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quinta-feira, 26 de novembro de 2009

Ouvir estrelas (Kid Abelha) X Tempo, Espaço (Lulu Santos)


O post dessa semana tropeçou na correria da minha vida, e foi arrastado o máximo que pôde. Aí, cansei. E resolvi dar uma pausa para sonhar. Viajei bem fundo. Peguei um trem pras estrelas e quando me dei conta, estava entre elas.

Eu, que sempre admirei o céu, hoje tenho a honra de falar sobre ele da forma mais poética que existe em mim: através da música. Para tal peripécia, me utilizo de um grande nome: Olavo Bilac. E uma poesia de sua autoria “Ora(direis) ouvir estrelas”. Não, não falarei de poesia. Em partes. Kid abelha, usando a voz suave de Paulinha Toller, fizeram o favor de gravar a versão musicada dessa poesia. E é “Ouvir estrelas”, a letra que vou entrelaçar com uma pequena notável (como toda estrela digna) de Lulu Santos: “Tempo, espaço”.

Estrelas são pontos luminosos no céu, produtos de uma enorme explosão – explosão essa que determinou a morte da estrela – cujo brilho é chegado para nós, até que toda a luminosidade da sua morte cesse e ela fique esquecida no infinito escuro. Isso era o que eu sabia sobre as estrelas - até hoje. Eu, que sempre as amei, não sabia nada sobre elas.

Não quero dar uma aula de astrofísica para falar da composição estelar. Mas algumas coisas me soaram interessantes. A estrela só morre quando elementos extremamente pesados a saturam e há um desequilíbrio de energia. E elas não têm todas, o mesmo fim. Algumas viram buracos-negros. Outras, explodem e se transformam em supernovas. Estas são brilhantes ao extremo, e o brilho decai até se tornar invisível. Porém, nos primeiros dias, esse brilho se intensifica em um bilhão de vezes seu estado original, ficando tão brilhante quanto uma galáxia. Elas têm todos os elementos de uma tabela periódica, fato que as permite causar a extinção de todos os seres da Terra, mas também, gerar vida.

Acabado meu momento globo ciência, falo de música e poesia. Mas é que fiquei mesmo emocionada com o fato de algo que pode acabar com todas as espécies vivas do planeta, ter o poder de gerar vida. A ambivalência me fascina. Não gosto de opiniões fixas e imutáveis. Adoro a leveza e a descontração da inconstância, que liberta a vida do tédio. Que permite ousadia aos corajosos. Ou aos bipolares, que seja. Não importa. O importante é não ser apenas o lado A do disco. Se não houvesse o lado B, o lado A não precisaria ser chamado assim, só haveria um lado. Unilateralismo é muita falta de opção. De criatividade. Ou de opinião.

Tudo bem, prometo não me perder mais. É porque ouvir estrelas me faz perder o senso. Eu desperto pra tanta luz, e abro as janelas para olhar o céu, procurando-as no deserto infinito, pálida de espanto. Que o sol me desculpe – e eu o amo demasiadamente – mas anseio avidamente pela noite, onde tudo fica escuro e eu enxergo melhor. E vejo brilhar. As estrelas, quase todas mortas. Só amando para entendê-las. Entender que conseguem brilhar pelo seu fim, com a despedida mais triunfal que o universo nos proporciona.

Afinal...não conheço mais nada que ao perder a vida, deixe um brilho tão grande, que não é chegado para nós o tempo em que se apagarão. E quando isso acontecer, ficaremos apenas com um rastro de luz se apagando além dos nossos olhos. A gente tá na lanterna, do tempo que virá...com mais brilho, espero. Que os novos tempos e novas eras que se aproximam, nos mostrem a beleza de morrer sem desaparecer, de brilhar pra se fazer eterno, de compreender que o importante não é o tempo que se tem, mas o (bom) uso que fazemos dele. E já dizia Cazuza: “Como as borboletas que só vivem 24 horas. Morrer não dói.” Deixa marcas. Eterniza. E se o seu brilho é tão grande quanto de uma estrela, talvez nunca se apague e se torne invisível. Eu sou sensível à escutá-las a cantar. Pois só quem ama pode ouvir estrelas...

