua voz ausente, a tua voz perenizada.”

(Ausência - Martha Medeiros)

By Monica

Links das Letras:

http://letras.terra.com.br/milton-nascimento/47425/

http://letras.terra.com.br/pitty/69133/

Sampa (Caetano Veloso) X Angra dos Reis (Legião Urbana)

Tentando encontrar duas músicas para falar no post dessa semana, minha louca mente conseguiu encontrar alguma relação entre a poesia concreta de Caetano Veloso e a melancolia existente na obra de Renato Russo. Por mais que eu ache o estilo poético de Renato mais parecido com o de Chico Buarque do que com o de Caetano, resolvi tentar levar adiante mais essa empreitada, e vou escrever sobre “Sampa” e “Angra dos Reis”.

A visão de Caetano sobre seu difícil começo naquele lugar que ele nada entendeu quando ali chegou, faz de “Sampa” não apenas um grande hino, mas nos faz pensar como somos fechados a tudo que é novo em nossas vidas, afinal, já perceberam que sempre afastamos o que não conhecemos, e nossa mente apavora aquilo que ainda não é mesmo velho. Caê sintetiza em sua letra - que a meu ver mais parece um depoimento - tudo o que ele viu naquele cenário, desde o povo oprimido nas filas, nas vilas e favelas, até a força da grana que ergue e destrói coisas belas.

São Paulo com certeza é o nosso grande exemplo de megalópole... Ou existe cenário mais moderno e apocalíptico do que aquele emaranhado de fábricas que soltam a feia fumaça que sobe, apagando as estrelas. A grande contradição é que desta mesma fumaça nasce a esperança de quem vende e compra o sonho de feliz cidade, e os muitos brasileiros que não encontram oportunidades em nosso árido e sofrido sertão, aprendem depressa a chamá-la de realidade. Afinal, “Sampa” é isso... O avesso, do avesso, do avesso.

Na verdade, todos que chamam a terra da garoa de feia ou muitos destes adjetivos nada populares destinados a maior capital do país, nada mais é do que nosso exercício diário de narcisismo. Digo isso, porque como bom carioca não consigo ver beleza na capital paulista, mas não se importem com isso, até porque, Narciso sempre acha feio aquilo que não é espelho.

E mesmo com a dura poesia concreta das tuas esquinas e a deselegância discreta das tuas meninas, com certeza meu coração vai bater mais forte quando eu cruzar a Ipiranga e a Avenida São João.

Saindo da Pan-américas de Áfricas utópicas... Vamos para Angra dos Reis com Renato Russo. Encasquetei que poderia escrever sobre essas duas músicas e vou continuar nessa loucura.

Renato nunca é fácil de entender, porque como ele mesmo diz na sua letra: “tem dias que tudo está em paz, e agora os dias são iguais”. Devo concordar com o poeta. Desde que Renato se foi em Outubro de 1996, os dias tem ficado cada vez mais iguais.

“Angra dos Reis” é um lindo e comovente depoimento (tá aí o link das duas músicas, ambas são depoimentos de seus compositores) sobre a solidão. Essa dor que dói no peito e nos faz lamentar por vários momentos que deveriam ter acontecido, mas que infelizmente vão nos deixar apenas com saudade de algo que ainda não vimos.

Caetano e Renato na verdade, falam de solidão, mas cada um ao seu estilo. Enquanto Caetano fala da solidão por estar em uma nova cidade, num lugar que ele ainda irá descobrir e que ao descobrir ficará fascinado. Renato nos apresenta a solidão como ela é de verdade... Feia, cruel e dolorosa. E como ele entendia de solidão como ninguém, ainda utilizou Nietzsche no trecho da letra em que ele diz: “Pode rir agora que estou sozinho, mas não venha me roubar”. O legionário não queria que lhe roubassem a solidão sem que lhe fosse oferecida uma companhia de verdade.

No fim de tudo... Renato nos mostra o quão cruel é a sensação de solidão, porque no momento em que as estrelas começarem a cair, nem ele mesmo sabe pr’onde é que vai fugir. E se ao invés de fugir, ele quisesse apenas ir brincar perto da Usina? Quer saber? Deixa pra lá, afinal, a Angra é dos Reis.

By Eduardo

Links das Letras:

http://letras.terra.com.br/legiao-urbana/22504/

http://letras.terra.com.br/caetano-veloso/41670/