By Mônica

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Cérebro eletrônico (Gilberto) X Pela Internet (Gil)



Ironicamente este texto está sendo escrito a mão, em um caderno de caligrafia e numa tarde sem luz.

Assim como na semana passada, não tive grandes idéias para este post, então, resolvi aceitar a sugestão da Mônica, e utilizar “Música Urbana” e “Música Urbana 2” (particularmente não sou um grande fã dessa segunda), músicas escritas por Renato Russo, mas a primeira faz parte do repertório do Capital Inicial, que ficou com a música após a partilha das músicas do Aborto Elétrico, banda punk de Brasília que deu origem a Legião Urbana e ao Capital. Quando já estava com caneta e lápis na mão, e começando meu ritual semanal para começar minhas divagações musicais, tive uma epifania e resolvi mudar as duas músicas escolhidas, comecei a achar que estava me repetindo demais nesse meu revolucionarismo literário, então resolvi falar sobre um tema mais ameno, mas não menos polêmico. A internet¹.

Continuarei utilizando duas músicas de um mesmo compositor, só que dessa vez as escolhidas foram “Cérebro Eletrônico” e “Pela Internet”, do grande Gilberto Gil. A História de Gil não precisa de apresentações. Ele com certeza é um dos compositores mais criativos do século XX, e foi um dos alicerces do Tropicalismo².

Foi nessa fase áurea do tropicalismo que Gil criou “Cérebro Eletrônico”, uma linda crônica sobre a diferença entre máquinas (os recém criados computadores) e humanos. Segundo Gil, o “Cérebro Eletrônico” manda e desmanda, é ele quem manda, mas ele não anda. Somos dependentes de computadores, mas somos nós com nossos botões de carne e osso, que ficamos tristes, choramos e podemos pensar se Deus existe. Não precisamos da ajuda de nenhum computador para decidirmos se vivemos ou morremos, porque com seus botões de ferro e olhos de vidro, ele não pode nos dar socorro em nosso caminho inevitável para a morte. E aliás, apesar de fazer tudo, quer dizer quase tudo,... Ele é mudo.

Gilberto Gil sempre foi muito influenciado pela tecnologia, seja em sua música, que sempre agrupou experimentações junto com raízes africanas, seja em suas letras, que sempre debatem sobre temas importantes da nossa sociedade. E se no passado ele de certo modo criticou os computadores. Logo após o grande boom da internet no final dos anos 90, ele compôs “Pela Internet”. Uma dissertação muito bem humorada sobre a nova tendência mundial. Ficar na frente do computador, como estou fazendo agora, para utilizar o “cérebro eletrônico” como meio de transporte para velejar por esse infomar, que aproveita a vazante da infomaré, para promover debates com um grupo de tietes em Connecticut.

Mesmo nesse mundo louco da internet, aonde até o chefe da polícia carioca avisa pelo celular que um hacker mafioso acaba de soltar um vírus para atacar os programas do Japão, ainda é possível encontrar amigos e até um grande amor, como é o meu caso. Fiz uma jangada para velejar pelos gigabytes da internet e encontrei um porto para meu coração.

E sem a ajuda do cérebro eletrônico, segui um dos meus impulsos mais primitivos e me apaixonei pela mulher da minha vida e a parceira que criou comigo esta home-page, onde vocês estão lendo este texto.

Eu falo e ouço, eu penso e posso. Mas é pela internet que contacto os lares do Nepal, os bares do Gabão e descubro que lá na Praça Onze tem um videopôquer para se jogar.

By Eduardo

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¹ A Internet é um conglomerado de redes em escala mundial de milhões de computadores interligados pelo TCP/IP que permite o acesso a informações e todo tipo de transferência de dados. Ela carrega uma ampla variedade de recursos e serviços, incluindo os documentos interligados por meio de hiperligações da World Wide Web, e a infraestrutura para suportar correio eletrônico e serviços como comunicação instantânea e compartilhamento de arquivos.

De acordo com dados de março de 2007, a Internet é usada por 16,9% da população mundial[1] (em torno de 1,1 bilhão de pessoas).

² A Tropicália, Tropicalismo ou Movimento tropicalista foi um movimento cultural brasileiro que surgiu sob a influência das correntes artísticas de vanguarda e da cultura pop nacional e estrangeira (como o pop-rock e o concretismo); misturou manifestações tradicionais da cultura brasileira a inovações estéticas radicais. Tinha objetivos comportamentais, que encontraram eco em boa parte da sociedade, sob o regime militar, no final da década de 1960. O movimento manifestou-se principalmente na música (cujos maiores representantes foram Caetano Veloso, Torquato Neto, Gilberto Gil, Os Mutantes e Tom Zé); manifestações artísticas diversas, como as artes plásticas (destaque para a figura de Hélio Oiticica), o cinema (o movimento sofreu influências e influenciou o Cinema novo de Gláuber Rocha) e o teatro brasileiro (sobretudo nas peças anárquicas de José Celso Martinez Corrêa). Um dos maiores exemplos do movimento tropicalista foi uma das canções de Caetano Veloso, denominada exatamente de "Tropicália".

Fonte:

(http://pt.wikipedia.org/wiki/Internet)

(http://pt.wikipedia.org/wiki/Tropicalismo)





quarta-feira, 18 de novembro de 2009

O Papa é Pop (Engenheiros do Hawaii) X Fátima (Capital Inicial)

O post dessa semana foi uma idéia que tive de relance, nas manhãs aguadas de madrugar para a árdua tarefa chamada trabalho. Ouvindo música e vendo o sol nascer, relembrei uma conversa com o Eduardo e a idéia nasceu naturalmente, sem distócias, nem sofrimento: Engenheiros do Hawaii e Capital Inicial se completam em “O papa é pop” e “Fátima”.

Até aí, tudo bem. Surgiu a idéia, e esta permaneceu congelada até vir a pôr em prática hoje. Daí na minha inocência, pensei: vou ler um pouco sobre o assunto pra aprofundar minhas bases e dissertar melhor. Como fui tola. Bobinha. Agora, me encontro entre uma infinitude de questionamentos desprovidos de solução e não sei qual o melhor caminho pelo qual vou enveredar minhas certezas. Que já estão incertas, a essa altura do campeonato.

Gessinger fala de um Papa pop que levou um tiro à queima roupa. Isso soa familiar? Onde já ouvi isso antes? Renato russo, que compôs a letra que posteriormente o Capital gravou, era um visionário. Sempre acreditei nisso. Ele fala de Fátima. Mas não uma Fátima qualquer. Aquela dos três segredos. Do mistério que a humanidade acha que foi desvendado, mas ainda há muito o que entrelaçar para compreender o verdadeiro sentido das coisas. Enfim, eu falava que Renato falava de Fátima. E um dos segredos (que não estou mais certa se o segundo ou terceiro) dela, envolvia um líder religioso sofrendo um atentado, como o que o Papa João Paulo II (o mais pop de todos), sofreu em 1981 ao levar um tiro (à queima roupa – o pop não poupa ninguém).

Socorro! Não sei se falo das músicas ou dos segredos. Enfim, vamos por partes. Pelo que eu havia lido sobre o assunto, tudo indicava que o terceiro segredo envolvia o tal atentado, que tudo leva a crer que foi o sofrido por João Paulo II. Porém, contudo, todavia...há ressalvas, meus caros. Há quem diga que esse é o segundo segredo. E o terceiro, bem mais catastrófico e em larga escala, prevê uma seqüência de acontecimentos – naturais e provocados por nós, humanos – que teriam como conseqüência a exterminação quase que absoluta da população terrestre daqui há meros 3 anos. (não venho a citar datas, nem defender o tal juízo final que a imaculada Igreja católica alerta, mas não faz mal a ninguém viver loucamente por três aninhos. Na pior das hipóteses, teremos muitas experiências para contar aos nossos netos nas tardes de domingo)

Voltando ao foco principal, Gessinger fala que todo mundo ta revendo o que nunca foi visto, relendo o que nunca foi lido, comprando os mais vendidos, para não escapar das tendências da moda. Qualquer nota, qualquer notícia, uma nota preta, estando na cara ou na capa da revista. Não importa se sua vida são páginas em branco, qualquer coisa que se mova é um alvo, e ninguém está a salvo. Não adianta esperar intervenção divina...não é, Renato? O tempo agora está contra vocês. E no meio de tanto medo, é fácil se perder, como conseguir dinheiro pra comprar sem se vender? Espero que a fé não esteja à venda também. O papa é pop, mas pera lá. É pecado vender um pedaço do céu. E a Igreja (Imaculada, como já disse) não seria capaz de tais atrocidades (isso é uma ironia, para os desavisados. Sem desrespeitar a fé de ninguém, que fique claro. Não falo da fé, falo do sistema que a controla em impõe regras pra chegar ao céu ou ficar perdido no inferno). Mas toda catedral é populista, é pop, é macumba pra turista.

Vem as ameaças de ataque nuclear, e bombas que não foi Deus quem fez. Se armar esquemas ilusórios, fingindo que o mundo ninguém fez, terei pena de vocês. Tudo tem começo. Mas se começa, um dia acaba. Alguém um dia vai se vingar, mostrando a vocês que o reinado acabou e que não passam de escória. Tanto faz, já que existem crianças sem dinheiro e sem moral, e elas não ouviram a voz. Tiveram apenas a visão do que dizia Fátima. Porque ela derrubava uma lágrima.

Um disparo, um estouro. Ninguém está a salvo, e o papa popular levou um tiro à queima roupa. E o vinho virou água, a ferida não cicatrizou. O limpo se sujou, e no terceiro dia, ninguém ressuscitou. Milagres deixaram de existir diante de certas barbaridades. Antigamente era pop. A tua vida era pop. Até o indigente é pop. E o presidente é pop. Mas sobrou pro papa. Ele não desvia dinheiro público, não passa por um impeachment, mas ele ganha um tiro. O presidente não era nem tão popular assim.

Quando se arma esquemas ilusórios e se consegue dinheiro pra comprar se vendendo, você deixa de ser alvo. Não quero ser como vocês, eu não preciso mais. Quando a realidade passa a ser uma peça ao avesso,onde todo tipo de falcatrua recebe perdão e vira crime ser um líder sem tirania, não há intervenção divina que dê jeito. Esqueceram de avisar pra todo mundo que tentaram dar ao Papa o mesmo fim do líder do rock. Não me interessa mais as ameaças de ataque nuclear, as previsões do que está porvir. Acredito na catástrofe que nós mesmos causamos em nossas vidas. Porque tudo que tem começo, um dia acaba. E alguém um dia vai se vingar. Eu já sei o que tenho que saber, e agora, tanto faz. O fim dos nossos mundo, é a gente que faz.

By Mônica

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O Calibre (Paralamas do Sucesso) X Suas Armas (Pitty)

Para que se possa entender bem o texto de hoje, preciso explicar dois pontos cruciais. Passei a semana inteira com uma espécie de abstinência criativa, por isso as duas músicas foram idéia da Mônica (há muito tempo queria usar “O Calibre”, do Paralamas do Sucesso. Só que não encontrava nenhuma música para “casar” com ela), e a ponte que vou fazer com o desarmamento, também foi um palpite dela. Portanto, hoje eu vou dar uma de freelance e desenvolver um post a partir de idéias que não são minhas.

Será que alguém ainda se lembra que há mais ou menos 4 anos atrás houve no Brasil um plebiscito para que o povo opinasse sobre o desarmamento no país? Eu creio que não. Porque nem eu lembro em que ano isso ocorreu (perceberam que escrevi “mais ou menos” há 4 anos?).

Assim como na época da votação, continuo a favor do desarmamento. E não me venham dizer que isso deixa a população mais insegura, até porque, nesse tempo vagabundo em que vivemos, não sabemos de onde vem o tiro e muito menos o calibre do perigo.

Realmente nos dias de hoje, vivemos números de guerra e rezamos por dias de paz, enquanto bandidos têm armamento capaz de derrubar helicóptero. Só que nenhum desses motivos é capaz de me convencer que um pai de família tenha o direito de ter uma arma em casa, ao alcance dos filhos, que por pura irresponsabilidade, poderão causar uma tragédia. Já que aquela arma só estava em casa, para que seu pai pudesse ter a falsa sensação de que seria capaz de sacar sua arma tão rápido quanto John Wayne em um filme de velho oeste.

Para encerrar com o assunto desarmamento, e poder falar de música que é nosso interesse, reafirmo minha posição a favor do desarmamento. Porque na minha opinião, não há melhor munição que palavra e movimento.

Deixei explícito no primeiro parágrafo que uma das músicas do texto era “O Calibre”, dos Paralamas, e a outra é “Suas Armas”, da baianinha Pitty (aliás, faz tempo que não divago sobre ela).

Pitty sempre tem opiniões interessantes e que merecem atenção. Em “Suas Armas”, ela não fala apenas de armas de fogo como se possa pensar, ela também disserta sobre liberdade e prisão.

Acho interessantíssimo o modo como ela diz que quem tem atitude não precisa de munição, pois assim como eu, ela também acha que palavra e movimento bastam. Porque isso nos faz flutuar em transe e nos faz abrir as portas de nossas prisões interiores e exteriores (tire a máscara que cobre o seu rosto).

“O Calibre” é com certeza uma das letras mais contestadoras dos Paralamas. Todos nós (não estou abrindo exceções) temos esquinas em que nunca paramos, certas horas que nunca saímos e ficamos entricherados, vivendo em segredo. A vida já não é mais vida, e sim um artigo de luxo. Não sei se as promessas foram esquecidas, ou se o que foi prometido ninguém prometeu.

Sei apenas que de cara limpa e peito aberto... Vivo sem saber até quando ainda estou vivo, porque em cima do muro é um lugar para os governantes, já que não há estado, nem há mais nação.

By Eduardo

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quarta-feira, 11 de novembro de 2009

Pitty acerta o "Teto de vidro" que existe entre o "8 ou 80"

A minha idéia do post dessa semana, surgiu da minha indignação e repugnância pelo que o Ser humano é capaz de fazer. Isso foi o pontapé inicial para a minha idéia, ao pensar em uma música de quem na minha opinião, atualmente, é a líder da nata do rock nacional, por honrá-lo ao aliar letras críticas à uma guitarra explosiva. Então, comecei a pensar qual seria a associação: eu precisava de uma outra música. E veio em mente outra música dela. O que é que a Baiana tem? A mais autêntica e singular das baianas, vulga Pitty, vai nos dizer através de Teto de Vidro (música do seu primeiro CD “Admirável chip novo”*) e 8 ou 80 (Do álbum mais recente, “Chiaroscuro”).

Farei diferente essa semana: antes de falar da minha interpretação das letras, falarei da revolta que me fez escolher tais músicas, pra depois fazer a ponte, que parece nada viável. Ao assistir telejornal (coisa que faço pouco pra evitar essa sensação abismal e inquietante que me acomete agora e me faz querer vomitar essas palavras), me deparei com uma matéria sobre uma estudante de determinada universidade, que foi apontada por seus colegas devido à sua vestimenta inapropriada, além de ser expulsa da universidade (que voltou atrás agora que a mídia caiu em cima, lógico) e exposta ao julgamento de pessoas que não tem nada a ver com a vida dela e que não são parâmetro para avaliar conduta alguma.

Fique claro que não estou defendendo trajes indevidos em lugares impróprios, mas defendo sim a liberdade de pensamento, de ser o que se deseja e não ser condenado por isso como um criminoso – ou de forma mais rude, visto que criminosos muitas vezes permeiam impunes por becos em nossa sociedade, que fechamos os olhos e fingimos não ver.

Enfim, quem não tem teto de vidro, que atire a primeira pedra. Quem nunca teve uma atitude condenável, um traje inapropriado, uma conduta pouco louvável. Quem nunca esbravejou uma frase que ficaria melhor se engolida ao invés de posta pra fora. Quem nunca jogou lixo no chão ou negou lugar a um idoso quando ninguém estava olhando. Quem furou fila ou se sentiu esperto ao se beneficiar do erro de algum vendedor, que o levou a adquirir um produto melhor pelo preço do mais barato.

No fim das contas, todo mundo tem segredo que não conta nem pra si mesmo. Porque é vergonhoso. O ponto de ebulição do nosso caráter pode fazer explodir o nosso cérebro. Manda nossa alma pro espaço.

Todo mundo tem receio do que vê diante do espelho. Medo se ser alguém que você já criticou. Medo de descobrirem que você fez algo que um dia já apontou como errado. Insisto: não é medo da atitude errada, e sim de ser descoberto. Na frente está o alvo que se arrisca pela linha, não é tão diferente do que eu já fui um dia.

Tantas pessoas querendo sentir sangue correndo na veia, afinal quem está vivo se movimenta. E quer muito, tem apego. Deixa de querer, restando o desprezo. É a nossa vulnerabilidade que nos faz escravos dos nossos desejos voláteis, que nos faz cair em contradição o tempo todo. E surgem os desejos que não se divide nem com o travesseiro. O remédio pra amargura (existe?) ou as drogas que vem com bula (a solução dos fracos).

O mundo gira num segundo, sem conhecer o que existe entre o 8 e 80. Cada um em seu casulo, em sua direção, vendo de camarote a novela da vida alheia. Sem cuidar do próprio umbigo, mas sugerindo soluções, discutindo relações, bem certos de que a verdade cabe na palma da mão. Quero ver quem é capaz de fechar os olhos e descansar em paz com esse tipo de conduta.

Nem sempre ando entre meus iguais, nem sempre faço coisas legais. Me dou bem com os inocentes, mas com os culpados me divirto mais. E como me divirto. O que não presta sempre interessa muito mais. Mas se a verdade está na palma da minha mão, eu posso atirar a primeira pedra no teto do vizinho. Posso julgar a atitude dele e diminuir o seu valor. E quando a verdade dele passar a ser a minha, é só mudar a perspectiva. Se eu faço, deixa de ser errado. Quem é dono das certezas não é capaz de errar (?).

E num piscar de olhos, lembro de tanto que falei, deixei, calei e até me importei, mas não tem nada, eu tava mesmo errada. Mas ficar discutindo a novela da vida alheia, sugerindo soluções , desconhecendo o meio termo entre o 8 e o 80 e esmagando a verdade na palma da mão, não permite a ninguém fechar os olhos e descansar em paz. Se aliar aos inocentes, mas ser fiel aos culpados não permite buscar dentro de mim os meus lares, nem lidar com o meio. Chega de hipocrisia! Muita coisa feia ainda vai aparecer por aí e nos indignar, até que façamos a mesma coisa. Se vai ficar, se vai passar, não sei. Mas isso não é uma questão de opinião. E isso é só uma questão de opinião.

By Mônica

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*Fonte by Bobiça

Se a Legião é Urbana, Há "Fábrica" na "Metrópole"

Antes de começar minhas divagações sobre o post desta semana, devo dizer que o fato das músicas escolhidas como tema de hoje serem do mesmo compositor foi uma coincidência incrível, pois até semana passada, nunca havia imaginado que “Metrópole” e “Fábrica”, da Legião Urbana, pudessem ser correlacionadas.

As duas músicas são do mesmo CD da Legião, o “Dois”, que como já diz o nome, foi o segundo disco da banda. Não posso deixar de falar do disco, já que as músicas de certo modo foram compostas no mesmo momento de inspiração de Renato Russo.

O CD “Dois” é com certeza o mais romântico da Legião. Não falo desse romantismo água com açúcar que permeia o atual cenário do rock nacional, e sim do modo como Renato escrevia sobre temas como: injustiça, deslocamento social e obviamente, amor.

Ao contrário da ira impregnada nas letras do primeiro disco da Legião, “Dois” era mais sutil, sem deixar de tocar nas feridas da sociedade brasileira. Na minha opinião, a sutileza dói mais que um esporro.

É ancorado nesta sutileza, que Renato escreveu “Fábrica”, a melhor crítica que o rock nacional produziu contra a exploração dos trabalhadores. Quem prestar atenção na letra vai ver que o compositor não critica só as grandes corporações, mas também nosso país que não é capaz de oferecer justiça, nem trabalho honesto para as pessoas, que são obrigadas a tirar suas esperanças de seus salários de fome.

Será que existe algum lugar onde o mais forte não consegue escravizar quem não tem chance?

Quem guarda os portões da fábrica? Com essa pergunta, Renato mostra a mesma curiosidade em que Cazuza tinha quando perguntou em “Brasil”, quem é que paga pra a gente ficar assim. Minha grande dúvida é: Será que o Brasil sabe quem guarda os portões da Fábrica?

Vamos atender ao pedido do poeta e fazer uma revolução ao contrário da de 1964, vamos pegar o dinheiro roubado da burguesia, que governa este país, e fez o céu ficar cinza com as chaminés de suas fábricas.

“Metrópole” e “Fábrica” são gêmeos, mas não idênticos. Porque a segunda música desse post, é uma grande sátira contra a burocracia que impera na grande “Fábrica” (Brasil). Aonde quem não tem senha, não tem lugar marcado. E mesmo em posse de uma, não pode ser atendido, porque já passa do horário. Mas em todo caso, eles já tem a sua ficha. Mas...que adianta? Seu problema não pode ser resolvido, porque é contra o regulamento, que é um texto cheio de parágrafos. E inútil como este que você está lendo.

Nosso dia vai chegar, teremos nossa vez, mas sem carteirinha não tem atendimento.

By Eduardo

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terça-feira, 3 de novembro de 2009

Poema (Cazuza) X Quase um Segundo (Paralamas do Sucesso)

O post dessa semana está me matando, preciso confessar. São duas músicas de enorme peso na minha vida, e meu medo de falhar ao expressar isso é terrível. Saibam de antemão, que ao final não estarei satisfeita, e farei mil críticas dizendo que poderia ser melhor. E poderia, mesmo. Mas enfim. Citarei grandes poetas. Idéias que me fascinam, traduzidas em letras em harmonia com melodias perfeitas que emocionam àqueles que sentem a música. Falo de sonhos, pesadelos, lembranças doces e necessidade de afeto.

Para tal façanha, peço ajuda. A Cazuza, lógico. E a Herbert Vianna, porque não? Nesse confronto de poetas do topo do rock brasileiro em sua melhor fase, discurso sobre “Poema” X “Quase um Segundo”. Acho que os próprios títulos se ligam. Poema remete uma lembrança poética e idealizada do passado. Será que você ainda pensa em mim? Por Quase um segundo, talvez. Como um rastro brilhante de estrela cadente. É a beleza do que aconteceu há minutos atrás.

Não sei se todos sabem, inclusive meu parceiro musical, mas Cazuza interpretou brilhantemente a letra que agora uno à dele nessa divagação sentimental. Quase um segundo então, foi interpretada por Cazuza, o mesmo que agora é “comparado” à Herbert no que diz respeito à poesia e música. Poema, melhor dizendo.

Em “Poema”, Cazuza fala de um pesadelo que o acordou e o fez voltar à sua infância, e boas lembranças que ficaram guardadas lá atrás. E lamenta de forma doce e suave sobre como perdemos no caminho, com o tempo, o encanto e algo mais que nos faz sentir o passado com um aperto irremediável.

Já Herbert, que vive o suficiente para ter muitas dores no caminho que meu adorado Agenor não teve o desprazer de conhecer, fala de um único estante. Uma mínima fração, pela eternidade. Um segundo numa imensidão. Ou quase isso. E pra ele, a dor parece ser mais enfática que a doçura dos bons tempos. Ele quer se transformar em algo que o faz ter de volta, a paz que ele perdeu ao ter um sonho ruim, que representava a queda de tudo aquilo que era o mundo pra ele.

Ele só quer isso de volta, e é justo. Cazuza também quer, mas ele já se sente afortunado por ter acontecido. É aquela história de não se lamentar pelo fim, mas sorrir por ter existido. Enquanto Herbert teve um sonho ruim e acordou chorando, Cazuza teve um pesadelo, e levantou a tempo de não chorar, apesar de ter medo (sonhos são apenas sonhos...e nada mais?). Medo que outrora, era motivo de choro, pra que ele pudesse receber um afago consolador de que tudo ficaria bem. Esse mesmo afago, não existe agora. Isso o traz memórias de um tempo feliz, e é isso que impede as lágrimas de transbordarem incontidas.

Eu queria ver no escuro do mundo onde está tudo o que você quer. Pra me transformar no que te agrada. E do escuro eu via um infinito sem presente, passado ou futuro. Mas tinha uma coisa sua que ficou em mim, e não tem fim. Teus pêlos, teu gosto, teu rosto, tudo. Que não me deixa em paz. São as cores e as coisas pra te prender? Será que isso impede de perder alguma coisa no caminho? Morna e ingênua, que nos remete a um abraço forte. E eu te odeio por quase um segundo, porque você não está aqui. Mas depois, te amo mais, pelo carinho que deixou em mim. Será que você, onde quer que esteja, ainda pensa em mim? Eu acordei chorando. Será que posso te ligar? Existe telefone nas estrelas? Não estou reclamando abrigo, sei que é escuro e frio, mas também é bonito, porque é iluminado. E fica a beleza do que aconteceu há minutos (ou vidas) atrás.

By Mônica

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Quando o Sol Bater na Janela do teu Quarto (Legião Urbana) X A Orelha de Eurídice (Cazuza)

Já percebi que adoro fazer textos que tenham alguma história oculta, peculiaridades que poucos conheçam. E para não fugir a essa “regra”, hoje as duas músicas escolhidas foram “Quando o Sol Bater na Janela do Teu Quarto”, da Legião Urbana e “A Orelha de Eurídice”, do Cazuza. Se os deuses do rock não fizessem Cazuza pagar um preço alto por sua vida louca, vida. E se Renato Russo tivesse composto a música para “A Orelha...”, essa seria a primeira e única parceria dos maiores poetas do rock nacional. Às vezes acho que seria pedir demais uma música assinada pelos dois. Já foi tão mágico poder ter dois poetas dessa grandeza vivendo suas respectivas fases áureas na mesma época.

“Quando o Sol...”, é um dos grandes hinos da Legião (chamar de clássico seria redundante, porque todas as músicas da Legião são clássicas, nem que seja para pelo menos uma pessoa, mas são!). Ela é fruto de uma fase mais introspectiva e espiritual do mentor e letrista da banda. A música faz parte do CD “As Quatro Estações”, que tem uma poesia que eu costumo chamar de erudita. Renato utilizou tantas referências para compor as letras (de um livro sobre budismo, que ele encontrou numa gaveta de um hotel onde a Legião ficou hospedada, até citações de “Os Lusíadas”, uma epopéia portuguesa escrita por Luís de Camões), que o CD pode ser considerado uma obra cosmopolita e não apenas brasileira. Mas chega de falar do CD e vamos à música.

O altruísmo de “Quando o Sol Bater na Janela do Teu Quarto”, é com certeza o ponto mais forte dessa letra, a preocupação do autor em nos dizer que o a humanidade é desumana, mas que ainda temos chances, é de uma visceralidade emocionante. A pessoa que no mínino não se arrepia quando Renato diz: “O Sol nasce para todos, só não sabe quem não quer...”, é porque é uma dessas pessoas que não querem ver o sol nascer, e sentem dor por se excluírem do mundo, e o fazem, porque tem desejo de não sentir dor. Renato realmente era um visionário, e tolos são aqueles que acham que suas composições são de fácil compreensão, pois só escrevendo esse post que entendi o que ele quis dizer com: “Tudo é dor, e toda dor vem do desejo, de não sentirmos dor”. Até para sermos felizes nós precisamos sentir dor, às vezes, até o amor machuca, mas você desiste dele quando isso acontece...Ou segue em frente? Se desistir, vai sentir dor, por ter tido o desejo de não senti-la.

Ao contrário de Renato Russo, Cazuza escrevia sobre o egoísmo e sabia ver beleza nisso. É fácil achar bonito um texto que fala na terceira pessoa do plural, difícil é achar quem admire alguém que escreva na primeira pessoa do singular. Eu admiro!

“A Orelha de Eurídice” aborda o mesmo tema de “Quando o Sol Bater...”, com a diferença, que para encontrar altruísmo nas letras de Cazuza, você tem que ter ouvidos atentos, e garimpar cada letra desferida pelo poeta, que nos convoca para termos idéias juntos. E quando diz que: “Você na multidão, você diferente”, aponta para nossa cara e diz que devemos fazer algo diferente para mudar o rumo da história, que devemos acreditar que é possível mudar o mundo com nossos moinhos de vento. Por que nossa coragem some com o vento de meia-hora atrás? É a alma quem castiga o corpo, esta é a mensagem? Não é só a cicatriz que identifica o ser amado (lembre que o amor também machuca). Temos que achar uma maneira, não importa se está chovendo uma chuva sem vento. Lembra e vê que o caminho é um só.

No fundo... Eu já estou cansado de não gostar de mim!

By Eduardo


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